quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cirurgia inédita trata doença rara pela 1ª vez no Brasil; entenda

Uma técnica inédita e minimamente invasiva para o tratamento de uma doença rara pode revolucionar a área cirúrgica do Brasil. Trata-se da cirurgia da Arnold-Chiari, uma malformação congênita na região entre o crânio e a coluna cervical que pode comprimir estruturas do cérebro e dos nervos.

O procedimento inovador já é comum em países como Alemanha, Turquia e Índia. Ele foi realizado pela primeira vez em território brasileiro em uma paciente do Maranhão.

Atualmente, a técnica utilizada exige uma incisão maior na área cervical, onde estão os músculos e ligamentos do pescoço. Essa abordagem envolve a abertura de uma espécie de "capa" que protege a região, e isso a faz soltar um líquido chamado de "fístula alicólica" que protege e recobre as estruturas do cérebro.

Com a fístula vazando para fora da pele, o paciente deve ser submetido a novas cirurgias para fechar essa estrutura. Essas complicações acontecem em cerca de 30% dos casos.

Em entrevista à CNN Brasil, Rafael Sugino, cirurgião no Einsten e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, explicou que a nova abordagem promete diminuir o chamado "trauma cirúgico". Ela acontece por meio de cirurgia em vídeo e é menos invasiva, pois minimiza a destruição de tecidos sensíveis e o tamanho do canal de comunicação por onde o líquor poderia vazar.

De acordo com o médico, a primeira paciente submetida ao procedimento deixou a UTI em menos de 24 horas, recebeu alta hospitalar após dois dias e apresentou recuperação com pouca dor.

"Quando você analisa essa experiência, você vê que é uma mudança enorme. Então, isso tem um potencial de mudar, de alguma forma, alguns outros casos pra essa técnica. Tem crianças que também têm alguns problemas parecidos que o novo procedimento pode ajudar". - Rafael Sugino, neurocirurgião

Ainda segundo Rafael, apesar da técnica necessitar de estruturas caras, ela costuma ser mais barata em um panorama geral. Isso acontece porque o paciente reduz a quantidade de internações, remédios e procedimentos que realiza para tratar a doença.

<><> Como saber se tenho essa doença?

Embora cerca de 1% da população apresente a condição da Arnold-Chiari, nem todos desenvolvem sintomas. Nos casos sintomáticos, os pacientes podem sofrer com dores de cabeça intensas, tonturas, desequilíbrio e outros problemas que costumam piorar durante esforços físicos ou situações que aumentam a pressão intracraniana.

De acordo com Rafael, o tratamento depende da gravidade do quadro. Enquanto muitos pacientes respondem ao tratamento clínico, alguns necessitam de cirurgia para aliviar a compressão causada pela malformação.

"Ela pode se desenvolver com sintomas durante a vida. Eventualmente a pessoa desenvolve esses sintomas com seus 30 anos ou 40 anos. A pessoa, começa a ter uma vida normal, mas, de repente, ela começa a sofrer com muita dor de cabeça e desequilíbrio. A recomendação é procurar atendimento médico", alerta o especialista.

<><> Novas metas para colocar a técnica em prática

Ainda de acordo com o neurocirurgião, agora, os novos objetivos para colocar o procedimento em prática são avaliar a segurança e a reprodutibilidade da técnica antes de levá-la a outros cirurgiões, como já ocorre com o procedimento tradicional.

“Então, além de ser muito sensível, por estar perto do cérebro, né? As consequências podem ser trágicas, então tem que tomar muito cuidado.”- Rafael Sugino, neurocirurgião

De acordo com o médico, o Brasil reúne boas condições para o desenvolvimento do procedimento devido ao maior número de casos cirúrgicos da doença, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, o que pode contribuir para a futura disseminação do método.

"Por isso que a gente está tentando fazer isso de forma bem controlada, bem sensata, porque temos que ter muitos casos de sucesso. Isso [o sucesso da técnica] que tem que ser o padrão.  Resultados muito bons é o que vão determinar ou não para um sonho virar uma realidade", concluiu.

•        Tecnologia inédita promete avanço no combate a casos complexos de câncer

Uma tecnologia inédita promete um importante avanço no combate a casos complexos de pacientes com câncer. O novo sistema de crioablação incorporado pelo Einstein Hospital Israelita vai ajudar no tratamento minimamente invasivo de tumores sólidos.

A crioablação é uma técnica que utiliza temperaturas extremamente baixas para destruir células tumorais, preservando tecidos saudáveis ao redor. A intervenção é reconhecida pela eficácia e segurança em tumores no rim, pulmão, ossos, partes moles e próstata, por exemplo.

O sistema inovador ICEfx™ foi desenvolvido pela Boston Scientific, agora ampliando o portfólio de terapias intervencionistas da rede hospitalar e fortalecendo a atuação em tratamentos oncológicos de alta complexidade.

A tecnologia opera com até oito agulhas de alta precisão em quatro canais independentes, permitindo o tratamento de tumores de diferentes tamanhos e formatos com grande exatidão. O sistema de descongelamento ativo não utiliza gás hélio, o que otimiza recursos e o tempo do procedimento. Além disso, conta com a função de ablação do trajeto da agulha, uma medida adicional de segurança que contribui para reduzir o risco de disseminação de células tumorais durante a retirada dos aplicadores.

"Procedimentos menos invasivos, com maior capacidade de destruição de tumores e recuperação mais rápida, significam não apenas ganhos clínicos, mas também impacto direto na qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias”, explica Dr. Nam Jin Kim, diretor médico da Oncologia Einstein.

As imagens abaixo mostram a dinâmica da agulha de crioablação que, por conta do design, torna os procedimentos mais eficientes e precisos.

Lucas Silva, diretor da unidade de negócios de Intervenções Periféricas da Boston Scientific Brasil, destacou a importação da implementação da tecnologia pelo Einstein e o objetivo de colocar as ferramentas mais avançadas nas mãos dos médicos.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: