Julho
Verde alerta para sinais de alerta do câncer de cabeça e pescoço
Uma
ferida na boca que não cicatriza em até 15 dias, uma rouquidão persistente ou
um caroço no pescoço que cresce progressivamente podem ser os primeiros sinais
de um problema mais grave. Durante o Julho Verde, campanha de conscientização e
combate ao câncer de cabeça e pescoço, especialistas reforçam que alterações
persistentes não devem ser ignoradas. São tumores que podem ocorrer em regiões
como boca, língua, garganta, faringe, laringe (cordas vocais), cavidade nasal,
seios da face, tireoide, pele e glândulas salivares. Como os sintomas variam
conforme a área afetada, a observação do próprio corpo e a procura por
atendimento médico especializado são fundamentais.
Segundo
o médico Tércio Guimarães Reis, cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Mater
Dei Emec, em Feira de Santana, os sinais da doença “vão depender de onde o
tumor está localizado”. Feridas e manchas brancas ou vermelhas na boca que não
cicatrizam em até 15 dias, rouquidão persistente, dificuldade ou dor para
engolir, sensação de algo preso na garganta, obstrução em apenas um lado do
nariz que não volta ao normal e nódulos no pescoço com crescimento progressivo
estão entre as alterações que precisam ser investigadas.
A
atenção deve ser ainda maior quando os sintomas permanecem por mais de duas ou
três semanas. Ao falar sobre os tumores da cavidade oral, o especialista alerta
para “qualquer ferida que apareça na boca por mais de duas ou três semanas”.
Lesões que não doem e não cicatrizam, assim como placas brancas ou avermelhadas
que não desaparecem, merecem avaliação profissional, sobretudo em pessoas que
fumam ou consomem bebidas alcoólicas com frequência.
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O diagnóstico ainda ocorre tarde
Embora
muitos desses tumores possam ser percebidos por meio de sinais visíveis ou
alterações funcionais, o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios.
Pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 2025 mostrou que
cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço analisados no país, entre 2000 e
2017, foram identificados em estágios avançados.
Quanto
mais cedo a doença é descoberta, maiores são as possibilidades de realizar
tratamentos menos extensos, com menor risco de sequelas e preservar funções
importantes, como fala, mastigação, deglutição e respiração. Em casos
avançados, pode ser é necessária, na maioria dos casos, a combinação de
cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
*O
tratamento do câncer de cabeça e pescoço é multiprofissional e envolve o
*acompanhamento de profissionais como fonoaudiólogos, cirurgiões-dentistas,
nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos.
Os
números mais recentes ajudam a dimensionar o problema. Para cada ano do triênio
2026–2028, o INCA estima 10.880 novos casos de câncer da cavidade oral no
Brasil, sendo 7.570 em homens e 3.310 em mulheres. Na Bahia, a previsão é de
aproximadamente 640 novos casos anuais. Esses dados representam apenas os
tumores de lábios e cavidade oral, uma das localizações incluídas no grupo dos
cânceres de cabeça e pescoço.
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Prevenção começa com mudança de hábitos
O
tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas permanecem entre os principais
fatores de risco. Quando os dois hábitos estão associados, o perigo é ainda
maior. A infecção pelo HPV também está relacionada especialmente aos tumores da
orofaringe, região que inclui as amígdalas e a base da língua.
Não
fumar, evitar bebidas alcoólicas, manter a vacinação contra o HPV atualizada
conforme as recomendações do Ministério da Saúde, utilizar proteção solar nos
lábios e procurar atendimento diante de alterações persistentes são algumas das
principais medidas preventivas. A vacina contra o HPV protege contra tipos do
vírus associados, entre outros tumores, ao câncer de orofaringe.
Consultas
odontológicas regulares também contribuem para identificar alterações suspeitas
na boca. Entretanto, a ausência de dor não deve ser interpretada como sinal de
que não há gravidade. Feridas, manchas, rouquidão ou caroços que permaneçam por
mais de duas ou três semanas precisam ser avaliados por um especialista.
Mais do
que concentrar o debate em julho, a campanha busca estimular uma atenção
permanente. Reconhecer precocemente os sinais e procurar assistência sem demora
pode representar a diferença entre um tratamento mais simples e uma doença
descoberta em estágio avançado.
¨ Câncer de intestino:
brasileiros reconhecem sinais de alerta, mas não buscam atendimento
Embora
a maioria dos brasileiros saiba que sangue nas fezes pode indicar um problema
grave, esse conhecimento nem sempre se transforma em uma ida ao médico. Uma
pesquisa inédita do Hospital A.C. Camargo, de São Paulo, e da Nexus mostra que
boa parte da população reconhece os principais sinais de alerta do câncer de
intestino, mas ainda falha na busca por diagnóstico.
O
levantamento aponta que 67% dos entrevistados concordam que a presença de
sangue nas fezes pode ser um sintoma de câncer de intestino, também chamado de
câncer colorretal. Além disso, 80% afirmam que considerariam esse um sinal
grave.
Apesar
disso, a percepção do risco não se reflete, necessariamente, em uma atitude
prática.
Segundo
a pesquisa, 9% dos entrevistados disseram já ter percebido sangue nas
fezes em algum momento. Entre eles, quase metade não procurou atendimento
médico. Especialistas alertam que esse atraso pode comprometer as chances de
diagnóstico precoce e de cura da doença.
O
diagnóstico de Preta Gil ajudou a ampliar a discussão sobre o tema ao tornar
público o tratamento contra o câncer de intestino. Ela contou que ignorou
sintomas como prisão de ventre persistente, sangue nas fezes, presença de muco
e alteração no formato das fezes antes de receber o diagnóstico.
O
estudo também reforça uma preocupação crescente: o aumento de casos entre
pessoas mais jovens. No estado de São Paulo, a incidência do câncer
colorretal em pessoas com menos de 50 anos cresceu quase 3% ao ano entre 2000 e
2023.
Ainda
não há uma explicação definitiva para esse fenômeno, mas mudanças no estilo de
vida estão entre as principais hipóteses.
A
pesquisa também revelou que a maioria da população desconhece um exame simples
capaz de identificar sangramentos invisíveis a olho nu. Dois em cada três
brasileiros nunca ouviram falar do FIT, sigla em inglês para teste
imunoquímico fecal, usado para detectar sangue oculto nas fezes.
A
expectativa é que esse cenário comece a mudar. O Instituto Nacional de Câncer
(Inca) prevê divulgar, no próximo mês, as regras de um novo protocolo nacional
de rastreamento do câncer colorretal, que oferecerá o exame FIT pelo Sistema
Único de Saúde (SUS).
A
iniciativa, anunciada pelo Ministério da Saúde, pretende ampliar o acesso de
mais de 40 milhões de brasileiros entre 50 e 75 anos ao diagnóstico precoce.
Fonte:
Carla Santana - Assessora de Imprensa/g1

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