França
proíbe redes sociais para menores de 15 anos
A
França se tornou nesta terça-feira (20/07) o primeiro país da União Europeia
(UE) a aprovar uma proibição geral do uso de redes sociais por menores de 15
anos.
O
Parlamento francês aprovou por ampla maioria a nova legislação, que também
proíbe o uso de celulares em escolas de ensino médio. A iniciativa surgiu em
meio a preocupações em vários países sobre os efeitos nocivos do conteúdo
digital para as crianças.
Ambas
as câmaras do Parlamento votaram a favor da iniciativa emblemática do segundo
mandato do presidente francêsEmmanuel Macron.
Entidades
de defesa dos direitos da criança e associações de pais aplaudiram a votação.
Diversas famílias na França processaram a rede social TikTok por suicídios de
adolescentes que, segundo alegaram, estão associados à exposição a conteúdos
prejudiciais.
A
legislação é uma das últimas grandes medidas adotadas pelo governo de Macron
antes do fim do seu mandato, em 2027. Ele quer que a lei entre em vigor no
início do novo ano letivo, em setembro. No entanto, uma revisão para determinar
se o projeto de lei está em conformidade com a Constituição francesa poderá
atrasar a implementação.
"A
França está liderando o caminho na Europa na proteção de nossas crianças e
adolescentes", disse Macron, celebrando a aprovação da lei no Parlamento.
"Continuaremos assim."
A
proibição não abrangerá enciclopédias online, assim como plataformas
educacionais ou científicas.
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Com aplicar a nova lei?
Parlamentares
do partido de esquerda França Insubmissa se opuseram ao projeto de lei,
questionando sua constitucionalidade, argumentando que ele acabaria
efetivamente com o anonimato online e que seria impossível de aplicar.
Ines
Legendre, assessora jurídica do grupo de proteção online e-Enfance, afirmou que
a lei não se traduzirá imediatamente em uma proibição total.
"Também
teremos que abordar a questão das contas existentes de menores de 15 anos. Como
identificá-las? Como suspendê-las? Há também a questão da verificação de idade
para todas as novas contas que entrará em vigor”, observou.
De
acordo com a agência de saúde francesa, um em cada dois adolescentes passa
entre duas e cinco horas por dia em um smartphone. Em um relatório publicado em
dezembro, a agência afirmou que cerca de 90% das crianças entre 12 e 17 anos
usam smartphones diariamente para acessar a internet, sendo que 58% delas usam
seus dispositivos para redes sociais.
O
relatório destacou uma série de efeitos nocivos decorrentes do uso de redes
sociais, incluindo redução da autoestima e maior exposição a conteúdo associado
a comportamentos de risco, como automutilação, uso de drogas e suicídio.
Os
legisladores franceses realizaram as negociações finais nesta segunda-feira,
depois que a Comissão Europeia constatou que a versão mais recente do projeto
de lei se sobrepunha à Lei de Serviços Digitais da UE, que estabelece regras
rígidas destinadas a manter os usuários da internet seguros online. Eles
chegaram a um acordo sobre uma nova versão da legislação, que foi então
submetida a ambas as câmaras para votação final.
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Restrições em outros países
O
aumento da conscientização sobre os perigos que as redes sociais representam
para os jovens em desenvolvimento se manifestou em uma onda de novas restrições
em todo o mundo.
Em
2024, a Austrália se tornou o primeiro país a proibir o acesso de crianças
menores de 16 anos às redes. A lei torna as plataformas — incluindo TikTok,
Facebook, Snapchat, Reddit, X e Instagram — passíveis de multas de até 50
milhões de dólares australianos (R$ 177 milhões) caso não impeçam que crianças
menores de 16 anos criem contas.
Na
Europa, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou em fevereiro
que o país quer limitar o acesso às redes sociais para crianças menores de 16
anos. A Dinamarca, a Noruega e a Grécia revelaram planos para proibir o acesso
de jovens, enquanto o Reino Unido também considera restringir o acesso de
adolescentes.
A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu no início do mês
que sejam impostos limites ao uso de redes sociais para crianças. Um painel
especial da UE sobre o assunto recomendou a proibição do acesso para menores de
13 anos até que as empresas de tecnologia possam comprovar que suas plataformas
são seguras.
Von der
Leyen afirmou que crianças menores de 3 anos não devem ter nenhuma exposição a
telas. Ela destacou a rolagem infinita como uma das características
"viciantes" que as empresas de tecnologia devem abordar. A Comissão
Europeia deve apresentar em breve uma proposta para apreciação dos 27
Estados-membros.
Fonte:
DW Brasil

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