terça-feira, 21 de julho de 2026

Dor de cabeça pode ser sinal de doença grave

A cefaleia, conhecida popularmente como dor de cabeça, afeta até 95% da população em algum momento da vida, segundo a Academia Brasileira de Neurologia. Embora seja um sintoma frequente, especialistas alertam que, em alguns casos, ela pode indicar problemas de saúde potencialmente graves, tornando essencial a avaliação médica.

A dor de cabeça também está entre os principais — mas não os únicos — sintomas da enxaqueca, doença neurológica crônica, hereditária e sem cura, que afeta cerca de 15% da população mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a estimativa é de que aproximadamente 30 milhões de pessoas convivam com a condição.

Apesar de estar presente na maioria das crises de enxaqueca, a cefaleia também pode ter causas secundárias e se manifestar de diferentes formas, incluindo quadros agudos, crônicos ou cefaleia em salvas.

“A cefaleia em salvas é um tipo de dor extremamente intensa, sempre de um lado da cabeça, geralmente ao redor do olho, acompanhada de lacrimejamento e congestão nasal. As crises podem durar de 15 a 40 minutos, chegando a até duas horas, e podem ocorrer várias vezes ao dia, o que reforça a necessidade de diagnóstico correto e acompanhamento especializado”, diz a neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, cefaleia em salvas e outras cefaleias.

O principal sinal de atenção, segundo a especialista, é quando a dor apresenta características diferentes do habitual. Uma cefaleia intensa e de início súbito, frequentemente descrita como a pior da vida, deve ser considerada uma emergência, principalmente quando surge sem histórico prévio ou evolui rapidamente.

Nessas situações, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, pois o quadro pode estar relacionado a doenças graves, como rompimento de aneurisma cerebral ou meningite.

“Outro sinal importante de alerta é a recorrência frequente das dores, especialmente quando interferem na rotina. Se a pessoa apresenta três ou mais episódios de dor de cabeça por mês, por mais de três meses, é recomendada avaliação com neurologista para investigação adequada. Mesmo quando não há sinais de gravidade imediata, a persistência do sintoma não deve ser ignorada, pois pode indicar enxaqueca não diagnosticada ou mal controlada”, orienta Thais.

Outro aspecto que merece atenção é a cronificação da enxaqueca, que pode ocorrer com o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios. Embora esses medicamentos promovam alívio temporário, eles não tratam a causa da doença e podem contribuir para o aumento da frequência, da intensidade e da duração das crises ao longo do tempo.

Além disso, fatores relacionados à alimentação podem funcionar como gatilhos em pessoas com maior sensibilidade cerebral. Entre eles estão substâncias estimulantes, como a cafeína, alimentos termogênicos — como gengibre, cúrcuma e canela — e o glutamato monossódico presente em produtos industrializados, como shoyu e temperos prontos.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para controlar a enxaqueca e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. O acompanhamento deve ser integrado e multidisciplinar, considerando as características individuais de cada pessoa.

“Entre as abordagens terapêuticas mais modernas para o manejo da enxaqueca estão a toxina botulínica e os anticorpos monoclonais anti-CGRP, que têm demonstrado eficácia no controle da doença. Reconhecer quando a dor de cabeça foge do padrão habitual é essencial para evitar complicações e garantir segurança ao paciente”, completa a neurologista.

 

Fonte: Correio 24horas

 

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