quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

 

Mulher sente queimação nas pernas, pensa que é 'jet lag' e descobre parasita no cérebro

Após uma viagem de três semanas pela Tailândia, Japão e Havaí, uma mulher de 30 anos apresentou dor de cabeça e disestesia (condição neurológica caracterizada por sensações anormais e desagradáveis na pele). A paciente, antes considerada saudável, começou a sentir uma sensação de queimação nos pés, que progrediu para as pernas e piorou com o toque.

Inicialmente, a mulher atribuiu os sintomas ao jet lag, que é um distúrbio temporário do sono causado por viagens que atravessam vários fusos horários, resultando em desequilíbrio entre o relógio interno do corpo e o horário local. Sintomas comuns incluem fadiga, insônia, dificuldade de concentração e alterações de humor.

Contudo, os exames mostraram que ela estava com um parasita no cérebro. O relato de caso foi publicado na revista científica "New England Journal of Medicine". (Os relatos de caso são artigos que não são estudos ou pesquisas, mas sim contribuições para a literatura médica para auxiliar outros profissionais no manejo de casos semelhantes.)

Os primeiros exames laboratoriais trouxeram resultados normais, com uma eosinofilia leve. A paciente foi tratada com ibuprofeno, mas os sintomas persistiram e se agravaram, com dores no tronco, braços e cabeça. Ela, então, voltou ao pronto-socorro e foram prescritos remédios para dor de cabeça.

Ao apresentar confusão mental, o parceiro da paciente a levou, novamente, ao hospital para uma avaliação mais aprofundada. Os exames renais e de sangue continuaram sem indicar nenhuma doença, mas os médicos notaram uma alta taxa de eosinófilos, células do sistema imunológico responsáveis pela defesa do organismo contra infecções, alergias e parasitas.

A paciente viajou para regiões onde os parasitas são endêmicos. Segundo o estudo, ela consumiu alimentos crus, como sushi e salada. Os médicos fizeram uma punção lombar e a diagnosticaram com meningite eosinofílica.

A causa mais comum de meningite eosinofílica é a angiostrongilíase, que é causada pelo Angiostrongylus cantonensis.

A infecção pode ser adquirida por meio de várias fontes: ingestão de caracóis ou lesmas infectados crus ou mal-cozidos; ingestão de vegetais ou frutas contaminados por caracóis, lesmas ou platelmintos infectados ou por lodo de caracóis ou lesmas que contém larvas infecciosas; ou ingestão de hospedeiros paratênicos infectados (por exemplo, caranguejos terrestres, camarões de água doce ou sapos) que consumiram um caracol infectado.

A paciente ficou hospitalizada por seis dias, sendo assistida e recebendo tratamento com anti-inflamatórios e alguns remédios para diminuir a inflamação do sistema nervoso. Depois disso, ela recebeu alta.

¨      Doença desconhecida mata mais de 50 pessoas em parte do Congo em poucas horas

Uma doença desconhecida matou mais de 50 pessoas na República Democrática do Congo (RDC), segundo os médicos do país e as autoridades sanitárias mundiais.

O intervalo entre o início dos sintomas e a morte foi de 48 horas na maioria dos casos, e "isso é o que é realmente preocupante", disse Serge Ngalebato, diretor médico do Hospital Bikoro, um centro regional de monitoramento.

De acordo com o escritório da OMS na África, o primeiro surto na cidade de Boloko começou depois que três crianças comeram um morcego e morreram em 48 horas após apresentarem sintomas de febre hemorrágica.

Há muito tempo há preocupações sobre doenças que passam de animais para humanos em lugares onde animais selvagens são popularmente comidos. O número desse tipo de surto na África aumentou em mais de 60% na última década, segundo a OMS.

O último que ocorreu na República Democrática do Congo começou em 21 de janeiro e teve 419 casos de pessoas que contraíram registrados, incluindo 53 mortes.

Depois que o segundo surto da atual doença misteriosa começou na cidade de Bomate em 9 de fevereiro, amostras de 13 casos foram enviadas ao Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica na capital do Congo, Kinshasa, para testes.

Os exames deram negativo para doenças como Ebola ou outras comuns de febre hemorrágica, por exemplo. Algumas testaram positivo para malária.

Morcegos não são os únicos animais menos convencionais que podem parar nas mesas de famílias africanas: chimpanzés, ratos, cobras e até porco-espinhos são mortos para um consumo.

Estima-se que na Bacia do Congo, por exemplo, as pessoas comam cinco milhões de toneladas de carne de animais selvagem por ano. A alimentação com animais selvagens é cultural, reflexo da pouca disponibilidade de carne no mercado local. Não há rebanhos na região e a oferta de proteína é baixa, o que força a população a buscar alternativas.

 

Fonte: g1


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