terça-feira, 21 de julho de 2026

O que ficou de saldo da “maior” Copa do Mundo da história?

Na Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, o futebol teve dificuldades para se impor. Decisões controversas da Fifa, excesso de entretenimento e uma final em que apenas uma equipe pareceu competir em alto nível: a Espanha, que venceu com mérito esta Copa do mundo inchada com um total de 104 partidas. Assim, pela primeira vez, as seleções masculina e feminina de um mesmo país são campeãs mundiais ao mesmo tempo.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, classificou o torneio como "o maior evento humano, social e cultural já vivido pela humanidade". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também elogiou a competição, chamando-a de "o evento mais bem-sucedido de todos os tempos".

Mas será que foi realmente o "melhor evento da história da humanidade"? Eis aqui o que deve ficar na memória dos torcedores.

<><> Como o público encarou a maior Copa da história?

Os temores de estádios vazios, especialmente nos Estados Unidos, onde o futebol não é o esporte mais popular, não se confirmaram. Antes mesmo das quartas de final, mais de 6,25 milhões de torcedores já haviam passado pelos estádios dos três países-sede, um recorde para a competição.

Os números, porém, não surpreendem, já que foi a primeira vez que a Copa teve 104 partidas, em vez das 64 disputadas nas edições anteriores. A média de público ficou em torno de 65 mil espectadores por jogo, com ocupação de 99,7% dos assentos disponíveis, de acordo com a Fifa. Apesar disso, em algumas partidas da fase de grupos foi possível observar setores com cadeiras vazias.

<><> Pausas para hidratação geram críticas

Entre as novidades do torneio estiveram as pausas para hidratação, que foram alvo de críticas por parte dos torcedores. A maioria dos técnicos, porém, aprovou as interrupções ou, pelo menos, não se queixou delas.

Uma exceção foi o uruguaio Marcelo Bielsa. O então treinador afirmou que a mudança alterava a essência do jogo.

"Disputar quatro tempos em vez de dois modifica a ideia culturalmente construída que se tem do futebol", afirmou. "Essas pausas não acrescentam nada ao jogo e tiram muita coisa dele."

<><> As surpresas da Copa

A grande sensação do torneio foi Cabo Verde. Em sua estreia em Copas do Mundo, o país africano arrancou um empate sem gols da campeã Espanha e só foi eliminado na segunda fase, após perder para a então campeã Argentina na prorrogação.

A República Democrática do Congo empatou com Portugal de Cristiano Ronaldo. O Paraguai eliminou a Alemanha na segunda fase. Já Curaçao, o menor participante da competição, fez história ao marcar seu primeiro gol em Copas justamente contra os alemães e conquistar também seu primeiro ponto no torneio ao empatar com o Equador.

<><> Vexames do Brasil e da Alemanha

A Copa do Mundo de 2026 terminou de forma melancólica para a Seleção Brasileira. Após uma campanha irregular, o Brasil foi eliminado nas oitavas de final ao ser derrotado por 2 a 1 pela Noruega, encerrando precocemente o sonho do hexacampeonato. A derrota marcou a pior campanha da equipe desde o Mundial de 1990, mantendo ainda um tabu de fracassos contra adversários europeus em confrontos eliminatórios desde a conquista do pentacampeonato, em 2002.

A Alemanha também viveu um Mundial decepcionante em 2026. Apesar de liderar seu grupo e chamar atenção ao aplicar uma goleada por 7 a 1 sobre Curaçao na fase inicial, a equipe alemã foi surpreendida pelo Paraguai na primeira fase do mata-mata. Após empate por 1 a 1, os tetracampeões mundiais foram derrotados por 4 a 3 nos pênaltis, encerrando pela terceira vez consecutiva sua participação de maneira precoce desde o título de 2014.

<><> Copa das despedidas

A Copa do Mundo de 2026 marcou uma série de despedidas de veteranos. Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Manuel Neuer e Neymar disputaram pela última vez o principal torneio da modalidade,

Campeão mundial pela Argentina em 2022, Messi deixou os gramados como o jogador com mais partidas na história das Copas. Cristiano Ronaldo, por sua vez, ampliou uma marca inédita ao se tornar o primeiro jogador a marcar gols em seis edições diferentes da Copa do Mundo. Já Neuer fez sua última Copa pela Alemanha, após acumular o título de campeão em 2014. Pelo Brasil, Neymar se despediu após sua quarta participação em Copas, fechando uma trajetória de oito gols no torneio e consolidado como o maior artilheiro da história da seleção brasileira.

<><> Preços altos dentro e fora dos estádios

A Copa foi um evento caro para os torcedores. Ingressos, hospedagem, estacionamento e passagens aéreas pesaram no bolso.

Os preços praticados dentro dos estádios provocaram críticas adicionais. Nos Estados Unidos, um copo de cerveja chegou a custar até US$ 20 (cerca de R$ 102), uma porção de batatas fritas, mais de US$ 15 (aproximadamente R$ 75) e uma garrafa de água perto de US$ 7 (R$ 35).

Também no México os preços ficaram muito acima do habitual. No estádio Azteca, palco da abertura do torneio, uma cerveja custava o equivalente a cerca de US$ 15 (R$ 76), quase o valor do salário mínimo diário legal do país.

Os ingressos também estiveram entre os principais alvos de críticas. Na venda oficial ao público, os preços variaram de US$ 140 (R$ 715) a US$ 2.735 (R$ 14.000) para partidas da fase de grupos, valores muito superiores aos registrados na Copa do Mundo de 2022, no Catar.

Às vésperas da decisão houve forte oscilação nos preços. No site oficial de revenda da Fifa, ingressos para a final que vinham sendo anunciados por dezenas de milhares de dólares chegaram a ser vendidos por US$ 2.334,50 (R$ 12.000) poucas horas antes da partida. Na manhã do jogo, porém, a Fifa ainda oferecia entradas pelo valor de tabela de US$ 10.990 (R$ 56.000).

A disparidade entre os preços oficiais e os valores praticados na revenda alimentou críticas sobre a política comercial da Fifa e o custo crescente de acompanhar a Copa do Mundo presencialmente.

<><> Qual foi o papel de Donald Trump?

Antes do torneio, havia receio de que Donald Trump transformasse a Copa numa plataforma para sua agenda política. O presidente dos EUA havia apresentado o evento diversas vezes como um de seus projetos de prestígio.

Durante a competição, porém, manteve perfil relativamente discreto e apareceu no estádio apenas na final. Mesmo assim, esteve no centro do maior escândalo do torneio.

Após a expulsão do atacante americano Folarin Balogun, Trump teria intercedido junto ao presidente da Fifa para que a suspensão fosse revista. O jogador acabou liberado para atuar nas oitavas de final contra a Bélgica, mas os Estados Unidos foram eliminados após derrota por 4 a 1.

"O atual presidente da Fifa se submeteu a Donald Trump", afirmou o ex-presidente da entidade Joseph Blatter.

<><> Como foi a segurança na Copa?

A guerra no Oriente Médio e episódios de violência no México alimentaram preocupações antes da Copa. Nos Estados Unidos e no Canadá, a maioria dos jogos ocorreu sem maiores problemas.

No México, porém, ocorreram diversos incidentes. Torcedores invadiram uma fan fest já lotada em Guadalajara. Após uma vitória da seleção mexicana, um carro avançou contra uma multidão que comemorava nas ruas. Além disso, várias pessoas morreram durante celebrações na Cidade do México.

Outro caso controverso envolveu o árbitro somali Omar Artan, que teve sua entrada nos Estados Unidos negada apesar de possuir visto válido. As autoridades alegaram preocupações de segurança relacionadas a supostos vínculos com uma organização terrorista na Somália. Mesmo impedido de participar do torneio, ele teria pelo menos recebido integralmente a remuneração prevista pela Fifa.

<><> Críticas sobre direitos humanos

Muitas organizações de defesa dos direitos humanos fizeram uma avaliação extremamente negativa da Fifa. "Esta Copa do Mundo ocorreu tendo como pano de fundo a política repressiva do governo dos Estados Unidos contra os imigrantes", afirmou, por exemplo, Minky Worden, da Human Rights Watch. Segundo ela, a Fifa falhou em exigir que o governo norte-americano respeitasse os próprios padrões de direitos humanos da entidade.

Por isso, não se poderia falar da suposta "Copa mais inclusiva da história". "A Fifa prometeu que todos poderiam se sentir seguros. A realidade é outra. O ICE, por exemplo, dobrou o número de prisões", declarou Daniel Noroña, da seção norte-americana da Anistia Internacional.

Ronan Evain, da associação de torcedores Football Supporters Europe, também criticou a falta de transparência na concessão de vistos para torcedores, especialmente os vindos de países fora da Europa. "Nossas observações revelaram pouca ou nenhuma evidência de que portadores de ingressos da África e da Ásia tenham efetivamente obtido vistos para entrar nos Estados Unidos", afirmou Evain.

<><> E agora?

Para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, uma nova ampliação da Copa do Mundo, de 48 para 64 seleções, é concebível. Nesse caso, o número de partidas passaria das atuais 104 para 128. "Esse é, sem dúvida, um tema que será analisado após esta Copa do Mundo e discutido nos órgãos competentes", disse o suíço à emissora Blue Sport. Apesar das fortes críticas dirigidas a Infantino, sua posição à frente da Fifa não parece ameaçada. Pelo contrário: mais jogos significam mais receitas, que podem ser distribuídas às federações nacionais filiadas. No próximo ano, a expectativa é que Infantino seja reconduzido ao cargo pela terceira vez.

¨      Mais jogos e mais polêmicas: o que deu certo e o que deu errado na maior Copa de todos os tempos

A maior edição da história das Copas chegou ao seu final. O presidente da Fifa, o italiano Gianni Infantino, prometeu que o torneio de 2026 seria o "maior evento da história da humanidade". Infantino comparou os 104 jogos do torneio nos Estados Unidos, México e Canadá a 104 Super Bowls (a grande final do futebol americano) em um mês. Foi uma afirmação ousada. Mas será que se concretizou dessa forma?

Pela primeira vez, a Copa do Mundo contou com 48 seleções, com Curaçao, Cabo Verde, Jordânia e Uzbequistão fazendo suas estreias. Será que isso diluiu a qualidade do torneio?

Além disso, foram feitas as pausas obrigatórias de três minutos para hidratação, independentemente das condições, o que permitiu a emissoras lucrar com comerciais. Os altos preços dos ingressos geraram muita controvérsia, mas será que afastaram os fãs?

A politização da Copa do Mundo começou antes do torneio, com questões de vistos e a participação do Irã. Depois o presidente dos EUA, Donald Trump, interveio para anular o cartão vermelho do jogador americano Folarin Balogun. Pierlugi Collina, chefe de arbitragem da Fifa, declarou guerra ao desperdício de tempo jogado nas partidas e implementou uma série de mudanças nas regras. Mas será que isso fez alguma diferença real?

>>>> A seguir, um balanço do grande evento do futebol deste ano.

<><> Será que a expansão da Copa do Mundo realmente valeu a pena?

Se o que você queria eram ótimas histórias e muita emoção, então a fase de grupos foi um sucesso. Assistir aos debutantes é sempre parte do encanto de uma Copa do Mundo, e Cabo Verde não decepcionou.

Cabo Verde, um pequeno arquipélago no Oceano Atlântico com apenas 530.000 habitantes, conquistou surpreendentes empates contra a Espanha e o Uruguai (e também contra a Arábia Saudita) para terminar em segundo lugar no seu grupo. Curaçao se recuperou da goleada de 7 a 1 sofrida para a Alemanha e conquistou um ponto surpreendente contra o Equador. Já a República Democrática do Congo empatou com Portugal e avançou em seu grupo.

Sem essas histórias, a fase de grupos teria sido bem monótona, com as principais seleções passando por ela com facilidade. Nas fases eliminatórias, Cabo Verde seguiu surpreendendo e obrigou a Argentina a ir à prorrogação antes de perder por 3 a 2. Isso significou que a seleção africana evitou a derrota nos 90 minutos contra os dois finalistas da Copa do Mundo. Sem a expansão do torneio, Cabo Verde não estaria nesta Copa do Mundo, e a história de Vozinha, o goleiro de 40 anos que inspirou a estreia histórica do país africano, não teria sido contada.

<><> Como a nova política de cabeças de chave da FIFA influenciou a final

Novo torneio, novos cabeças de chave. A Fifa queria evitar que os quatro países mais bem classificados no seu ranking se enfrentassem logo no início das fases eliminatórias. Assim, Argentina, Inglaterra, França e Espanha receberam um status especial para serem sorteadas em quadrantes separados do sorteio. Sem essa regra, haveria a possibilidade de eles terem se enfrentado já nas oitavas de final.

No fim das contas, eles acabaram caindo em grupos que os mantiveram separados até as semifinais, ou seja, o status especial não teve influência real no fato de as quatro melhores equipes do ranking terem chegado às semifinais pela primeira vez.

Mas a Fifa queria que os países classificados em primeiro e segundo lugar, Argentina e Espanha, não se enfrentassem até a final. Exatamente como em um sorteio de torneio de tênis. Para alcançar esse objetivo, a Fifa teve que transferir a Argentina para o Grupo J e colocar a França no Grupo I.

Que diferença isso fez? Sem a troca, a Inglaterra deveria ter enfrentado a França nas semifinais, com a Argentina jogando contra a Espanha. Uma final entre Argentina e Espanha não teria sido possível.

<><> Pausas para hidratação: a galinha dos ovos de ouro que não vai desaparecer

A Fifa afirmou que as pausas para hidratação foram introduzidas para beneficiar o bem-estar dos jogadores, e a integridade esportiva exige que sejam utilizadas igualmente em todas as partidas. Mesmo nos estádios com ar condicionado de Atlanta, Dallas, Houston e Vancouver.

As emissoras de TV passaram a exibir anúncios, que podiam começar 20 segundos após o apito do árbitro e deviam terminar 30 segundos antes do reinício da partida.

Conforme o torneio avançava, as vaias dos torcedores ficavam mais altas, tamanha era a frustração com as paralisações. Especialistas disseram à BBC Sport que um espaço publicitário médio de 30 segundos na Fox Sports, nos EUA, durante a Copa do Mundo custa entre US$ 200 mil (R$ 1 milhão) e US$ 300 mil (R$ 1,5 milhão), chegando a US$ 750 mil (R$ 3,8 milhões) durante os jogos dos EUA e as fases finais.

Eram, na prática, pausas táticas, com os técnicos utilizando dispositivos eletrônicos para repassar mudanças táticas com os jogadores. O rumo de várias partidas foi alterado. Será que poderíamos vê-los em outras ligas?

A Uefa já descartou a ideia, e é difícil imaginar que sejam aceitas nas principais ligas europeias. Mas não seria nenhuma surpresa vê-los retornar para a próxima Copa do Mundo.

<><> As regras de Pierluigi Collina para economizar tempo funcionaram?

A prioridade de Collina para esta Copa do Mundo era melhorar o ritmo dos jogos. O italiano queria que seus árbitros garantissem que os jogadores fossem mais rápidos nas cobranças de lateral, tiros de meta e substituições. Ele também queria evitar que jogadores simulassem lesões para causar atrasos. Isso funcionou?

Na Copa do Mundo de 2022, Collina acrescentou tempo para absolutamente tudo. Isso resultou em uma duração média de partida de 101 minutos e 22 segundos, com um tempo de bola em jogo de 58 minutos e três segundos. Nesta Copa do Mundo, e descontando o tempo perdido com as pausas para hidratação, o tempo de jogo é de 96 minutos e 24 segundos, resultando em um tempo de bola em jogo de 58 minutos e 15 segundos. Um pouco mais de ação, mas muito menos tempo necessário para alcançá-la.

Em 2022, o tempo de bola em jogo correspondeu a 57,4% da duração total da partida. Neste ano o índice foi de 60,4%. Foi um sucesso em dois sentidos.

O jogo flui melhor, causa menos frustração aos torcedores em relação à conduta dos jogadores e eles assistem a mais futebol. Vamos ver como isso se desenrola nos campeonatos nacionais a partir de agora, já que as regras também deverão ser aplicadas ali.

<><> Os preços dos ingressos

Com os preços dos ingressos altíssimos, havia a sensação de que muitos jogos da Copa do Mundo poderiam ter grandes áreas de assentos vazios. Isso não aconteceu.

Após as quartas de final, a Fifa anunciou que os estádios operaram com ocupação próxima à capacidade total, de 99,7%, com um recorde de 6.527.410 torcedores presentes nas partidas. Pelo visto, as pessoas estavam dispostas a pagar os preços dos ingressos da Fifa.

Em seguida, a Fifa arrecadou ainda mais dinheiro por meio de sua plataforma de revenda secundária, na qual adicionou 30% em taxas a cada venda. Isso não significa que não houve controvérsia. A Fifa foi intimada por procuradores-gerais de Nova York e Nova Jersey como parte de uma investigação sobre preços de ingressos, práticas e a precisão da localização dos assentos.

Inicialmente, os torcedores foram proibidos de levar garrafas de água para os estádios, até que a Fifa foi forçada a reverter a decisão. Além disso, havia o alto custo do transporte para chegar aos jogos em Nova Jersey e Boston, que também teve que ser reduzido após uma reação negativa.

<><> Política e Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2026 pareceu ter sido politizada desde o início, com torcedores de diversas seleções impedidos de entrar no país devido às restrições de imigração impostas pelos Estados Unidos. A história tomou um rumo inesperado antes mesmo do início do torneio, quando o árbitro somali Omar Artan teve sua entrada negada no aeroporto de Miami. Isso levou a uma coletiva de imprensa pré-torneio desconfortável para Infantino, na qual ele disse que as pessoas deveriam simplesmente "relaxar e ficar tranquilas".

O Irã enfrentou obstáculos durante todo o processo, com o governo dos EUA permitindo a entrada da equipe no país por apenas 24 horas em torno de cada uma das três partidas. Markwayne Mullin, chefe do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, disse que "dançou de alegria" quando o Irã foi eliminado.

Talvez a maior controvérsia política tenha surgido quando Trump ligou para Infantino para tentar reverter a suspensão de Balogun. Um membro do comitê disciplinar da Fifa, Mohammad al-Kamali, tomou então uma decisão que nunca havia sido tomada antes em uma Copa do Mundo. Em vez de perder automaticamente o jogo das oitavas de final contra a Bélgica, a suspensão de Balogun foi suspensa por 12 meses. Balogun jogou contra a Bélgica, mas uma Bélgica motivada goleou os coanfitriões por 4 a 1. Isso levantou sérias questões sobre interferência política no torneio.

<><> Como funcionou o VAR?

Durante a fase de grupos, o assistente de vídeo (VAR) pareceu funcionar sem problemas. Em seguida, as fases eliminatórias trouxeram muitas inconsistências.

A Federação Egípcia de Futebol (EFA) solicitou uma investigação após a derrota por 3 a 2 para a Argentina, partida em que teve um gol anulado após revisão do VAR. Muitos outros treinadores também reclamaram da qualidade da arbitragem. Quanto mais jogos você tiver, mais árbitros de vídeo você usará, portanto, mais difícil será obter consistência.

Fora a final, foram realizadas 37 intervenções do VAR nesta Copa do Mundo, uma frequência de 0,36 por jogo. Esse número é praticamente o mesmo que o registrado no Catar, de 0,37. É superior aos 0,29 da Premier League, a liga principal da Inglaterra. Em relação às intervenções que levam o árbitro a consultar o monitor, esta Copa do Mundo teve uma frequência de 0,27 por partida — na Premier League, esse número é quase a metade, com 0,15. Então, por que a sensação foi de que isso funcionou melhor na Copa do Mundo? Por causa da velocidade. No campeonato inglês, a demora nas decisões com revisão por vídeo sempre foi um problema. Mas, com exceção de algumas situações, as decisões nessa Copa foram tomadas com muita rapidez.

 

Fonte: DW Brasil/BBC  Sport

 

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