terça-feira, 21 de julho de 2026

Arroz, feijão, frutas e pão podem continuar no cardápio de quem tem diabetes? Nutricionista explica

O diagnóstico de diabetes costuma vir acompanhado de uma pergunta imediata: o que ainda posso comer? Muita gente imagina que terá pela frente uma dieta rígida, cheia de proibições. No entanto, as orientações mais recentes vão em outra direção.

A recomendação é que a pessoa com diabetes siga, em linhas gerais, a mesma alimentação saudável indicada para a população em geral. O que muda é o nível de atenção às escolhas e às quantidades consumidas.

“A gente come para ter energia. A primeira coisa que vem à cabeça com o diagnóstico de diabetes ou a glicemia alterada é parar de comer. Mas o tratamento não é deixar de comer, e sim criar uma relação saudável entre o que a pessoa come, seja o que ela gosta, o que está acostumada ou o que ela tem acesso, e a medicação ou o tratamento que ela vai fazer.” Tarcila Campos | Nutricionista e educadora em diabetes

<><> Organização das refeições faz diferença

O primeiro passo está na rotina. A orientação é distribuir a alimentação em 5 a 6 refeições ao longo do dia, evitando longos períodos em jejum. O café da manhã merece atenção especial: quando não é possível fazê-lo em casa, vale levar um lanche reforçado para a escola ou o trabalho.

Nos lanches intermediários, as frutas são uma boa escolha para começar, de preferência inteiras, já que os sucos concentram açúcares e perdem parte das fibras. Ainda assim, nenhum tipo de fruta é proibido, mas a quantidade consumida precisa ser observada. Nesse sentido, um punhado da mão costuma ser uma boa referência de porção para orientar essa escolha no dia a dia.

<><> O que colocar no prato no almoço e no jantar

No almoço e no jantar, o arroz com feijão tradicional continua fazendo parte do cardápio. A recomendação, segundo orientações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), é que metade do prato seja ocupada por vegetais coloridos.

A preferência vai para os verde-escuros e amarelos, na forma de salada crua ou vegetais cozidos. Molhos gordurosos, por outro lado, merecem ser evitados. Já as carnes devem entrar em porções pequenas, alternando entre brancas, vermelhas e ovo. Os pratos vegetarianos também são uma alternativa interessante para variar o cardápio da semana. Eles trazem novas fontes de proteína e fibra à mesa.

<><> Açúcares, gorduras e produtos dietéticos

Os açúcares e alimentos açucarados exigem atenção redobrada. Quando necessário, o adoçante pode ser usado em pequena quantidade, evitando as opções à base de frutose. As frituras e as gorduras de origem animal também pedem moderação. Entram nessa lista carnes gordas, queijos amarelos, embutidos, manteiga, margarina, requeijão e creme de leite.

Por outro lado, queijos mais magros, como ricota, minas frescal e cottage, costumam ser opções melhores para o dia a dia. Além disso, é importante verificar se um produto dietético realmente atende às necessidades individuais antes de incluí-lo na rotina. Isso porque nem todo produto com o selo “diet” é automaticamente adequado para quem tem diabetes. Alguns mantêm quantidades relevantes de carboidratos ou gorduras.

<><> Sal, água e álcool: pontos que passam despercebidos

O consumo de sal também entra na lista de cuidados, já que grande parte das pessoas com diabetes convive também com pressão arterial elevada. Nesse contexto, reduzir o sal ajuda no controle dos dois quadros ao mesmo tempo. Temperos naturais, como ervas, limão e alho, são boas alternativas para manter o sabor das preparações sem exagerar no sódio.

A hidratação é outro ponto importante e deve ser mantida ao longo de todo o dia, com água em intervalos regulares. Já as bebidas alcoólicas pedem restrição, dado o impacto que podem ter no controle glicêmico, especialmente quando consumidas sem alimentação por perto.

<><> Alimentos integrais e o papel do acompanhamento profissional

Trocar versões refinadas por alimentos menos processados é outra medida recomendada. Pães integrais, aveia, arroz integral e macarrão integral entram nessa categoria. Essas opções contêm mais fibras, o que ajuda a tornar a digestão mais lenta e contribui para o controle da glicemia ao longo do dia. Ainda assim, nenhuma dessas orientações substitui o acompanhamento individualizado de pacientes com diabetes.

Cada pessoa reage de forma diferente aos alimentos, e um plano alimentar personalizado leva em conta rotina, preferências e outras condições de saúde. Por isso, incluir a consulta com um nutricionista especializado como meta do plano de cuidado é um passo importante. Esse acompanhamento ajuda a adequar a alimentação à realidade de cada pessoa ao longo da vida, com ajustes conforme a fase e as necessidades mudam.

“Alimentação é vital para o corpo, para todo mundo. Uma alimentação saudável é composta por várias fontes: carboidratos, gorduras boas, proteínas. A ideia, quando pensamos em alimentação saudável, é escolher as melhores fontes, na quantidade que cada pessoa precisa ao longo do dia, de acordo com a medicação prescrita e até seguindo os hábitos alimentares de cada um” finaliza, Tarcila.

•        Ovo mexido, cozido ou omelete: qual preparo é mais indicado para quem tem diabetes?

Posso comer ovo todos os dias? E se eu preferir mexido em vez de cozido, faz diferença? Essas são dúvidas comuns entre quem vive com diabetes e busca organizar melhor o café da manhã. Por muitos anos, o ovo foi associado ao aumento do colesterol e evitado por precaução.

Pesquisas mais recentes, no entanto, mudaram essa avaliação. Hoje, o que determina se o alimento é uma boa escolha não é o ovo em si. O fator decisivo, na verdade, é quanto se consome e como se prepara.

<><> Por que ele deixou de ser visto como vilão

A nutricionista Maria Conceição Chaves é membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e professora associada da Universidade Federal de Pernambuco. Segundo ela, o colesterol presente nos alimentos exerce pouca influência direta sobre os níveis de LDL.

O LDL é conhecido popularmente como “mau colesterol”. Entre 75% e 85% das pessoas, aliás, apresentam baixa sensibilidade ao colesterol da dieta. Isso significa que o consumo moderado de alimentos como o ovo costuma ter impacto pequeno nos níveis sanguíneos.

Por outro lado, as gorduras trans e saturadas continuam sendo os principais fatores ligados ao aumento do LDL. A gordura trans aparece sobretudo em alimentos industrializados, enquanto a gordura saturada está presente em carnes gordurosas, leite integral e derivados. Nesse contexto, o ovo perdeu o protagonismo entre as preocupações alimentares de quem tem diabetes.

<><> Quanto ovo é seguro comer

Meta-análises citadas pela nutricionista indicam que o consumo de até uma unidade por dia pode ser seguro para pessoas com diabetes. Alguns estudos, inclusive, apontam possíveis benefícios dentro de padrões alimentares equilibrados. Ainda assim, pesquisas que avaliaram consumo mais elevado encontraram associação com aumento do risco cardiovascular em alguns grupos. Os resultados, todavia, não são unânimes.

Segundo a especialista, o padrão alimentar completo tem mais peso do que um único alimento avaliado isoladamente. Por isso, a orientação é olhar para a rotina alimentar como um todo, e não apenas para o ovo isoladamente.

<><> Cozido, pochê, mexido ou omelete: o preparo faz diferença

A forma de preparo influencia diretamente o impacto nutricional do ovo, ainda mais do que a técnica escolhida em si. Quando o alimento é preparado com excesso de óleo, manteiga ou gordura, aumentam tanto as calorias quanto a quantidade de gordura saturada da refeição.

Por isso, o ovo cozido e o ovo pochê tendem a ser as opções mais neutras, já que dispensam qualquer gordura adicional no preparo. O ovo mexido e a omelete, por sua vez, também podem fazer parte da rotina. A orientação é prepará-los com pouca gordura: uma frigideira antiaderente ajuda a reduzir ou eliminar o uso de óleo e manteiga. Ou seja, a diferença não está no método escolhido, mas na quantidade de gordura agregada durante o preparo.

<><> O que mais o ovo oferece: proteína, micronutrientes e saúde ocular

Além da proteína de alto valor biológico, especialmente concentrada na clara, o ovo contribui para a sensação de saciedade. Combinado com outros alimentos, pode ainda reduzir a velocidade de absorção dos carboidratos. A gema, por sua vez, reúne micronutrientes importantes, como vitaminas A, D, E, K e B12, além de folato, selênio, colina, ferro e zinco. Por isso, a orientação é consumir o ovo inteiro, e não apenas a clara.

Ele também concentra luteína e zeaxantina, antioxidantes associados à prevenção da degeneração macular. Essa condição está ligada ao envelhecimento da retina e pode comprometer a visão ao longo dos anos. A saúde ocular merece atenção especial entre pessoas com diabetes e o acompanhamento médico e oftalmológico continua sendo necessário.

Segundo a nutricionista, o ovo pode ser associado a pão integral, tapioca, cuscuz e frutas, formando refeições mais completas e equilibradas para quem tem diabetes. No fim das contas, quantidade e preparo pesam mais na decisão do que o alimento em si.

 

Fonte: Um Diabético

 

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