Atentado
contra Hitler completou 82 anos
Às
12h42 de 20 de julho de 1944, uma bomba explodiu no barracão de reuniões do
quartel-general Wolfsschanze, do Exército nazista, na Prússia Oriental.
Depositada pelo conde Claus Schenk von Stauffenberg, coronel da Wehrmacht, sua
finalidade era matar o ditador Adolf Hitler.
Antes
um fervoroso nazista, agora, após cinco anos de Segunda Guerra Mundial, com a
Alemanha perdendo visivelmente, Stauffenberg não via alternativa: "Então
não há mais nada a fazer além de matá-lo", dissera alguns dias antes a
seus confidentes mais próximos.
Stauffenberg
não apenas foi o autor do atentado como
também o principal organizador de uma tentativa de golpe em ampla escala
por parte de círculos conservadores, que incluíam militares de alta patente –
vários de origem nobre –, diplomatas e funcionários administrativos.
O
oficial deixou a sala pouco antes de a bomba detonar, e do lado de fora viu a
explosão. Ao voar para Berlim pouco depois, acreditava que Hitler estava morto.
Na
capital, se iniciava a Operação Valquíria, originalmente um plano da Wehrmacht
(Forças Armadas nazistas) para suprimir uma possível revolta. Os conspiradores,
espalhados por toda parte em postos decisivos do aparato estatal, pretendiam
transformar a operação num golpe.
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Fim sumário da tentativa de golpe
Mas
Hitler escapou com uns poucos ferimentos leves. A pesada mesa de carvalho e as
janelas da sala, escancaradas devido ao calor do verão, desviaram a pressão da
explosão. Mesmo assim, no entanto, o golpe não estaria descartado se os
envolvidos tivessem executado sem desvios a Operação Valquíria.
Mas
houve atrasos, contratempos e planejamento deficiente. Além disso, sob a enorme
pressão de serem descobertos, alguns dos membros ficaram passivos ou até mesmo
trocaram de lado. À noite, já estava claro que a tentativa de golpe fracassara.
Hitler se dirigiu à população pelo rádio, evocando a "providência"
que o salvara.
Stauffenberg
e vários outros conspiradores foram presos e fuzilados no mesmo dia. Outros
foram descobertos mais tarde. No total, foram executados cerca de 200 membros
da resistência.
Para o
historiador Wolfgang Benz, a principal razão para o fracasso foi "nenhum
dos famosos comandantes do Exército" da época, como o general Erwin
Rommel, ter aderido diretamente à operação: "Pelo menos um deles deveria
ter assumido a liderança, então o povo diria: 'Ah, o Rommel também considera o
Hitler um criminoso.'"
Apesar
disso, o 20 de julho de 1944 se tornou um forte símbolo da resistência contra
Hitler. Henning von Tresckow, co-conspirador de Stauffenberg, chegara à
conclusão, alguns dias antes, de que o fator decisivo não era o êxito,
"mas que o movimento de resistência alemão ousou fazer a jogada decisiva,
perante o mundo e a história, pondo a própria vida em risco".
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Culto discutível?
A
celebração do atentado teve sua própria história: até muito depois da guerra,
os autores eram considerados traidores. Inicialmente negou-se uma pensão à
viúva de Stauffenberg. Mais tarde os conspiradores ganharam o status oficial de
heróis: são numerosas as ruas, escolas e quartéis com seus nomes; bandeiras são
hasteadas diante de prédios públicos no 20 de Julho.
No
aniversário do atentado, realizam-se cerimônias de juramento dos recrutas da
Bundeswehr. Para os militares da Alemanha democrática, os membros da
resistência liderados pelo ex-oficial da Wehrmacht Stauffenberg são figuras de
identificação.
Mas
sempre houve vozes críticas a esse culto. O biógrafo de Stauffenberg, Thomas
Karlauf, ressalta que o grupo só passou a agir em meados de 1944, logo após o
desembarque dos aliados na Normandia. Mas, por volta de 1940, após as rápidas
vitórias militares sobre a Polônia e a França, Stauffenberg ainda se referia às
conquistas com entusiasmo: "Que transformação, em prazo tão curto!"
Para
ele e outros homens de resistência militar, houve um "caminho muito, muito
longo até a catarse", diz Benz, acrescentando: "O Holocausto não lhes
interessava de forma alguma." Diante da iminente derrota militar,
pretendia-se, através de um golpe de Estado, "salvar o que podia ser
salvo" para a Alemanha.
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Stauffenberg não foi o único
Segundo
o também historiador Johannes Hürter, Stauffenberg não era um democrata e
imaginava uma forma autoritária de governo para a Alemanha caso o atentado
tivesse sido bem-sucedido.
Benz é
menos severo: "De qualquer modo, a Alemanha teria voltado a ser um Estado
de Direito, mas uma democracia nos nossos moldes, como estabelecido na Lei
Fundamental [Constituição] alemã, não era a visão dos conspiradores do 20 de
Julho."
Controvérsias
à parte, quando se trata da resistência ao nacional-socialismo, muitos alemães
pensam, em primeira linha, nesse episódio, com o conde Claus Schenk von
Stauffenberg como figura de proa do movimento.
Mas
houve outras ações, como a quase bem-sucedida tentativa do artesão Georg Elser,
em 1939, de matar Hitler com uma bomba caseira na cervejaria Bürgerbräukeller,
em Munique, onde o ditador discursava; ou a distribuição de panfletos pelo
grupo de resistência antinazista Rosa Branca.
Mais
tarde, tais ações ficaram injustamente na sombra da "resistência tardia,
para não dizer atrasada, das elites conservadoras", como Benz define o
atentado de 20 de julho de 1944.
Certo é
que muitos outros heróis e heroínas se ergueram contra o terror do regime:
judeus, comunistas, eclesiásticos, artistas, ativistas. E certamente também
gente que resistiu de forma silenciosa, quase invisível, e cujas ações hoje
caíram no esquecimento.
Fonte:
DW Brasil

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