quarta-feira, 22 de julho de 2026

Neuropatia diabética: especialista explica por que ela faz a pessoa com diabetes perder a sensibilidade dos pés

A neuropatia diabética é uma das complicações do diabetes que mais exige atenção. A condição afeta os nervos, reduz a sensibilidade dos pés e pode fazer com que pequenas lesões passem despercebidas. Segundo o ortopedista Dr. Eduardo Araújo, especialista em cirurgias do pé e tornozelo, esse processo acontece de forma lenta, o que dificulta a identificação dos primeiros sinais.

<><> O que acontece com os nervos na neuropatia diabética

De acordo com o Dr. Eduardo Araújo, a glicose elevada por longos períodos pode comprometer os nervos mais compridos do corpo, responsáveis por levar informações entre os pés e o cérebro.

“Os nervos levam para o cérebro informações como dor, temperatura e pressão. Quando começam a perder a função, a pessoa deixa de perceber esses estímulos”, explica.

Esse processo ocorre de forma progressiva. Por isso, muitas pessoas não percebem que a sensibilidade está diminuindo até surgir uma complicação.

O especialista afirma que a neuropatia costuma começar pelos pés e, com o tempo, também pode atingir as mãos, padrão conhecido como neuropatia em botas e luvas.

<><> Por que perder a sensibilidade aumenta o risco de feridas

A dor funciona como um mecanismo natural de proteção do organismo. Quando ela desaparece, situações que normalmente fariam qualquer pessoa interromper uma atividade deixam de ser percebidas.

Segundo o ortopedista, uma pedra dentro do sapato, um calo ou uma pequena lesão podem passar despercebidos durante horas ou até dias.

“Nós sentimos dor porque ela avisa que existe algum problema. Quem perde essa sensibilidade continua caminhando normalmente, mesmo com uma lesão no pé”, afirma.

Como consequência, pequenas feridas podem aumentar de tamanho sem que a pessoa perceba.

<><> A neuropatia não afeta apenas a sensibilidade

O Dr. Eduardo explica que a neuropatia também pode comprometer a movimentação dos músculos dos pés e alterar funções da pele.

Entre as mudanças mais frequentes estão:

  • dedos em garra;
  • pele mais seca;
  • redução da transpiração;
  • aumento da formação de calos;
  • alterações na distribuição da pressão ao caminhar.

Esses pontos de pressão favorecem o surgimento de calos mais espessos. Debaixo deles, podem aparecer feridas que só são identificadas quando o calo é removido.

<><> Pequenos sinais podem indicar que algo está errado

A advogada Eloísa Malieri, que convive com diabetes tipo 1 há 40 anos e recebeu o diagnóstico de neuropatia durante a gravidez da filha, conta que só conseguiu reconhecer os sinais depois que descobriu a complicação.

Ao relembrar sua história, ela percebeu que havia perdido os pelos dos pés, tinha unhas mais quebradiças, pele mais brilhante, pés frios e uma sensação semelhante a pequenos choques quando o lençol encostava na pele.

Ela também recorda um episódio em que caminhou descalça sobre um piso quente sem perceber que havia queimado a sola do pé.

“Os sinais estavam presentes, mas eu não sabia o que eles significavam”, relata.

<><> Examinar os pés diariamente faz parte do tratamento

Como quem tem neuropatia deixa de contar com o alerta da dor, o exame diário dos pés passa a ser parte da rotina.

Segundo o Dr. Eduardo Araújo, a orientação é observar todos os dias a planta dos pés, os dedos, o espaço entre eles e procurar qualquer alteração de cor, vermelhidão, calos ou feridas.

Ele também recomenda usar calçados confortáveis, evitar andar descalço, secar bem os pés após o banho, hidratar a pele, sem aplicar creme entre os dedos, e manter as unhas cortadas de forma reta para reduzir o risco de lesões.

<><> Controle do diabetes também influencia a evolução da neuropatia

Além dos cuidados com os pés, o controle do diabetes tem papel importante na evolução da neuropatia.

Segundo o ortopedista, manter a glicemia dentro das metas ajuda a reduzir a progressão da lesão nos nervos e também diminui o comprometimento da circulação, fator importante para a cicatrização de feridas.

Por isso, qualquer mudança no aspecto dos pés deve ser avaliada rapidamente por um profissional de saúde. Quanto mais cedo uma alteração é identificada, maiores são as chances de evitar complicações.

¨      Glicose alta pela manhã: medo da hipoglicemia pode levar ao consumo excessivo de carboidratos antes de dormir

A glicose alta pela manhã é uma situação comum para quem convive com diabetes. No entanto, ela nem sempre acontece pelo mesmo motivo. O que foi consumido antes de dormir, uma dose esquecida de medicamento, uma hipoglicemia durante a madrugada e até mudanças na rotina podem explicar esse resultado. Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco, entender a causa é o primeiro passo para fazer ajustes e evitar que o restante do dia comece com dificuldades no controle da glicemia.

Durante participação no DiabetesCast, a médica explicou que o sensor de glicose facilita essa investigação. Porém, quem não utiliza a tecnologia também pode identificar o problema com medições da glicemia capilar em horários estratégicos.

<><> Glicose alta pela manhã pode começar no jantar

A primeira causa investigada, segundo Denise Franco, costuma estar relacionada ao que aconteceu na última refeição do dia.

Quem usa insulina rápida pode simplesmente ter esquecido de aplicar a dose antes do jantar ou do lanche noturno. Enquanto isso, pessoas com diabetes tipo 2 que não utilizam insulina também podem acordar com glicose elevada caso tenham consumido uma quantidade maior de alimentos do que o habitual.

A endocrinologista explica que até um lanche considerado pequeno pode influenciar a glicemia do dia seguinte. Por isso, o alimento consumido antes de dormir merece atenção tanto no diabetes tipo 1 quanto no tipo 2.

Além disso, pessoas que utilizam medicamentos para diabetes precisam verificar se estão fazendo o tratamento corretamente. Denise Franco lembra que alguns pacientes deixam de tomar a medicação porque acreditam que ela só deve ser usada quando fazem uma refeição completa.

Segundo a médica, essa situação merece avaliação com o profissional responsável pelo tratamento para verificar se a glicose alta pela manhã está relacionada ao esquema terapêutico utilizado.

<><> Alimentos com gordura podem elevar a glicose durante a madrugada

Outro fator citado pela endocrinologista é a composição da refeição noturna.

Ela explica que alimentos com maior quantidade de gordura podem retardar a absorção dos carboidratos. Como consequência, o aumento da glicose pode acontecer entre três e cinco horas depois da refeição, justamente durante a madrugada.

Denise Franco usa como exemplo uma refeição aparentemente simples, como um prato de macarrão com molho. Embora o molho de tomate pareça leve, ele pode conter azeite ou outros ingredientes ricos em gordura.

Nesse contexto, muitas pessoas fazem o cálculo dos carboidratos, mas deixam de considerar que a gordura também interfere na resposta da glicemia horas depois.

<><> Falta de atividade física também pode influenciar

A rotina de exercícios é outro ponto que interfere na glicose da manhã seguinte.

Segundo Denise Franco, quem costuma praticar atividade física no fim da tarde e deixa de treinar em determinado dia pode precisar de ajustes na dose de insulina, caso utilize esse tratamento.

Quando esse ajuste não acontece, a glicemia pode permanecer mais elevada durante a madrugada e aparecer alterada logo ao acordar.

<><> Medo da hipoglicemia pode provocar excesso de carboidratos antes de dormir

Um dos exemplos apresentados pela endocrinologista envolve o medo da hipoglicemia.

Ela relata o caso de uma paciente que observou a glicemia em torno de 100 mg/dL antes de dormir. Com receio de apresentar uma hipoglicemia durante a madrugada, a paciente decidiu comer um alimento sem avaliar a quantidade nem o impacto daquela escolha.

Na manhã seguinte, acordou com glicose em torno de 210 mg/dL.

Ao analisar o gráfico do sensor, Denise Franco identificou exatamente o que havia acontecido. Segundo a médica, muitas pessoas acabam pegando o primeiro alimento disponível quando sentem medo de dormir com uma glicemia considerada normal.

Ela explica que o problema não está apenas em comer, mas também na quantidade e na qualidade do alimento escolhido, além da ausência de uma estratégia adequada para essa situação.

A endocrinologista também chama atenção para outra situação comum. Após uma hipoglicemia durante a madrugada, algumas pessoas fazem uma correção maior do que a necessária. Como consequência, o excesso de carboidratos pode levar à glicose alta pela manhã.

<><> Fenômeno do alvorecer existe, mas não explica todos os casos

O fenômeno do alvorecer também pode elevar a glicose ao acordar. No entanto, Denise Franco alerta que esse não deve ser o primeiro motivo considerado.

Segundo ela, esse fenômeno costuma apresentar um padrão repetitivo ao longo dos dias e não acontece apenas de forma isolada.

Além disso, algumas fases da vida apresentam maior impacto hormonal. Durante a puberdade, por exemplo, hormônios relacionados ao crescimento aumentam a resistência à ação da insulina nas primeiras horas da manhã, tornando o controle glicêmico mais difícil.

Por outro lado, a endocrinologista destaca que acordar uma única vez com glicose de 310 mg/dL não significa, necessariamente, que o fenômeno do alvorecer foi o responsável.

Ela orienta que a pessoa observe o que aconteceu na noite anterior, avalie o padrão dos últimos dias e investigue outras possibilidades, como alimentação, necessidade de ajuste da insulina basal ou episódios de hipoglicemia.

Em datas comemorativas, esse cenário pode ficar ainda mais evidente. Denise Franco cita períodos como Páscoa, Natal e Ano Novo, quando sobram chocolates e outros alimentos consumidos durante vários dias seguidos, especialmente no período da noite.

<><> Sensor de glicose ajuda a encontrar a causa

Para quem utiliza sensor de glicose, Denise Franco recomenda ir além do número mostrado na tela.

Segundo ela, o mais importante é analisar os gráficos e a evolução da glicemia ao longo da noite. As setas de tendência e o histórico ajudam a entender em qual momento ocorreu a alteração.

Quem não utiliza sensor também consegue fazer essa investigação.

A endocrinologista orienta medir a glicemia antes da refeição, duas horas depois, antes de dormir e, quando necessário, realizar uma medição durante a madrugada.

Essas informações ajudam a identificar se a alteração está relacionada à refeição, à insulina aplicada no jantar, à insulina basal ou a outros fatores.

<><> Glicose alta pela manhã aumenta o trabalho durante o restante do dia

Segundo Denise Franco, começar o dia com glicose elevada significa iniciar a rotina já precisando fazer correções.

A pessoa precisa calcular doses, avaliar a alimentação, decidir como será o restante do tratamento e lidar com uma resistência maior da glicemia nas primeiras horas do dia.

Por isso, identificar a causa da glicose alta pela manhã pode reduzir esse esforço diário.

A endocrinologista orienta que pessoas que acordam frequentemente com glicemia elevada procurem avaliação médica. Além disso, recomenda utilizar as informações fornecidas pelo sensor ou pela glicemia capilar para compreender o que aconteceu durante a noite.

Ela também lembra que, quando a glicose está elevada, manter boa hidratação ajuda a reduzir o risco de desidratação. No entanto, a água não substitui o tratamento necessário, que pode incluir ajustes na terapia, especialmente para quem utiliza insulina rápida.

 

Fonte: Um Diabético

 

Nenhum comentário: