Por
que todos fogem de Flávio Bolsonaro
Mesmo
que as máfias das emendas não fossem caçadas por Flávio Dino e pela Polícia
Federal, direita e extrema direita não teriam dúvidas eleitorais a resolver. É
só investir nas candidaturas à Câmara e ao Senado e deixar a briga pela
presidência entregue a Deus.
Mesmo
que, por atavismo, o centrão procure sempre ocupar espaços dentro dos governos,
como agregado da direita ou da esquerda, o maior poder hoje é de quem tem
mandato. E não necessariamente de quem tem ministérios e cargos em escalões
subalternos. Também vale menos do que já valeu ter o comando de governos
estaduais.
Com R$
60 bilhões para distribuir no ano, os congressistas têm cada vez mais o que
nunca tiveram. Um orçamento só deles, usado à revelia de quaisquer controles,
para manter os rebanhos dos seus currais bem alimentados. Não é preciso muito
mais.
Flávio
Dino está pegando as quadrilhas mais expostas e deve chegar às que ainda estão
camufladas. O receio da perda de poder e de controle absoluto das emendas pode
constranger essa gente. Mas não a ponto de afastá-los das suas prioridades.
É uma
conta fácil. É melhor lutar pela manutenção de mandatos do que entrar na guerra
quase perdida por Flávio Bolsonaro. Que os partidos despejem os bilhões do
fundo eleitoral nas suas apostas, e que o eleitor se encarregue da briga pelo
Planalto.
É o
cenário que se configura. Investir em Flávio pode não valer a pena, pelo
desgaste de ter que carregar um sujeito que a qualquer momento pode ter outro
rolo pela frente. Pela falta de estofo do candidato e pelas brigas internas
destrutivas.
A ordem
geral é a consagrada nos últimos meses: cuidem das suas vidas, mantenham suas
bases, gastem o que têm para gastar e esqueçam o filho ungido. A pergunta é
elementar: o que a velha direita ganha carregando Flávio nas costas?
Por
isso noticiam que os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro
Nogueira, fogem de Flávio para não ter que dizer que ainda estão pensando sobre
alianças que há até bem pouco pareciam inevitáveis. A senadora Tereza Cristina,
sempre cotada para ser sua vice, se esconde ao ver Flávio.
O que o
centrão, já desgastado pelo caso Master, capitalizaria hoje pagando o alto
custo de andar de mãos dadas com as facções do PL tomadas pelo bolsonarismo? O
que o centrão ganharia, no caso da eleição de Flávio, com a concentração de
todos os poderes na estrutura familiar e seu entorno?
Que
lutem pelos seus mandatos, tentem preservar imunidades e mantenham acenos vagos
e discretos para Lula. Façam o que os mercenários sabem fazer em qualquer área.
Joguem mais próximos de quem pode ganhar, e não com quem hoje tem quase certeza
de que deve perder.
Daqui a
pouco, quando a campanha for de fato deflagrada, que cada um salve a própria
pele, porque a pele do bolsonarismo já foi esfolada. Qualquer calouro ou
veterano da velha direita sabe que não há vantagem alguma em estar ao lado de
Flávio. Quem não souber, que fale com Michelle.
• Flávio tenta (de forma fracassada) unir
a direita
Segundo
a Revista Forum, o senador Flávio
Bolsonaro (PL) participou na segunda-feira (20) da convenção estadual da
federação União Brasil e PP em São Paulo, na Assembleia Legislativa, em uma
tentativa de ampliar a base de apoio para a candidatura presidencial às
eleições de 2026. A presença foi lida como um gesto direcionado às cúpulas
nacionais das legendas, ainda sem posição definida sobre o pleito, segundo o
Portal Fórum.
Flávio
recebeu o apoio de lideranças paulistas dos dois partidos e do governador
Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas os presidentes nacionais do União
Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, não compareceram, mantendo a
indefinição. Em seu discurso, o senador afirmou que “aqui em São Paulo, a gente
vai caminhar juntos”, e espera que a aliança se repita em âmbito nacional para
derrotar o PT.
O
deputado federal Guilherme Derrite (PP), indicado para uma vaga ao Senado na
chapa de Tarcísio, destoou da direção nacional ao declarar que “se existe uma
possibilidade de neutralidade, pode saber que o estado de São Paulo não vai
ficar neutro. É Flávio Bolsonaro”. A convenção oficializou o apoio à reeleição
do governador paulista, reforçando o palanque regional para o senador.
Flávio
adotou um discurso agressivo, prometendo que marginais “vão tomar pau a partir
de 2027” e associando a esquerda à leniência com o crime. Tarcísio por sua vez
enalteceu o ex-presidente Jair Bolsonaro como “o cara que fez a diferença, que
rompeu paradigmas” e declarou apoio ao projeto de Flávio, afirmando que ele
contará com um “exército” em São Paulo.
O
encontro foi a primeira agenda pública conjunta de Tarcísio e Flávio desde o
tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A ausência dos
presidentes nacionais do União Brasil e PP evidenciou o isolamento do senador,
que precisa costurar alianças sem a presença do pai, inelegível e impedido de
participar politicamente.
• Globo joga a toalha e já planeja a
eleição de 2030, garante Marco Damiani
Reconhecido
como porta-voz da família Marinho, o jornalista Merval Pereira jogou a toalha
sobre o tablado das eleições presidenciais de outubro. Cravando a derrota de
Flávio Bolsonaro para o presidente Lula nas eleições de outubro, ele já se
agarra à uma nebulosa projeção da próxima disputa eleitoral, quatro anos à
frente, para encontrar um consolo para a direita pelo resultado amargo que se
avizinha em 2026. Chama-se Tarcísio de Freitas, a quem o acadêmico vê como
‘predestinado’ a ser presidente.
Projetando
o cenário de 2030, em um exercício bastante arriscado, Merval escreveu: “Lula
estará fora da disputa presidencial [após ter vencido as eleições de outubro
próximo], e provavelmente da política, e Jair Bolsonaro estará enfraquecido com
a provável derrota de Flávio [em 2026], e inelegível”.
O
raciocínio é emblemático do atual estado de espírito da direita brasileira, que
tem no formulador um de seus ideólogos de maior exposição midiática. O que está
escrito quer dizer que, naquele campo, ninguém mais está acreditando nas
chances do candidato do filho do capitão repetir a façanha do pai. A incluir
agora, como se depreende do artigo, a família Marinho.
Após a
admissão, porém, vem a malícia. E Merval passa a inventar um cenário
absolutamente perfeito, desde já, para o carioca Tarcísio de Freitas, que
estaria hoje “perto de se reeleger governador no primeiro turno” ou “mesmo que
seja no segundo turno”. Não há, para o articulista, portanto, nenhuma
possibilidade de o governador paulista perder a disputa para o ex-ministro
Fernando Haddad, da Fazenda.
Mesmo
que as eleições de outubro sejam em outubro, Merval enxerga desde já Tarcísio
governador reeleito e, ainda, Tarcísio presidente dentro de quatro anos. O
projeto Tarcísio, bom que se repita, se mostra, assim, uma prioridade global de
nível máximo.
Há na
futurologia de Merval, de um lado, um adiantamento bastante incerto das
eleições paulistas, que prometem ser acirradas. E, de outro, uma projeção
típica de bola de cristal barata, à medida em que desconsidera todas as
variáveis que surgirão nos próximos quatro anos, a começar pela nova safra de
governadores que surgirá da eleição de outubro.
A
elegia ao ‘predestinado’ Tarcísio feita por Merval se dá em meio referências a
FHC, Tancredo Neves, Fernando Collor e ao bossanovista Johnny Alf, de quem o
autor cantarola uma “licença poética maravilhosa, o ‘inesperado trouxe uma
surpresa’”. Dali extrai o título da sua coluna, ‘As surpresas do inesperado’. O
romantismo está no ar. Perdida, a direita segue apaixonada pelo governador de
São Paulo.
• ‘Flávio não estava preparado para ser
candidato’, admite Valdemar
O
presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu que o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) não estava preparado para assumir a condição de pré-candidato
à Presidência da República. Em entrevista concedida à CNN Brasil nesta
terça-feira (21), o dirigente partidário detalhou os desafios enfrentados pela
legenda no processo de articulação de alianças e reconheceu que o filho de Jair
Bolsonaro (PL) foi lançado ao posto sem uma construção prévia de base política
para a disputa nacional.
Ao
avaliar as conversas com outras siglas no cenário político nacional e nos
estados, Valdemar explicou que a indicação partiu diretamente de Jair
Bolsonaro, o que exigiu do partido uma reorganização apressada na busca por
palanques e alianças.
“Acredito
[em um apoio do PP a Flávio Bolsonaro], lógico. Temos várias coligações com o
PP nos estados. Temos muita coisa com o PP, com o União Brasil, muitas alianças
nos estados com o Republicanos, estamos conversando com o Podemos também, o
pessoal de Minas está conversando com o PSDB também. Temos interesse em muitos
partidos. Só que acontece o seguinte: o Flávio não estava preparado para ser
candidato. Então ele foi escolhido pelo Bolsonaro e não tinha feito uma
estrutura, um trabalho antes para ser candidato à Presidência da República. Ele
foi escolhido, o Bolsonaro escolheu o Flávio, e agora que nós estamos
conseguindo andar nesse assunto”, declarou o presidente da legenda.
Apesar
de reconhecer a falta de planejamento anterior de Flávio Bolsonaro para a
corrida presidencial, Valdemar indicou que a articulação política para
viabilizar o projeto do partido está sendo intensificada. Como desdobramento
prático dessa tentativa de estruturação, o dirigente anunciou que a cúpula da
sigla se reunirá para alinhar as diretrizes das tratativas com interlocutores
externos.
“Vamos
ter uma reunião hoje à tarde com o Flávio, com o Rogério Marinho, para discutir
isso. Vamos conversar com outros partidos”, adiantou Costa Neto.
• Aliados temem que publicitário ligado a
Vorcaro se torne novo homem-bomba para a campanha de Flávio Bolsonaro
A
investigação da Polícia Federal envolvendo o publicitário Thiago Miranda passou
a gerar preocupação entre integrantes do núcleo político do senador e
pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Aliados do
parlamentar acompanham os movimentos do empresário após relatos de que ele
teria sinalizado que não assumiria sozinho eventuais consequências das
investigações.
De
acordo com a coluna da jornalista Bela Megale, de O Globo, interlocutores
próximos a Flávio Bolsonaro receberam a informação de que Miranda estaria
indicando que, caso viesse a ser responsabilizado, envolveria outras
autoridades do meio político. Entre aliados do senador, existe o temor de que o
recado tenha como destinatário o próprio presidenciável. Apesar da tensão entre
os aliados, Flávio Bolsonaro não é investigado nesse procedimento específico da
Polícia Federal.
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Relação com Daniel Vorcaro
A
preocupação decorre da proximidade de Thiago Miranda com o banqueiro Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master. Conforme a reportagem, o publicitário
intermediou a negociação que resultou no aporte de R$ 62 milhões de Vorcaro
para a produção do filme Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair
Bolsonaro (PL). A reportagem aponta, ainda, que Miranda também articulou uma
reunião entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, no fim de 2024. O encontro,
entretanto, acabou não sendo realizado.
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Alvo da Operação Compliance Zero
Thiago
Miranda foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em outra
investigação relacionada a Daniel Vorcaro.
Segundo
os investigadores, o publicitário é apontado como articulador do chamado
“Projeto DV”, iniciativa que, de acordo com a Polícia Federal, contratava
influenciadores digitais para divulgar conteúdos favoráveis ao Banco Master e
críticos ao Banco Central após a liquidação da instituição financeira.
A
apuração integra a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga
suspeitas relacionadas a contratos, movimentações financeiras e estratégias de
comunicação ligadas ao caso.
• Em encontro com embaixadores, Flávio
Bolsonaro repete discurso do pai para questionar urnas eletrônicas
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da
República, voltou a questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro
durante um encontro com embaixadores estrangeiros realizado nesta terça-feira
(21), em Brasília.
As
declarações, segundo a coluna da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles,
ocorreram em um almoço com diplomatas e retomaram um discurso semelhante ao
adotado por Jair Bolsonaro(PL) antes da sua derrota eleitoral nas eleições de
2022.
O
encontro ocorreu durante o evento “Debating Brazil”, promovido pela agência
Novo Selo Comunicação em parceria com o jornal The Brazilian Report,
especializado na cobertura do Brasil em língua inglesa.
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Flávio Bolsonaro cita documentos da CIA e empresa venezuelana
Durante
a conversa com os diplomatas, Flávio mencionou documentos da Agência Central de
Inteligência dos Estados Unidos (CIA), divulgados na semana passada pelo
governo do presidente Donald Trump. Segundo os relatórios citados pelo senador,
o governo da Venezuela, sob Hugo Chávez e Nicolás Maduro, “tinha alguma
capacidade de manipular sistemas eletrônicos de votação” naquele país.
“Não
vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas
máquinas utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa
venezuelana”, disse o parlamentar ao relacionar o tema com as eleições
brasileiras.
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TSE desmente versão do senador
Segundo
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, essa afirmação não corresponde
ao histórico da empresa citada. A Smartmatic, responsável pelos sistemas
eletrônicos utilizados na Venezuela, não fornece urnas eletrônicas nem
softwares empregados nas eleições brasileiras.
De
acordo com o TSE, a empresa participou de uma licitação para a fabricação de
urnas em 2020, mas não foi vencedora. O contrato foi conquistado pela Positivo.
A Smartmatic manteve apenas contratos relacionados ao treinamento de
profissionais de suporte técnico e à prestação de serviços de conexão de dados
e voz.
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Defesa de observadores internacionais
Após
comentar os documentos da CIA, Flávio fez uma ressalva ao afirmar que “eu não
estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países
possam mandar a maior quantidade possível de observadores para as eleições,
como sempre fazem”.
A
declaração foi apresentada pelo senador como uma defesa da ampliação da
participação de observadores internacionais no acompanhamento das eleições
brasileiras.
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Episódio remete à inelegibilidade de Jair Bolsonaro
A
manifestação de Flávio Bolsonaro ocorre em circunstâncias semelhantes às da
reunião promovida por Jair Bolsonaro com embaixadores, em 2022, quando o então
presidente apresentou críticas ao sistema eleitoral brasileiro utilizando a
estrutura da Presidência da República.
Em
junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral condenou Jair Bolsonaro à
inelegibilidade por oito anos. A Corte concluiu que houve abuso de poder
político e uso indevido dos meios de comunicação durante o encontro com
diplomatas, realizado no Palácio da Alvorada.
Embora
o evento desta terça-feira (21) tenha ocorrido em ambiente privado, a escolha
do público — formado por representantes diplomáticos estrangeiros — e o
conteúdo das declarações retomaram uma estratégia política semelhante à adotada
pelo ex-mandatário.
Fonte:
Por Moisés Mendes, em Brasil 247

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