Paulo
Figueiredo comprou mansão de R$ 6,1 milhões nos EUA, enquanto deve R$ 4,9
milhões à União
O
influenciador Paulo Figueiredo comprou, em novembro do ano passado, uma mansão
de 1,2 milhão de dólares — o equivalente a cerca de R$ 6,1 milhões — em
Clermont, na Flórida (EUA).
Esta é
uma de duas propriedades do influenciador localizadas no estado da Flórida pela
Agência Pública e ICL Notícias, no valor total de R$ 11,6 milhões. Segundo o
influenciador, ambas são financiadas e não fazem parte de seu patrimônio.
Além da
mansão em Clermont, a reportagem descobriu que Figueiredo possui também uma
casa em Weston, anunciada para venda em junho deste ano por 1,09 milhão de
dólares, ou R$ 5,5 milhões, segundo sites imobiliários americanos. A
propriedade estava registrada, desde 2016, em nome da empresa Olive-Fig Tree
Real Properties LLC, que também pertence ao influenciador.
Em
outubro de 2025, porém, o imóvel foi transferido para o nome de Figueiredo, de
acordo com documentos do estado da Flórida. Um mês depois, ele comprou a casa
em Clermont.
Paulo
Figueiredo deve R$ 4,9 milhões à União por fraudes relacionadas a um esquema
para blindar empresas de fiscalizações da Receita Federal, revelado pela Lava
Jato durante a Operação Armadeira 2. A informação foi publicada pelo Estadão
com base em dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Ao jornal,
ele afirmou que foi autuado indevidamente.
Por
isso, ele foi inscrito na Dívida Ativa da União.
O
influenciador também foi condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a
pagar uma multa de R$ 102 milhões, por supostas fraudes financeiras na
construção de um hotel no Rio de Janeiro, em parceria com Donald Trump,
conforme revelou o Fiquem Sabendo pela Lei de Acesso à Informação.
Procurado
pela reportagem, Figueiredo afirmou que é um cidadão privado e empresário. “não
devo satisfação sobre meu patrimônio a veículo de imprensa algum. Nenhuma das
minhas viagens foi custeada com recursos públicos, portanto tampouco devo
satisfação ao público sobre elas. Um fato, porém, precisa ficar registrado
desde já: ambos os imóveis são financiados”.
Segundo
ele, isso significa que o seu patrimônio “não corresponde nem de longe aos
valores que vocês pretendem me atribuir”.
Paulo
Figueiredo ainda ameaçou a reportagem com base na lei da Flórida. “Como os
fatos estão sendo formalmente aqui comunicados a vocês antes da publicação,
eventual publicação de afirmações falsas será tratada no judiciário americano”,
afirmou.
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Seis quartos, jacuzzi e piscina
A
mansão em Clermont adquirida em novembro de 2025 é luxuosa e demonstra que o
aliado de Eduardo Bolsonaro tem passado bem enquanto pede ao governo de Donald
Trump retaliações ao Brasil.
Ela
ocupa um terreno de 17,5 mil metros quadrados, equivalente a cerca de dois
campos e meio de futebol, e tem 515 metros quadrados de área construída.
A
propriedade possui dois andares, seis quartos e cinco banheiros, além de salas
de estar e jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. Na área externa, conta com
piscina de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e casa na
árvore.
A
compra foi concluída um mês depois de Figueiredo informar à Justiça dos Estados
Unidos que não tinha recursos para contratar um advogado para representar sua
empresa, a International Treasure Group, após ela ter sido condenada à revelia.
A ação contra a firma de Figueiredo faz parte de um processo de falência que
busca recuperar transferências supostamente ligadas ao esquema de fraude
liderado pelo magnata chinês Miles Guo.
Como a
Agência Pública e o ICL Notícias revelaram, a empresa de Paulo Figueiredo é
parte no processo por, segundo sua defesa, ter prestado serviço para a rede
social Gettr, fundada pelo ex-assessor de Trump, Jason Miller, entre agosto de
2021 e abril de 2022, tendo recebido 140 mil dólares (cerca de R$ 670 mil). Guo
era financiador oculto da Gettr.
Jason
Miller é aliado dos Bolsonaros e chegou a vir ao Brasil algumas vezes durante o
governo de Jair. A Gettr também financiou eventos na pré-campanha de 2022.
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Paulo Figueiredo tem dois imóveis de R$ 11,6 milhões na Flórida
A casa
de Weston estava registrada desde 2016 em nome da Olive-Fig Tree Real
Properties LLC, empresa pertencente a Paulo Figueiredo. Documentos do estado da
Flórida mostram que o imóvel foi transferido para o nome do influenciador em
outubro de 2025.
Um mês
depois, Figueiredo concluiu a compra da mansão em Clermont. A propriedade ocupa
um terreno de 17,5 mil metros quadrados e possui 515 metros quadrados de área
construída.
A
residência tem dois andares, seis quartos, cinco banheiros, salas de estar e
jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. A área externa inclui piscina de água
salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e casa na árvore.
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Compra ocorreu após empresa alegar dificuldades financeiras
A
aquisição foi concluída um mês depois de Figueiredo informar à Justiça
americana que sua empresa, a International Treasure Group, enfrentava
dificuldades financeiras e não tinha recursos para contratar um advogado.
A
declaração foi apresentada em um processo de falência que tramita no Tribunal
de Falências do Distrito de Connecticut. A ação busca recuperar transferências
supostamente relacionadas ao esquema atribuído ao empresário chinês Miles Guo,
também conhecido como Guo Wengui.
Segundo
a defesa de Figueiredo, a International Treasure Group recebeu US$ 140 mil,
cerca de R$ 670 mil, por serviços prestados à Gettr entre agosto de 2021 e
abril de 2022, durante o lançamento da rede social no Brasil. A plataforma foi
fundada por Jason Miller, ex-assessor de Donald Trump, e tinha Guo como
financiador oculto.
Os
responsáveis pelo processo de falência sustentam que o pagamento foi uma
transferência fraudulenta destinada a dificultar ou atrasar a recuperação de
recursos pelos credores. Figueiredo contesta essa versão e afirma que o
dinheiro remunerou serviços efetivamente prestados à Gettr.
Em 30
de outubro de 2025, após tentativas frustradas de notificação, o tribunal
proferiu sentença à revelia contra a International Treasure Group e fixou a
condenação em US$ 140 mil, além de juros. Figueiredo recorreu, e o processo
permanece em aberto.
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“Desempregado”
Em
2024, quando já articulava nos EUA a possibilidade de retaliações contra o
Brasil, Paulo Figueiredo chegou a reclamar em audiência no Congresso americano
de ser vítima de perseguição do STF e ter ficado “desempregado” e com
dificuldades financeiras.
Em
entrevista ao portal Metrópoles em agosto do ano passado, o influenciador
afirmou ter gasto R$ 1 milhão no que chamou de “luta pela liberdade”.
Questionado sobre o valor de seu patrimônio, porém, não respondeu.
No
final do ano, ele retomou a narrativa de ter sido afetado por questões
políticas no Brasil, desta vez colocando o argumento em uma resposta formal à
Justiça americana.
Figueiredo
alegou que sua empresa enfrentou “dificuldades financeiras significativas” ao
longo de 2023 e 2024, em razão da interrupção de atividades comerciais, o que
teria impedido a contratação de um advogado. Segundo ele, a situação foi
agravada por “mudanças políticas no Brasil” e pela redução das oportunidades de
consultoria.
A
resposta faz parte de sua defesa no processo de falência de Miles Guo que
tramita no Tribunal de Falências do Distrito de Connecticut, nos EUA. O pedido
de apuração na Justiça americana afirma que o pagamento à International Treasure Group foi uma
transferência fraudulenta. “Esta transferência foi, na verdade, fraudulenta,
porque o devedor [Guo Wengui] a efetuou como parte de seu ‘jogo de fachada’ e
foi feita com a intenção de dificultar, atrasar e/ou fraudar os credores do
devedor”, diz o processo.
Já
Paulo Figueiredo argumenta que o pagamento foi parte do serviço prestado à Gettr entre agosto de 2021 e abril de 2022,
durante o lançamento da rede social no Brasil. As informações sobre os serviços
prestados à plataforma foram dadas pelo próprio influenciador na ação.
Em 30
de outubro de 2025, após diversas tentativas frustradas de notificação, o
tribunal proferiu sentença à revelia contra a empresa de Figueiredo. A decisão
fixou a condenação no valor de 140 mil dólares, acrescida de juros
pré-julgamento. O influenciador recorreu e o processo segue em aberto.
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Coação contra Justiça do Brasil em Washington
Em
setembro do ano passado, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro foram denunciados
pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por coação no curso do processo, sob
a acusação de terem articulado sanções contra ministros do STF, na tentativa de
influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro e seus cúmplices por golpe de
Estado. Figueiredo também responde ao processo criminal na Corte pela trama
golpista, mas foi o único denunciado que ainda não foi julgado porque o STF
também não conseguiu intimá-lo nos EUA.
Ao
longo de 2025, Figueiredo e Eduardo Bolsonaro viajaram ao menos 6 vezes a
Washington para articular, junto a integrantes do governo Donald Trump, a
adoção de sanções contra o governo brasileiro e ministros do STF.
Perguntado
sobre quem paga suas viagens pela revista Piauí, Eduardo não respondeu e
ironizou: “É um amigo do amigo do meu pai”, disse, em alusão ao ministro Dias
Toffoli, do STF. A frase faz referência ao codinome pelo qual Toffoli aparecia
nas planilhas da Odebrecht, reveladas pela Operação Lava Jato.
Fonte:
Por Alice Maciel, Natalia Viana, Ken Silverstein, ICL Notícias e Agencia
Pública/Fórum

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