terça-feira, 21 de julho de 2026

China combina liderança política, desenvolvimento centrado no povo e autorrenovação partidária

A construção do Partido Comunista da China na nova era constitui tanto uma profunda questão teórica quanto uma grande prática histórica que acompanha o desenvolvimento dos tempos. Ela representa um verdadeiro laboratório histórico, no qual os princípios fundamentais do marxismo são aplicados de forma criativa às condições concretas da China no século XXI. Foi justamente nesse contexto que a China contemporânea alcançou realizações de grande destaque mundial em áreas como o avanço da modernização socialista, a concretização do grande projeto de rejuvenescimento nacional e o aumento de sua influência internacional. Esses grandes êxitos estão intimamente relacionados à liderança centralizada e unificada do Partido Comunista da China e à sua orientação estratégica.

Ao longo de mais de cem anos de luta, o Partido Comunista da China transformou o destino de centenas de milhões de pessoas e conseguiu gradualmente transformar um tradicional país agrícola atrasado, devastado por guerras, em uma grande nação que hoje lidera o desenvolvimento econômico, social e tecnológico global. Ao investigar a trajetória do desenvolvimento chinês e o segredo de seu sucesso ao romper com o mito de que “modernização é igual a ocidentalização”, é possível identificar três pilares fundamentais que sustentam esse processo.

<><> A liderança partidária como eixo da modernização chinesa

Primeiro, manter e fortalecer a liderança abrangente do Partido Comunista da China constitui não apenas a característica mais essencial do socialismo com características chinesas, mas também a garantia fundamental para a construção institucional e a implementação prática da modernização chinesa. Sem dúvida, o Partido Comunista da China é uma força central indispensável para manter a estabilidade do país e promover seu desenvolvimento nacional. Ele coordena a situação geral, articula as diferentes áreas e desempenha o papel de uma âncora estabilizadora no planejamento estratégico do desenvolvimento nacional.

Diferentemente dos partidos políticos no contexto ocidental, que muitas vezes funcionam como máquinas eleitorais voltadas principalmente para disputas eleitorais ou como estruturas burocráticas administrativas, a função do Partido Comunista da China ultrapassa a simples formulação fragmentada de políticas públicas ou a gestão cotidiana dos assuntos administrativos. Ele atua como o “sistema nervoso central” de toda a sociedade e como o “cérebro e coração” da organização política do Estado.

Caso não existisse uma liderança forte do Partido Comunista da China, os planos de longo prazo destinados à modernização tecnológica, à promoção da inclusão social e ao aumento da participação internacional inevitavelmente perderiam sua coerência estratégica e sua capacidade de execução. Esse papel de liderança significa que qualquer grande transformação econômica ou social, caso se afaste do funcionamento eficiente do “motor político” representado pelo Partido Comunista da China, perderia sua força motriz fundamental e seu suporte institucional, tornando-se uma utopia política sem viabilidade prática.

<><> Marxismo adaptado às condições da China

A razão pela qual o Partido Comunista da China consegue desempenhar seu papel de liderança central reside no fato de que ele sempre manteve sua firmeza política e construiu um sistema teórico científico que acompanha o desenvolvimento dos tempos. Durante o processo de construção do socialismo com características chinesas, a China sempre manteve os Quatro Princípios Fundamentais e promoveu continuamente a adaptação do marxismo às condições chinesas e à nova era.

Sob a orientação científica de uma série de teorias inovadoras, o Partido Comunista da China conseguiu superar a disputa ocidental por interesses de curto prazo, mantendo uma clareza estratégica de longo prazo e uma extraordinária capacidade de orientação. Portanto, o grande processo histórico pelo qual a China avança rumo à construção integral de um poderoso país socialista moderno não é uma cópia do modelo ocidental, mas sim o mais belo fruto alcançado pelo Partido Comunista da China em sua governança do país, por meio de sua poderosa capacidade de liderança política e de criatividade teórica.

<><> O desenvolvimento centrado nos interesses do povo

Segundo, a posição em favor do povo constitui o atributo essencial do Partido Comunista da China, que sempre foi o defensor fiel dos interesses fundamentais da mais ampla maioria da população.

A teoria e a prática contidas no Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era demonstram que o sucesso da China contemporânea não é fruto do acaso, mas deriva de uma linha política clara e firme. Os sistemas democráticos liberais ocidentais frequentemente tratam os partidos políticos como representantes de interesses de frações da classe dominante ou de grupos específicos de curto prazo. Em contraste, o Partido Comunista da China sempre se orientou pelas expectativas históricas do povo chinês e respondeu ativamente às necessidades concretas da população. O ponto de partida de seu desenho institucional consiste em proteger os interesses fundamentais da mais ampla maioria do povo.

Na China da nova era, a defesa de um modelo de desenvolvimento centrado no povo não é de forma alguma uma retórica vazia, mas sim uma orientação prática incorporada às políticas concretas e presente em todos os aspectos do desenvolvimento econômico e social. O exemplo mais evidente disso é a eliminação da pobreza absoluta.

<><> Combate à pobreza e ampliação do bem-estar social

A vitória da maior campanha de combate à pobreza da história da humanidade constitui uma prova do cumprimento, pelo Partido Comunista da China, de seu solene compromisso de promover o bem-estar do povo. Sob a forte liderança do Partido, a China retirou da pobreza a maior população da história e alcançou a construção integral de uma sociedade moderadamente próspera. Esse salto histórico não se manifesta apenas no crescimento do Produto Interno Bruto, mas também na ampla melhoria da educação, da saúde, da infraestrutura e das condições de vida, cumprindo efetivamente o princípio fundamental do Partido Comunista da China de “servir de todo o coração ao povo”.

Desde o início da nova era, as forças produtivas sociais da China alcançaram um desenvolvimento extraordinário, os caminhos de desenvolvimento entre as áreas urbanas e rurais e entre diferentes setores sociais foram continuamente ampliados, e o país manteve sua posição como a segunda maior economia do mundo, ocupando um papel importante na estrutura econômica global.

Essa série de grandes conquistas de desenvolvimento não representa simplesmente um “milagre do mercado”, mas sim o resultado inevitável da adesão do Partido Comunista da China à posição em favor do povo e de sua capacidade de transformar a teoria em eficácia prática na governança nacional.

Partindo dessa profunda experiência prática, podemos perceber claramente que a lógica de governança que coloca os interesses do povo em primeiro lugar expressa de maneira vívida a busca central de valores do Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era. Ao mesmo tempo, demonstra de forma convincente que esse modelo de governança centrado no povo constitui uma grande inovação e uma contribuição notável ao desenvolvimento da teoria marxista contemporânea e à experiência histórica do movimento comunista internacional.

<><> Autorrenovação, disciplina e construção partidária

Terceiro, a promoção abrangente da construção do Partido na nova era constitui um sólido apoio para estimular a vitalidade do desenvolvimento econômico, consolidar o consenso social e garantir a estabilidade e a paz duradoura do país. Essa prática está fundamentada no Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e se manifesta de maneira concentrada no Pensamento de Xi Jinping sobre a Construção do Partido.

O Partido Comunista da China sempre manteve uma clara consciência estratégica e compreendeu profundamente os riscos de um partido governante, durante um longo período no poder, desenvolver apatia espiritual e perder o espírito de iniciativa. Por essa razão, desde o XVIII Congresso Nacional do Partido Comunista da China, o Partido iniciou uma jornada de autorrenovação sem precedentes na história moderna da China.

A nova era exige que o Partido Comunista da China não apenas conduza o povo na marcha rumo a uma nova jornada histórica, mas também persista continuamente na promoção da sua própria purificação, aperfeiçoamento, renovação e elevação. O Partido deve combater constantemente o formalismo e o burocratismo, prevenir o enfraquecimento de sua natureza avançada devido à apatia espiritual e preservar permanentemente o caráter de um partido político marxista.

<><> Um modelo próprio de governança partidária

A lógica de autogovernança do Partido Comunista da China possui diferenças fundamentais em relação ao mecanismo de competição entre partidos políticos ocidentais. O Partido Comunista da China rejeita firmemente o caminho de simplesmente copiar o modelo liberal-democrático ocidental e adotar um sistema de competição multipartidária. Em vez disso, através da disciplina rigorosa, do fortalecimento do centralismo democrático e do aperfeiçoamento da governança interna, construiu um caminho de governança com características próprias.

Esse processo sempre enfatizou a combinação entre a preservação dos princípios fundamentais e a inovação, integrando profundamente os princípios básicos do marxismo com a realidade concreta da China e com a excelente cultura tradicional chinesa. Em outras palavras, por meio da construção institucional e da disciplina interna, o Partido Comunista da China garantiu, em um ambiente internacional complexo do século XXI, sua natureza avançada, sua pureza e sua poderosa capacidade de execução estratégica.

Com o amadurecimento gradual desse caminho, o Partido Comunista da China estabeleceu um sistema de governança partidária caracterizado por disciplina rigorosa, funcionamento ordenado e capacidade efetiva de adaptação às mudanças e de enfrentamento dos riscos. O Partido sempre enfatizou a necessidade de manter firmeza e resiliência estratégicas diante de um ambiente internacional em constante transformação, aperfeiçoando a capacidade abrangente dos quadros e membros partidários para enfrentar com tranquilidade novos desafios e utilizando a unidade ideológica de todo o Partido para resistir aos diversos riscos e incertezas externas.

<><> Governança interna e rejuvenescimento nacional

Atualmente, tendo como orientação fundamental o Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era, o Partido Comunista da China pratica profundamente esse Pensamento e promove de forma abrangente a modernização do sistema de governança interna do Partido. Esse processo desempenha o papel de “locomotiva” na promoção da modernização do sistema e da capacidade de governança nacional, formando uma alta convergência estratégica com a missão histórica de promover o grande rejuvenescimento da nação chinesa.

Sob a orientação científica do Pensamento de Xi Jinping sobre a Construção do Partido, essa construção na nova era não é simplesmente uma questão interna de ajuste da estrutura organizacional, mas sim uma grande estratégia abrangente que busca utilizar a autorrenovação do Partido para liderar a grande revolução social, coordenando a inovação da teoria marxista, a defesa da soberania e da segurança nacional, a construção da modernização socialista, o desenvolvimento da civilização espiritual, o aperfeiçoamento do sistema de governança abrangente e rigorosa do Partido e a mobilização e união das massas populares.

Como força central que impulsiona a profunda transformação social da China contemporânea, o Partido Comunista da China integrou profundamente a governança interna do Partido com o desenvolvimento geral do país. Essa organização estratégica não apenas representa uma nova elevação no domínio científico das leis que regem a governança de um grande partido centenário em longo prazo, proporcionando uma sólida garantia organizacional para a realização do grande rejuvenescimento da nação chinesa e assegurando um avanço estável e duradouro da modernização chinesa, como também oferece ao mundo uma nova proposta chinesa para a exploração da governança nacional e do desenvolvimento dos sistemas partidários.

¨      Além da agricultura: a China rural descobre “uma nova colheita”. Por Fernando Capotondo

A China gosta de impressionar com as estatísticas de seu campo para explicar como um país que possui apenas 9% das terras cultiváveis do planeta consegue alimentar quase um quinto da humanidade. Ao lado do mais recente recorde de 714,9 milhões de toneladas de cereais — um volume equivalente ao produzido por Índia, Estados Unidos e Brasil juntos — soma-se agora uma reconversão comercial que envolve milhares de propriedades rurais, onde o negócio tradicional da produção agrícola convive com a cobrança de ingressos, algo impensável há poucos anos.

Sob o nome de agricultura do lazer, o modelo oferece experiências rurais voltadas para pessoas que cresceram cercadas por prédios e descobrem que os vegetais não nascem nas prateleiras dos supermercados. Não se trata de um público marginal. Hoje, 67,9% dos chineses vivem em áreas urbanas, uma transformação demográfica que ampliou a demanda por esse tipo de escapada para fazendas que oferecem hospedagem, gastronomia e colheitas abertas ao público.

Foi justamente com esses serviços que surgiu um novo negócio. Em muitos casos, a renda deixou de depender apenas da comercialização de arroz, frutas ou chá e passou a incluir milhares de turistas dispostos a pagar para passar algumas horas no campo. Em 2024, o setor movimentou mais de US$ 132 bilhões e, segundo dados oficiais, cerca de 587 mil propriedades rurais já participam dessas atividades em todo o país.

Embora possa parecer estranho para um país que parece ter inventado tudo, a ideia não nasceu em Pequim. Já existiam experiências semelhantes no Japão, na Coreia do Sul e em diversos países europeus. A diferença é que a China fez o que já demonstrou saber fazer: tomou uma ideia conhecida e a transformou em um fenômeno de escala nacional, em um contexto marcado pelo envelhecimento da população e pelas profundas desigualdades de desenvolvimento entre as cidades costeiras e as regiões mais pobres do interior.

O crescimento da agricultura do lazer coincide com a segunda fase de uma estratégia de revitalização impulsionada pelo Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais. Depois de declarar erradicada a pobreza extrema em 2021 — uma meta política de forte simbolismo para o governo —, o objetivo oficial passou a ser consolidar os avanços obtidos no campo por meio do desenvolvimento de novas atividades econômicas. Em 2025, a renda disponível per capita da população rural alcançou 24.456 yuans, registrando crescimento de 6% em relação ao ano anterior.

Para Wu Liyun, professora da Universidade de Estudos Internacionais de Pequim, “o turismo pode devolver habitantes ao campo”, em um cenário demográfico no qual dois em cada três cidadãos vivem em cidades. Segundo ela, a chegada de visitantes favorece investimentos em infraestrutura, gera empregos e cria incentivos para que parte dos jovens que migraram para os centros urbanos retorne às suas cidades de origem para empreender. Dessa forma, o campo deixa de vender apenas alimentos e passa a oferecer tranquilidade, identidade local e uma versão idealizada da vida rural, voltada sobretudo para a classe média urbana.

Um exemplo dessa transformação é o parque ecoturístico rural Rice-Fish Space, localizado na província de Sichuan, no sudoeste da China. Trata-se de um complexo de 70 hectares que combina arrozais com criação de peixes por meio de um sistema de economia circular, capaz de economizar entre 20% e 30% de água e reduzir em mais de 40% o uso de fertilizantes químicos. “Passamos de ‘vender arroz’ para ‘vender paisagens’”, resume Zhao Jianwen, responsável pelo empreendimento, em um relatório da agência Xinhua.

A essa reconversão visual soma-se uma curiosidade tecnológica: em muitas regiões, as colheitas já não param ao anoitecer e continuam durante as 24 horas do dia graças ao uso de drones equipados com sistemas de iluminação de alta potência. Essa dinâmica de trabalho noturno também se tornou uma atração para os visitantes, que observam de mirantes os campos iluminados sob o voo dos equipamentos.

Cada região encontrou sua própria maneira de gerar receita. Nos arredores de Pequim e Xangai, o negócio assumiu a forma de fazendas de fim de semana para que os filhos de executivos tenham contato com a vida rural; no sul tropical de Yunnan, as plantações de chá foram transformadas em hotéis de design com oficinas de degustação inspiradas em tradições ancestrais; enquanto, nas províncias do interior, como Guizhou, os terraços agrícolas tradicionais e as minorias étnicas passaram a compor o cenário de uma indústria que comercializa autenticidade cuidadosamente apresentada ao público.

A nostalgia do campo, por si só, não explica esse mercado. Após a pandemia, o turismo interno chinês buscou novas formas de lazer, e milhões de moradores das grandes cidades passaram a optar por viagens curtas a destinos próximos. A expressiva melhoria da infraestrutura rodoviária e ferroviária facilitou esses deslocamentos, abrindo oportunidades para localidades que, até poucos anos atrás, dependiam exclusivamente da agricultura de subsistência.

Apesar dos avanços, o modelo dificilmente conseguirá ocultar os problemas estruturais da agricultura chinesa, como a perda de terras cultiváveis para a expansão urbana. Nesse sentido, o sociólogo Ye Jingzhong, decano de Desenvolvimento Rural da Universidade Agrícola da China, alerta para os riscos dessa transformação ao afirmar que “o desenvolvimento rural é dominado pela lógica urbana, que trata o campo como um mero espaço de consumo”. Para o especialista, essa expansão cria uma dependência arriscada de uma demanda externa e corre o risco de transformar aldeias históricas em parques temáticos, nos quais a identidade real acaba subordinada à rentabilidade.

Em um país acostumado à produção em massa, o campo encontrou uma segunda colheita. Desta vez, ela não segue em um trem carregado de grãos. Chega em um carro elétrico, é compartilhada no Douyin (a versão chinesa do TikTok) e retorna à cidade com uma sacola de verduras debaixo do braço. Trata-se de uma experiência que nenhum supermercado seria capaz de vender.

 

Fonte: Por José Reinaldo Carvalho, em Brasil 247

 

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