terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Puberdade precoce: atenção aos sinais é essencial para a saúde física e emocional

A puberdade é um período de transição natural, marcado por mudanças hormonais e físicas que preparam o corpo para a reprodução. Em meninas, inicia-se entre 8 e 13 anos, sendo normalmente o primeiro sinal o desenvolvimento das mamas (telarca), seguido por aceleração do crescimento, aparecimento de pelos pubianos e, finalmente, a primeira menstruação (menarca). No entanto, quando esses sinais aparecem antes dos 8 anos, pode ser puberdade precoce, condição que requer atenção médica para evitar complicações físicas, emocionais e sociais.

Embora, em alguns casos, essas alterações antecipadas possam ser uma variação da normalidade, cada situação deve ser avaliada criteriosamente por um médico. A definição da faixa etária de 8 anos para meninas e 9 anos para meninos tem base em estudos científicos que estabeleceram os padrões de desenvolvimento infantil e são amplamente reconhecidos por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

A puberdade antecipada pode levar à maturidade óssea precoce e ao fechamento prematuro das epífises, resultando em baixa estatura na vida adulta. Além disso, há impactos emocionais significativos, já que as crianças podem não entender as transformações em seus corpos, o que pode causar transtornos psicológicos e dificuldade de socialização. Nota-se também nessas meninas maior vulnerabilidade a doenças como obesidade, hipertensão e diabetes tipo 2 e certos tipos de câncer associados à exposição ao hormônio estrogênio.

·        Diagnóstico

De acordo com a radiologista Luciana Matteoni, o diagnóstico precoce é essencial para prevenir essas complicações. Embora o diagnóstico seja essencialmente clínico, baseado em história médica e exame físico detalhados, exames complementares são muito importantes e tem sido cada vez mais solicitados.  “O raio-X de mãos e punhos é utilizado para estimar a idade óssea, um parâmetro essencial na avaliação de distúrbios puberais. Já ultrassonografia pélvica é um método de imagem seguro e não invasivo que  fornece dados detalhados sobre a morfologia e tamanho do útero, bem como dos ovários, analisando a presença e dimensões dos folículos e de eventuais cistos”, detalha. 

Ainda segundo a especialista, mais recentemente, tem sido realizado em conjunto com o ultrassom da pelve o Doppler das artérias uterinas, ferramenta promissora que fornece dados relevantes sobre a ausência ou presença de estímulo hormonal estrogênico. “Em determinadas situações, a ressonância magnética do crânio é indicada para investigar lesões no sistema nervoso central que podem desencadear a reativação precoce do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal", completa a responsável técnica da Clínica Matteoni.

Para a publicitária Malena Eguia, o diagnóstico de puberdade precoce da filha Morgana, hoje com 9 anos, foi um desafio complexo. "Minha filha nasceu prematura, mas se desenvolveu rapidamente, alcançando as crianças da mesma idade e, depois, as ultrapassando. Isso nos deixou preocupados, pois eu mesma tive a menarca aos 9 anos, e naquela época pouco se sabia sobre puberdade precoce. O acompanhamento médico se tornou uma prioridade", relata Malena.

A família buscou ajuda especializada, iniciando um extenso monitoramento. "Foram quase dois anos de acompanhamento, incluindo exames detalhados, antes de decidirmos pelo bloqueio hormonal. Optamos por um medicamento injetável de liberação lenta, que reduz a necessidade de aplicações frequentes e garante o bem-estar da nossa filha", explica Malena. Hoje, Morgana está bem e compreende melhor sua condição. "Ela passou a aceitar seu corpo, e o que antes a incomodava, como ser muito alta, agora é algo com que ela lida tranquilamente. Temos a tranquilidade de saber que nossa filha terá o tempo certo para viver sua infância e entrar na puberdade no momento adequado", finaliza. 

·        Tratamento

O tratamento da puberdade precoce vai além do controle hormonal. "Nosso papel como radiologistas é fornecer dados de imagem detalhados e confiáveis para que os médicos possam tomar decisões assertivas e seguras", ressalta Luciana Matteoni. A integração entre pediatras, endocrinologistas pediátricos, radiologistas e, em alguns casos, psicólogos, é indispensável para o diagnóstico e o acompanhamento adequados.

Caso algum sinal de puberdade apareça antes dos 8 anos em meninas ou 9 anos em meninos, é fundamental procurar um pediatra ou endocrinologista pediátrico. A avaliação precoce pode prevenir complicações e assegurar que as crianças tenham uma infância saudável, com o suporte necessário para lidar com as mudanças de forma segura e tranquila.

 

¨      AVC em crianças pode aumentar risco de ansiedade e depressão, diz estudo

Sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) na infância, especialmente entre oito e nove anos, pode aumentar o risco de desenvolver ansiedade, depressão e sintomas como dor de cabeça e de estômago. A descoberta é de estudo preliminar que será apresentado na Conferência Internacional de AVC 2025, da American Stroke Association. O evento acontecerá em Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, entre 5 e 7 de fevereiro.

No estudo, pesquisadores apontam que a relação entre ansiedade e depressão em crianças que sofreram AVC isquêmico — o tipo mais comum — ainda não é bem compreendida.

 “Nossa análise descobriu que os desafios de saúde mental estão presentes em uma taxa maior nesses jovens sobreviventes de derrame em comparação à população em geral”, diz Nomazulu Dlamini, diretor do Children’s Stroke Program, neurologista da equipe do Hospital for Sick Children em Toronto, Canadá, e coautor do estudo, em comunicado à imprensa.

“Para crianças, sabemos que os sintomas psicológicos são frequentemente subreconhecidos. Queríamos entender quais crianças correm mais risco de desenvolver problemas de saúde mental e identificar as pistas que nos permitiriam oferecer intervenções que apoiassem uma melhor saúde mental e melhorassem sua qualidade de vida”, completa.

Para isso, pesquisadores do The Hospital for Sick Children, em Toronto, conduziram uma análise retrospectiva de 161 crianças em idade escolar que sofreram um AVC isquêmico entre 2002 e 2020. Elas foram inscritas no registro de derrame do hospital e acompanhadas até a idade adulta.

Entre as idades de cinco a 17 anos, as crianças completaram um questionário que rastreia depressão, ansiedade e dores estomacais crônicas e outras dores leves. A partir das respostas, foram feitas pontuações para depressão, ansiedade e somatização [processo em que o corpo manifesta sintomas físicos devido a conflitos emocionais ou psíquicos] e comparadas com crianças na população em geral.

O estudo observou que 13% dos sobreviventes de AVC na infância sofriam com depressão13,7% com ansiedade, e 17,4% com somatização. Em média, os derrames aconteceram entre 8 e 9 anos, representando a faixa etária de maior vulnerabilidade para AVC infantil.

Além disso, as pontuações médias para humor, ansiedade e somatização foram maiores em sobreviventes de derrame do que na população pediátrica em geral. As crianças que apresentaram sinais de somatização tinham mais de dois anos no momento do início do AVC.

Para os pesquisadores, crianças que sofreram um derrame podem enfrentar complicações de saúde mental tão desafiadoras quanto os efeitos físicos do derrame.

“Essas crianças recebem alta após se recuperarem do derrame, mas os pais relatam deficiências significativas na saúde mental. Este estudo destaca o risco de dificuldades de saúde mental ao longo do tempo. Há essa ansiedade latente depois que as crianças recebem alta”, afirma Jennifer Crosbie, psicóloga do The Hospital for Sick Children.

“Nosso objetivo é conscientizar os pais de que esse é um fator de risco para que eles possam defender seus filhos, porque quanto mais cedo a intervenção, melhor o resultado. Se soubermos que certas populações estão em maior risco, os profissionais de saúde podem estabelecer um check-in padrão durante o acompanhamento, garantindo que nenhuma criança com essas condições seja deixada para lutar sozinha”, completa.

Para Heather J. Fullerton, copresidente da Declaração Científica de 2019 da American Heart Association sobre Gestão de AVC em Neonatos e Crianças e professora de Neurologia e Pediatria, a relação entre transtornos de saúde mental e AVC na infância não é uma surpresa.

“O que foi novo e surpreendente foi a alta prevalência de somatização (ansiedade que se manifesta em dores de estômago e dores leves) em crianças pequenas. Acho que esse problema é pouco reconhecido”, comenta Fullerton, que não esteve envolvida no estudo.

“As implicações são que os profissionais de saúde devem rastrear proativamente os transtornos de saúde mental em todos os sobreviventes de derrame na infância com mais de 2 anos. Eles também devem estar cientes das manifestações mais sutis de ansiedade em crianças pequenas e incluir isso em seu aconselhamento”, completa.

Apesar das descobertas, o novo estudo traz limitações, como ter sido feito em um único local e contar com pontuações sobre saúde mental baseadas apenas em questionários, e não em avaliações clínicas. Por isso, mais trabalhos são necessários para fortalecer os achados.

 

Fonte: Carla Santana – assessora de imprensa/CNN Brasil

 

Nenhum comentário: