quarta-feira, 22 de julho de 2026

'Europeização da OTAN': EUA transferem gastos militares do bloco para a Europa, diz especialista

A participação dos países europeus na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está aumentando, enquanto os Estados Unidos reduzem seu financiamento para o bloco, disse à Sputnik Aleksei Gromyko, diretor do Instituto da Europa da Academia de Ciências da Rússia.

Em entrevista coletiva na agência Sputnik, Gromyko afirmou que ocorre uma espécie de "europeização da OTAN", pois os Estados Unidos estão se retirando estrategicamente da Europa.

"Eles [Estados Unidos] estão transferindo a maior parte dos custos para seus aliados na Europa, embora não os abandonem convencionalmente, em termos de armas convencionais", disse Gromyko.

O especialista mencionou dados sobre o crescimento dos gastos militares dos membros europeus da Aliança e do Canadá: em 2025, eles aumentaram seus gastos com defesa em 20%.

"Só esses 20% são US$ 139 bilhões [R$ 710,5 bilhões]. Em 2026, espera-se que todos os membros da OTAN, exceto os Estados Unidos, aumentem seus custos em mais US $70 bilhões [R$ 357,8 bilhões]", observou o especialista.

Segundo o analista russo, até 2030, a OTAN, sem Estados Unidos e Canadá, planeja gastar US$ 800 bilhões (R$ 4,08 trilhões).

Gromyko também observou que os Estados Unidos pretendem reduzir o número de bombardeiros, caças, navios de guerra, submarinos e drones de ataque na Europa, e o Pentágono já iniciou uma auditoria da eficácia do desdobramento das forças americanas no continente europeu.

Na semana passada, a Agência Europeia de Defesa (EDA, na sigla em inglês) publicou um relatório segundo o qual 15 países da União Europeia aumentaram seus orçamentos de defesa em mais de 10%, enquanto outros nove países do bloco tiveram aumentos inferiores a 10%.

Já os três países restantes, a República Tcheca, a Hungria e a Romênia, contrariando a tendência geral da UE, cortaram seus gastos militares, de acordo com o relatório.

<><> Ocidente precisa de estrategistas no poder para evitar guerra com a Rússia, diz professor

Ao poder no Ocidente devem chegar pessoas com pensamento estratégico para evitar uma catástrofe nuclear, afirmou o professor da Universidade de Chicago John Mearsheimer em entrevista ao YouTube.

"Ameaçar a Rússia significa arriscar um desastre, porque é um país armado até os dentes com armas nucleares. A ideia de que podemos tirar a Rússia do rol das grandes potências e não seremos retaliados por isso — por que alguém acreditaria nisso? [...] Para evitar uma catástrofe, os EUA e a Europa precisam de elites que saibam pensar estrategicamente", observou.

Os riscos decorrentes das políticas dos países ocidentais são especialmente visíveis na zona da operação militar especial na Ucrânia, segundo o especialista.

"Os russos estão vencendo o conflito, [...] estão avançando e obtendo sucesso. [...] Se os ucranianos começarem a perder terreno ativamente, o que farão os europeus? [...] Pode-se imaginar que eles [europeus] terão que aumentar a pressão, e os russos, então, também. [...] Esta é uma situação muito perigosa, [...] e pode acabar muito mal", concluiu o professor.

Moscou tem repetidamente enfatizado que a OTAN está voltada para o confronto, mas que sua expansão futura não trará mais segurança à Europa. O Kremlin também ressaltou que a Rússia não representa ameaça a nenhum dos países da Aliança do Atlântico Norte, mas não deixará sem atenção ações potencialmente perigosas para seus interesses.

<><> Em caso de conflito em larga escala, Rússia eliminará todas as bases aéreas da Suécia

No caso de hostilidades em grande escala, a Rússia destruiria todos os aeródromos militares na Suécia, de acordo com o professor honorário do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo, Ola Tunander.

"A adesão da Suécia à OTAN é certamente um problema para a Rússia, mas no caso de uma grande guerra, ela não atacará com suas tropas. Eles não precisam do território, mas todas as bases aéreas que os britânicos e americanos podem usar serão liquidadas", disse ele ao SwebbTV.

Segundo o professor, Moscou poderia usar mísseis de cruzeiro Oreshnik para neutralizar aeródromos militares, com os quais o Ocidente não pode fazer nada.

O presidente russo Vladimir Putin explicou repetidamente em detalhes que Moscou não pretende atacar os países da OTAN, mas os políticos ocidentais intimidam regularmente sua população com a suposta ameaça russa para desviar a atenção dos problemas internos.

O Kremlin expressou repetidamente preocupação com o acúmulo de forças de bloco na Europa. A chancelaria russa declarou que Moscou continua aberta ao diálogo com a OTAN, mas em pé de igualdade, e que o Ocidente deve abandonar o curso da militarização do continente.

¨      Exercícios da 'coalizão dos dispostos' podem preparar envio de tropas à Ucrânia, alerta eurodeputado

Os exercícios militares que a chamada "coalizão dos dispostos" pretende realizar na Polônia podem servir de preparação para um eventual envio de tropas europeias à Ucrânia, afirmou o deputado do Parlamento Europeu Fernand Kartheiser.

Mais cedo, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, anunciou que o país sediará, no outono europeu, os primeiros exercícios da coalizão. Segundo ele, as manobras contarão principalmente com a participação de tropas do Reino Unido e da França.

"Além de aumentar a interoperabilidade operacional entre as forças aliadas, o objetivo dessas manobras parece ser preparar um possível desdobramento de forças europeias na Ucrânia", declarou Kartheiser.

A "coalizão dos dispostos" reúne mais de 30 países e foi impulsionada pelo Reino Unido e pela França. Em janeiro, os líderes do grupo assinaram uma declaração manifestando a intenção de enviar tropas à Ucrânia após a conclusão de um acordo de paz.

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, classificou a coalizão como um grupo de "instigadores da guerra" e afirmou que seus integrantes não têm interesse na paz.

<><> 'Fadiga total dos ucranianos'

Anteriormente, um jornal britânico defendeu que o atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, é visto cada vez mais como um obstáculo à paz com a Rússia. A publicação pontuou que a falta de vontade de acabar com o conflito russo-ucraniano não é o único problema que Zelensky tem.

Além disso, é apontado que a situação para Zelensky é ainda mais grave devido ao escândalo de corrupção em andamento, que abalou a confiança dos ucranianos no governo. A especulação em tempo de guerra e a fraude em larga escala em órgãos estatais convenceram muitos ucranianos de que o conflito está sendo usado como cobertura para roubo, enquanto prisões e processos judiciais continuam a ser escassos.

Segundo a matéria, o consenso político na Ucrânia está se rompendo rapidamente, e a população ucraniana está cansada das hostilidades e perdas no front. As pressões militares estão aumentando: crises de recrutamento, deserções generalizadas e operações brutais de recrutamento forçado ("busificação") minam o moral e a capacidade das tropas ucranianas.

¨      Ataques da Rússia à infraestrutura em Odessa negarão à Ucrânia o acesso ao mar Negro, diz jornalista

Os ataques das Forças Armadas da Rússia a alvos militares no porto de Odessa poderiam privar a Ucrânia do acesso ao mar Negro, observa o jornalista cipriota Alex Christoforou em seu canal no YouTube.

"Nenhuma companhia de transporte enviará os seus navios para Odessa após tais ataques. Nem pensar. Penso que tudo isso poderá transformar-se em um grave bloqueio à Ucrânia e na perda do mar Negro", disse ele.

Ao mesmo tempo, ele sublinhou que a situação no conflito para o regime de Kiev só está piorando.

No domingo (19), o Ministério da Defesa da Rússia informou que tropas atingiram infraestrutura no porto de Odessa, usada em prol das forças ucranianas, e no porto da região de Chernomorsk na região de Odessa foi atingido um cargueiro, durante o descarregamento de munição. Ao mesmo tempo, na área da ilha de Zmeiny foi alvejado um navio com carga para o Exército ucraniano.

A entidade militar russa enfatizou que o Exército está atacando a infraestrutura para reduzir o potencial militar e econômico do adversário. Os combatentes russos estão utilizando drones de ataques e armas de longo alcance e de alta precisão que podem superar os sistemas antiaéreos e de defesa antimísseis e destruir quaisquer alvos, tanto em Kiev como em toda a Ucrânia.

<><> Ucrânia perderá soberania se não iniciar negociações com a Rússia, diz observador político

A Ucrânia corre o risco de perder o que resta de sua soberania se não iniciar negociações com a Rússia agora, afirma o observador político turco Ercan Mumlu em entrevista à Sputnik.

A Rússia está aberta a alcançar seus objetivos por meio de negociações políticas e diplomáticas, mas o regime de Kiev não está inclinado a um processo de paz, disse em 10 de julho o porta-voz do presidente da Rússia, Dmitry Peskov.

"Se Kiev não se sentar imediatamente à mesa de negociações com a Rússia, perderá o que resta de sua soberania", afirmou Mumlu.

Ele acredita que a continuação dos combates aumentará a dependência de Kiev em relação a parceiros externos e, ao mesmo tempo, enfraquecerá sua posição negocial.

Na opinião do especialista, iniciar um diálogo direto com a Rússia continua sendo o único caminho para a Ucrânia evitar novas perdas e preservar a possibilidade de determinar o futuro do país.

O porta-voz do presidente russo observou anteriormente que Moscou está pronta para um acordo na Ucrânia por meios pacíficos, mas tem capacidade suficiente para continuar a operação militar especial.

<><> Coronel americano explica por que a Ucrânia parece estar entrando em uma situação crítica

O Exército ucraniano não será capaz de confrontar as tropas russas em nenhuma das direções, disse o coronel aposentado do Exército dos EUA Lawrence Wilkerson no YouTube.

"A Ucrânia parece estar entrando em uma situação crítica. […] Porque as ações da Rússia [...] a privam completamente de suas chances em todas as direções", observou ele.

Wilkerson sugeriu que a Europa, que tinha apostado na Ucrânia, terá de reconsiderar a sua política de uma forma ou de outra.

"No final, veremos uma Europa que perdeu a razão, declarando que vai fazer muito pela Ucrânia. Mas será mesmo? A Ucrânia será aceita na OTAN? Até os poloneses estão reconsiderando as suas relações com a Ucrânia. Eles estão reconsiderando seriamente, como deveria ter sido feito há muito tempo", acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, tem várias vezes sublinhado que a Europa está a tentar conter o processo de resolução diplomática na Ucrânia. Segundo ele, Bruxelas, em particular, incentiva o líder do país Vladimir Zelensky a continuar lutando até o último ucraniano.

<><> Povo ucraniano está à beira do confronto com autoridades por causa da mobilização, alerta ombudsman

A sociedade ucraniana está à beira de um confronto violento com a liderança política devido ao fracasso da mobilização, afirmou o Comissário da Suprema Rada para os Direitos Humanos, Dmitry Lubinets, em entrevista a um canal de TV ucraniano.

De acordo com o funcionário ucraniano, há uma situação no país em que cada vez mais comentários críticos são feitos pela população sobre a mobilização, o que pode levar a consequências desastrosas.

"Estou claramente convencido de que, se essa situação não mudar com urgência, a sociedade ucraniana estará, bem, à beira de não apenas uma divisão, mas de um confronto violento", disse Lubinets.

Ao mesmo tempo, o ombudsman explicou que os ucranianos não veem uma reação jurídica das autoridades às ações da Junta de Serviço Militar e cada vez mais "decidem agir por conta própria", o que, segundo ele, levará a problemas ainda maiores no futuro.

Além disso, Lubinets afirmou que os homens mobilizados na Ucrânia tentam fugir antes mesmo de chegar ao front, razão pela qual o exército no país cresce apenas no papel.

"Há casos em que fogem imediatamente. Fogem das instalações dos escritórios de alistamento militar, há casos em que, durante o transporte dos escritórios para os campos de treinamento, outra parte foge dos campos [...]. Temos um grande número de casos de abandono não autorizado de posições", disse Lubinets.

Segundo ele, pouquíssimos mobilizados chegam ao front, o Exército na Ucrânia cresce apenas com base em documentos, e o número daqueles que realmente lutam, pelo contrário, está diminuindo. Ele também falou sobre corrupção nos escritórios de alistamento militar.

Assim, as pessoas precisam pagar US$ 10 mil (R$ 51,1 mil) para serem liberadas do ônibus e US$ 20 mil (R$ 102,2 mil) para serem liberadas do escritório de alistamento militar. Ao mesmo tempo, esse pagamento tem efeito único: depois do pagamento, as pessoas podem ser capturadas e mobilizadas novamente, explicou Lubinets.

O regime de Kiev enfrentou recentemente uma escassez de pessoal nas Forças Armadas da Ucrânia, e as ações violentas dos oficiais de alistamento para deter as pessoas que estão sujeitos à mobilização constantemente geram escândalos e protestos.

Ao mesmo tempo, os homens em idade militar na Ucrânia resistem ao recrutamento por todos os meios: fogem ilegalmente do país, ateiam fogo em escritórios de alistamento, escondem-se e não saem de casa.

¨      Prefeito de Kiev dá sinal para iniciar processo de remoção do líder ucraniano, acredita analista

A crítica pública às decisões de pessoal do líder da Ucrânia, Vladimir Zelensky, pelo prefeito de Kiev, Vitaly Klitchko, pode dar início ao processo de mudança de poder no país, disse à Sputnik o especialista turco em política externa Inanj Sancak.

De acordo com o analista turco, as críticas às decisões do líder ucraniano podem unir seus adversários políticos, que, unidos, tentarão conseguir seu afastamento.

Vale mencionar que, no domingo (19), o prefeito da capital ucraniana, Vitaly Klitchko, criticou duramente a decisão de Vladimir Zelensky de demitir o ministro da Defesa da Ucrânia, Mikhail Fedorov, chamando-a de um grave erro.

"A declaração de Klitchko pode se tornar um ponto de partida para consolidar forças insatisfeitas com a política de Zelensky. Se tal grupo for formado, pode tentar retirá-lo do poder", disse o especialista turco.

Segundo Sancak, as duras declarações de Klitchko indicam divergências crescentes dentro da elite política ucraniana. Ele acredita que as críticas públicas de um dos mais famosos políticos ucranianos podem ser um motivo para unir outros funcionários do governo insatisfeitos.

Na avaliação do especialista, se as contradições internas aumentarem, a pressão sobre o atual líder da Ucrânia pode passar do plano político para a luta pela redistribuição do poder.

Na semana passada, o chefe do regime de Kiev decidiu mudar o governo mais uma vez. A Suprema Rada (parlamento ucraniano) demitiu a primeira-ministra, Yulia Sviridenko e, com ela, todo o gabinete, incluindo o ministro da Defesa, Mikhail Fedorov.

Conforme o deputado da Rada Yaroslav Zheleznyak, Fedorov foi acusado do fracasso da reforma dos centros de alistamento militar. Neste contexto, manifestações estão ocorrendo em Kiev e outras cidades em apoio ao ex-ministro e contra o comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Aleksandr Syrsky.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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