O futuro em risco -
A derrota simbólica de 2026 e o perigo da esquerda dividida
No atual cenário
político brasileiro, enfrentamos desafios complexos, marcados pelo
fortalecimento de forças autoritárias e o uso de estratégias híbridas que vão
além das disputas eleitorais. Uma eventual derrota das forças progressistas não
se resume a um revés político, mas acarreta um impacto simbólico profundo,
capaz de abalar a identidade histórica da luta por justiça social e comprometer
a credibilidade das pautas construídas ao longo dos anos.
Essa realidade
ressalta a necessidade de uma união consciente entre os movimentos sociais para
garantir a continuidade dos avanços democráticos. Observa-se uma transformação
nas correlações de poder, evidenciada pela intensificação da polarização nas
estratégias de mobilização e comunicação.
De um lado, há um
governo de frente ampla com ethos progressista, empenhado em consolidar
conquistas sociais e ampliar a participação popular mesmo diante de um ambiente
adverso. Do outro, discursos autoritários se reforçam por meio de uma
estratégia que combina críticas às vitórias sociais com propostas que apelam
para valores tradicionais e a promessa de segurança imediata.
Essa dinâmica se
manifesta na simplificação de problemas complexos, explorando sentimentos de
insegurança e a urgência por respostas rápidas a desafios históricos. Tais
discursos encontram eco entre aqueles que se sentem ameaçados pelas rápidas
mudanças sociais, criando um clima de tensão e polarização tanto nas redes
sociais quanto nos debates públicos.
Assim, uma derrota
eleitoral das forças progressistas transcende a perda de votos: ela simboliza o
enfraquecimento de políticas inclusivas e a desarticulação dos movimentos que
lutam por direitos e transformações profundas.
O avanço
autoritário no país não é apenas uma ameaça interna, mas também um alerta para
a estabilidade global. Quando práticas que restringem liberdades se
solidificam, criam-se precedentes que podem limitar a participação cidadã e a
pluralidade de ideias, influenciando a agenda internacional e disseminando uma
cultura antidemocrática.
Além disso, o papel
das big techs na manipulação de informações e na influência sobre a opinião
pública contribui significativamente para a polarização e o enfraquecimento das
instituições democráticas.
Diante desse
panorama, a unidade das forças progressistas é essencial para a defesa da
democracia e o fortalecimento das pautas sociais. Superar disputas internas e
transformar diferenças em pontos de convergência permite a construção de uma
agenda firme e pragmática, alinhada às necessidades reais da população.
Reconectar-se com a
base popular e reafirmar a luta anticapitalista de forma concreta são
estratégias indispensáveis para resistir ao retrocesso autoritário e preservar
as conquistas históricas.
Em síntese, a
análise dos desafios atuais evidencia que a derrota eleitoral das forças
progressistas vai além de um simples resultado nas urnas, afetando
profundamente o simbolismo da luta antissistema. A união em torno de uma agenda
clara e objetiva, fundamentada em justiça, igualdade e inclusão, é o caminho
para assegurar a continuidade dos avanços sociais e combater o avanço
autoritário.
Somente com uma
mobilização coesa e consciente será possível garantir um futuro em que a
democracia se fortaleça e os direitos sociais sejam plenamente protegidos. Em
meio a desafios complexos e ao fortalecimento de forças autoritárias que
ameaçam as conquistas históricas, é imperativo que as forças progressistas se
unam de forma estratégica e consciente para proteger a identidade da luta por
justiça social.
Mesmo diante de
críticas legítimas ao governo Lula, compreender o nosso zeitgeist e adotar uma
visão leninista dos processos históricos é essencial para transformar
divergências internas em um movimento coeso, capaz de frear o avanço do
fascismo e consolidar pautas que promovam igualdade, democracia e mudanças
estruturais profundas.
¨ Estratégias para reverter queda de popularidade de
Lula. Por Antônio Queiroz
Este texto analisa
os fatores que contribuíram para o declínio da aprovação popular, as ações
adotadas pelo governo para enfrentar esses desafios e as perspectivas futuras
em contexto de polarização política.
O diagnóstico do
governo aponta 2 eixos principais como responsáveis pela queda na popularidade.
O primeiro é a
inflação de alimentos, que impacta diretamente o custo de vida da população,
especialmente dos segmentos mais pobres, além do impacto indireto da elevação
do valor do dólar, que também teve reflexo sobre a inflação.
O segundo são as
denúncias da oposição, que têm ganhado destaque na mídia e no debate público.
Entre os temas explorados estão a crise do PIX, com a suposta tributação de
transações financeiras a partir de R$ 5 mil, a taxação das importações de baixo
valor — conhecidas como “blusinhas da shopee” —, e a responsabilização do
governo pelo aumento da criminalidade e percepção de corrupção.
Estes fatores,
somados à insatisfação de setores do mercado financeiro e do agronegócio, criam
ambiente desafiador para a Administração Federal.
<><>Estratégia
Para enfrentar esses desafios, o governo tem adotado estratégia que combina
medidas populares e negociações políticas. No âmbito social, foram anunciadas 3
iniciativas para beneficiar a população de baixa renda e a classe média.
A primeira propõe a
isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil.
A segunda visa
ampliar o acesso ao empréstimo consignado aos trabalhadores do setor privado,
com limite máximo de taxa de juros, como já ocorre no consignado dos servidores
públicos.
A terceira é a
expansão do vale-gás, que deve beneficiar mais de 20 milhões de famílias.
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Humor da população e descontentamento
Essas medidas
buscam melhorar o humor da população e conter o descontentamento gerado pela
inflação e pela crise econômica.
No campo político,
o governo tem trabalhado para fortalecer a base de apoio no Congresso, onde o
alinhamento com o Centrão é visto como essencial para a aprovação de pautas
prioritárias. Entre as ações estão:
1) aceleração
da reforma ministerial;
2) composição
das comissões temáticas no âmbito do Parlamento;
3) busca por
solução para o impasse das emendas parlamentares (com atuação no STF); e
4) cobrança
sobre o Ibama para autorizar a pesquisa para exploração de petróleo na margem
equatorial. Este último tema é de interesse do presidente do Senado, Davi
Alcolumbre (União-AP), e a resolução é vista como forma de garantir o apoio de
aliado estratégico.
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Riscos de descontrole
Apesar da queda de
popularidade, o governo avalia que os riscos de descontrole são limitados. A
agenda prioritária, especialmente as proposições com benefícios para a
população, tende a ser aprovada com o apoio do Centrão.
No entanto, a
oposição pode criar obstáculos por meio de mecanismos de fiscalização, como a
criação de CPI, e campanhas de deslegitimação. Para reduzir o impacto de
eventuais derrotas, o governo está disposto a negociar a revisão de vetos ou
aceitar a derrubada de alguns desses, principalmente em temas como a Reforma
Tributária e a dívida dos estados.
A polarização
política, no entanto, continua a moldar o cenário nacional. A oposição tem
explorado narrativas críticas ao governo, responsabilizando-o pelo aumento da
criminalidade, da carga tributária e da corrupção.
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Comunicação mais assertiva
Para contrapor
essas críticas, o governo tem investido em comunicação mais assertiva, adotando
slogans como “O Brasil é dos brasileiros”, fazendo contraponto à direita, que
tem vestido o boné de campanha do presidente estadunidense, Donald Trump. Essa
estratégia busca atrair apoio de setores mais conservadores e neutralizar as
críticas da oposição.
Olhando para o
futuro, a governabilidade do governo Lula parece estável no curto prazo, graças
ao alinhamento tático com o Centrão. No entanto, os desafios de longo prazo
incluem a manutenção desse apoio e a gestão das expectativas da população em
cenário econômico complexo.
A polarização entre
Lula e Bolsonaro tende a persistir, com ambos sendo os principais atores no
cenário eleitoral de 2026. Enquanto Lula deve buscar a reeleição, desde que sua
saúde permita, Bolsonaro deve manter-se como figura central da oposição,
podendo lançar o filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ou Michelle
Bolsonaro, como candidato/a em caso de confirmação de impedimento.
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Polarização como fator determinante
Em resumo, o
governo Lula enfrenta cenário desafiador, mas suas estratégias para reverter a
queda de popularidade incluem medidas populares, alinhamento com o Congresso e
comunicação eficaz.
O sucesso dessas
ações dependerá da capacidade de o governo equilibrar as demandas da população,
as pressões políticas e as complexidades do cenário econômico.
A polarização
política continuará a ser fator determinante, e a dinâmica entre Lula e
Bolsonaro seguirá moldando o futuro da política brasileira.
¨ Coordenador do
Prerrogativas cobra engajamento total dos ministros em defesa de Lula
O coordenador
do Grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, defendeu, em entrevista ao
jornal Estado de S. Paulo, o engajamento total dos ministros do governo federal em
defesa do presidente Lula (PT). Carvalho ironizou e disse que o governo deveria
instituir o programa “Pé-na-Bunda”, em referência ao programa Pé-de-Meia, para
demitir os ministros que não estão engajados na defesa do presidente.
“Não dá para
fazer uma defesa protocolar, restrita à própria pasta, aos interesses imediatos
ou de um grupo político. Os ministros precisam sair dos seus cercadinhos. É
inadmissível que um governo com tantas entregas não tenha uma avaliação
compatível [...]. De toda sorte, estamos começando o segundo tempo do jogo. É
fundamental que o presidente convoque os seus melhores jogadores e faça uma
avaliação sobre o primeiro tempo. Se precisar desligar algum ministro, tenho
certeza de que fará isso. Ninguém deve se apegar ao cargo. Eu brinco que o
presidente teve sucesso com o Pé-de-Meia, um dos maiores programas educacionais
da história, e agora poderia implementar o Pé-na-Bunda para quem não se
engajar, não defender o governo e não entregar resultados”, disse o jurista.
“A defesa do governo não pode caber apenas ao
presidente Lula. É importante que os ministros coloquem o coração na chuteira.
Falta engajamento. Não quero ser injusto, não me refiro a todos, mas essa
partida é de final de campeonato, não dá para fazer uma defesa protocolar,
restrita à própria pasta, aos interesses imediatos ou de um grupo político”,
completou.
Carvalho
também defendeu que o governo amplie as alianças com o centro para barrar a
extrema direita e afirmou que a reeleição de Lula é “a melhor saída” até para a
elite. “O presidente não abre mão dos princípios e propósitos que marcam a
esquerda no Brasil e no mundo. Todas as nossas políticas têm esta marca. Mas
precisamos ampliar ainda mais nosso arco de alianças para dialogar com setores
médios da população e recuperar a confiança de outros. Temos agora uma
oportunidade primorosa: formar uma aliança com o setor produtivo para criar
barreiras de contenção a essas políticas do Trump. A melhor saída para a
própria elite brasileira é reeleger o presidente Lula, com a compreensão de que
todos precisam dar uma colaboração mais efetiva para a construção de uma
sociedade mais justa e inclusiva”, explicou.
O jurista
ainda saiu em defesa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que é alvo
de ataques da extrema direita. Segundo Carvalho, a oposição tenta enfraquecer
Haddad já de olho nas eleições de 2030. “O Haddad é um quadro técnico da maior
qualidade e tem a confiança do presidente. As críticas a ele camuflam outros
objetivos. É gente colocando o carro na frente dos bois, antecipando o debate
sobre o pós-Lula. O real objetivo dessas críticas é enfraquecer Haddad para um
cenário futuro, que só será uma realidade a partir de 2030. Até lá, todos nós
do campo progressista vamos apelar para que Lula seja candidato em 2026 e
conduza sua própria sucessão. No mais, Haddad tem sido um magnífico ministro, e
a Fazenda, ao lado da AGU, é uma das pastas com maior entrega”, elogiou.
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PEC da Segurança
Carvalho afirmou
que o governo federal precisa trabalhar “melhor” a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) da Segurança Pública. A iniciativa visa ampliar a integração
entre as forças policiais no Brasil e aumentar o papel da União na segurança
pública. O jurista cobrou engajamento dos ministros, especialmente de Rui Costa
(PT), da Casa Civil.
“A gente pode
e deve trabalhar melhor esse tema. Temos que pautar a discussão da PEC da
Segurança Pública com a centralidade que ela merece. É um jogo de ganha-ganha:
se perdermos, ganhamos por ter proposto o debate; se vencermos, ganhamos ainda
mais. O ministro Lewandowski precisa de apoio. É um luxo para o país ter um
ministro da qualidade dele. Esse tema precisa ter maior centralidade e
engajamento, especialmente do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Não dá para
deixar o Lewandowski sozinho nessa discussão. Quem não faz gol, toma”,
criticou.
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Mauro Cid e Lava Jato
Marco Aurélio
de Carvalho afirmou que “não há paralelo possível” entre as delações feitas na
operação Lava Jato com a delação do tenente-coronel Mauro Cid no âmbito das
investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado pelo governo Jair
Bolsonaro (PL). “Essa é uma comparação equivocada e desonesta. Nós continuamos
acreditando que as delações não podem ser o único meio de prova e que se não
estiverem acompanhadas de elementos que possam ser comprovados, devem ser
desconsideradas. E seguimos defendendo que a espontaneidade é fundamental”,
opinou.
“A delação
dele é bastante coerente e relata fatos já comprovados nas investigações
policiais e judiciais sobre o 8 de Janeiro. Ele menciona a minuta do golpe, que
existe e foi apreendida. Diz também que havia um plano em curso para matar
Lula, Alckmin, Alexandre de Moraes e uma quarta pessoa não identificada. Há
vídeos mostrando pessoas em posições estratégicas para executar o plano. A
narrativa de Mauro Cid, ao que parece, é coerente, espontânea e lastreou provas
que já tinham sido obtidas ao longo das investigações”, completou.
Além disso,
Carvalho criticou a posição do ministro da Defesa, José Múcio, sobre a
tentativa de golpe. Mucio defendeu punições mais brandas aos envolvidos nos
atos de 8 de janeiro como forma de pacificar o país. “É fundamental
individualizar as condutas para a correta dosimetria da pena. Nisso, concordamos.
O que não se pode é naturalizar o 8 de janeiro e isentar os envolvidos,
inclusive os militares. A única forma de pacificar o país é não anistiar nenhum
golpista, ao contrário do que disse o ministro Múcio. Inclusive, o silêncio dos
militares é constrangedor e mantém sobre eles uma grave suspeição”, criticou.
Fonte: Por Reinaldo Aragon, em Jornal GGN
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