quarta-feira, 22 de julho de 2026

Moda nas academias pode esconder risco silencioso para os rins, alerta nefrologista

O consumo de suplementos alimentares nunca foi tão comum entre quem busca ganhar massa muscular, emagrecer ou melhorar o desempenho nos treinos. Mas o uso indiscriminado desses produtos, muitas vezes sem orientação profissional, tem acendido um alerta entre especialistas por causa dos possíveis impactos na saúde dos rins.

Segundo o nefrologista Bruno Zawadzki, vice-presidente médico da DaVita Tratamento Renal, é cada vez mais frequente o atendimento de pacientes com alterações renais associadas ao uso inadequado de suplementos, estimulantes e produtos vendidos como naturais. "Os rins funcionam como um filtro do organismo. Quando recebem uma carga excessiva de substâncias concentradas, acabam trabalhando de forma sobrecarregada, o que pode comprometer sua função", explica o médico.

Embora a creatina seja frequentemente alvo de dúvidas, o especialista destaca que o suplemento costuma ser seguro para pessoas saudáveis quando utilizado nas doses recomendadas e com acompanhamento adequado. Segundo ele, a maior preocupação está no consumo indiscriminado de outros produtos, especialmente aqueles usados para aumentar a disposição antes dos treinos ou acelerar o emagrecimento.

<><> Quais suplementos merecem mais atenção?

Entre os produtos que exigem maior cuidado estão os chamados pré-treinos, que podem conter altas concentrações de cafeína e outros estimulantes. De acordo com o nefrologista, essas substâncias podem elevar a pressão arterial, favorecer a desidratação e reduzir o fluxo de sangue para os rins, aumentando o risco de lesões.

Os suplementos comercializados como naturais para emagrecimento também entram na lista de preocupação. "Existe uma falsa ideia de que, por serem naturais, esses produtos não oferecem riscos. Algumas ervas e extratos concentrados podem ser tóxicos para as células renais e provocar lesões importantes", alerta. O especialista também chama a atenção para o uso de anabolizantes, que podem causar danos não apenas ao coração e ao fígado, mas também aos rins.

<><> Problema pode passar despercebido

Um dos maiores desafios, segundo o médico, é que as doenças renais costumam evoluir de forma silenciosa. Nas fases iniciais, as lesões geralmente não provocam sintomas e acabam sendo identificadas apenas em exames laboratoriais, como a dosagem da creatinina e a análise da urina.

Por isso, quem pretende iniciar qualquer rotina de suplementação deve procurar orientação profissional e acompanhar periodicamente a função renal. "Verificar como está a saúde dos rins antes de iniciar a suplementação e acompanhar esses parâmetros ao longo do uso é uma medida simples que pode evitar problemas graves no futuro", conclui o nefrologista.

•        Carboidrato é mesmo o vilão da dieta? Especialistas explicam por que cortar esse nutriente pode fazer mal

O carboidrato virou um dos alimentos mais temidos por quem busca emagrecer. Enquanto as proteínas ganharam fama de aliadas da boa forma e da saciedade, pães, massas e outros alimentos ricos em carboidratos passaram a ser evitados por muita gente. Mas especialistas afirmam que essa disputa entre "mocinhos" e "vilões" simplifica demais o funcionamento do organismo e pode levar a escolhas prejudiciais para a saúde.

Segundo a engenheira de alimentos Sonia Romani, diretora técnica da Abimapi, o carboidrato continua sendo a principal fonte de energia do corpo e exerce papel importante tanto para o cérebro quanto para os músculos. "Sem o glicogênio armazenado, que é o combustível utilizado em atividades de maior intensidade, o rendimento físico cai de forma significativa", explica.

A nutricionista Bianca Naves reforça que retirar o nutriente da alimentação sem uma indicação específica pode trazer consequências. "O carboidrato é a principal fonte de energia para o cérebro, para os músculos e para o organismo como um todo. Em dietas muito restritivas, existe inclusive o risco de perda de massa muscular", afirma.

<><> O que acontece quando o carboidrato é cortado?

Dietas extremamente restritivas, como versões muito severas da cetogênica ou da chamada "zero carb", fazem o organismo buscar outras formas de produzir energia. Nesse processo, conhecido como cetose, o fígado transforma gordura em corpos cetônicos para manter o funcionamento do cérebro e de outros órgãos.

Segundo as especialistas, embora esse mecanismo exista naturalmente, sua adoção sem acompanhamento profissional pode provocar efeitos como dores de cabeça, irritabilidade, dificuldade de concentração, tonturas e desidratação, especialmente nas fases iniciais da restrição.

<><> Então proteína é melhor?

As proteínas realmente promovem maior saciedade porque são digeridas mais lentamente, exigindo um esforço maior do organismo durante a digestão. No entanto, isso não significa que devam substituir completamente os carboidratos. Segundo as especialistas, a melhor estratégia costuma ser combinar os dois nutrientes na mesma refeição.

Quando carboidratos e proteínas são consumidos juntos, a absorção da glicose ocorre de forma mais gradual, o que ajuda a reduzir oscilações na glicemia, prolongar a sensação de saciedade e manter os níveis de energia mais estáveis ao longo do dia. Na prática, refeições como pão com ovos, macarrão com carne magra ou arroz acompanhado de feijão e proteínas animais podem contribuir para esse equilíbrio.

<><> Mais proteína nem sempre significa mais músculos

Outro equívoco comum é acreditar que consumir grandes quantidades de proteína de uma só vez acelera o ganho de massa muscular. Segundo Bianca Naves, o mais importante é distribuir a ingestão diária ao longo das refeições. Para adultos fisicamente ativos, a recomendação costuma variar entre 1,2 e 1,6 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia, sempre considerando as necessidades individuais.

Embora as redes sociais frequentemente apresentem alimentos como heróis ou vilões, especialistas destacam que uma alimentação saudável depende da combinação entre diferentes grupos alimentares. Proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, vitaminas e minerais desempenham funções complementares no organismo e não devem ser excluídos sem orientação profissional. "O ideal é buscar equilíbrio, e não extremos. A qualidade da alimentação depende do conjunto da dieta, e não da eliminação isolada de um único nutriente", conclui a nutricionista.

 

Fonte: Correio 24 horas

 

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