Microcefalia
além do Zika: desafios permanentes das famílias anos após o surto
Com o
passar dos anos desde o surto de Zika vírus que atingiu o Brasil e resultou no
nascimento de milhares de crianças com microcefalia, a atenção da mídia e da
sociedade sobre o tema diminuiu. No entanto, para as famílias afetadas, os
desafios permanecem presentes diariamente. A necessidade de terapias contínuas,
consultas especializadas, adaptações na rotina e suporte emocional segue
fazendo parte da realidade dessas crianças, que demandam cuidados permanentes
para alcançar seu máximo potencial de desenvolvimento.
Na
Clínica Espaço Kids, em Salvador, o acompanhamento de crianças com microcefalia
continua sendo uma das frentes de atuação da equipe multiprofissional. Ao longo
dos anos, a instituição acompanhou a trajetória de diversos pacientes que,
apesar dos avanços conquistados com a intervenção precoce e contínua, ainda
dependem de assistência especializada para o desenvolvimento motor, cognitivo e
funcional.
De
acordo com a fisioterapeuta e fundadora da clínica, Jamaica Araújo, o fim da
emergência sanitária não significa o encerramento das demandas relacionadas à
condição. Pelo contrário, muitas famílias enfrentam hoje uma nova etapa marcada
pela busca constante por tratamentos, inclusão social e garantia de direitos.
“A
microcefalia não é uma condição que se resolve com o passar do tempo. Essas
crianças precisam de acompanhamento contínuo para estimular habilidades,
prevenir complicações e promover qualidade de vida. Ao mesmo tempo, observamos
famílias que enfrentam uma sobrecarga enorme, tanto emocional quanto
financeira, para garantir que seus filhos tenham acesso aos cuidados
necessários”, afirma Jamaica.
A
especialista explica que cada criança apresenta necessidades específicas, mas,
de forma geral, o tratamento envolve uma rede de profissionais que pode incluir
fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos,
neuropediatras e outros especialistas. A interrupção ou redução do
acompanhamento pode comprometer ganhos importantes conquistados ao longo dos
anos.
Além
dos desafios clínicos, muitas famílias lidam com dificuldades para acessar
serviços especializados, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
Questões relacionadas ao transporte, à oferta limitada de terapias pelo sistema
público e aos custos de tratamentos complementares frequentemente impactam a
continuidade da assistência.
Segundo
Jamaica, fortalecer a rede de apoio é fundamental para garantir melhores
condições de desenvolvimento e inclusão. “É importante que essas famílias
saibam que não estão sozinhas. Existem instituições, associações, serviços
públicos e clínicas especializadas que podem oferecer suporte. Mas também é
necessário que o poder público mantenha o olhar atento para essas crianças, que
cresceram e continuam precisando de acompanhamento e políticas voltadas para
suas necessidades”, destaca.
A
orientação para pais e responsáveis é buscar avaliação especializada sempre que
houver indicação médica ou suspeita de atrasos no desenvolvimento. O
acompanhamento multidisciplinar, aliado ao envolvimento da família, desempenha
papel essencial na promoção da autonomia e da qualidade de vida da criança.
Fonte:
Tribuna da Bahia

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