terça-feira, 21 de julho de 2026

Tarifas de Trump não vão funcionar e fortalecerão Lula, diz Nobel de Economia

O economista americano Paul Krugman publicou um artigo nesta segunda-feira (20/7) no qual afirma que as tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil não vão funcionar — e vão fortalecer o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Usar as tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá sucesso", afirma o economista, em artigo publicado no site Substack. Confirmadas na semana passada, as tarifas entram em vigor na próxima quarta-feira (22/07).

Krugman, que há exatamente um ano publicou um texto no qual classificou o Pix como "dinheiro do futuro", pontua que as tarifas vão fortalecer politicamente o presidente Lula.

"Economicamente, o alcance das tarifas será limitado", afirma, ao citar os temores do governo Trump em relação aos preços do café, suco de laranja, carne bovina, entre os produtos — alguns dos principais itens exportados pelo Brasil aos EUA.

Krugman, que ganhou o Nobel de Economia em 2008 e é professor da Universidade da Cidade de Nova York, afirma que o governo Trump tenta punir o Brasil pelo sucesso do Pix. "Por que é injusto um país oferecer a seus cidadãos uma maneira melhor de fazer compras e pagar contas?", questiona o economista em seu artigo.

"De certa forma, a administração Trump ainda tenta punir o Brasil por ser uma verdadeira democracia", diz Krugmann em seu texto. "Ao contrário dos EUA, o Brasil processou seu ex-presidente, Jair Bolsonaro, por tentar fomentar uma revolta após perder a última eleição", continua o economista.

Em seu artigo, o economista afirma também que a hostilidade de Trump em relação ao Pix ilustra a mesma posição do presidente dos EUA em relação à política energética. "Este governo se opõe ao progresso, sempre que o progresso contraria os interesses e a ideologia dos oligarcas que investiram dinheiro na campanha de Trump e no seu bolso", diz.

Krugman cita ainda um relatório do Fed (o Banco Central dos EUA) de 2022, que afirma que o Pix é uma moeda digital do Banco Central do Brasil, "análoga ao dinheiro de papel".

O economista questiona também: "Mas desde quando é uma prática comercial desleal uma empresa perder clientes para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?". E continua, com a pergunta: "Deveríamos fechar o serviço postal dos EUA porque ele oferece um serviço de entregas melhor e mais barato do que a UPS e a FedEx?"

No artigo, Krugman cita que o governo Trump estaria preocupado com o fato de o Pix e outros sistemas de pagamentos similares desafiarem a hegemonia internacional do dólar.

Mas, para o economista, o Brasil é um ator "pequeno demais para provocar impacto no sistema global de pagamentos". No entanto, argumenta Krugman, o dólar pode enfrentar um desafio real caso o Banco Central Europeu conseguir adotar um euro digital em 2029, como planejado. "Se isso acontecer, não é difícil imaginar que um número significativo de transações antes feitas em dólar passarão a ser feitas em euros digitais", escreve Krugman.

O Nobel de Economia continua: "o motivo pelo qual as pessoas podem optar pelo euro digital é porque os EUA não vão oferecer um meio de pagamento igualmente bom. Por que não vai ter um dólar digital?", questiona. E ele mesmo responde. "Não porque seja uma má ideia — como o Brasil demonstrou, seria uma ótima ideia. Mas existem poderosos grupos de interesse que se opõem a qualquer iniciativa desse tipo.

Na conclusão de seu artigo, Krugman cita o argumento da economista brasileira Monica de Bolle, para quem as tarifas fortalecem a posição do governo brasilero. Em entrevista à BBC News Brasil na semana passada, De Bolle avaliou que o impacto das tarifas de Trump deve ser restrito.

"Mas a evidente insensatez dessas novas tarifas não impedirá que elas aconteçam. O governo Trump declarou guerra ao futuro", conclui Krugman, ao afirmar que o presidente dos EUA nunca admite quando suas guerras fracassam.

¨      'Trump tentará punir Brasil por esse sucesso', diz Nobel de economia sobre ação do governo americano contra Pix

O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, criticou a investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Pix e afirmou que a ofensiva representa uma tentativa de punir o Brasil pelo sucesso do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Em artigo publicado nesta segunda-feira (20), Krugman afirma que o Pix se tornou uma referência mundial em pagamentos digitais e que a iniciativa do governo de Donald Trump não se sustenta do ponto de vista econômico.

"Trump tentará punir o Brasil por esse sucesso", escreveu o economista ao comentar a investigação comercial aberta pela administração americana com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O governo americano incluiu o Pix entre os temas da investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras consideradas desleais. Criado pelo Banco Central, o sistema permite transferências e pagamentos instantâneos entre pessoas e empresas.

Para Krugman, oferecer um sistema público de pagamentos mais barato e eficiente não configura uma prática comercial desleal.

"Por que seria desleal um país oferecer aos seus próprios cidadãos uma forma melhor de fazer compras e pagar contas?", questiona.

<><> Pix ampliou concorrência

Ao longo do artigo, o economista defende que o Pix aumentou a concorrência no mercado de pagamentos ao oferecer uma alternativa de baixo custo para consumidores e empresas.

Na avaliação dele, a popularização do sistema reduziu a dependência de meios tradicionais de pagamento e afetou empresas como Visa e Mastercard. Isso, porém, seria resultado da concorrência entre tecnologias, e não de uma vantagem indevida.

"Desde quando é uma prática comercial desleal que empresas percam mercado para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?", escreveu.

Krugman argumenta que a reação do governo americano reflete, em parte, a perda de espaço de empresas privadas diante de um sistema público considerado mais eficiente.

<><> Debate vai além do Pix

O Nobel usa o caso brasileiro para defender sistemas públicos de pagamentos e moedas digitais emitidas por bancos centrais.

Segundo ele, o sucesso do Pix demonstra que esse tipo de ferramenta pode tornar pagamentos eletrônicos mais baratos e eficientes. Já os Estados Unidos, afirma, ficaram para trás nesse debate devido à resistência política e à pressão de grupos ligados ao mercado de criptomoedas.

"A verdadeira preocupação deles é que ela funcione bem demais", escreveu ao comentar a oposição à criação de um dólar digital.

Krugman também compara o caso brasileiro à experiência de El Salvador com o Bitcoin. Para ele, enquanto o Pix se tornou amplamente utilizado pela população, a tentativa do governo salvadorenho de transformar a criptomoeda em um meio de pagamento de massa fracassou.

¨      Governo Lula amplia estratégia para enfrentar tarifaço e aposta em novos mercados

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traçou uma estratégia para reduzir os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Além de preparar um pacote de subsídios aos setores mais afetados, o Planalto deve intensificar o diálogo com representantes da indústria e do agronegócio para construir uma resposta ágil às medidas anunciadas por Washington. Paralelamente, o governo pretende acelerar a abertura de novos mercados para ampliar o destino das exportações brasileiras e diminuir a dependência do mercado estadunidense.

A avaliação, nos bastidores do governo, é de que a escuta permanente dos setores atingidos permitirá calibrar as medidas de apoio e dar maior rapidez às ações de enfrentamento. A intenção é reunir as demandas dos segmentos afetados para formular respostas capazes de preservar empregos, produção e competitividade.

Ao mesmo tempo, a gestão Lula aposta na diversificação dos parceiros comerciais como uma das principais alternativas para mitigar os efeitos das barreiras impostas pelos Estados Unidos. A estratégia inclui fortalecer relações com mercados já consolidados e ampliar negociações com novos destinos para os produtos brasileiros.

As iniciativas caminham em paralelo ao pacote de apoio econômico que será anunciado pelo governo federal. A expectativa é que as medidas combinem instrumentos de crédito e incentivos à produção com ações voltadas à expansão da presença do Brasil no comércio internacional.

No Planalto, a avaliação é de que a combinação entre diálogo com os setores produtivos, medidas de estímulo à economia e ampliação das relações comerciais coloca o país em uma posição mais sólida para enfrentar o avanço do protecionismo adotado pelo governo Donald Trump e reduzir seus impactos sobre a economia brasileira.

¨      Ordem de Lula é evitar reação que dê munição a Trump e Flávio Bolsonaro na crise das tarifas

Depois do tarifaço de 25% na semana passada, o governo brasileiro aguarda para esta ou próxima semana a definição sobre novo aumento de 12,5% de tarifas — fruto de uma investigação americana sobre importação de produtos produzidos com trabalho forçado em outros países.

A ordem no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é buscar aumentar a lista de exceções de produtos brasileiros sujeitos às novas tarifas e retomar as negociações.

Nada de radicalismo nem rompantes, como adotar de imediato medidas de reciprocidade, porque é isso, na avaliação de assessores presidenciais, que o presidente norte-americano Donald Trump e o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, desejam.

Se isso acontecer, ambos podem atacar o governo Lula de intransigente e afirmar que Lula submete os planos eleitorais aos interesses das empresas brasileiras.

O Brasil vai insistir na retomada das negociações, mas avalia que, se antes a equipe do presidente dos Estados Unidos não quis de fato negociar, não será agora que eles vão mudar de posição.

"Eles colocaram na mesa temas inviáveis de negociação. E eles sabiam disso. Ceder seria muito prejudicial para as empresas brasileiras, como zerar imposto de importação nos setores químicos, automotivos e de etanol", reclama um assessor presidencial.

O governo Lula calcula bem sua reação às decisões de Donald Trump porque, hoje, a maioria dos brasileiros tem uma avaliação negativa do presidente dos Estados Unidos e associa o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ao novo tarifaço.

Inicialmente, a equipe de Lula falou em acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, mas a preferência é por retomar as conversas. De todo modo, isso não está descartado, mas o processo é demorado.

🔎A Lei da Reciprocidade Econômica autoriza o governo brasileiro a adotar medidas contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil. Entre as possibilidades previstas estão a elevação de tarifas sobre produtos importados, a suspensão de benefícios comerciais e outras restrições econômicas.

A preferência é insistir nas negociações, buscando passar para o lado dos Estados Unidos a decisão de não retomar as conversas.

Por sinal, dentro do governo ninguém acredita que algo seja acordado antes das eleições presidenciais no Brasil.

Na avaliação de integrantes do governo, os últimos movimentos da equipe de Donald Trump são na linha de apoiar a eleição de Flávio Bolsonaro.

¨      De barões da indústria a barões da pisadinha: Fiesp de Skaf bajula Trump e trai o Brasil. Por Chico Alves

Houve um tempo em que os donos das grandes indústrias eram tratados como heróis do empreendedorismo nacional. Tanto que, ao estilo do que já acontecia nos Estados Unidos, vários deles ostentavam informalmente um título nobiliárquico: eram chamados de barões.

Um desses personagens até tinha o título oficial. Irineu Evangelista de Sousa foi sagrado Barão de Mauá em 1854  pelo Imperador D. Pedro II por reconhecimento ao seu pioneirismo na modernização do Brasil.

Os demais donos de indústria não ingressaram oficialmente no baronato, mas eram tratados pelo apelido. Em especial os empresários paulistas.

Hoje, o cenário mudou completamente.

A principal entidade representativa das indústrias paulistas não tem nada de heroica e nem de modernizadora.

A julgar pelas opiniões expressadas em nota sobre o tarifaço de Donald Trump, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, está muito mais para vilão que para mocinho.

Diante da absurda tarifa de 25% que o presidente dos Estados Unidos aplicou sobre vários produtos brasileiros, o bolsonarista Skaf assinou o texto mais humilhante que um líder empresarial poderia criar.

Como sempre acontece, culpou o governo pelo acontecido.

Citou “ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”.

O que Skaf considera como “desalinhamento político com Washington” é, na verdade, a resistência da gestão Lula em ficar de joelhos e aceitar todos os caprichos de Trump contra a indústria nacional.

Como o colunista do ICL Notícias Jamil Chade revelou em primeira mão, para negociar redução de tarifas o governo dos EUA exigiu que o Brasil barrasse investimentos chineses no setor de terras raras e minérios, além de abrir de forma plena o mercado nacional para bens americanos.

Segundo o texto da “proposta”, revelado por Jamil, os Estados Unidos exigiam do Brasil simplesmente “eliminar tarifas sobre bens industriais dos EUA, incluindo químicos, veículos e autopartes, produtos médicos e frutos do mar”.

Trump também queria que o governo brasileiro aceitasse “a importação de veículos produzidos nos EUA” não mais de acordo com as normas nacionais, mas seguindo “as Normas Federais de Segurança de Veículos Motorizados dos EUA”.

Além disso, os americanos queriam que aceitássemos “certificados eletrônicos e autorização prévia de comercialização do FDA (Food and Drug Administration dos EUA) para dispositivos médicos e produtos farmacêuticos produzidos nos EUA” sem contestação.

Diante disso, é difícil pensar em algo mais sabujo do que a rendição proposta pela nota da Fiesp, contra os interesses do próprio setor que diz representar.

O texto abjeto afirma ainda que “a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática”. Em uma palavra: capitulação.

Confirma-se assim que não restou nada de heroico aos industriais de hoje — ou ao menos aos que representam esse pedaço importante da economia brasileira.

Para bajular Trump, a Fiesp de Paulo Skaf  está disposta até mesmo a prejudicar as empresas brasileiras e pisar na soberania nacional.

Lamentavelmente, esses que foram um dia os barões da indústria estão hoje mais para barões da pisadinha.

 

Fonte: BBC News Brasil/Brasil de Fato/g1/ICL Notícias

 

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