Da
era Havelange à era Infantino: como os Estados Unidos ampliaram sua influência
sobre a FIFA
Poucas
organizações privadas exercem tamanho poder sobre um fenômeno cultural global,
o futebol, quanto a FIFA. Ao longo do século XX, a entidade deixou de ser
apenas a administradora do esporte mais popular do planeta para transformar-se
em um ator político, econômico e diplomático de primeira grandeza. Controlar a
Copa do Mundo significa controlar o maior espetáculo esportivo do planeta, uma
indústria que movimenta bilhões de dólares, influencia governos e projeta poder
internacional.
Essa
transformação começou a ganhar escala durante a presidência do brasileiro João
Havelange (1974-1998). Com ele, a FIFA rompeu definitivamente com o perfil
burocrático europeu e assumiu uma lógica hiper empresarial. A expansão do
número de seleções filiadas, atualmente são 211, a aproximação com países da
África, da Ásia e do mundo árabe, além da construção de grandes contratos de
marketing e de televisão, fizeram da entidade um dos maiores negócios do
esporte global.
O
sucessor de Havelange, Joseph Blatter, aprofundou esse modelo. Ao mesmo tempo
em que ampliou programas de desenvolvimento do futebol em países periféricos e
consolidou uma ampla base política entre as federações nacionais, viu crescer
também as denúncias sobre práticas de corrupção, compra de votos e
favorecimentos internos. A FIFA tornou-se uma potência econômica, mas também um
símbolo dos excessos de uma governança pouco transparente e envolvida em
esquemas de corrupção.
Foi
nesse contexto que ocorreu um movimento sem precedentes. Em 2015, logo após a
Copa do Mundo do Brasil, autoridades dos Estados Unidos, por meio do
Departamento de Justiça e do FBI, desencadearam uma ampla investigação sobre
corrupção envolvendo dirigentes ligados à FIFA. As acusações atingiram
presidentes de confederações continentais, dirigentes sul-americanos,
representantes da Concacaf e empresários do marketing esportivo. Diversos
dirigentes foram presos, extraditados ou banidos do futebol, incluindo José
Maria Marin, aliado da ditadura militar brasileira e político de direita que,
quando deputado estadual por São Paulo, exigiu que a ditadura calasse a boca do
jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura no cárcere.
Embora
as investigações se concentrassem em crimes financeiros com conexões ao sistema
bancário norte-americano, o impacto político foi muito maior do que o jurídico.
O grupo que sustentava a longa hegemonia de Blatter foi desarticulado. Pouco
depois, o dirigente suíço renunciou ao cargo, encerrando uma era iniciada ainda
sob a influência de Havelange, em 1974.
Foi
desse ambiente de crise institucional que emergiu Gianni Infantino, que foi
secretário-geral da UEFA antes de se tornar presidente da FIFA em 2016.
Desde
sua eleição, Infantino conduziu uma profunda reorganização da FIFA. A entidade
ampliou receitas, fortaleceu sua estrutura comercial e aproximou-se de grandes
centros de poder econômico. Nesse processo, chama atenção o crescente
alinhamento estratégico com os Estados Unidos. A escolha do país como sede da
Copa do Mundo de 2026, uma candidatura conjunta com Canadá e México, representa um marco simbólico. Os Estados
Unidos, que durante décadas buscaram sem sucesso consolidar-se como
protagonistas do futebol mundial, finalmente passam a sediar o principal evento
do esporte justamente após a maior crise institucional da história da FIFA.
Convém lembrar que o interesse norte-americano pela Copa do Mundo não começou
agora. O país organizou a edição de 1994, responsável por recordes de público e
pela expansão comercial do futebol. Posteriormente, tentou voltar a sediar o
torneio em diferentes oportunidades. A candidatura para 2022, por exemplo, foi
derrotada pelo Catar em uma votação que posteriormente se tornou alvo de
investigações e suspeitas de corrupção. Em 2026, entretanto, o cenário político
internacional era completamente diferente.
Seria
leviano afirmar que Gianni Infantino atua em favor dos interesses do governo
norte-americano. Contudo, é legítimo perguntar se a atual configuração da FIFA
reflete uma nova correlação de forças no esporte mundial. As recentes decisões
da entidade, desde a expansão da Copa até a crescente influência comercial e
política dos Estados Unidos na organização do torneio, alimentam o debate sobre
quem efetivamente exerce hoje a liderança política do futebol global.
Durante
a Copa de 2026, o mundo assistiu com perplexidade, as ações do ICE (Immigration
and Customs Enforcement). Delegações da África, Oriente e América do Sul foram
tratados com violência chegando até mesmo ao absurdo de atletas, dirigentes e
árbitros terem o visto negado para entrarem em território estadunidense. A
intervenção anuciada de Trump para cancelar um cartão vermelho aplicado a um
atleta da seleção dos EUA foi um dos maiores precedentes relacionados ao
esporte desde a Copa de 1934, na Itália e as suspeitas sobre a Copa de 1978, na
Argentina.
A
verdade é que a fifa foi, durante décadas, uma das poucas organizações
internacionais, a exemplo do Vaticano, que não tinham influência direta dos EUA
em sua atuação. Parece que chegou ao fim
esta independência. Vamos acompanhar o pós copa para entendermos seus
desdobramentos.
• Infantino, o presidente da Fifa que se
tornou o homem mais poderoso (e polêmico) da Copa
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se refere a ele como "o rei
do futebol". Gianni Infantino é de fato a figura que desponta no comando
do futebol mundial. Foi ele quem conseguiu reconstruir a Fifa depois dos
escândalos de corrupção que derrubaram seu antecessor e que, em dez anos à
frente da entidade máxima do futebol, reformulou e ampliou as competições,
embora não sem controvérsias.
Das
pausas para hidratação durante as partidas desta Copa do Mundo, criticadas por
muitos como um pretexto para aumentar a receita com a publicidade exibida
nesses intervalos, à polêmica decisão de retirar o cartão vermelho aplicado a
um atacante dos EUA após um telefonema do próprio Trump, passando pelos preços
elevados dos ingressos. Motivos não faltaram entre torcedores ao redor do mundo
para contestar a gestão do presidente da Fifa. Ao mesmo tempo, a sua
administração transformou uma instituição mergulhada em denúncias de corrupção
e que chegou a registrar um déficit de US$ 550 milhões (cerca de R$ 3,1
bilhões) depois que patrocinadores abandonaram a entidade em meio aos
escândalos. "Vou trabalhar incansavelmente para devolver o futebol à Fifa
e a Fifa ao futebol", afirmou Infantino ao assumir o comando da entidade,
há dez anos.
Uma
década depois, não há dúvidas de que a Fifa vive um momento de grande solidez
financeira. A entidade prevê arrecadar um recorde de US$ 13 bilhões (cerca de
R$ 72,3 bilhões, na cotação atual) no ciclo de quatro anos que termina no fim
deste ano.
Mas
esses números contam apenas parte da história. Eles se somam às controvérsias
envolvendo a Copa do Mundo de Clubes e a maior Copa do Mundo da história,
marcada também pelos altos preços dos ingressos. Infantino entrou em choque com
sindicatos de jogadores e com dirigentes do futebol europeu, mas continua
ocupando uma posição praticamente inabalável no comando do futebol mundial.
Esta é a história de sua presidência e do legado que pretende deixar.
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'Um novo dia, um novo amanhecer'
É fácil
esquecer que o sucessor de Joseph Blatter na presidência da Fifa seria Michel
Platini, então presidente da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa,
na sigla em inglês). Mas, depois que Platini foi envolvido no escândalo que
abalou a entidade — tanto ele quanto Blatter acabaram posteriormente absolvidos
de todas as acusações de corrupção —, Infantino passou a ser o candidato
apoiado pela Uefa, entidade que comanda o futebol europeu. Como
secretário-geral da Uefa, Infantino foi o principal braço direito de Platini
durante sete anos. Ainda assim, parecia um nome improvável para comandar a
Fifa. Era alguém que dificilmente vinha à cabeça do torcedor comum. Para muita
gente, era apenas o homem que conduzia os sorteios da Liga dos Campeões. Dez anos
depois, é difícil encontrar um torcedor que não saiba quem ele é.
Nascido
na Suíça em 1970 em uma família de imigrantes italianos, Infantino cresceu em
um ambiente humilde, no qual o futebol sempre esteve presente. Ainda
adolescente, voltou seu interesse para a administração do futebol. Depois,
cursou direito na Universidade de Friburgo, na Suíça, e se especializou como
advogado da área esportiva. Em 2000, aos 30 anos e já trabalhando na Uefa,
assumiu a chefia do departamento jurídico da entidade. Em 2009, se tornou
secretário-geral da organização.
Pessoas
próximas o descrevem como extremamente dedicado ao trabalho. Além disso, fala
sete idiomas: italiano, francês, alemão, inglês, espanhol, português e árabe.
Casado com uma libanesa, é pai de quatro filhos. Para Infantino, reconstruir a
Fifa após o escândalo de corrupção que abalou a entidade não foi uma tarefa
simples. O Departamento de Justiça dos EUA havia denunciado um grande número de
dirigentes da cúpula da Fifa, e a entidade precisava passar por uma ampla
reforma. Duas páginas de seu programa de campanha eram dedicadas à promessa de
mais do que dobrar os recursos destinados ao desenvolvimento das associações
filiadas. O dinheiro seria investido em novas competições, infraestrutura e até
mesmo no custeio das viagens das federações de países menores. A ampliação da
Copa do Mundo também fazia parte da proposta, inicialmente para 40 seleções.
Menos de um ano depois, a mudança foi aprovada em definitivo, mas com um
torneio de 48 equipes.
A
eleição foi bastante disputada. No primeiro turno, Infantino superou Salman bin
Ibrahim Al Khalifa, presidente da Confederação Asiática de Futebol, por 88
votos a 85. Ele só conseguiu ampliar a vantagem depois que os 34 votos dados
inicialmente ao príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein e ao dirigente francês
Jérôme Champagne foram redistribuídos. O resultado final foi de 115 votos a 88.
"Este é um novo dia, um novo amanhecer", afirmou Greg Dyke, então
presidente da Associação de Futebol da Inglaterra, ao comemorar a vitória de
Infantino. "Ele não é um político nem um egocêntrico." Infantino, por
sua vez, prometeu que iria "restaurar a imagem da Fifa".
"O
dinheiro é de vocês, não do presidente da Fifa", disse Infantino aos
delegados. "Os recursos da Fifa devem ser usados para desenvolver o
futebol." Infantino cumpriu a promessa. Mas, para aumentar as receitas da
entidade, a Fifa precisaria ser criativa.
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'Hoje me sinto catariano'
As
controversas Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar, já faziam
parte da agenda de Infantino. A escolha dos dois países como sedes havia sido
cercada de controvérsias, com acusações de conluio e acordos secretos. Mas a
decisão era irreversível.
Nos
primeiros anos à frente da Fifa, Infantino manteve um perfil discreto. Foi
apenas com a chegada da Copa do Mundo ao Catar que passou a ocupar mais espaço
no cenário internacional. Pressionado pelas críticas recorrentes às condições
de trabalho e pelas denúncias de trabalho análogo à escravidão no Catar,
Infantino reagiu. Primeiro, acusou a imprensa europeia de agir com
"hipocrisia" e "racismo" em relação ao Catar. Depois, fez
seu controverso discurso sobre discriminação. "Hoje me sinto
catariano", afirmou. "Hoje me sinto árabe. Hoje me sinto africano.
Hoje me sinto gay. Hoje me sinto uma pessoa com deficiência. Hoje me sinto um
trabalhador migrante."
Em
todos os jogos a que comparecia, ele parecia ser encontrado pelas câmeras de
televisão no meio da multidão. E havia um motivo para isso. Segundo relatos da
imprensa, sobre os quais a Fifa se recusou a comentar, os diretores de
transmissão teriam sido orientados a mostrar Infantino pelo menos uma vez
durante cada partida, desde que ele não estivesse olhando para o celular.
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Começam as controvérsias
Depois
da Copa do Mundo do Catar, Infantino passou a ocupar ainda mais espaço nas
manchetes, seja por seus planos de criar novos torneios e competições, seja por
comentários depreciativos sobre o comportamento dos torcedores ingleses.
Pouco
depois de ser eleito, em 2016, Infantino prometeu ampliar a Copa do Mundo de
Clubes e transferi-la para o período do verão no hemisfério Norte. O projeto
sofreu vários adiamentos, mas, dois dias antes da final da Copa do Mundo de
2022, a Fifa anunciou que o torneio seria realizado em 2025, nos EUA. A
entidade organizou uma competição de grandes proporções em um período do ano
que tradicionalmente era reservado para o descanso e a recuperação física dos
jogadores. A Fifa rejeitou as alegações de que o sindicato internacional de
jogadores Fifpro e a Associação Mundial de Ligas não haviam sido consultados.
Depois
veio a controversa definição das sedes das Copas do Mundo de 2030 e 2034.
Ficou
decidido que a edição de 2030 seria disputada em três continentes — África,
Europa e América do Sul. Com isso, a Copa de 2034 teria necessariamente de ser
realizada na Ásia ou na Oceania. Como não houve concorrência efetiva, a decisão
praticamente assegurou que a Arábia Saudita — outro país alvo de
questionamentos sobre seu histórico em direitos humanos — fosse escolhida como
sede. A Arábia Saudita e a Fifa, sob a liderança de Infantino, estreitaram sua
relação ao longo dos últimos anos.
A
Federação Norueguesa de Futebol (NFF) se absteve de participar do processo e
afirmou que o modelo de escolha das sedes enfraquecia "as reformas da Fifa
em favor da boa governança" e comprometia "a confiança na Fifa".
Em maio de 2024, foi revelado que Infantino recebeu um aumento salarial de 33%,
definido por um comitê independente, após a sua reeleição no ano anterior. Seu
salário-base anual passou de US$ 2,4 milhões (cerca de R$ 13,3 milhões) para
US$ 3,2 milhões (cerca de R$ 17,8 milhões). Além disso, ele continuou tendo
direito a um bônus superior a US$ 2 milhões (cerca de R$ 11,1 milhões), valor
que permaneceu inalterado. Quando foi eleito pela primeira vez, em 2016,
Infantino recebia cerca de US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 9,5 milhões) por ano.
Agora, sua remuneração anual se aproxima da de Blatter antes de deixar o cargo,
de US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 19,5 milhões).
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Cada vez mais próximo de Trump
A Uefa
passou a criticar com mais frequência a exposição pública de Infantino e sua
proximidade com o presidente dos EUA, Donald Trump. O ponto de maior tensão
veio em maio de 2025. Infantino acompanhou Trump em uma viagem diplomática ao
Oriente Médio e chegou com duas horas de atraso ao Congresso da Fifa. A Uefa
acusou o dirigente de priorizar "interesses políticos particulares"
e, em protesto, seus representantes abandonaram a reunião. Depois veio a Copa
do Mundo de Clubes do ano passado, marcada por jogos disputados em estádios com
grande quantidade de assentos vazios.
No
entanto, ao receber jornalistas na Trump Tower, Infantino afirmou que a
competição já era "o torneio de clubes mais bem-sucedido do mundo".
Em dezembro do ano passado, o sorteio da Copa do Mundo deste ano foi marcado
por uma cerimônia longa, luxuosa e repleta de pompa. Infantino foi o principal
protagonista do evento, e Trump recebeu o controverso Prêmio da Paz da Fifa.
Poucos dias depois, foram divulgados os preços dos ingressos para a final. As
entradas para a fase de grupos custariam até três vezes mais do que as da Copa
do Mundo de 2022, e o ingresso mais barato para a final, em Nova Jersey, sairia
por quase US$ 4.200 (cerca de R$ 23,4 mil). Depois de fazer um pequeno ajuste
nos valores, Infantino defendeu os preços e afirmou que eles refletiam uma procura
"absolutamente extraordinária" por parte do público.
Infantino
insistiu que toda a receita seria reinvestida no futebol. "Sem a Fifa, não
haveria futebol em 150 países", afirmou. Mas as controvérsias não pararam
por aí. Na partida contra a Bósnia e Herzegovina pelas oitavas de final da Copa
do Mundo, o atacante Folarin Balogun, principal nome da seleção dos EUA, foi
expulso e acabou suspenso para o jogo seguinte, contra a Bélgica. Depois de uma
ligação de Trump para Infantino, a Fifa decidiu suspender a punição imposta a
Balogun por um ano, algo que só havia acontecido uma vez, em 1962. A decisão,
tanto na época quanto agora, foi cercada por acusações de interferência
política. No fim, os americanos acabaram derrotados por 4 a 1 pela Bélgica e
foram eliminados da Copa.
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Por que a posição de Infantino segue inabalável
Apesar
das controvérsias, há um fato incontestável: não existe uma oposição organizada
capaz de desafiar Infantino. Embora o dirigente de 56 anos seja alvo de
críticas na Europa, sua gestão é vista de outra forma em grande parte do
restante do mundo. A explicação passa, sobretudo, pelo dinheiro. Mais
precisamente, pelos recursos destinados ao futebol. Também cumpriu a promessa
de tornar a Fifa mais transparente: divulgou os salários de todos os altos
executivos da entidade e manteve os recursos investidos no futebol. O suíço
também honrou o compromisso assumido no início de sua gestão de destinar mais
US$ 5 milhões (cerca de R$ 27,8 milhões) a cada federação nacional nos quatro
primeiros anos, além de US$ 40 milhões (cerca de R$ 222,4 milhões) para cada confederação
(o Brasil, por exemplo, faz parte da Conmebol).
Nos
dois primeiros ciclos do programa Fifa Forward, até 2022, foram destinados US$
2,8 bilhões (cerca de R$ 15,6 bilhões) às 211 federações filiadas, distribuídos
por mais de 1.600 projetos. A terceira fase do programa Fifa Forward, que cobre
o período de 2023 a 2026, elevou os recursos destinados às federações em 30%.
Infantino destinou mais US$ 5 milhões (cerca de R$ 27,8 milhões) a cada
associação filiada, além de ampliar para US$ 60 milhões (cerca de R$ 333,6
milhões) os recursos destinados a cada confederação para financiar os seus
próprios projetos.
Depois
de ser reeleito sem adversários em 2019 e 2023, ele se prepara para mais uma
eleição, em 2027. Infantino poderá disputar um novo mandato, embora o estatuto
da Fifa limite a presidência a três mandatos. Em 2022, o comitê de governança,
auditoria e conformidade da entidade decidiu que seu primeiro mandato não
deveria ser contabilizado, por ter durado apenas três anos. Diante do reforço
financeiro promovido por Infantino em tantas associações filiadas, é difícil
imaginar quem teria condições de enfrentá-lo de forma competitiva na eleição de
2027. Quase metade dos 211 votos da Fifa está concentrada na Ásia e na África,
regiões que foram as principais beneficiadas pelo aumento expressivo dos
repasses.
Infantino
pode ser alvo de críticas pela ampliação da Copa do Mundo de Clubes e da Copa
do Mundo, além da alta no preço dos ingressos. No entanto, para ele, essas
medidas são uma forma de ampliar os investimentos no futebol em todo o mundo.
E, como observa Dale Johnson, correspondente de futebol da BBC, essa é uma
estratégia difícil de contestar.
Fonte:
Por Alexandre Machado Rosa, em Brasil 247

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