Em reunião do BRICS, Lula diz que “negociar com base na
lei do mais forte é um atalho perigoso para a guerra”
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu, nesta quarta-feira (26), a primeira
reunião de Sherpas da presidência brasileira do BRICS com um discurso enfático
em defesa do multilateralismo e da busca por soluções construtivas e
equilibradas para os conflitos globais. Sem citar diretamente os Estados
Unidos, Lula criticou práticas unilaterais e destacou que "negociar com
base na lei do mais forte é um atalho perigoso para a instabilidade e para a
guerra".
"Neste
momento de crise, nossa responsabilidade é buscar soluções construtivas e
equilibradas", afirmou Lula, ressaltando o papel central do BRICS na
promoção de um mundo multipolar e menos assimétrico. O presidente lembrou que o
bloco tem sido fundamental para avanços importantes e continuará sendo
peça-chave para o cumprimento de agendas globais, como a Agenda 2030, o Acordo
de Paris e o Pacto Para o Futuro.
Lula
citou como exemplos positivos as iniciativas do Brasil e da China na criação do
grupo de amigos da paz para o conflito na Ucrânia. Sobre a crise em Gaza, o
presidente destacou que a solução só será alcançada com o envolvimento dos
países da região, reforçando a necessidade de diálogo e cooperação
internacional. "A crise em Gaza desperta intensa preocupação e só será
resolvida com envolvimento dos países da região", disse.
O
presidente também defendeu a reforma da arquitetura multilateral de paz e
segurança, classificando-a como "inadiável". Ele criticou o
unilateralismo, que, segundo ele, "solapa a ordem internacional", e
afirmou que apostar na imprevisibilidade afasta os compromissos coletivos
necessários para a humanidade. "Frente à polarização e à ameaça de
fragmentação, a defesa consistente do multilateralismo é o único caminho que
devemos trilhar", declarou o presidente.
Lula
lembrou que, há seis meses, o Brasil lançou um chamado à ação sobre a reforma
da governança global no âmbito do G20. Segundo ele, as mudanças vertiginosas no
cenário internacional tornam essa convocação ainda mais urgente. O presidente
também reforçou a necessidade de reformar as Nações Unidas, incluindo o
Conselho de Segurança, para garantir maior representação dos países emergentes.
"As
últimas cúpulas dos BRICS foram unânimes em reconhecer a urgência da reforma
das Nações Unidas, inclusive do Conselho de Segurança. Adequar a representação
dos países emergentes é essencial para uma governança mais eficaz e
legítima", afirmou.
A
presidência brasileira do BRICS, segundo Lula, terá como prioridade reforçar a
vocação do bloco como espaço de diversidade e diálogo, promovendo relações
internacionais mais equilibradas e menos assimétricas. O discurso do presidente
reflete a posição do Brasil como mediador em conflitos globais e defensor de
uma ordem internacional baseada no multilateralismo e na cooperação.
Os
sherpas são enviados dos chefes de estado/governo dos integrantes do BRICS, com
responsabilidade de conduzir discussões rumo à Cúpula de Líderes, agendada para
os dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.
Na sessão
especial com o presidente Lula, além dos representantes de países-membros do
BRICS (Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados
Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã), também participaram embaixadores de
países parceiros (Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria,
Tailândia, Uganda e Uzbequistão).
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Em meio à discussão sobre desdolarização e pressões de
Trump, Lula fala em “aumentar as opções de pagamento”
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta quarta-feira
(26), a reforma do sistema monetário internacional. Em discurso durante a
primeira reunião de Sherpas da presidência brasileira no BRICS, Lula destacou o
papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos BRICS, no aprimoramento
desse sistema.
“Contribuir
para o aprimoramento do sistema monetário financeiro e internacional está na
origem dos BRICS. Na Cúpula de Fortaleza, em 2014, decidimos criar um banco,
desenhado para ser bem-sucedido, enquanto as instituições de Bretton Woods
continuam falhando”, disse.
Baseado
no princípio da igualdade de voto e do financiamento alinhado às prioridades
nacionais, o Novo Banco de Desenvolvimento completa dez anos de sucesso, com
mais de US$33 bilhões investidos em projetos de desenvolvimento sustentável no
Sul Global. O contingente de reserva visa ganhar segurança financeira para
nossas economias”, completou.
Na
sequência, o presidente citou “a atual escalada protecionista”, resultado das
políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo
Lula, é preciso “aumentar as opções de pagamento” para reduzir a
vulnerabilidade. “A atual escalada protecionista na área do comércio e
investimento reforça a importância de medidas que busquem superar os entraves
da nossa integração econômica. Aumentar as opções de pagamento significa
reduzir vulnerabilidades e custos. A presidência brasileira está comprometida
com o desenvolvimento de plataformas de pagamentos completamente voluntárias,
acessíveis, transparentes e seguras”, afirmou.
Por
fim, Lula defendeu o aprofundamento da parceria entre os países dos BRICS
diante da “nova revolução industrial”. “Diante da rapidez com que a indústria
vem se transformando, estão entre nossas prioridades aprofundar a parceria para
a nova revolução industrial e promover a necessária atualização da Estratégia
para Parceria Econômica dos BRICS para 2030. Precisamos de soluções que
diversifiquem e agreguem valor à produção de países em desenvolvimento”,
concluiu.
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'Sabotar a OMS é um erro com sérias consequências',
alerta Lula em reunião dos BRICS
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a atuação da Organização
Mundial da Saúde (OMS) em uma reunião do BRICS, realizada nesta quarta-feira
(26), em Brasília. "Sabotar os trabalhos da OMS é um erro com sérias
consequências. Fortalecer a arquitetura global de saúde, com a OMS em seu
centro, é fundamental para garantir justo e equitativo acesso a medicamentos e
vacinas necessárias ao desenvolvimento sustentável", disse Lula no
primeiro encontro do ano dos "sherpas" – nome dado aos negociadores
de cada governo do grupo de países que integram o bloco do BRICS.
A
declaração faz uma referência indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, que logo nos primeiros dias de seu segundo mandato à frente da Casa
Branca anunciou a saída de vários órgãos multilaterais, incluindo a OMS.
Ainda
segundo Lula, "a cooperação em saúde é uma das maiores urgências do Sul
Global. A pobreza, a falta de acesso a serviços básicos e a exclusão social são
terreno fértil para doenças como tuberculose, malária e dengue, e outras que,
juntas, ameaçam cerca de 1,7 bilhão de pessoas no mundo". "Durante
nossa presidência, pretendemos lançar uma parceria para a eliminação de doenças
socialmente determinadas e doenças tropicais negligenciadas. A ausência de
consenso em torno do Tratado sobre Pandemia, mesmo após a Covid-19 e Mpox,
atesta a falta de coesão da comunidade internacional diante de graves
ameaças", ressaltou mais à frente.
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O Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento. Por
José Guimarães
Colocar o pobre no orçamento, como diz o Presidente
Lula, e investir na infraestrutura é uma âncora para o desenvolvimento
sustentável com responsabilidade social e fiscal. Com essa âncora, o Presidente
Lula cuida das pessoas, garante direitos, melhora as condições de vida da
população e alavanca o crescimento da economia.
No governo Lula, a prioridade não é corte. É
investimento na infraestrutura, na nova indústria, na construção civil, na
agricultura de exportação e familiar, na micro e pequena empresa, na educação
pública de qualidade, na saúde pública e nos programas sociais, para gerar
empregos, renda, reduzir a desigualdade e erradicar a pobreza.
Na reconstrução do país, a partir de 2023, o
desemprego despencou para 6,2%, a menor taxa da série histórica - abaixo do
índice da Zona do Euro (6,3%). Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV),
em 2024, o mercado de trabalho formal registrou alta de 16,5% das vagas com
carteira assinada. A indústria foi responsável por 76% desse crescimento. O
valor do salário aumentou. O rendimento do trabalho mensal médio chegou a R$
3.314 reais. A massa salarial real bateu em R$ 327,7 bilhões. Crescimento de
12,6% nos últimos dois anos. Em janeiro deste ano, o Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, registrou a
criação de mais de 100 mil novas vagas. Com isso, crescem o poder de compra, o
mercado interno e a economia.
O Presidente Lula assumiu o governo, em 2023, com
um déficit no orçamento de R$ 255,2 bilhões, deixado pelo governo anterior.
Apesar das dificuldades orçamentárias, conseguimos organizar as contas
públicas, aprovar a PEC da Transição, o Novo Regime Fiscal Sustentável, a
Reforma Tributária e muitas outras matérias de interesse do governo com articulação
e diálogo democrático.
Em 2024, o Brasil começou a colher o que foi
plantado nos últimos dois anos. A média de crescimento do PIB nos anos
2023-2024, foi de 3,35%. Os investimentos na infraestrutura são os maiores em
14 anos. Chegou a R$ 259,3 bilhões, crescimento de 38%, de 2022 a 2024.
O PAC 1, lançado em janeiro de 2007, ganhou força
em 2012, no governo Dilma. Na época, o governo conseguiu mobilizar um volume
extraordinário de investimentos públicos e privados, que chegou a R$ 1,5
trilhão, para construção de plataformas de petróleo, ferrovias, rodovias,
hidrelétricas, projetos de mobilidade urbana e muitas outras obras de
infraestrutura. No PAC 2, os investimentos públicos e privados, mobilizados,
chegaram a R$ 1,7 trilhão, até 2026.
Alguns fatores são fundamentais para o êxito do
nosso projeto de governo. Por exemplo, poucos países do mundo dispõem de uma
rede de bancos públicos com tamanha capilaridade como a do Brasil: Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil (BB),
Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Nordeste (BNB). Bancos que conseguiram
escapar da sanha privatista. Tentaram vendê-los, mas não conseguiram. A opinião
pública disse “Não”!
Sem essa rede bancária, os investimentos nos
programas sociais, as transferências de recursos para Estados e Municípios, não
chegariam na ponta, nas regiões mais remotas. Os beneficiários do
Bolsa-Família, do Pé-de-Meia, e de outros programas não conseguiriam receber
seus pagamentos não fosse essa rede bancária estatal. Assim como os
investimentos no setor produtivo, como Pronaf, da agricultura familiar,
Pronampe, das micro e pequenas empresas, enfim.
Em 2023-2024, os contratos de empréstimos, com os
bancos públicos, para Estados e Municípios dobraram em relação a 2019-2022. Em
2023, bateu R$ 60,3 bilhões. Em 2024, R$ 35,5 bilhões. Ou seja, a função dos
bancos públicos, de indutores do desenvolvimento, foi resgatada. Os
investimentos fluem.
O BNDES liberou R$ 276,5 bilhões em créditos, em
2024, segundo balanço do banco. Um recorde em financiamentos. Em 2024, o
segmento das micro e pequenas empresas registrou um volume recorde de créditos:
R$ 156,3 bilhões liberados. O aumento foi de 119,8%, em relação a 2022. Tudo isso com a menor taxa de inadimplência da história
(0,001%). O Ceará foi contemplado com R$ 2.495.611.982 bilhões, para
financiamentos de exportações; inovação
tecnológica; para a indústria; para adaptação às mudanças climáticas; e para a produtividade, operações para aquisição de máquinas e equipamentos.
Os programas sociais são outras fontes poderosas de
investimento, como geradores de empregos e renda, dinamizadores da economia, e
provedores de direitos inscritos na Constituição.
Um desses direitos, o direito à habitação, é
garantido pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que deu um salto na quantidade
de moradias contratadas: o Novo PAC, totalizou 1.095.750. Em 2023, foram
contratadas 491.209 moradias. Em 2024, chegou a 604.541. É assim que o
Presidente Lula cuida das pessoas, garantindo direitos, melhorando as condições
de vida e alavancando o crescimento.
De um total de R$ 1,3 trilhão do NOVO PAC, foram
executados R$ 711 bilhões, 53% do previsto para 2023-2024. São 22,9 mil
empreendimentos. Desse total, 2 milhões de unidades habitacionais do programa
Minha Casa, Minha Vida.
Ou seja, o projeto de país do Partido dos
Trabalhadores é por demais conhecido e debatido na sociedade brasileira, assim
como os resultados dos seus governos. Os indicadores econômicos e sociais
e de desenvolvimento do país são as provas cabais de que nosso projeto é de
construção de uma nação democrática, com menos desigualdade, justa e livre.
Neste ano, o Partido dos Trabalhadores faz 45 anos.
Sua história também é conhecida. Filho das lutas populares, do campo e da
cidade, pelo restabelecimento do Estado democrático de direito no Brasil,
depois de uma ditadura criminosa, que censurou, perseguiu, prendeu, torturou,
matou, e entregou o Brasil em situação de penúria econômica, com recordes de
desemprego, inflação galopante e com a desigualdade esgarçando o tecido
social.
Nossas lutas, junto com outras forças
progressistas, viraram essa triste página da nossa história, nos deu a
“Constituição Cidadã” com novos direitos, novas instituições republicanas, e
cinco mandatos presidenciais, além de governos estaduais e prefeituras, para
fazer valer os direitos de cidadãs e cidadãos brasileiros.
O PT foi construído para transformar a sociedade
brasileira e estamos conseguindo, junto com outras forças políticas
progressistas. Lutamos pela consolidação da democracia, pela reconstrução do
Brasil, e na implementação do projeto nacional de desenvolvimento sustentável
com justiça social e ambiental. Comemoramos 45 anos de lutas, conquistas, e
resultados extraordinários do nosso projeto de país. O Brasil foi recolocado
nos trilhos do desenvolvimento, resgatada a soberania e reposicionado na
geopolítica internacional sob a liderança do Presidente Lula.
Fonte:
Brasil 247
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