quarta-feira, 22 de julho de 2026

Flagra com capanga de Vorcaro aumenta ainda mais o desgaste da campanha de Flávio Bolsonaro

A candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, à presidência da República virou puro medo e delírio. As más notícias não param de chegar e nada indica que o inferno astral esteja perto do fim. O troço está tão avassalador que nem as narrativas delirantes do bolsonarismo estão dando conta de explicar tantos esqueletos no armário.

Os danos à campanha foram detectados pelos principais institutos de pesquisa, que na última semana confirmaram uma tendência de queda consolidada nas intenções de voto, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno.

Tudo o que está ruim ainda pode piorar. No dia 15 de julho, a jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, publicou uma foto do bolsonarista ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — aquele que tirou a própria vida na cadeia há poucos meses –, o capanga de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Conhecido como “Sicário”, ele foi acusado pela Polícia Federal de ser o chefe de uma gangue que monitorava e intimidava pessoas consideradas inimigas dos interesses do ex-banqueiro. Estamos falando de ações violentas, típicas das máfias. Vorcaro e o jagunço mantinham contatos diretos e frequentes para combinar os métodos e a vítima da vez.

Não que a má companhia do senador seja uma surpresa, afinal não estamos falando de um anjo de candura. Flávio estreou na vida pública como funcionário fantasma. Depois, virou um deputado que fez do seu gabinete um cabide de empregos para os parentes de um chefe de milícia. Hoje, é um senador que chama o maior bandido do Brasil de “irmão” depois de pedir R$ 134 milhões. Transitar com desenvoltura entre o mundo da política e do crime talvez seja a principal marca da sua trajetória na vida pública.

Flávio negou conhecer o “Sicário” de Vorcaro e alegou que qualquer um pode tirar foto com político. Essa seria uma possibilidade plausível não fosse a relação financeira e de irmandade que ele mantinha com o patrão do capanga.

O contexto em que se dá a foto torna a possibilidade ainda mais remota. Ela foi tirada em 2022, dentro de um hotel da zona sul do Rio de Janeiro, em um momento de descontração em que o senador aparece sem camisa e com óculos escuros. Tem toda a pinta de que foi tirada numa churrascada à beira da piscina. Não parece uma foto de um fã qualquer que o encontrou por acaso.

Alguns anos depois desse encontro no hotel, Flávio escreveu para o patrão do “Sicário”: “Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente”. Esse não parece ser o tipo de tratamento que se tem com quem se conhece há pouco tempo. Há que ser muito inocente para acreditar que o senador não conhecia o criminoso da foto. A outra alternativa é acreditar na honra da palavra de Flávio Bolsonaro, que jurou não conhecer Vorcaro.

As pesquisas indicam que isso está ficando mais difícil. As lorotas de Flávio não estão ganhando aderência entre os eleitores que estão fora da bolha mais fiel do bolsonarismo. E é justamente essa faixa do eleitorado que ele precisa conquistar para ganhar a eleição.

A divulgação da imagem de Flávio, bastante à vontade com um criminoso, aumentou o clima de barata-voa na campanha. A assessoria de imprensa do parlamentar chegou a publicar duas notas com versões diferentes para explicar a foto.

Na primeira, enviada para o ICL, afirmou que o senador nunca viu nem conhece a pessoa da foto e levantou a possibilidade de a imagem ter sido forjada por inteligência artificial. Na segunda, distribuída pouco tempo depois, o texto foi alterado. O trecho que dizia que Flávio não conhece a pessoa da foto foi substituído por esse: “Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima”. Além disso, a suspeita sobre alteração feita pela inteligência artificial foi retirada. Essa titubeada soa quase como uma confirmação de que a foto é verídica. Há um claro temor de que novas imagens desse dia possam aparecer.

Caciques do PL já sabiam da existência da foto há meses. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto — outro que se encontra enrascado com a justiça —  admitiu saber da existência há um mês. Nenhum dos caciques colocou em xeque a veracidade da foto. Já a ala norte-americana da campanha, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, seguiram o caminho aposto. A dupla de herdeiros do golpismo decidiu atacar a jornalista e dizer que a foto foi forjada. O apito de cachorro impulsionou uma onda de ataques de perfis bolsonaristas contra Dal Piva, que passaram a usar o mesmo apelido misógino inventado pela duplinha do barulho.

Curiosamente, boa parte dos parlamentares do PL ignorou a admissão dos caciques do partido e apostou na tese de que a foto é falsa. Não houve um alinhamento de estratégia.

Faltando um mês para o início da campanha, Flávio e sua turma continuam batendo cabeça. E há mais problemas no horizonte. Segundo apuração da Bela Megale, de O Globo, já se sabe da existência de um vídeo em que o senador aparece em uma situação comprometedora para um homem da tradicional família brasileira. Há até uma estratégia definida caso as imagens vazem. A esposa do senador tem dito a pessoas próximas que houve uma crise no casamento, mas que ele mudou, entrou para a igreja e que a família “está mais forte do que nunca”. Pelo visto o martírio <><> público de Flávio ainda vai longe. Que assim seja.

Caso Dark Horse: cresce o temor de busca e apreensão contra Flávio Bolsonaro

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstraram forte preocupação nas últimas semanas com a possibilidade de o parlamentar se tornar alvo de uma operação de busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A apreensão entre interlocutores do senador decorre dos desdobramentos das investigações que envolvem o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), detalha Igor Gadelha, do Metrópoles.

O temor no entorno do parlamentar se intensificou após o avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal sobre o pedido de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, de dinheiro para financiar o filme. Há ainda a suspeita de que o patrocínio tenha sido desviado para outras finalidades.

A preocupação de interlocutores políticos foca no impacto de potenciais medidas cautelares, como mandados de busca e apreensão, no cenário eleitoral e nas articulações da oposição no Congresso Nacional. Além disso, o receio se estende aos efeitos de eventuais quebras de sigilo ou apreensões de dispositivos eletrônicos nas apurações em andamento perante a Suprema Corte.

•        Master emprestou R$ 336 milhões para 4 conselheiros e sócios da Biomm. Por Demétrio Vecchioli

O envolvimento de Daniel Vorcaro com a farmacêutica Biomm ia muito além da participação acionária de 25,86% no capital social da empresa. Na mesma época em que o banqueiro se tornou acionista, o Banco Master, controlado por ele, registrou ter emprestado R$ 336 milhões para outros acionistas e conselheiros da empresa, justamente em período de forte valorização das ações da companhia.

A operação é semelhante à investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) referente à Ambipar. A área técnica da CVM aponta que Vorcaro, o investidor Nelson Tanure e o CEO da Ambipar, Tercio Borlenghi Junior, teriam agido em conluio para inflar as ações da companhia entre junho e agosto de 2024 a partir da aquisição coordenada de ações.

No caso da Biomm, no período em que Daniel Vorcaro emprestou R$ 336 milhões para dois fundadores da empresa, um conselheiro e um investidor, as ações se valorizaram mais de 300%, também em 2024, mas entre fevereiro e maio.

A coluna já noticiou dois empréstimos, que somam R$ 45 milhões, para que o ex-ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia, fundador da empresa, adquirisse um lote de ações na oferta de aumento da capital no início de 2024. Mas outros R$ 10,2 milhões foram cedidos para a Samos Participações, holding da família Mares Guia, e R$ 10,3 milhões para André Emrich, filho de outro fundador da Biomm, Guilherme Emrich. A informação consta em planilha compartilhada pelo liquidante do Master em um processo judicial.

Indicado pelo Master para ocupar uma cadeira no Conselho de Administração da Biomm, Pedro Mesquita, ex-chefe do banco de investimento da XP e fundador da Exa Capital, também tomou R$ 10,3 milhões emprestados do Master em 21 de abril de 2024, nove dias antes de ser eleito para o posto na Biomm, Em janeiro, ele já havia tomado um financiamento de R$ 5,1 milhões.

Chama atenção que o valor cedido a Pedro em abril é idêntico, até nos centavos, aos empréstimos concedidos a Walfrido e a André Emrich. Já o crédito anterior cedido a Mesquita é exatamente a metade disso. Isso fazia com que, dos sete conselheiros eleitos para o conselho de administração da Biomm em 30 de abril de 2024, fossem, na pessoa física, credores do banco do principal acionista da companhia, Daniel Vorcaro.

A maior transação, porém, envolvia o investidor Lucas Kallas, que participava da sociedade através da Cedro Participações, com 8% do capital. Em 16 de abril de 2024 – quinze dias antes da assembleia de acionistas que elegeu um indicado de Vorcaro – o Master emprestou R$ 254 milhões para a LPK Participações, de Kallas.

Mares Guia, ex-ministro do primeiro governo Lula, disse à coluna que nos casos dele e de Emrich, o empréstimo foi para financiar a integralização feita por eles no aumento de capital da empresa. Mas o valor total envolvido nas transações é superior ao total do aumento de capital da Biomm em fevereiro de 2024: R$ 217 milhões.

Foi nesta operação que Vorcaro se tornou acionista da empresa, a partir de operação realizada pelo fundo Cartago. Depois, em 2025, como forma de ressarcir o BRB pelas carteiras de crédito falsas repassadas, Vorcaro entregou essas ações ao Banco de Brasília.

Já este ano, quando o fato de as ações estarem em posse do BRB se tornou público, a gestora Alaska fez uma oferta e as adquiriu.  Também comprou as ações da Cedro Capital, de Kallas.

As sete Cédulas de Crédito Bancário (CCB) envolvendo acionistas e/ou conselheiros da Biomm foram cedidas naquele mesmo mês de abril de 2024 ao Banco Voiter, então parte do conglomerado do Master. Depois renomeada Banco Plena, e controlada pelo ex-sócio do Master Augusto Lima, ela também acabou liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.

As operações entre o Master e acionistas da Biomm coincidiram com um aumento expressivo no valor das ações da farmacêutica na B3. Emitidas a R$ 5,75 no aumento de capital, que durou entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, elas bateram em R$ 17,80 em 3 de maio.

Operação semelhante também envolveu a Oncoclínicas. Em maio daquele ano de 2024, o Master emprestou R$ 517 milhões para Bruno Ferrari, fundador e então CEO da companhia, participar do aumento de capital liderado pelo próprio Vorcaro, que comprou cerca de R$ 1 bilhão em ações, conforme divulgado à época. O movimento até fez o preço dos papéis subir cerca de 25% em poucos dias, mas logo veio a derrocada. Hoje, as ações valem menos de um real.

A coluna procurou Pedro Monteiro e a Exa Capital, mas não teve resposta. Também não recebeu resposta das tentativas de contato com Lucas Kallas e sua Cedro Participações. A assessoria de Tanure disse que “a aquisição de ações da Ambipar pelo empresário ocorreu depois dos fatos que foram objeto de análise pela área técnica da CVM, de modo que não pode ser responsabilizado por circunstâncias pretéritas e relacionadas exclusivamente ao controlador da empresa” e que ele não figurou como parte no processo instaurado na CVM para avaliar eventual necessidade de realização de OPA pelo controlador da Ambipar.

 

Fonte: Por João Filho, em The Intercept/Brasil 247/Metrópoles

 

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