Uma
ideologia a serviço do imperialismo e do bolsonarismo
Uma
nova recém-divulgada pesquisa de opinião em relação às próximas eleições deste
ano no Brasil indica e reforça uma tendência que outras anteriores já
apontavam: um decisivo favoritismo de Lula em contraposição ao candidato
lançado pelo setor neonazista-bolsonarista.
No
entanto, os dados nos mostram a persistência de um significativo percentual
resiliente em apoio ao extremista de direita, apesar de tudo que vem sendo
revelado a seu respeito nos últimos meses.
Estranhamente,
a despeito de seu envolvimento em casos escabrosos de apropriação indevida de
recursos, em práticas recorrentes de corrupção e, ainda por cima, sua acintosa
demonstração de servilismo, entreguismo e subserviência ao imperialismo
estadunidense, em torno de 40% dos consultados estavam dispostos a sufragar seu
nome no segundo turno do processo eleitoral.
Contudo,
o que me parece ser até mais estarrecedor é constatar que o mais expressivo
núcleo de apoio a um candidato com tais características provém de pessoas que
se identificam como evangélicas.
O que
explica que gente que se diz seguidora dos ideais de Jesus forme o baluarte de
um grupo político que apregoa, defende e representa absolutamente o oposto dos
ensinamentos que o legado do Nazareno exposto nos textos dos Evangelhos nos
oferece de modo cristalino?
Se, nos
relatos de sua vida, seu comportamento sempre se norteou pela preocupação e o
desejo de contribuir de modo efetivo com as lutas das maiorias populares para
resistir e pôr fim à opressão e exploração impostas pelas classes dominantes,
por que algumas correntes autodenominadas evangélicas transformaram a imagem de
Jesus na do defensor supremo da ganância dos grandes exploradores?
Para
entender uma situação tão contraditória como esta, é preciso estudar com
atenção o papel desempenhado pelo neopentecostalismo e suas empresas-igrejas
espalhadas por quase todas as quadras de cidades e lugarejos ao longo e ao
largo de nosso país.
Esta
corrente política da extrema direita que aparece travestida de religiosa tem
suas origens nas organizações dos setores ultrarreacionários do evangelicalismo
imperialista dos Estados Unidos, que recebeu enorme ajuda da máquina estatal
gringa durante a gestão de Ronald Reagan.
E,
naquele momento, a principal resistência à dominação total do imperialismo na
América Latina era representada pelo crescente avanço da visão de um
cristianismo de feições populares, baseado na justiça, na solidariedade e na
opção prioritária pelos mais carentes, ou seja, a essência da Teologia da
Libertação.
Porém,
embora não contassem com nenhuma das qualidades que costumamos associar aos
ideais de Jesus, não há dúvidas de que os líderes neopentecostais demonstram
haver assimilado muito bem vários dos postulados traçados por outra figura da
história, aquela conhecida pelo nome de Joseph Goebbels. Em especial, deixam
evidente que conhecem e utilizam à plenitude a tradicional máxima que reza:
“Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade”.
Assim,
não obstante odeiem, rejeitem e combatam com determinação tudo o que os relatos
evangélicos mencionam sobre a postura exibida por Jesus em todas as instâncias
em que ele aparece, os formuladores neopentecostais não se cansam de
arvorarem-se nos máximos expoentes da defesa da pureza de seu simbolismo.
Lamentavelmente,
precisamos admitir que, de modo análogo ao que ocorria com Goebbles e suas
persistentes campanhas para sedimentar na mente do povo alemão os fundamentos
do nazismo, a martelação constante das mentiras do neopentecostalismo também
consegue impactar muita gente incauta que, de boa fé, anda à procura de
orientações que a conduza na trilha traçada por Jesus.
Portanto,
para os que nos colocamos no campo dos que lutam pelas causas da justiça, da
dignidade, da solidariedade e de melhorias concretas na vida das maiorias
populares, desmascarar essa nefasta ideologia pró-imperialista é algo de muita
relevância. Nosso povo precisa saber que o neopentecostalismo surgiu para
servir os traidores da pátria, em seu projeto de manter nossa nação subjugada
pelo imperialismo.
Talvez,
a maneira mais fácil de evidenciar o verdadeiro caráter nocivo dessa corrente
política é apresentá-la como ela de fato é: uma ideologia antipovo e
antinacional, inteiramente oposta ao espírito de justiça, bondade e
fraternidade que consideramos típico de Jesus.
Então,
se nosso objetivo fosse descrevê-lo dentro de uma terminologia religiosa,
classificaríamos o neopentecostalismo como uma ideologia inteiramente oposta às
aspirações do cristianismo verdadeiro. Suas práticas e seus propósitos têm
muito mais a ver com os desígnios do senhor das trevas. Tanto é assim que
tornou-se o elemento mais expressivo da sustentação política daquilo que
poderia ser catalogado como o movimento dos mais empedernidos traidores da
pátria de todos os tempos no Brasil: o bolsonarismo.
Resumindo
de modo mais sucinto e preciso para os que insistem em considerá-lo do ponto de
vista religioso: visto a partir desta ótica, o neopentecostalismo só poderia
ser coisa do diabo.
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Flávio Bolsonaro encena “ação” de agentes da PF que não controla
Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) pediu neste domingo (19) que os servidores da Polícia Federal
que supostamente estariam “à minha disposição” fossem enviados para investigar
as fraudes contra aposentados do INSS. O pré-candidato à Presidência apresentou
o deslocamento dos agentes como uma contribuição pessoal, embora não tenha
poder para determinar onde policiais federais devem trabalhar.
No
momento da publicação, Flávio sequer poderia ter uma equipe de proteção
formalmente designada. A operação eleitoral da PF só pode começar a partir
desta segunda-feira (20), depois da homologação da candidatura em convenção
partidária e de uma solicitação oficial da campanha.
“Peço
que os servidores da PF que estariam à minha disposição sejam destinados,
imediatamente, para a investigação do roubo dos aposentados do INSS.”
Ao
afirmar que queria “dar a minha contribuição”, Flávio tentou converter uma
estrutura pública de segurança em um gesto de generosidade do candidato. Os
agentes, no entanto, não são entregues ao presidenciável para que ele decida
quem será investigado ou em qual operação deverão atuar.
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PF, e não Flávio Bolsonaro, define o trabalho dos agentes
O plano
oficial divulgado pela Polícia Federal estabelece que a operação será
coordenada pela Diretoria de Proteção à Pessoa. Cada candidatura terá um
planejamento próprio, elaborado a partir de análise de risco, ameaças,
deslocamentos, locais dos eventos e características da agenda.
O
efetivo, a composição das equipes e os recursos empregados serão definidos pela
própria corporação. A PF também ativará uma Sala Nacional de Comando e Controle
em Brasília para acompanhar os servidores e coordenar a operação em todo o
país.
Ao
candidato cabe solicitar a proteção ou informar que não pretende utilizar o
serviço. Não existe previsão para que ele receba os policiais como
subordinados, escolha os integrantes da equipe ou transfira os servidores para
uma investigação criminal.
O
Decreto nº 6.381, de 2008, assegura aos candidatos à Presidência o direito à
segurança pessoal exercida por agentes da PF após a homologação da candidatura.
A norma garante proteção, não poder de comando sobre a corporação.
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R$ 95 milhões não formam uma cota pessoal do candidato
A
operação poderá mobilizar até 458 servidores e atender simultaneamente até dez
candidaturas. Cerca de R$ 95 milhões foram destinados à mobilização das
equipes, à contratação de serviços e à compra de equipamentos como viaturas
blindadas, coletes balísticos, sistemas antidrone e kits para vistorias
antibombas.
O
orçamento será administrado pela Polícia Federal e aplicado conforme critérios
técnicos. Não há uma parcela reservada a Flávio Bolsonaro que possa ser
devolvida, cedida ou transformada por ele em reforço para outra área da
corporação.
As
convenções partidárias começam em 20 de julho e terminam em 5 de agosto,
segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Só depois da escolha
oficial pelo partido e do pedido da campanha a proteção poderá ser iniciada.
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Flávio Bolsonaro acusa chefe da PF sem apresentar prova
Na
mesma postagem, Flávio afirmou não confiar no diretor-geral da Polícia Federal,
Andrei Rodrigues, e disse que não correria o risco de ele “infiltrar pessoas”
em sua campanha. O senador não apresentou documento, episódio concreto ou
evidência para sustentar a acusação.
Flávio
também chamou de “desculpa oficial” a alegada falta de efetivo para investigar
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O senador repetiu a acusação de que o
filho do presidente Lula teria recebido pagamentos de Antônio Carlos Camilo
Antunes, conhecido como Careca do INSS.
A
versão apresentada por Flávio omite o resultado do inquérito. Como mostrou a
Fórum, a Polícia Federal não encontrou elementos para indiciar Lulinha no caso
do INSS. A ausência de indiciamento não demonstra falta de investigação, mas
que os elementos reunidos não sustentaram uma acusação criminal contra o
empresário.
A
corporação também segue avançando contra outros investigados. Nesta semana, a
PF indiciou 48 pessoas no primeiro inquérito sobre as fraudes no INSS,
incluindo um ex-ministro do governo Jair Bolsonaro.
A
proteção eleitoral e a investigação criminal são atividades distintas. A
primeira será coordenada pela Diretoria de Proteção à Pessoa, com equipes
especializadas e planejamento individualizado. A segunda depende de inquérito,
distribuição interna de pessoal, diligências e decisões das autoridades
policiais responsáveis.
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Post transforma direito institucional em palco eleitoral
Flávio
Bolsonaro ofereceu como contribuição pessoal servidores que não estavam sob seu
comando e que, naquele momento, ainda nem poderiam integrar formalmente sua
segurança eleitoral. Em seguida, usou a falsa possibilidade de redirecionar os
agentes para atacar o comando da PF e se apresentar como defensor dos
aposentados.
Na
prática, o pré-candidato pode solicitar a proteção ou abrir mão dela. O que não
pode fazer é tratar policiais federais como uma equipe particular, escolher
suas missões ou usar a estrutura do Estado como moeda de uma encenação
eleitoral.
• Em meio a briga com Flávio, Michelle
toma decisão sobre ser vice de Zema
ex-primeira-dama
Michelle Bolsonaro (PL) descartou neste sábado (18) qualquer possibilidade de
integrar a chapa presidencial de Romeu Zema (Novo) como vice-presidente. A
recusa veio poucas horas depois de Zema mencionar o nome dela durante o 10º
Encontro Nacional do Novo, em São Paulo, onde afirmou que a ex-primeira-dama
preenchia os critérios para ocupar o posto.
Michelle
respondeu pelo Instagram, invocando impedimentos partidários, sua indefinição
sobre candidaturas e a prioridade de cuidar do marido, o ex-presidente Jair
Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília.
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Zema propõe, Michelle recusa
Durante
o encontro nacional do Novo realizado em São Paulo neste sábado, Romeu Zema foi
questionado sobre uma possível composição com Michelle Bolsonaro, motivada por
curtidas dela em publicações suas nas redes sociais. O pré-candidato não fechou
portas. “É uma possibilidade, sim, como outras também são. Nome ficha limpa é
sempre um nome muito bom”, declarou.
A
resposta de Michelle não demorou. Ainda na noite do mesmo dia, ela publicou um
texto nos stories do Instagram recusando a proposta de forma categórica. A
ex-primeira-dama compartilhou uma manchete do site Poder360 que reproduzia a
declaração de Zema e, na sequência, escreveu: “Não há nenhuma possibilidade de
isso acontecer.”
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Os argumentos de Michelle Bolsonaro
Michelle
Bolsonaro apresentou três ordens de razões para a recusa. A primeira é a de que
ainda não decidiu se será candidata a qualquer cargo em 2026, incluindo o
Senado pelo Distrito Federal, cargo para o qual o PL a apresenta como
pré-candidata. “Primeiro, eu não defini se serei candidata nem ao Senado.
Portanto, essa proposta não pode sequer ser cogitada”, escreveu. A segunda
razão consiste no fato de que é filiada ao PL. Ela argumentou que “um mesmo
partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas
para os mesmos cargos majoritários”, em referência à pré-candidatura do senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência. Michelle ainda afirmou que, neste
momento, continua priorizando os cuidados com o marido, Jair Bolsonaro, que
cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília.
A
manifestação ocorre num momento de turbulência interna para Michelle. Após uma
briga pública com Flávio Bolsonaro, ela deixou a presidência do PL Mulher e
chegou a sinalizar a aliados que poderia abandonar também a disputa pelo
Senado. O episódio com Zema se insere, portanto, num quadro de indefinição
sobre seu próprio futuro político, o que torna a recusa ao mesmo tempo uma
declaração de limites e um adiamento de decisões.
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Contexto das articulações e disputas na direita
A
proposta de Zema a Michelle não era, na prática, uma oferta consolidada. O
presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, confirmou no mesmo dia que o
partido ainda negocia a composição da chapa com outras siglas, com destaque
para o Podemos. “Tenho uma ótima relação com a Renata [Abreu, presidente
nacional do Podemos]. Acho que é uma possibilidade a gente fazer uma
composição, mas ainda não há essa definição”, disse Ribeiro. A convenção
nacional do Novo está marcada para 27 de julho, em Brasília, onde a candidatura
de Zema deve ser confirmada. A escolha do vice, porém, deve ficar para depois,
dentro do prazo das convenções partidárias, que se encerra em agosto.
A
recusa de Michelle evidencia que, apesar das conversas entre lideranças
conservadoras, persistem divergências sobre a formação das chapas para 2026,
com o PL buscando uma candidatura própria encabeçada por Flávio Bolsonaro. O
movimento de Zema ao citar Michelle pode ser lido como uma tentativa de se
aproveitar da briga pública entre Michelle e Flávio Bolsonaro e do fato de que
a ex-primeira-dama vem sinalizando que não embarcará na campanha do filho do
ex-presidente.
A
recusa de Michelle fecha, ao menos por ora, uma janela que poderia ter dado ao
Novo algum acesso ao eleitorado bolsonarista mais fiel. Sem esse endosso, Zema
segue negociando com o Podemos uma composição que, embora possível, não carrega
o peso simbólico que o nome da ex-primeira-dama representaria para a base de
Jair Bolsonaro.
Fonte:
Por Jair de Souza, em Brasil 247/Fórum

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