Criadora
do ChatGPT diz que sua IA agiu por conta própria e lançou um ataque cibernético
'sem precedentes'
A
OpenAI informou na terça-feira (21/7) que alguns de seus modelos de
inteligência artificial mais avançados agiram por conta própria e lançaram um
ataque cibernético contra uma startup depois que a empresa perdeu o controle
sobre eles durante um teste de segurança.
A
criadora do ChatGPT declarou que seu agente — um sistema de IA capaz de operar
autonomamente após receber instruções iniciais de humanos — estava sendo
testado em um ambiente controlado, mas encontrou vulnerabilidades e conseguiu
escapar.
Fora do
ambiente controlado, o sistema identificou a start up Hugging Face, uma espécie
de biblioteca digital de tecnologia de IA muito usada por desenvolvedores, como
a possível fonte para as respostas que estava procurando no teste, e chegou a
acessar alguns sistemas internos da empresa.
A
OpenAI classificou o incidente como algo "sem precedentes" e afirmou
estar conduzindo uma investigação em conjunto com a Hugging Face.
Em seu
comunicado inicial sobre a invasão, em 16 de julho, a Hugging Face informou que
ainda estava avaliando se dados de clientes ou parceiros haviam sido afetados e
que entraria em contato com as partes atingidas, se necessário.
A
empresa afirmou que já corrigiu as vulnerabilidades apontadas pelo incidente e
reconstruiu os sistemas afetados.
"Ferramentas
ofensivas autônomas impulsionadas por IA já não são algo teórico",
declarou a empresa. "Defender uma plataforma online agora significa tratar
os dados e a superfície do modelo como uma superfície de ataque de primeira
ordem, e utilizar IA na defesa para acompanhar o ritmo. Continuaremos
investindo nessa área e compartilhando o que aprendermos."
O CEO
da Hugging Face, Clement Delangue, declarou em uma publicação no X que é
"impressionante que tudo isso tenha acontecido de forma autônoma".
"A investigação está em andamento, e compartilharemos mais aprendizados
sobre o que pode ser o primeiro incidente desse tipo", acrescentou.
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Ambientes de teste (sandboxes) inseguros
Gina
Neff, diretora do Centro Minderoo de Tecnologia e Democracia da Universidade de
Cambridge, na Inglaterra, disse ao programa Today, da BBC Radio 4, que os
testes de segurança — conhecidos como sandboxes — "deveriam ser ambientes
seguros onde é possível observar do que os modelos são capazes".
No
entanto, em vez disso, os agentes criaram seu próprio ataque cibernético contra
o ambiente de teste, encontrando uma vulnerabilidade que lhes permitiu escapar.
Neil
Lawrence, professor de machine learning na Universidade de Cambridge,
classificou o feito como "impressionante", mas ressaltou que ele
"está totalmente dentro das capacidades conhecidas da geração atual"
de modelos de IA de alto desempenho.
Ele
observou que a OpenAI busca abrir seu capital na bolsa de valores e enfrenta
forte pressão da rival Anthropic, que ganhou destaque com sua própria
ferramenta de IA poderosa, a Mythos.
"A
OpenAI está agora correndo atrás do prejuízo; eles estão tentando demonstrar as
capacidades de seus próprios sistemas em segurança cibernética."
"Isso
nos mostra que a OpenAI não é capaz de implementar sua própria tecnologia com
segurança", acrescentou.
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'Momento de reflexão'
O
incidente levantou novas questões sobre as capacidades de sistemas avançados de
IA e se as salvaguardas existentes são suficientes à medida que a tecnologia se
torna mais poderosa.
Spencer
Starkey, executivo da empresa de cibersegurança SonicWall, disse à BBC que o
episódio deixou claro que as organizações precisam "intensificar"
suas defesas e "tratar a resiliência cibernética como uma prioridade
operacional fundamental".
"A
verdade desconfortável é que muitas organizações ainda se defendem na
velocidade humana, enquanto os adversários estão avançando para a velocidade
das máquinas", afirmou.
Enquanto
isso, Travis Lelle, engenheiro-chefe de segurança da consultoria Guidepoint
Security, disse que a atualização marcou um "momento de reflexão na
cibersegurança". "Isso evidencia uma assimetria conhecida",
disse ele.
"Os
agentes ofensivos não têm restrições, enquanto as melhores ferramentas de
defesa estão limitadas por mecanismos de controle que não conseguem compreender
o contexto."
No
entanto, Jake Moore, consultor global de cibersegurança da ESET, observou que o
anúncio também poderia ter uma dimensão competitiva.
Ele
argumentou que a OpenAI pode estar tentando destacar suas próprias capacidades
de IA, uma vez que a rival Anthropic atrai cada vez mais atenção com seu modelo
Claude Mythos.
"Isso
levanta a questão de se a OpenAI estaria tentando alcançar o sucesso de
marketing da Anthropic", disse.
O fato
ocorre uma semana após a startup chinesa de IA Moonshot apresentar o Kimi K3 —
um novo e gigantesco modelo de inteligência artificial que, segundo a empresa,
pode rivalizar com as principais companhias dos EUA.
Fonte:
BBC News

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