Tarifas
de Trump não vão funcionar e fortalecerão Lula, diz Nobel de Economia
O economista americano Paul Krugman publicou um
artigo nesta segunda-feira (20/7) no qual afirma que as tarifas impostas pelo
governo Donald Trump ao Brasil não vão funcionar — e vão fortalecer o governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Usar
as tarifas para punir o Brasil por suas conquistas monetárias não terá
sucesso", afirma o economista, em artigo publicado no site Substack.
Confirmadas na semana passada, as tarifas entram em vigor na próxima
quarta-feira (22/07).
Krugman,
que há exatamente um ano publicou um texto no qual classificou o Pix como "dinheiro do
futuro",
pontua que as tarifas vão fortalecer politicamente o presidente Lula.
"Economicamente,
o alcance das tarifas será limitado", afirma, ao citar os temores do
governo Trump em relação aos preços do café, suco de laranja, carne bovina,
entre os produtos — alguns dos principais itens exportados pelo Brasil aos EUA.
Krugman,
que ganhou o Nobel de Economia em 2008 e é professor da Universidade da Cidade
de Nova York, afirma que o governo Trump tenta punir o Brasil pelo sucesso do
Pix. "Por que é injusto um país oferecer a seus cidadãos uma maneira
melhor de fazer compras e pagar contas?", questiona o economista em seu
artigo.
"De
certa forma, a administração Trump ainda tenta punir o Brasil por ser uma
verdadeira democracia", diz Krugmann em seu texto. "Ao contrário dos
EUA, o Brasil processou seu ex-presidente, Jair Bolsonaro, por tentar fomentar
uma revolta após perder a última eleição", continua o economista.
Em seu
artigo, o economista afirma também que a hostilidade de Trump em relação ao Pix
ilustra a mesma posição do presidente dos EUA em relação à política energética.
"Este governo se opõe ao progresso, sempre que o progresso contraria os
interesses e a ideologia dos oligarcas que investiram dinheiro na campanha de
Trump e no seu bolso", diz.
Krugman
cita ainda um relatório do Fed (o Banco Central dos EUA) de 2022, que afirma
que o Pix é uma moeda digital do Banco Central do Brasil, "análoga ao
dinheiro de papel".
O
economista questiona também: "Mas desde quando é uma prática comercial
desleal uma empresa perder clientes para um concorrente que oferece um produto
melhor e mais barato?". E continua, com a pergunta: "Deveríamos
fechar o serviço postal dos EUA porque ele oferece um serviço de entregas
melhor e mais barato do que a UPS e a FedEx?"
No
artigo, Krugman cita que o governo Trump estaria preocupado com o fato de o Pix
e outros sistemas de pagamentos similares desafiarem a hegemonia internacional
do dólar.
Mas,
para o economista, o Brasil é um ator "pequeno demais para provocar
impacto no sistema global de pagamentos". No entanto, argumenta Krugman, o
dólar pode enfrentar um desafio real caso o Banco Central Europeu conseguir
adotar um euro digital em 2029, como planejado. "Se isso acontecer, não é
difícil imaginar que um número significativo de transações antes feitas em
dólar passarão a ser feitas em euros digitais", escreve Krugman.
O Nobel
de Economia continua: "o motivo pelo qual as pessoas podem optar pelo euro
digital é porque os EUA não vão oferecer um meio de pagamento igualmente bom.
Por que não vai ter um dólar digital?", questiona. E ele mesmo responde.
"Não porque seja uma má ideia — como o Brasil demonstrou, seria uma ótima
ideia. Mas existem poderosos grupos de interesse que se opõem a qualquer
iniciativa desse tipo.
Na
conclusão de seu artigo, Krugman cita o argumento da economista brasileira
Monica de Bolle, para quem as tarifas fortalecem a posição do governo
brasilero. Em entrevista à BBC News Brasil na semana passada, De Bolle avaliou que o impacto das
tarifas de Trump deve ser restrito.
"Mas
a evidente insensatez dessas novas tarifas não impedirá que elas aconteçam. O
governo Trump declarou guerra ao futuro", conclui Krugman, ao afirmar que
o presidente dos EUA nunca admite quando suas guerras fracassam.
¨
'Trump tentará punir Brasil por esse sucesso', diz Nobel
de economia sobre ação do governo americano contra Pix
O
economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, criticou a
investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Pix e afirmou
que a ofensiva representa uma tentativa de punir o Brasil pelo sucesso do
sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Em
artigo publicado nesta segunda-feira (20), Krugman afirma que o Pix se tornou
uma referência mundial em pagamentos digitais e que a iniciativa do
governo de Donald Trump não se sustenta
do ponto de vista econômico.
"Trump
tentará punir o Brasil por esse sucesso", escreveu o economista ao
comentar a investigação comercial aberta pela administração americana com base
na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
O
governo americano incluiu o Pix entre os temas da investigação sobre supostas
práticas comerciais brasileiras consideradas desleais. Criado pelo Banco
Central, o sistema permite transferências e pagamentos instantâneos entre
pessoas e empresas.
Para
Krugman, oferecer um sistema público de pagamentos mais barato e eficiente não
configura uma prática comercial desleal.
"Por
que seria desleal um país oferecer aos seus próprios cidadãos uma forma melhor
de fazer compras e pagar contas?", questiona.
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Pix ampliou concorrência
Ao
longo do artigo, o economista defende que o Pix aumentou a concorrência no
mercado de pagamentos ao oferecer uma alternativa de baixo custo para
consumidores e empresas.
Na
avaliação dele, a popularização do sistema reduziu a dependência de meios
tradicionais de pagamento e afetou empresas como Visa e Mastercard. Isso,
porém, seria resultado da concorrência entre tecnologias, e não de uma vantagem
indevida.
"Desde
quando é uma prática comercial desleal que empresas percam mercado para um
concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?", escreveu.
Krugman
argumenta que a reação do governo americano reflete, em parte, a perda de
espaço de empresas privadas diante de um sistema público considerado mais
eficiente.
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Debate vai além do Pix
O Nobel
usa o caso brasileiro para defender sistemas públicos de pagamentos e moedas
digitais emitidas por bancos centrais.
Segundo
ele, o sucesso do Pix demonstra que esse tipo de ferramenta pode tornar
pagamentos eletrônicos mais baratos e eficientes. Já os Estados Unidos, afirma,
ficaram para trás nesse debate devido à resistência política e à pressão de
grupos ligados ao mercado de criptomoedas.
"A
verdadeira preocupação deles é que ela funcione bem demais", escreveu ao
comentar a oposição à criação de um dólar digital.
Krugman
também compara o caso brasileiro à experiência de El Salvador com o Bitcoin.
Para ele, enquanto o Pix se tornou amplamente utilizado pela população, a
tentativa do governo salvadorenho de transformar a criptomoeda em um meio de
pagamento de massa fracassou.
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Governo Lula amplia estratégia para enfrentar tarifaço e
aposta em novos mercados
O
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traçou uma estratégia para
reduzir os impactos do tarifaço imposto pelos
Estados Unidos. Além de preparar um pacote de subsídios aos setores mais afetados, o Planalto deve
intensificar o diálogo com representantes da indústria e do agronegócio para
construir uma resposta ágil às medidas anunciadas por Washington.
Paralelamente, o governo pretende acelerar a abertura de novos mercados para
ampliar o destino das exportações brasileiras e diminuir a dependência do
mercado estadunidense.
A
avaliação, nos bastidores do governo, é de que a escuta permanente dos setores
atingidos permitirá calibrar as medidas de apoio e dar maior rapidez às ações
de enfrentamento. A intenção é reunir as demandas dos segmentos afetados para
formular respostas capazes de preservar empregos, produção e competitividade.
Ao
mesmo tempo, a gestão Lula aposta na diversificação dos parceiros comerciais
como uma das principais alternativas para mitigar os efeitos das barreiras impostas pelos Estados
Unidos.
A estratégia inclui fortalecer relações com mercados já consolidados e ampliar
negociações com novos destinos para os produtos brasileiros.
As
iniciativas caminham em paralelo ao pacote de apoio econômico que será
anunciado pelo governo federal. A expectativa é que as medidas combinem
instrumentos de crédito e incentivos à produção com ações voltadas à expansão
da presença do Brasil no comércio internacional.
No
Planalto, a avaliação é de que a combinação entre diálogo com os setores
produtivos, medidas de estímulo à economia e ampliação das relações comerciais
coloca o país em uma posição mais sólida para enfrentar o avanço do protecionismo adotado pelo governo
Donald Trump e
reduzir seus impactos sobre a economia brasileira.
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Ordem de Lula é evitar reação que dê munição a Trump e
Flávio Bolsonaro na crise das tarifas
Depois
do tarifaço de 25% na semana
passada,
o governo brasileiro aguarda para esta ou próxima semana a definição sobre novo
aumento de 12,5% de tarifas — fruto de uma investigação americana
sobre importação de produtos produzidos com trabalho forçado em outros países.
A ordem
no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é
buscar aumentar a lista de exceções de
produtos brasileiros sujeitos
às novas tarifas e retomar as
negociações.
Nada de
radicalismo nem rompantes, como adotar de imediato medidas de
reciprocidade,
porque é isso, na avaliação de assessores presidenciais, que o presidente
norte-americano Donald Trump e o senador e pré-candidato à
Presidência da República, Flávio Bolsonaro, desejam.
Se isso
acontecer, ambos podem atacar o governo Lula de intransigente e afirmar que Lula submete os
planos eleitorais aos interesses das empresas brasileiras.
O
Brasil vai insistir na retomada das negociações, mas avalia que, se antes a
equipe do presidente dos Estados Unidos não quis de fato negociar, não será
agora que eles vão mudar de posição.
"Eles
colocaram na mesa temas inviáveis de negociação. E eles sabiam disso. Ceder
seria muito prejudicial para as empresas brasileiras, como zerar imposto de
importação nos setores químicos, automotivos e de etanol", reclama um
assessor presidencial.
O
governo Lula calcula bem sua reação às decisões de Donald Trump porque, hoje, a
maioria dos brasileiros tem uma avaliação negativa do presidente dos Estados
Unidos e associa o pré-candidato do PL, Flávio
Bolsonaro, ao novo tarifaço.
Inicialmente,
a equipe de Lula falou em acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, mas a
preferência é por retomar as conversas. De todo modo, isso não está descartado, mas o
processo é demorado.
🔎A Lei da
Reciprocidade Econômica autoriza o governo brasileiro a adotar medidas contra
países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais consideradas
prejudiciais ao Brasil. Entre as possibilidades previstas estão a elevação de
tarifas sobre produtos importados, a suspensão de benefícios comerciais e
outras restrições econômicas.
A
preferência é insistir nas negociações, buscando passar para o lado dos Estados
Unidos a decisão de não retomar as conversas.
Por
sinal, dentro do governo ninguém acredita que algo seja acordado antes das
eleições presidenciais no Brasil.
Na
avaliação de integrantes do governo, os últimos movimentos da equipe de Donald
Trump são na linha de apoiar a eleição de Flávio Bolsonaro.
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De barões da indústria a barões da pisadinha: Fiesp de
Skaf bajula Trump e trai o Brasil. Por Chico Alves
Houve
um tempo em que os donos das grandes indústrias eram tratados como heróis do
empreendedorismo nacional. Tanto que, ao estilo do que já acontecia nos Estados
Unidos, vários deles ostentavam informalmente um título nobiliárquico: eram
chamados de barões.
Um
desses personagens até tinha o título oficial. Irineu Evangelista de Sousa foi
sagrado Barão de Mauá em 1854 pelo Imperador D. Pedro II por
reconhecimento ao seu pioneirismo na modernização do Brasil.
Os
demais donos de indústria não ingressaram oficialmente no baronato, mas eram
tratados pelo apelido. Em especial os empresários paulistas.
Hoje, o
cenário mudou completamente.
A
principal entidade representativa das indústrias paulistas não tem nada de
heroica e nem de modernizadora.
A
julgar pelas opiniões expressadas em nota sobre o tarifaço de Donald Trump, o
presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo
Skaf, está muito mais para vilão que para mocinho.
Diante
da absurda tarifa de 25% que o presidente dos Estados Unidos aplicou sobre
vários produtos brasileiros, o bolsonarista Skaf assinou o texto mais
humilhante que um líder empresarial poderia criar.
Como
sempre acontece, culpou o governo pelo acontecido.
Citou
“ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos
eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos
construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”.
O que
Skaf considera como “desalinhamento político com Washington” é, na verdade, a
resistência da gestão Lula em ficar de joelhos e aceitar todos os caprichos de
Trump contra a indústria nacional.
Como o colunista do ICL Notícias
Jamil Chade revelou em primeira mão, para negociar redução de tarifas o governo
dos EUA exigiu que o Brasil barrasse investimentos chineses no setor de terras
raras e minérios, além de abrir de forma plena o mercado nacional para bens
americanos.
Segundo
o texto da “proposta”, revelado por Jamil, os Estados Unidos exigiam do Brasil
simplesmente “eliminar tarifas sobre bens industriais dos EUA, incluindo
químicos, veículos e autopartes, produtos médicos e frutos do mar”.
Trump
também queria que o governo brasileiro aceitasse “a importação de veículos
produzidos nos EUA” não mais de acordo com as normas nacionais, mas seguindo
“as Normas Federais de Segurança de Veículos Motorizados dos EUA”.
Além
disso, os americanos queriam que aceitássemos “certificados eletrônicos e
autorização prévia de comercialização do FDA (Food and Drug Administration dos
EUA) para dispositivos médicos e produtos farmacêuticos produzidos nos EUA” sem
contestação.
Diante
disso, é difícil pensar em algo mais sabujo do que a rendição proposta pela
nota da Fiesp, contra os interesses do próprio setor que diz representar.
O texto
abjeto afirma ainda que “a retaliação comercial poderia ter sido evitada com
uma condução técnica e pragmática”. Em uma palavra: capitulação.
Confirma-se
assim que não restou nada de heroico aos industriais de hoje — ou ao menos aos
que representam esse pedaço importante da economia brasileira.
Para
bajular Trump, a Fiesp de Paulo Skaf está disposta até mesmo a prejudicar
as empresas brasileiras e pisar na soberania nacional.
Lamentavelmente,
esses que foram um dia os barões da indústria estão hoje mais para barões da
pisadinha.
Fonte:
BBC News Brasil/Brasil de Fato/g1/ICL Notícias

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