quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

1 em cada 20 mulheres terá câncer de mama ao longo da vida, diz estudo

Uma em cada 20 mulheres no mundo será diagnosticada com câncer de mama ao longo da vida, e uma em cada 70 morrerá da doença. A projeção é de estudo publicado na segunda-feira (24) na prestigiada revista científica Nature Medicine. Se as taxas anuais continuarem, até 2050 haverá 3,2 milhões de novos casos de câncer de mama e 1,1 milhão de mortes relacionadas à doença por ano, com um crescimento desproporcional em países com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

As estimativas foram baseadas no Observatório Global do Câncer da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC), incluindo dados da publicação Cancer Incidence in Five Continents e do Banco de Dados de Mortalidade da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A cada minuto, quatro mulheres são diagnosticadas com câncer de mama no mundo e uma mulher morre da doença, e essas estatísticas estão piorando”, afirma a cientista da IARC, Joanne Kim, uma das autoras do relatório, em comunicado. “Todos os envolvidos, especialmente os governos, podem mitigar ou reverter essas tendências adotando políticas de prevenção primária, como as ‘melhores opções’ recomendadas pela OMS para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, além de investir na detecção precoce e no tratamento, apoiados pela Iniciativa Global de Câncer de Mama da OMS, para salvar milhões de vidas nas próximas décadas.”

De acordo com o levantamento, no mundo todo, a maioria dos casos e mortes por câncer de mama ocorre em pessoas com 50 anos ou mais, representando 71% dos novos casos e 79% das mortes. No entanto, na África, quase metade (47%) dos casos são diagnosticados em pessoas com menos de 50 anos — uma proporção significativamente maior do que na América do Norte (18%), Europa (19%) e Oceania (22%).

Embora a proporção de mortes por câncer de mama em pessoas com menos de 50 anos seja menor do que a de incidência, ela varia amplamente: de 8% na Europa a 41% na África.

·        Países com alto IDH possuem maiores taxas de câncer de mama

De acordo com o estudo, a carga do câncer de mama não é distribuída de maneira uniforme entre as diferentes regiões do mundo. Por exemplo, as taxas de incidências de câncer de mama foram mais altas na Austrália e na Nova Zelândia (com 100 novos casos por 100 mil mulheres), seguidas pela América do Norte e pelo Norte da Europa.

Já as taxas mais baixas foram registradas no Sul da Ásia (com 27 novos diagnósticos por 100 mil mulheres), na África Central e no Leste da África. Esse padrão está relacionado a fatores como maior consumo de álcool e níveis mais baixos de atividade física nos países com alto IDH.

Por outro lado, as taxas de mortalidade por câncer de mama foram mais altas na Melanésia (com 27 mortes por 100 mil habitantes), Polinésia e África Ocidental, e mais baixas no Leste Asiático (com sete mortes por 100 mil mulheres), América Central e América do Norte.

O relatório mostrou que, em países com IDH muito alto, para cada 100 mulheres diagnosticadas com câncer de mama, 17 morrem da doença. Em países com baixo IDH, mais da metade (56) morre. Segundo o estudo, essa disparidade se deve, provavelmente, às desigualdades no acesso à detecção precoce, ao diagnóstico oportuno e ao tratamento.

Além disso, o estudo mostrou que há grandes variações entre o risco vitalício de diagnóstico e morte por câncer de mama entre países e continentes. O risco vitalício de ser diagnosticado com câncer de mama foi mais alto na França (1 em 9) e na América do Norte (1 em 10). Já o risco vitalício de morrer da doença foi maior em Fiji (1 em 24) e na África (1 em 47), enquanto na França foi de 1 em 59 e na América do Norte, de 1 em 77.

·        Tendências nas taxas de incidência e mortalidade

Os pesquisadores descobriram que, no período mais recente de 10 anos (2008–2017), as taxas de incidência do câncer de mama aumentaram entre 1% e 5% ao ano em 27 dos 50 países analisados, especialmente nos de IDH muito alto.

Por outro lado, as taxas de mortalidade diminuíram em 29 dos 46 países com IDH muito alto, segundo o Banco de Dados de Mortalidade da OMS. Apenas sete desses países (como Bélgica e Dinamarca) alcançaram a meta da Iniciativa Global de Câncer de Mama da OMS de reduzir a mortalidade por câncer de mama em 2,5% ao ano.

No entanto, a mortalidade ainda aumentou em sete países, quatro dos quais apresentavam alguns dos menores IDH do estudo, evidenciando a desigualdade nos avanços na redução das mortes por câncer de mama.

“Este relatório destaca a necessidade urgente de dados oncológicos de alta qualidade e registros precisos sobre o número de novos diagnósticos e desfechos em países com IDH baixo e médio”, afirma Isabelle Soerjomataram, vice-chefe da Divisão de Vigilância do Câncer da IARC. “O progresso contínuo no diagnóstico precoce e no acesso ao tratamento é essencial para reduzir a lacuna global no câncer de mama e garantir que o objetivo de reduzir o sofrimento e a mortalidade da doença seja alcançado por todos os países.”

¨      Exercício físico pode ajudar pacientes com câncer de cólon a viverem mais

Existe algo que você pode fazer que pode ajudá-lo a viver mais tempo após um diagnóstico de câncer de cólon, e você pode começar por conta própria, em casa ou em uma academia. O exercício está associado a uma vida mais longa para pacientes com câncer de cólon, de acordo com um novo estudo publicado na segunda-feira (24) na revista Cancer, da Sociedade Americana do Câncer.

“Embora muitos pacientes com câncer agora vivam mais tempo após o câncer do que há décadas, as taxas de sobrevivência após um diagnóstico de câncer ainda permanecem mais curtas do que na população em geral”, afirma o autor principal do estudo, Justin Brown, professor associado e diretor do Programa de Metabolismo do Câncer do Centro de Pesquisa Biomédica Pennington da Universidade Estadual da Louisiana em Baton Rouge.

 “Este estudo sugere que, após um diagnóstico de câncer de cólon, praticar atividade física pode ajudar os pacientes a viverem mais tempo e, para alguns pacientes, ajudá-los a viver tanto quanto, ou até mais, do que aqueles da população em geral sem câncer”, acrescenta.

Embora os pesquisadores já soubessem que o exercício regular pode melhorar as taxas de sobrevivência, pouco se sabia sobre se isso poderia ajudar os pacientes a retornar às taxas de sobrevivência daqueles que nunca tiveram câncer, segundo Keith Diaz, professor associado de medicina comportamental no Centro Médico da Universidade Columbia em Nova York. Ele não esteve envolvido na pesquisa.

As descobertas podem ser bem-vindas tanto para pessoas em tratamento quanto em remissão, segundo Brown. Entre os adultos jovens, de 20 a 49 anos, estima-se que o câncer colorretal se torne a principal causa de mortes relacionadas ao câncer nos Estados Unidos até 2030.

 “Os pacientes frequentemente estão ansiosos para entender como as escolhas que fazem fora das paredes do centro de câncer podem impactar como se sentem, funcionam e sobrevivem”, acrescenta.

<><> O exercício pode reduzir a capacidade das células cancerígenas de se espalharem

Para conduzir o estudo, os pesquisadores entrevistaram quase 3.000 pacientes com câncer de cólon sobre seus níveis de atividade física durante e após a quimioterapia, segundo Brown.

Os pesquisadores então acompanharam os pacientes por cerca de seis anos e analisaram quanto tempo cada pessoa sobreviveu em comparação com sua expectativa de vida prevista com base em idade, sexo e ano do diagnóstico, acrescenta.

Não apenas aqueles que se exercitam regularmente viveram mais tempo, mas também viram um risco reduzido de o câncer retornar, segundo Diaz.

O estudo foi observacional, o que significa que os pesquisadores não podem afirmar com certeza que o exercício causou as melhores taxas de sobrevivência, mas faz sentido que a atividade física ajudaria, de acordo com Diaz.

“Os benefícios do exercício após um diagnóstico de câncer de cólon são multifacetados. O exercício melhora a saúde cardíaca, a saúde mental e a saúde intestinal, todos os quais desempenham papéis importantes na sobrevivência a longo prazo”, acrescenta por e-mail.

Os pesquisadores ainda estão aprendendo muito sobre os mecanismos exatos, mas a atividade física parece ter um impacto positivo tanto no ambiente em que as células cancerosas podem tentar crescer quanto nas próprias células, segundo Diaz.

O exercício pode reduzir a inflamação e os níveis de insulina que permitem que as células cancerosas cresçam e se espalhem, acrescenta o especialista. A atividade física também melhora o sistema imunológico, facilitando a detecção e eliminação das células cancerosas pelo corpo.

<><> Pequenas mudanças no estilo de vida fazem uma grande diferença

Um diagnóstico de câncer pode parecer desorientador, mas este estudo pode dar aos pacientes e seus entes queridos algum conforto em saber que existem coisas sob seu controle, segundo Brown.

“Neste estudo, mostramos que pequenas quantidades de atividade física diária podem contribuir para uma melhor sobrevivência”, diz o especialista. “Pequenas mudanças nos comportamentos, quando integradas ao longo da vida, fazem uma grande diferença para a saúde”.

Os dados mostraram que cinco a seis horas de atividades semanais, como caminhada rápida, foram úteis, mas quanto mais exercício, melhor, de acordo com Brown. Mas aqueles que não são ativos se beneficiariam mesmo com apenas um pouco.

Ainda restam questões sobre quanto de atividade física, que tipo e qual intensidade é útil para a sobrevivência após o câncer, acrescenta Diaz.

Um estudo de julho de 2023 mostrou que apenas um ou dois minutos de exercício vigoroso — como caminhada rápida, trabalho doméstico intenso ou brincar com crianças — poderia reduzir o risco de câncer. Outro estudo publicado em março de 2023 sugeriu que 11 minutos de atividade moderada a vigorosa (que pode incluir dança, corrida, ciclismo e natação) todos os dias poderia reduzir o risco de doenças, incluindo câncer.

É poderoso ver a diferença que mudanças no estilo de vida podem fazer, segundo Diaz. “Essa é uma notícia incrivelmente encorajadora para sobreviventes de câncer de cólon – isso ressalta que um diagnóstico de câncer não é o fim, e pode haver muitos anos saudáveis pela frente”, afirma.

¨      Exercício regular pode reduzir evolução do câncer e risco de morte, diz estudo

Manter uma rotina de atividade física é importante para diferentes aspectos da saúde, como manutenção do peso, redução dos riscos de doenças cardiovasculares e melhora do bem-estar mental. Agora, um novo estudo mostrou que fazer exercícios regularmente pode reduzir a progressão de câncer e o risco de morte.

trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade de Witwatersrand, em Johannesburg, na África do Sul, foi publicado no último dia 8 no British Journal of Sports Medicine. Nele, os cientistas buscaram explorar com maior profundidade o papel da atividade física no tratamento do câncer.

Para isso, a equipe analisou dados anônimos do Discovery Health Medical Scheme (DHMS), vinculado ao programa de promoção de saúde Vitality. Esse é o maior plano médico aberto da África do Sul, cobrindo, aproximadamente, 2,8 milhões de beneficiários.

No total, 28.248 membros do programa Vitality com câncer em estágio 1 e dados abrangentes de atividade física do ano anterior ao diagnóstico foram incluídos no estudo, que abrangeu o período de 2007 a 2022. O câncer de mama e o de próstata foram os tumores mais comuns, representando 44% do total do estudo.

Nesses participantes, o câncer não progrediu em quase dois terços da amostra total (65,5%), mas em pouco mais de um terço (34,5%) progrediu. E enquanto 81% sobreviveram, 19% morreram antes do fim do estudo.

<><> Risco de morte foi 47% menor

De acordo com o estudo, as taxas de progressão do câncer e de morte por qualquer causa foram menores entre aqueles que eram fisicamente ativos no ano anterior ao diagnóstico. As descobertas foram feitas após levar em conta fatores que poderiam influenciar nos resultados, como idade no diagnóstico, sexo, posição econômica e social e condições coexistentes.

O trabalho mostrou que as chances de progressão do câncer foram 16% menores para aqueles que praticaram atividade física de intensidade baixa no ano anterior ao diagnóstico da doença, em comparação com quem não praticou nenhum exercício. Já para aqueles que fizeram níveis moderados a altos de atividade física, as chances foram 27% menores.

Da mesma forma, as chances de morte por qualquer causa foram 33% menores entre aqueles que praticaram níveis baixos de atividade física, em comparação com aqueles que não praticaram nenhuma. Já entre aqueles que realizaram exercícios moderados a intensos, os riscos foram 47% menores.

Dois anos após o diagnóstico, a probabilidade de não haver progressão da doença entre aqueles sem atividade física registrada no ano anterior ao diagnóstico foi de 74%, em comparação com 78% e 80%, respectivamente, para aqueles que atingiram níveis baixos e moderados a altos de atividade física.

Embora a probabilidade de progressão da doença tenha aumentado com o passar do tempo, ela ainda era menor para aqueles que tinham registrado algum nível de atividade física no ano anterior ao diagnóstico.

Após 3 anos, a probabilidade de nenhuma progressão da doença era de 71%, 75% e 78%, respectivamente, para nenhum, baixo e moderado a alto nível de atividade física. E após 5 anos, era de 66%, 70% e 73%, respectivamente.

O estudo encontrou padrões semelhantes para morte por qualquer causa. Dois anos após o diagnóstico, a chance de sobrevivência entre aqueles sem atividade física documentada no ano anterior à detecção do câncer foi de 91%, em comparação com 94% e 95%, respectivamente, entre aqueles que registraram níveis baixos e moderados a altos de exercício físico.

“Saber que apenas 60 minutos de exercícios semanais regulares podem reduzir a probabilidade de progressão do câncer em 27% e de morte em 47% deve encorajar todos os médicos a usar exercícios como remédio”, diz o autor principal do estudo, Jon Patricios, professor de Medicina Esportiva e de Exercícios na WiSH, Universidade Wits, em comunicado.

“A atividade física regular é a prescrição mais poderosa e acessível que podemos dar aos nossos pacientes. Este estudo confirma os benefícios de quantidades relativamente pequenas de atividade física, mas devemos encorajar a adesão às diretrizes da OMS de 300 minutos por semana de exercícios de intensidade moderada para todos os seus benefícios bem descritos”, completa.

No entanto, os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional, ou seja, não estabelece causa e efeito. Além disso, os autores reconhecem que não foram capazes de levar em consideração outros fatores potencialmente influentes, como tabagismo e consumo de álcool, enquanto dados sobre índice de massa corporal (IMC) estavam incompletos.

Por outro lado, eles reforçam que a atividade física fortalece a imunidade, aumentando o número de células que combatem doenças diversas. Além disso, a atividade física também pode reduzir o risco de progressão de tumores sensíveis a hormônios, como o câncer de mama e de próstata, ao regular os níveis de estrogênio e testosterona.

“A atividade física pode ser considerada como conferindo benefícios substanciais em termos de progressão e mortalidade geral para aqueles diagnosticados com câncer”, observam os pesquisadores.

“Em um mundo onde o câncer continua a ser um fardo significativo para a saúde pública, a promoção da atividade física pode gerar benefícios importantes em relação à progressão do câncer, bem como sua prevenção e gerenciamento”, concluem.

 

Fonte: CNN Brasil

 

Nenhum comentário: