terça-feira, 21 de julho de 2026

Julho Verde alerta para sinais de alerta do câncer de cabeça e pescoço

Uma ferida na boca que não cicatriza em até 15 dias, uma rouquidão persistente ou um caroço no pescoço que cresce progressivamente podem ser os primeiros sinais de um problema mais grave. Durante o Julho Verde, campanha de conscientização e combate ao câncer de cabeça e pescoço, especialistas reforçam que alterações persistentes não devem ser ignoradas. São tumores que podem ocorrer em regiões como boca, língua, garganta, faringe, laringe (cordas vocais), cavidade nasal, seios da face, tireoide, pele e glândulas salivares. Como os sintomas variam conforme a área afetada, a observação do próprio corpo e a procura por atendimento médico especializado são fundamentais.

Segundo o médico Tércio Guimarães Reis, cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana, os sinais da doença “vão depender de onde o tumor está localizado”. Feridas e manchas brancas ou vermelhas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, rouquidão persistente, dificuldade ou dor para engolir, sensação de algo preso na garganta, obstrução em apenas um lado do nariz que não volta ao normal e nódulos no pescoço com crescimento progressivo estão entre as alterações que precisam ser investigadas. 

A atenção deve ser ainda maior quando os sintomas permanecem por mais de duas ou três semanas. Ao falar sobre os tumores da cavidade oral, o especialista alerta para “qualquer ferida que apareça na boca por mais de duas ou três semanas”. Lesões que não doem e não cicatrizam, assim como placas brancas ou avermelhadas que não desaparecem, merecem avaliação profissional, sobretudo em pessoas que fumam ou consomem bebidas alcoólicas com frequência. 

<><> O diagnóstico ainda ocorre tarde

Embora muitos desses tumores possam ser percebidos por meio de sinais visíveis ou alterações funcionais, o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios. Pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 2025 mostrou que cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço analisados no país, entre 2000 e 2017, foram identificados em estágios avançados.

Quanto mais cedo a doença é descoberta, maiores são as possibilidades de realizar tratamentos menos extensos, com menor risco de sequelas e preservar funções importantes, como fala, mastigação, deglutição e respiração. Em casos avançados, pode ser é necessária, na maioria dos casos, a combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

*O tratamento do câncer de cabeça e pescoço é multiprofissional e envolve o *acompanhamento de profissionais como fonoaudiólogos, cirurgiões-dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar o problema. Para cada ano do triênio 2026–2028, o INCA estima 10.880 novos casos de câncer da cavidade oral no Brasil, sendo 7.570 em homens e 3.310 em mulheres. Na Bahia, a previsão é de aproximadamente 640 novos casos anuais. Esses dados representam apenas os tumores de lábios e cavidade oral, uma das localizações incluídas no grupo dos cânceres de cabeça e pescoço.

<><> Prevenção começa com mudança de hábitos

O tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas permanecem entre os principais fatores de risco. Quando os dois hábitos estão associados, o perigo é ainda maior. A infecção pelo HPV também está relacionada especialmente aos tumores da orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua.

Não fumar, evitar bebidas alcoólicas, manter a vacinação contra o HPV atualizada conforme as recomendações do Ministério da Saúde, utilizar proteção solar nos lábios e procurar atendimento diante de alterações persistentes são algumas das principais medidas preventivas. A vacina contra o HPV protege contra tipos do vírus associados, entre outros tumores, ao câncer de orofaringe.

Consultas odontológicas regulares também contribuem para identificar alterações suspeitas na boca. Entretanto, a ausência de dor não deve ser interpretada como sinal de que não há gravidade. Feridas, manchas, rouquidão ou caroços que permaneçam por mais de duas ou três semanas precisam ser avaliados por um especialista.

Mais do que concentrar o debate em julho, a campanha busca estimular uma atenção permanente. Reconhecer precocemente os sinais e procurar assistência sem demora pode representar a diferença entre um tratamento mais simples e uma doença descoberta em estágio avançado.

¨      Câncer de intestino: brasileiros reconhecem sinais de alerta, mas não buscam atendimento

Embora a maioria dos brasileiros saiba que sangue nas fezes pode indicar um problema grave, esse conhecimento nem sempre se transforma em uma ida ao médico. Uma pesquisa inédita do Hospital A.C. Camargo, de São Paulo, e da Nexus mostra que boa parte da população reconhece os principais sinais de alerta do câncer de intestino, mas ainda falha na busca por diagnóstico.

O levantamento aponta que 67% dos entrevistados concordam que a presença de sangue nas fezes pode ser um sintoma de câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal. Além disso, 80% afirmam que considerariam esse um sinal grave.

Apesar disso, a percepção do risco não se reflete, necessariamente, em uma atitude prática.

Segundo a pesquisa, 9% dos entrevistados disseram já ter percebido sangue nas fezes em algum momento. Entre eles, quase metade não procurou atendimento médico. Especialistas alertam que esse atraso pode comprometer as chances de diagnóstico precoce e de cura da doença.

O diagnóstico de Preta Gil ajudou a ampliar a discussão sobre o tema ao tornar público o tratamento contra o câncer de intestino. Ela contou que ignorou sintomas como prisão de ventre persistente, sangue nas fezes, presença de muco e alteração no formato das fezes antes de receber o diagnóstico.

O estudo também reforça uma preocupação crescente: o aumento de casos entre pessoas mais jovens. No estado de São Paulo, a incidência do câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos cresceu quase 3% ao ano entre 2000 e 2023.

Ainda não há uma explicação definitiva para esse fenômeno, mas mudanças no estilo de vida estão entre as principais hipóteses.

A pesquisa também revelou que a maioria da população desconhece um exame simples capaz de identificar sangramentos invisíveis a olho nu. Dois em cada três brasileiros nunca ouviram falar do FIT, sigla em inglês para teste imunoquímico fecal, usado para detectar sangue oculto nas fezes.

A expectativa é que esse cenário comece a mudar. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) prevê divulgar, no próximo mês, as regras de um novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal, que oferecerá o exame FIT pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa, anunciada pelo Ministério da Saúde, pretende ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros entre 50 e 75 anos ao diagnóstico precoce.

 

Fonte: Carla Santana - Assessora de Imprensa/g1

 

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