quinta-feira, 23 de julho de 2026

Por que todos fogem de Flávio Bolsonaro

Mesmo que as máfias das emendas não fossem caçadas por Flávio Dino e pela Polícia Federal, direita e extrema direita não teriam dúvidas eleitorais a resolver. É só investir nas candidaturas à Câmara e ao Senado e deixar a briga pela presidência entregue a Deus.

Mesmo que, por atavismo, o centrão procure sempre ocupar espaços dentro dos governos, como agregado da direita ou da esquerda, o maior poder hoje é de quem tem mandato. E não necessariamente de quem tem ministérios e cargos em escalões subalternos. Também vale menos do que já valeu ter o comando de governos estaduais.

Com R$ 60 bilhões para distribuir no ano, os congressistas têm cada vez mais o que nunca tiveram. Um orçamento só deles, usado à revelia de quaisquer controles, para manter os rebanhos dos seus currais bem alimentados. Não é preciso muito mais.

Flávio Dino está pegando as quadrilhas mais expostas e deve chegar às que ainda estão camufladas. O receio da perda de poder e de controle absoluto das emendas pode constranger essa gente. Mas não a ponto de afastá-los das suas prioridades.

É uma conta fácil. É melhor lutar pela manutenção de mandatos do que entrar na guerra quase perdida por Flávio Bolsonaro. Que os partidos despejem os bilhões do fundo eleitoral nas suas apostas, e que o eleitor se encarregue da briga pelo Planalto.

É o cenário que se configura. Investir em Flávio pode não valer a pena, pelo desgaste de ter que carregar um sujeito que a qualquer momento pode ter outro rolo pela frente. Pela falta de estofo do candidato e pelas brigas internas destrutivas.

A ordem geral é a consagrada nos últimos meses: cuidem das suas vidas, mantenham suas bases, gastem o que têm para gastar e esqueçam o filho ungido. A pergunta é elementar: o que a velha direita ganha carregando Flávio nas costas?

Por isso noticiam que os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, fogem de Flávio para não ter que dizer que ainda estão pensando sobre alianças que há até bem pouco pareciam inevitáveis. A senadora Tereza Cristina, sempre cotada para ser sua vice, se esconde ao ver Flávio.

O que o centrão, já desgastado pelo caso Master, capitalizaria hoje pagando o alto custo de andar de mãos dadas com as facções do PL tomadas pelo bolsonarismo? O que o centrão ganharia, no caso da eleição de Flávio, com a concentração de todos os poderes na estrutura familiar e seu entorno?

Que lutem pelos seus mandatos, tentem preservar imunidades e mantenham acenos vagos e discretos para Lula. Façam o que os mercenários sabem fazer em qualquer área. Joguem mais próximos de quem pode ganhar, e não com quem hoje tem quase certeza de que deve perder.

Daqui a pouco, quando a campanha for de fato deflagrada, que cada um salve a própria pele, porque a pele do bolsonarismo já foi esfolada. Qualquer calouro ou veterano da velha direita sabe que não há vantagem alguma em estar ao lado de Flávio. Quem não souber, que fale com Michelle.

•        Flávio tenta (de forma fracassada) unir a direita

Segundo a  Revista Forum, o senador Flávio Bolsonaro (PL) participou na segunda-feira (20) da convenção estadual da federação União Brasil e PP em São Paulo, na Assembleia Legislativa, em uma tentativa de ampliar a base de apoio para a candidatura presidencial às eleições de 2026. A presença foi lida como um gesto direcionado às cúpulas nacionais das legendas, ainda sem posição definida sobre o pleito, segundo o Portal Fórum.

Flávio recebeu o apoio de lideranças paulistas dos dois partidos e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas os presidentes nacionais do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, não compareceram, mantendo a indefinição. Em seu discurso, o senador afirmou que “aqui em São Paulo, a gente vai caminhar juntos”, e espera que a aliança se repita em âmbito nacional para derrotar o PT.

O deputado federal Guilherme Derrite (PP), indicado para uma vaga ao Senado na chapa de Tarcísio, destoou da direção nacional ao declarar que “se existe uma possibilidade de neutralidade, pode saber que o estado de São Paulo não vai ficar neutro. É Flávio Bolsonaro”. A convenção oficializou o apoio à reeleição do governador paulista, reforçando o palanque regional para o senador.

Flávio adotou um discurso agressivo, prometendo que marginais “vão tomar pau a partir de 2027” e associando a esquerda à leniência com o crime. Tarcísio por sua vez enalteceu o ex-presidente Jair Bolsonaro como “o cara que fez a diferença, que rompeu paradigmas” e declarou apoio ao projeto de Flávio, afirmando que ele contará com um “exército” em São Paulo.

O encontro foi a primeira agenda pública conjunta de Tarcísio e Flávio desde o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A ausência dos presidentes nacionais do União Brasil e PP evidenciou o isolamento do senador, que precisa costurar alianças sem a presença do pai, inelegível e impedido de participar politicamente.

•        Globo joga a toalha e já planeja a eleição de 2030, garante Marco Damiani

Reconhecido como porta-voz da família Marinho, o jornalista Merval Pereira jogou a toalha sobre o tablado das eleições presidenciais de outubro. Cravando a derrota de Flávio Bolsonaro para o presidente Lula nas eleições de outubro, ele já se agarra à uma nebulosa projeção da próxima disputa eleitoral, quatro anos à frente, para encontrar um consolo para a direita pelo resultado amargo que se avizinha em 2026. Chama-se Tarcísio de Freitas, a quem o acadêmico vê como ‘predestinado’ a ser presidente.

Projetando o cenário de 2030, em um exercício bastante arriscado, Merval escreveu: “Lula estará fora da disputa presidencial [após ter vencido as eleições de outubro próximo], e provavelmente da política, e Jair Bolsonaro estará enfraquecido com a provável derrota de Flávio [em 2026], e inelegível”.

O raciocínio é emblemático do atual estado de espírito da direita brasileira, que tem no formulador um de seus ideólogos de maior exposição midiática. O que está escrito quer dizer que, naquele campo, ninguém mais está acreditando nas chances do candidato do filho do capitão repetir a façanha do pai. A incluir agora, como se depreende do artigo, a família Marinho.

Após a admissão, porém, vem a malícia. E Merval passa a inventar um cenário absolutamente perfeito, desde já, para o carioca Tarcísio de Freitas, que estaria hoje “perto de se reeleger governador no primeiro turno” ou “mesmo que seja no segundo turno”. Não há, para o articulista, portanto, nenhuma possibilidade de o governador paulista perder a disputa para o ex-ministro Fernando Haddad, da Fazenda.

Mesmo que as eleições de outubro sejam em outubro, Merval enxerga desde já Tarcísio governador reeleito e, ainda, Tarcísio presidente dentro de quatro anos. O projeto Tarcísio, bom que se repita, se mostra, assim, uma prioridade global de nível máximo.

Há na futurologia de Merval, de um lado, um adiantamento bastante incerto das eleições paulistas, que prometem ser acirradas. E, de outro, uma projeção típica de bola de cristal barata, à medida em que desconsidera todas as variáveis que surgirão nos próximos quatro anos, a começar pela nova safra de governadores que surgirá da eleição de outubro.

A elegia ao ‘predestinado’ Tarcísio feita por Merval se dá em meio referências a FHC, Tancredo Neves, Fernando Collor e ao bossanovista Johnny Alf, de quem o autor cantarola uma “licença poética maravilhosa, o ‘inesperado trouxe uma surpresa’”. Dali extrai o título da sua coluna, ‘As surpresas do inesperado’. O romantismo está no ar. Perdida, a direita segue apaixonada pelo governador de São Paulo.

•        ‘Flávio não estava preparado para ser candidato’, admite Valdemar

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não estava preparado para assumir a condição de pré-candidato à Presidência da República. Em entrevista concedida à CNN Brasil nesta terça-feira (21), o dirigente partidário detalhou os desafios enfrentados pela legenda no processo de articulação de alianças e reconheceu que o filho de Jair Bolsonaro (PL) foi lançado ao posto sem uma construção prévia de base política para a disputa nacional.

Ao avaliar as conversas com outras siglas no cenário político nacional e nos estados, Valdemar explicou que a indicação partiu diretamente de Jair Bolsonaro, o que exigiu do partido uma reorganização apressada na busca por palanques e alianças.

“Acredito [em um apoio do PP a Flávio Bolsonaro], lógico. Temos várias coligações com o PP nos estados. Temos muita coisa com o PP, com o União Brasil, muitas alianças nos estados com o Republicanos, estamos conversando com o Podemos também, o pessoal de Minas está conversando com o PSDB também. Temos interesse em muitos partidos. Só que acontece o seguinte: o Flávio não estava preparado para ser candidato. Então ele foi escolhido pelo Bolsonaro e não tinha feito uma estrutura, um trabalho antes para ser candidato à Presidência da República. Ele foi escolhido, o Bolsonaro escolheu o Flávio, e agora que nós estamos conseguindo andar nesse assunto”, declarou o presidente da legenda.

Apesar de reconhecer a falta de planejamento anterior de Flávio Bolsonaro para a corrida presidencial, Valdemar indicou que a articulação política para viabilizar o projeto do partido está sendo intensificada. Como desdobramento prático dessa tentativa de estruturação, o dirigente anunciou que a cúpula da sigla se reunirá para alinhar as diretrizes das tratativas com interlocutores externos.

“Vamos ter uma reunião hoje à tarde com o Flávio, com o Rogério Marinho, para discutir isso. Vamos conversar com outros partidos”, adiantou Costa Neto.

•        Aliados temem que publicitário ligado a Vorcaro se torne novo homem-bomba para a campanha de Flávio Bolsonaro

A investigação da Polícia Federal envolvendo o publicitário Thiago Miranda passou a gerar preocupação entre integrantes do núcleo político do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Aliados do parlamentar acompanham os movimentos do empresário após relatos de que ele teria sinalizado que não assumiria sozinho eventuais consequências das investigações.

De acordo com a coluna da jornalista Bela Megale, de O Globo, interlocutores próximos a Flávio Bolsonaro receberam a informação de que Miranda estaria indicando que, caso viesse a ser responsabilizado, envolveria outras autoridades do meio político. Entre aliados do senador, existe o temor de que o recado tenha como destinatário o próprio presidenciável. Apesar da tensão entre os aliados, Flávio Bolsonaro não é investigado nesse procedimento específico da Polícia Federal.

<><> Relação com Daniel Vorcaro

A preocupação decorre da proximidade de Thiago Miranda com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Conforme a reportagem, o publicitário intermediou a negociação que resultou no aporte de R$ 62 milhões de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL). A reportagem aponta, ainda, que Miranda também articulou uma reunião entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, no fim de 2024. O encontro, entretanto, acabou não sendo realizado.

<><> Alvo da Operação Compliance Zero

Thiago Miranda foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em outra investigação relacionada a Daniel Vorcaro.

Segundo os investigadores, o publicitário é apontado como articulador do chamado “Projeto DV”, iniciativa que, de acordo com a Polícia Federal, contratava influenciadores digitais para divulgar conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticos ao Banco Central após a liquidação da instituição financeira.

A apuração integra a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas a contratos, movimentações financeiras e estratégias de comunicação ligadas ao caso.

•        Em encontro com embaixadores, Flávio Bolsonaro repete discurso do pai para questionar urnas eletrônicas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República, voltou a questionar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro durante um encontro com embaixadores estrangeiros realizado nesta terça-feira (21), em Brasília.

As declarações, segundo a coluna da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, ocorreram em um almoço com diplomatas e retomaram um discurso semelhante ao adotado por Jair Bolsonaro(PL) antes da sua derrota eleitoral nas eleições de 2022.

O encontro ocorreu durante o evento “Debating Brazil”, promovido pela agência Novo Selo Comunicação em parceria com o jornal The Brazilian Report, especializado na cobertura do Brasil em língua inglesa.

<><> Flávio Bolsonaro cita documentos da CIA e empresa venezuelana

Durante a conversa com os diplomatas, Flávio mencionou documentos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), divulgados na semana passada pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo os relatórios citados pelo senador, o governo da Venezuela, sob Hugo Chávez e Nicolás Maduro, “tinha alguma capacidade de manipular sistemas eletrônicos de votação” naquele país.

“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o parlamentar ao relacionar o tema com as eleições brasileiras.

<><> TSE desmente versão do senador

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, essa afirmação não corresponde ao histórico da empresa citada. A Smartmatic, responsável pelos sistemas eletrônicos utilizados na Venezuela, não fornece urnas eletrônicas nem softwares empregados nas eleições brasileiras.

De acordo com o TSE, a empresa participou de uma licitação para a fabricação de urnas em 2020, mas não foi vencedora. O contrato foi conquistado pela Positivo. A Smartmatic manteve apenas contratos relacionados ao treinamento de profissionais de suporte técnico e à prestação de serviços de conexão de dados e voz.

<><> Defesa de observadores internacionais

Após comentar os documentos da CIA, Flávio fez uma ressalva ao afirmar que “eu não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade possível de observadores para as eleições, como sempre fazem”.

A declaração foi apresentada pelo senador como uma defesa da ampliação da participação de observadores internacionais no acompanhamento das eleições brasileiras.

<><> Episódio remete à inelegibilidade de Jair Bolsonaro

A manifestação de Flávio Bolsonaro ocorre em circunstâncias semelhantes às da reunião promovida por Jair Bolsonaro com embaixadores, em 2022, quando o então presidente apresentou críticas ao sistema eleitoral brasileiro utilizando a estrutura da Presidência da República.

Em junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral condenou Jair Bolsonaro à inelegibilidade por oito anos. A Corte concluiu que houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante o encontro com diplomatas, realizado no Palácio da Alvorada.

Embora o evento desta terça-feira (21) tenha ocorrido em ambiente privado, a escolha do público — formado por representantes diplomáticos estrangeiros — e o conteúdo das declarações retomaram uma estratégia política semelhante à adotada pelo ex-mandatário.

 

Fonte: Por Moisés Mendes, em Brasil 247

 

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