A
máquina, os séculos e o tempo roubado
O
ensaio de Jaldes Meneses, “Da máquina do mundo à máquina de tudo”, postado no
site A Terra é Redonda, oferece uma formulação poderosa para compreender a
inteligência artificial para além da velha imagem da automação industrial. Não
estamos mais diante apenas de uma máquina que prolonga o braço, amplia a força
física ou substitui uma sequência repetitiva de gestos.
A
máquina contemporânea recolhe palavras, imagens, estilos, composições,
argumentos, formas de raciocínio e vestígios deixados por gerações. Ela não se
limita a observar o trabalho vivo em ato; vasculha o arquivo histórico da
espécie. Apropria-se do que foi produzido na ciência, na arte, na filosofia, na
música, no ensino, na literatura e no cotidiano, converte esse acúmulo em dado
e o reinsere no circuito da valorização. Jaldes Meneses nomeia esse processo
com precisão: a inteligência artificial tornou-se uma “máquina de tudo”, uma
engrenagem extrativista capaz de transformar o patrimônio criativo da
humanidade em matéria-prima algorítmica.
A força
de sua formulação está em retirar a inteligência artificial do campo estreito
da eficiência técnica. A questão já não é apenas saber quantos postos de
trabalho desaparecerão, quais profissões serão atingidas ou em que tarefas a
máquina se revelará mais rápida que o ser humano. Tudo isso importa, mas é
insuficiente. O problema mais profundo reside na apropriação das objetivações
humanas acumuladas.
A
máquina aprende com o que não produziu. Alimenta-se de obras, descobertas,
estilos, arquivos e linguagens que resultaram de durações históricas imensas.
Cada resposta aparentemente instantânea repousa sobre uma multidão de autores,
tradutores, professores, pesquisadores, trabalhadores, artistas e leitores. Ela
parece autônoma porque apaga as condições de sua própria possibilidade. Quanto
mais lisa é a superfície da resposta, mais invisível se torna o chão histórico
que a sustenta.
É aqui
que nossa formulação começa. Jaldes Meneses mostra o que a máquina captura. Nós
perguntamos: o que existe dentro daquilo que foi capturado? Não existem apenas
dados. Existem tempos de vida. Há anos de formação dentro de um conceito,
décadas de pesquisa dentro de uma fórmula, gerações de tentativa dentro de uma
técnica, séculos de memória dentro de uma língua.
Uma
biblioteca não é um conjunto neutro de textos. É trabalho humano sedimentado.
Um estilo musical não é apenas uma combinação formal reconhecível. É
experiência social, território, sofrimento, festa, transmissão e luta. Uma
teoria não nasce pronta: ela atravessa hesitações, erros, leituras, encontros,
rupturas, recusas e retornos. Quando tudo isso é convertido em banco de dados,
o que se captura não é somente informação. Captura-se duração humana
objetivada.
A
máquina respondeu em um segundo, mas esse segundo não é vazio. Ele está
saturado de passado. Dentro dele há noites sem dormir, cadernos abandonados,
experiências que fracassaram, idiomas desaparecidos, bibliotecas queimadas,
manuscritos corrigidos à mão, salas de aula, oficinas, laboratórios, conversas
e vidas inteiras. A velocidade algorítmica não elimina a duração; ela a
concentra e a oculta. Seu milagre repousa sobre uma operação ideológica:
apresentar como instantâneo aquilo que exigiu séculos para ser produzido. A
resposta aparece sem percurso. O resultado surge sem história. O presente
oferece-se como se tivesse prescindido do passado.
Por
isso, não basta dizer que a inteligência artificial acelera processos. É
preciso perguntar de onde vem essa aceleração. Ela vem da apropriação de uma
lentidão anterior. A máquina é rápida porque milhares de seres humanos
demoraram. Ela combina em segundos aquilo que a humanidade levou séculos para
produzir. A instantaneidade não é ausência de tempo; é tempo acumulado,
comprimido e tornado invisível. A técnica aparece como potência própria
precisamente quando desaparece o trabalho histórico que lhe deu conteúdo.
Essa
invisibilização altera o modo como a sociedade percebe a criação. Quando o
resultado pode ser obtido quase imediatamente, o percurso passa a parecer
dispensável. A leitura longa parece obsoleta; a elaboração, atraso; a
hesitação, incompetência; a repetição, desperdício; o silêncio,
improdutividade. A máquina não apenas entrega rapidamente. Ela redefine o que
se considera uma velocidade aceitável para os vivos. Sua temporalidade torna-se
medida exterior da atividade humana. E é nesse ponto que a questão tecnológica
se converte em questão histórica.
Sob o
domínio do capital fictício, a velocidade técnica não retorna ao sujeito como
tempo livre. O minuto economizado não se transforma em descanso; transforma-se
em nova tarefa. A hora liberada não amplia a experiência; encurta o prazo. A
capacidade aumentada não reduz a exigência; multiplica-a. O capital apropria-se
do ganho temporal e o devolve como comando. A tecnologia promete poupar tempo,
mas a forma social que a organiza impede que esse tempo permaneça com quem o
produziu. A produtividade cresce, mas a duração da vida continua comprimida.
Faz-se mais em menos tempo, e o “menos tempo” deixa de ser vantagem para
tornar-se obrigação.
A
inteligência artificial entra, assim, numa sociedade que já aprendeu a roubar o
tempo. Ela não inaugura essa lógica, mas a leva a um novo patamar. Desde muito
antes dos sistemas generativos, o capital buscava reduzir o tempo socialmente
necessário, ampliar a intensidade do trabalho, antecipar rendimentos e
subordinar o presente a expectativas de valorização futura. O capital fictício
radicaliza esse movimento porque transforma o futuro em exigência imediata.
O que
ainda não foi produzido já aparece comprometido; o rendimento esperado comanda
a atividade presente; a promessa de valor pressiona a vida antes que o valor
exista. A inteligência artificial encontra aí sua forma histórica mais
adequada: uma máquina capaz de converter o acúmulo do passado em antecipação
produtiva do futuro.
É por
isso que a relação entre inteligência artificial e capital fictício não é
externa. Não se trata de uma tecnologia neutra que depois seria utilizada por
interesses financeiros. Sua expansão ocorre precisamente num regime de
valorização baseado em expectativas, plataformas, ativos intangíveis,
monopólios de dados e promessas de produtividade futura.
As
empresas valem pelo que se imagina que poderão dominar; os investimentos são
mobilizados pela antecipação de mercados ainda incompletos; a pesquisa é
orientada pela possibilidade de captura futura; a universidade é convocada a
alimentar a inovação; o trabalho intelectual é pressionado a adaptar-se à nova
régua. A máquina de tudo torna-se também uma máquina de antecipar tudo.
Nessa
forma histórica, o futuro já não aparece como campo aberto de possibilidades.
Ele é colonizado por projeções, métricas e compromissos financeiros. A promessa
técnica de que tudo poderá ser feito mais rapidamente converte-se em imposição
social: tudo deverá ser feito mais rapidamente. A passagem da possibilidade à
obrigação ocorre quase sem ruído.
Primeiro,
a ferramenta auxilia; depois, a instituição redefine o prazo; em seguida, o
trabalhador é avaliado como se a aceleração estivesse naturalmente disponível;
por fim, a demora humana transforma-se em falha individual. O comando mais
eficaz é aquele que se apresenta como simples atualização técnica.
A
universidade oferece um campo privilegiado para observar esse deslocamento. A
inteligência artificial chega cercada por duas reações insuficientes. De um
lado, o entusiasmo empresarial, segundo o qual toda resistência seria atraso.
De outro, a condenação moral abstrata, que imagina ser possível proteger a
formação apenas proibindo a ferramenta. Ambas deixam escapar a questão central:
em que regime temporal a inteligência artificial é introduzida? Quem controla o
tempo economizado? Que atividades são ampliadas? Quais são eliminadas? O que
acontece com a duração necessária à leitura, à pesquisa, à escrita e ao ensino?
Uma universidade submetida à lógica da
produtividade tende a utilizar a inteligência artificial para aprofundar a
compressão que já existia. O professor não recebe menos tarefas porque uma
parte delas pode ser acelerada. Recebe mais relatórios, mais pareceres, mais
formulários, mais mensagens, mais orientandos, mais demandas e prazos menores.
O
pesquisador não ganha tempo para pensar. Ganha condições para produzir um
número maior de resultados no mesmo intervalo. O estudante não é libertado do
trabalho mecânico para aprofundar sua formação. Frequentemente, é treinado a
apresentar respostas antes de ter construído perguntas. A ferramenta,
organizada pela instituição, incorpora-se ao mecanismo da avaliação.
Este é
um dos pontos em que nossa impressão digital precisa aparecer com nitidez: a
formação exige duração. Ninguém se forma instantaneamente. Formar não é
entregar uma resposta correta; é transformar-se no percurso que torna uma
resposta possível. Há conhecimentos que só adquirem sentido depois da
repetição, da dúvida, do erro e da convivência.
Há
livros que precisam permanecer abertos durante anos dentro de uma pessoa. Há
conceitos compreendidos apenas quando uma experiência posterior ilumina uma
leitura antiga. Há ideias que não amadurecem sob comando. A formação não é
simples transmissão de informação, porque envolve memória, julgamento,
linguagem, sensibilidade e capacidade de produzir alternativas.
Quando
o tempo da formação é comprimido, pode-se conservar a aparência da aprendizagem
e perder seu conteúdo. O estudante apresenta o texto, mas não atravessou o
problema. O professor conclui a aula, mas não houve tempo para a pergunta. O
programa cumpre metas, porém já não sabe o que formou. A instituição exibe
indicadores de desempenho enquanto o pensamento se torna mais raro. Nesse
sentido, a inteligência artificial não ameaça apenas substituir uma atividade.
Ela pode tornar aceitável uma educação organizada sem duração.
A
máquina responde. A formação demora. Essa diferença não deve ser convertida
numa oposição romântica entre o humano puro e a técnica impura. O ser humano
sempre se formou por mediações técnicas. A escrita, o livro, a imprensa, a
fotografia, o cinema, o computador e a internet alteraram profundamente a
memória, a percepção e o conhecimento. O problema não está na existência da
mediação, mas na forma social que a organiza e nos fins que ela serve.
A mesma
ferramenta pode ampliar o acesso, favorecer a tradução, apoiar pessoas com
deficiência, auxiliar a pesquisa e abrir caminhos de criação. Mas pode também
acelerar a exploração, concentrar propriedade, homogeneizar linguagens e impor
uma temporalidade exterior aos sujeitos. A questão decisiva não é aceitar ou
rejeitar a técnica em abstrato. É disputar sua forma histórica.
Jaldes
Meneses encontra em Carlos Drummond de Andrade uma imagem extraordinária para
essa disputa. Em “A máquina do mundo”, o viajante recebe a oferta de uma
totalidade pronta. Diante dele se abre uma máquina que parece conter todas as
respostas, todos os ciclos, todas as razões. Ainda assim, ele recusa. Não
porque a máquina seja falsa, mas porque sua completude elimina o caminho. A
totalidade oferecida já não exige experiência, descoberta ou espanto. O mundo
aparece concluído antes que o viajante o percorra.
A
recusa drummondiana interessa-nos porque protege o inacabamento. O viajante
preserva a possibilidade de continuar andando. Em vez de aceitar um cosmos
inteiramente revelado, escolhe o chão imperfeito, a estrada escura, o
conhecimento parcial e a pergunta ainda sem resposta. Jaldes mobiliza esse
gesto contra a fantasia contemporânea de uma inteligência capaz de conter tudo.
Nós o prolongamos em outra direção: recusar a totalidade pronta significa
defender o direito à duração.
A
duração não é simples lentidão cronológica. É a espessura do processo no qual
algo se transforma em experiência. Duas horas podem ser vazias; um minuto pode
alterar uma vida. O que importa não é apenas a quantidade de tempo, mas a
possibilidade de habitá-lo. O capital comprime a duração quando fragmenta a
atenção, antecipa a cobrança, multiplica tarefas e impede que o sujeito
permaneça tempo suficiente diante de um objeto, de uma pessoa ou de uma
pergunta. A inteligência artificial pode aprofundar essa compressão ao produzir
a ilusão de que o conhecimento coincide com o acesso imediato ao resultado.
Por
trás dessa ilusão há uma violência silenciosa. A máquina apresenta a rapidez
como evidência de superioridade, e o ser humano começa a olhar para seus
próprios ritmos como defeito. O corpo cansa; a máquina não. O sujeito hesita; a
máquina continua. A memória falha; o arquivo permanece disponível. A pessoa
precisa dormir, esquecer, afastar-se, elaborar; o sistema responde a qualquer
hora. A comparação é construída para humilhar o vivo. Mas ela é falsa, porque
transforma em falha aquilo que constitui a condição humana: finitude, corpo,
limite, experiência, necessidade de pausa.
A
inteligência artificial não sofre a pressão do tempo porque não possui uma vida
cuja duração possa ser roubada. Ela não envelhece na fila, não perde a
infância, não chega exausta em casa, não adia o encontro com um filho, não
abandona um livro por falta de horas. Sua velocidade só pode tornar-se norma
porque há corpos humanos obrigados a obedecê-la. O problema não é que a máquina
seja rápida. É que sua rapidez seja usada para negar aos vivos o direito de
demorar.
Nesse
ponto, a pergunta sobre a inteligência desloca-se. Não basta indagar se a
máquina pensa. É preciso perguntar que sociedade precisa afirmar que pensar
equivale a produzir rapidamente uma resposta plausível. A redução da
inteligência ao desempenho operacional interessa a uma ordem que mede o
conhecimento pelos resultados imediatamente utilizáveis. Pensar, porém, inclui
interromper a sequência, suspeitar da pergunta, recusar a alternativa
oferecida, reconstruir o problema e permanecer diante do que ainda não tem
nome. A inteligência humana não se define apenas por encontrar respostas.
Define-se também pela capacidade de transformar a pergunta.
A
máquina trabalha com o arquivo do possível já objetivado. Mesmo quando combina
elementos de maneira inédita, ela opera sobre registros disponíveis. O sujeito
histórico, ao contrário, pode confrontar as condições dadas, negar finalidades
impostas e lutar por uma possibilidade que ainda não existe socialmente. Aqui
se encontra a categoria da alternativa. A alternativa não é mera escolha entre
opções previamente enumeradas. Ela exige consciência das circunstâncias,
posição diante do mundo e ação capaz de alterar o campo do possível. A máquina
seleciona. O ser social pode decidir romper.
Essa
distinção não autoriza qualquer celebração abstrata do humano. A história está
cheia de decisões brutais, submissões voluntárias e destruições produzidas
conscientemente. O ser humano não é emancipador por natureza. Sua capacidade de
alternativa pode ser bloqueada, domesticada ou orientada para a barbárie.
Justamente por isso, a formação, a política e as instituições importam. A
possibilidade de criar o novo depende de condições sociais que preservem tempo,
linguagem, memória, conflito e imaginação. Quando tudo é comprimido pela
urgência, o campo da alternativa se estreita.
A
submissão normalizada nasce nesse estreitamento. O sujeito já não precisa
acreditar plenamente na ordem. Basta não encontrar tempo, energia ou linguagem
para enfrentá-la. Ele percebe que algo está errado, mas responde à próxima
mensagem. Sabe que o prazo é absurdo, porém tenta cumpri-lo. Reconhece que a
avaliação empobrece o trabalho, mas adapta seu projeto ao formulário.
A
inteligência artificial pode tornar-se uma mediação poderosa dessa submissão
quando ajuda o sujeito a sobreviver à pressão que simultaneamente aprofunda.
Usa-se a máquina para dar conta da carga; a instituição percebe que a carga
pode aumentar; o auxílio transforma-se em novo padrão; a dependência completa o
circuito.
A
contradição é cruel. A ferramenta que permite suportar o tempo roubado pode
tornar-se instrumento de um roubo ainda maior. O professor recorre à
inteligência artificial porque não dispõe de horas suficientes para responder a
tudo. Ao fazê-lo, demonstra involuntariamente que é possível responder a mais
demandas. A solução individual confirma a reorganização institucional. Não há
culpa moral nisso. Há uma estrutura que converte estratégias de sobrevivência
em produtividade adicional.
Por
isso, a crítica precisa abandonar tanto o moralismo quanto o deslumbramento.
Não se trata de culpar quem utiliza a ferramenta, nem de tratá-la como sujeito
soberano. A questão é revelar as relações sociais que a atravessam. Quem possui
os modelos? Quem controla os bancos de dados? Quem define as métricas? Quem se
apropria do valor? Quem oferece gratuitamente sua linguagem, seu comportamento
e seu trabalho para aperfeiçoar sistemas privados? Quem recebe os benefícios da
aceleração e quem suporta seus custos?
Essas
perguntas tornam-se ainda mais importantes nas formações dependentes. A
inteligência artificial não chega à periferia do capitalismo em condições de
igualdade. Os grandes modelos, as infraestruturas de computação, os centros de
dados, as patentes e o poder de investimento concentram-se em poucas empresas e
países. À periferia cabe fornecer usuários, dados, mercados, trabalho de
moderação, recursos naturais, energia e adaptação institucional. Importamos
sistemas e, junto com eles, importamos prioridades, idiomas dominantes,
critérios de relevância e regimes de velocidade.
A
dependência tecnológica é também dependência temporal. As instituições
periféricas passam a reorganizar-se segundo ritmos produzidos nos centros.
Universidades com carência de financiamento são cobradas para acompanhar a
fronteira tecnológica; professores sobrecarregados devem incorporar novas
ferramentas; sistemas educacionais marcados por desigualdades profundas recebem
a ordem de inovar; recursos públicos são direcionados a soluções privadas
enquanto faltam bibliotecas, laboratórios, assistência estudantil e condições
elementares de trabalho. A promessa do salto tecnológico pode ocultar o
aprofundamento da subordinação.
A
máquina de tudo não contém tudo. Contém aquilo que pôde capturar, organizar e
tornar rentável. Sua aparência universal esconde uma memória hierarquizada. O
que foi menos digitalizado, traduzido ou reconhecido corre o risco de
desaparecer outra vez, agora não pelo silêncio dos arquivos, mas pela
eloquência estatística da resposta.
Jaldes
Meneses mostra a máquina que recolhe o patrimônio criativo da espécie. Nós
introduzimos nessa máquina os séculos que ela oculta e a forma histórica que se
apropria deles. Entre a máquina de Drummond e a máquina de tudo, colocamos a
duração: o tempo sedimentado transformado em dado, a velocidade convertida em
comando e a formação humana ameaçada pela obrigação de responder antes de
compreender.
A
máquina possui o arquivo. O mundo, porém, ainda não está pronto.
Fonte:
Por João dos Reis Silva Júnior, em A Terra é Redonda

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