Por
que os democratas não conseguem atrair os eleitores latinos que se distanciam
de Trump?
Uma
pesquisa recente da organização Equis revela que o apoio ao presidente Donald
Trump entre a comunidade hispânica nos EUA continua diminuindo, mas a oposição
mal se beneficia desse declínio. "A memória de Obama, o 'deportacionista',
e a falta de políticas concretas e ousadas estão prejudicando o Partido
Democrata", disse um analista à Sputnik.
Após alcançar apoio
recorde entre
os eleitores latinos nas eleições de 2024 (onde obteve 45% dos votos,
o maior número para um candidato republicano na história, além de vencer
entre os homens latinos), o presidente norte-americano Donald Trump enfrenta um
cenário político complexo na corrida para as eleições cruciais deste ano.
O
presidente, que busca manter a maioria legislativa e evitar terminar seu
segundo mandato enfraquecido e sitiado pelos
democratas,
precisa consolidar o apoio desse grupo, pilar que se tornou fundamental no novo
cenário eleitoral do país.
No
entanto, dados recentes sugerem que Trump e seu partido terão dificuldades para
repetir o sucesso da última eleição. Uma pesquisa da Equis, organização
dedicada a promover políticas para aumentar a participação hispânica na
vida pública norte-americana, mostra que o índice de aprovação do magnata caiu
para níveis críticos (em torno de 31%, o menor índice até agora em seu segundo
mandato), com um terço de seus eleitores latinos afirmando se arrepender de ter
apoiado sua candidatura na última eleição geral.
Ainda
assim, o trabalho da Equis, uma
das instituições mais confiáveis para avaliar o sentimento eleitoral dos
hispânicos nos Estados Unidos, revela que as perdas republicanas entre os
latinos não se traduziram necessariamente em ganhos democratas (vale
lembrar que os Estados Unidos operam sob um sistema bipartidário hegemônico
desde sua criação, e não há uma terceira opção).
Segundo
o estudo, apenas 11% dos hispânicos que apoiaram Trump em
2024 afirmam que apoiariam um
candidato democrata na
eleição de 2026.
María
Isabel Di Franco Quiñonez, diretora de pesquisa da Equis, afirmou ao apresentar
o relatório que a "marca" democrata continua desvalorizada entre
os eleitores e que a tímida recuperação
da oposição observada
nas pesquisas é mais produto da desaprovação do governo do que do entusiasmo
pelo partido de Kamala Harris e Hillary Clinton, líderes com índices de
aprovação negativos entre os norte-americanos.
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O fardo de Biden
"Considerando
as ações hostis do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA
[ICE] contra imigrantes
latinos,
a eliminação quase total dos caminhos legais para que imigrantes indocumentados
regularizem sua situação e o forte aumento do custo de vida [inflação de
4,2% em maio, o dobro da meta anual de 2% do Federal Reserve, e um aumento de
40% nos preços dos combustíveis desde o início da guerra com o Irã], é
surpreendente que os democratas não estejam conseguindo conquistar mais
votos entre
os latinos desiludidos", disse José Luis Romano, formado em relações
internacionais pela Universidade da República do Uruguai (UDELAR), à Sputnik.
Segundo
o especialista, a falta de realinhamento político é produto de diversos
fatores, um dos quais é que a "presidência
desastrosa"
de Joe Biden (2021-2025) ainda é uma lembrança muito viva entre os eleitores
hispânicos.
"Durante
a presidência de Biden, os EUA não só vivenciaram a maior taxa de inflação em
mais de 40 anos — 9,1% do Índice de Preços ao Consumidor [IPC] em junho de
2022, como sua promessa de regularizar a situação daqueles que trabalhavam
e viviam nos EUA há décadas nunca se concretizou. Em vez disso, ele optou por
abrir as fronteiras quase indiscriminadamente, irritando os hispânicos que
sentiram que não foram recompensados por fazerem as coisas da maneira correta”,
explicou.
Romano
também mencionou que os democratas tendem a "subestimar"
a comunidade hispânica e a tratá-la como um grupo monolítico, quando ela é
tão diversa e complexa quanto outros grupos étnicos e sociais.
"A abordagem estatista dos democratas pode beneficiar alguns, mas
também pode entrar em conflito com o espírito empreendedor de uma parcela
significativa de latinos, que estão cada vez mais administrando pequenos
negócios nos EUA", disse o especialista.
Da
mesma forma, ele destaca que a doutrina progressista dos democratas em questões
sociais não está alinhada com as idiossincrasias religiosas ou
tradicionalistas dessa comunidade, especialmente entre os homens ou as gerações
mais velhas. "Eles presumem que, por serem minoria, concordarão com
qualquer discurso liberal da moda, mas não é o caso; seus valores são
diferentes", acrescenta.
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A aposta fracassada no centrismo
Enquanto
isso, Javier Gámez, doutor em História pela Universidade Nacional Autônoma do
México (UNAM) e especialista em política internacional, disse à Sputnik que o
Partido Democrata continua sendo percebido como parte do establishment, o
que dificulta sua conexão com setores populares — que preferem
o discurso de Trump — e com amplos setores da população latina.
"Embora
existam algumas exceções que surgiram recentemente, o partido continua
apostando no centrismo neoliberal de Hillary Clinton e do 'obamísmo'; ou seja,
em receitas antigas que representam os interesses das elites, não de
comunidades como a hispânica", afirmou.
Sobre
este ponto, o especialista lembrou que Barack Obama (2009-2017) "foi o
presidente que deportou o maior número de imigrantes na história do país",
provocando uma profunda desconfiança, que ainda persiste, na comunidade
latina em relação aos democratas. Sua permanência na cúpula do partido,
acrescentou, tornou mais difícil para os candidatos da oposição reconquistarem
o voto hispânico.
Gámez
também destacou que os eleitores latinos percebem um duplo padrão na
resposta dos democratas à violência e aos abusos do ICE. Quando as vítimas são
norte-americanos brancos, como aconteceu com os assassinatos de Renee Good e
Alex Pretti em Minneapolis no início deste ano, a resposta dos
democratas é mais enérgica do que quando as vítimas são latinas ou imigrantes.
"Isso
cria um sentimento de cidadania de segunda classe entre os latinos, que não se
sentem protegidos ou representados pelos democratas", concluiu ela.
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Keiko promete mais presídios, cargos viram moeda de troca
e elites ignoram ONU sobre Castillo: a direita controla o Peru
A
política crioula, essa que leva ao cenário nacional a classe dominante, ou
seja, a burguesia degradada e soberba que se sente dona do país, tem nos
permitido observar diversos elementos que podem contribuir para a reflexão
cidadã. Vejamos.
Keiko Fujimori nos fez saber
que não construirá escolas, mas sim presídios no país durante sua gestão de
governo. Adiantou, além disso, que um deles será de “segurança máxima”, e os
demais serão comuns, mas, ainda assim, encarcerarão muita gente. Parece que ela
pensou bem nisso. Refletiu bastante.
A
promessa nos fez lembrar, por contraste, da Revolução Cubana. Quando Fidel e
seus companheiros tomaram o poder na Maior das Antilhas, prometeram algo que
cumpriram desde o primeiro dia de governo: transformar os quartéis em escolas,
para garantir que ali fossem educadas as crianças na pátria de Martí.
A
sutileza é esclarecedora. Ela nos serve para diferenciar objetivos: uns são os
de uma ditadura sinistra que se abate sobre uma sociedade como a nossa; outro é
o de uma Revolução que busca incentivar a libertação humana, o progresso e a
ascensão de sua população. Em outras palavras, o que houve em Cuba foi uma
Revolução. O que ocorre aqui é uma Involução. É tão difícil
entender isso?
Continua
após o anúncio
O Júri
Nacional de Eleições decidiu, finalmente, autorizar o senador eleito Rafael López Aliaga, Porky, a concorrer
à Prefeitura de Lima como vice-prefeito, para que exerça, na prática, as
funções de prefeito caso sua chapa vença as eleições de outubro.
A razão
do pedido é simples. Porky, beneficiado pela medida, decidiu agora renunciar ao
mandato parlamentar para o qual foi eleito, porque prefere utilizar a
Prefeitura de Lima para impulsionar sua campanha com vistas às futuras eleições
nacionais.
Ele
sabe que, no Senado, passará despercebido e começará a se desgastar
politicamente, como ocorrerá com a maioria parlamentar desse corpo legislativo
marcado por abusos e cercado de privilégios. Decide, então, trocar de brinquedo
e optar por um cargo municipal. E, como os organismos estão a serviço de seus
caprichos, consegue que lhe concedam o que deseja. Só faltava essa.
Recordemos:
López Aliaga jurou que não renunciaria ao cargo de prefeito para o qual foi
eleito em 2022, e renunciou. Depois disse que não concorreria à Presidência da
República em 2025, e concorreu. Jurou que disputaria uma vaga no Senado e
encabeçou a lista de seu partido, e agora — já eleito — diz que não quer ser
senador. Seu lugar na Câmara será ocupado por um antigo aprista e depois
fujimorista: Absalón Vásquez. O mínimo que se poderia fazer seria cobrar dele o
milhão de soles que deve ao Estado. Já que a pena que lhe foi imposta não será
cumprida. Trata-se de um condenado pela Justiça.
Por
fim, Porky afirma que quer ser vice-prefeito de Lima, mas, se isso não
acontecer, será vereador? Ninguém sabe. O que se sabe é que continuará sendo um
mentiroso contumaz, agora e sempre. Mas conta com um Júri Eleitoral que o
protege e atende aos seus caprichos.
López
Aliaga “se reuniu” com Keiko, que lhe recordou — não nos esqueçamos — que “o
inimigo é a Esquerda”. Não é o atraso, nem o sicariato, nem a criminalidade,
nem as quadrilhas assassinas que proliferam à sombra das leis “pró-crime”; mas
sim a Esquerda, aquela que luta pelos recursos naturais, pela soberania, pelos
direitos dos trabalhadores e pelas liberdades públicas.
O
Congresso unicameral, que ainda está em funcionamento, decidiu, em um de seus
últimos atos, conceder a mais alta condecoração a José Jerí Oré, o mesmo a quem
censurou por incapacidade moral permanente há não muito tempo, afastando-o de
forma desonrosa da Presidência da República, função que exercia por delegação
do próprio Poder Legislativo, que hoje resolveu homenageá-lo em uma cerimônia
realizada sob absoluto sigilo, inclusive para os jornalistas.
A
grande maioria dos “políticos” entrevistados pela grande imprensa coincidiu em
condenar a resolução adotada por um Grupo de Trabalho das Nações Unidas, que
considerou ilegal e arbitrária a detenção do ainda hoje presidente
constitucional da República, Pedro Castillo Terrones, destituído por meio
de um autêntico golpe de Estado em 7 de dezembro de 2022.
Os
comentaristas, aliviados, asseguraram todos que, felizmente, essa é uma decisão
“não vinculante”, ou seja, “não nos obriga”. Podemos, então, simplesmente não
cumpri-la. Nós, aqui, como López Aliaga, fazemos o que bem entendemos.
A
recém-proclamada “nova presidente” recebeu suas credenciais em um comício
político organizado pelo Júri Nacional de Eleições na quarta-feira, 15 de
julho, no Grande Teatro Nacional. Não foi, como determina a lei, uma cerimônia
pública, mas um ato partidário realizado em recinto fechado e com acesso
restrito. Além disso, contou com um discurso de caráter político, previamente
escrito e ensaiado, naturalmente.
A
homenageada exibiu seu novo rosto, aquele que vem construindo cuidadosamente há
trinta dias: conciliador, sedutor, quase afetuoso, que ostenta desde que, em um
severo ataque de poliandria, decidiu “casar-se” com todos os peruanos.
Desta
vez, para receber aplausos com sabor nacional, vestiu dezenas de mulheres com
saias tradicionais para fazê-las passar, em vão, por “nativas” do sul andino.
Chegou até a contratar os serviços de um velho palhaço que lhe jurou amor até a
morte.
Enquanto
isso acontecia, a outra face da mesma moeda fujimorista — o ainda presidente do
Congresso, Fernando Rospigliosi — empenhava-se em proteger os policiais que
mataram um adolescente na delegacia de Manchay; e também o oficial que ordenou
atirar para matar contra cinco jovens esportistas em uma distante comunidade de
Huancavelica.
No auge
do descaramento, aprovaram uma lei relativa aos “crimes contra a humanidade”,
para garantir que nenhum dos massacres cometidos no passado pelo fujimorismo e
seus aliados reunisse os “requisitos” para ser considerado como tal.
Antigamente
chamavam isso de “espingarda de dois canos”, mas a questão é mais simples: são
as duas faces de uma mesma moeda. De um lado, o rosto rechonchudo de Keiko; do
outro, o latido austero de Rospigliosi.
Todas
elas são variantes da política crioula nestes dias em que ressurge com força a
mesma expressão de horror que começou com o pai e que hoje se manifesta por
meio da filha. Nessas circunstâncias, poder-se-ia dizer, como a avó: “Que Deus
nos encontre confessados”. Digo, é apenas uma forma de dizer.
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Díaz-Canel rebate acusações de espionagem dos EUA e acusa
Washington de agir contra Cuba
O
presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rebateu nesta terça-feira (21/07) as
acusações pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio de que a ilha
representa uma ameaça à segurança nacional norte-americana.
Em
pronunciamento, o líder cubano afirmou que Cuba “jamais agiu para
prejudicar o povo norte-americano, nem teve a intenção de afetar a segurança
nacional dos EUA”. De acordo com ele, ao longo da história, foram os próprios
EUA que realizaram ações de espionagem e ataques contra Cuba em “níveis
obscenos”.
Díaz-Canel
também criticou os recursos destinados por Washington a programas voltados para
a mudança de regime em Cuba, classificando-os como iniciativas de subversão e
terrorismo. Como exemplos de agressões sofridas pelo país, citou a introdução
de doenças, entre elas a epidemia de dengue hemorrágica que, segundo o governo
cubano, resultou na morte de 101 crianças, a explosão do voo da Cubana de
Aviación em Barbados, que matou 73 pessoas, além de atentados a hotéis e
supostas tentativas de assassinato contra líderes da Revolução.
Ao
encerrar o discurso, o mandatário cubano voltou a condenar o bloqueio econômico
imposto pelos Estados Unidos, classificando a medida como um ato “genocida”.
Segundo
ele, a sanções são agravadas pelo atual “bloqueio energético” e sustentou que a
política norte-americana foi concebida para “exaurir o povo e minar seu apoio à
Revolução”. Diante desse cenário, Díaz-Canel defendeu que Cuba exerce seu
“direito legítimo” de se proteger diante das pressões externas.
As declarações do presidente cubano
foram uma resposta ao relatório elaborado pelo Departamento de Estado dos
Estados Unidos e divulgado na segunda-feira (20/ 07). No documento,
Washington acusa Cuba de manter um amplo aparato de espionagem, capaz de se
infiltrar em órgãos estratégicos norte-americanos, incluindo o Departamento de
Defesa.
Segundo
o governo dos EUA, a inteligência cubana manteve agentes infiltrados “durante
décadas” tanto no corpo diplomático norte-americano quanto “nos mais altos
escalões” do Departamento de Defesa.
Fonte: Sputnik
Brasil/Diálogos do Sul Global/Brasl de Fato

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