quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Boa noite de sono pode evitar memórias indesejadas e intrusivas, diz estudo

Manter uma boa noite de sono é importante para a saúde física e mental, já que fortalece o sistema imunológico e ajuda a reduzir o estresse, entre outros benefícios. Porém, um novo estudo mostrou que a qualidade do sono pode ajudar, também, a evitar pensamentos ruins e memórias indesejadas ao longo do dia.

trabalho, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) no dia 31 de dezembro, oferece uma nova visão sobre os mecanismos cognitivos e neurais subjacentes à conexão entre sono e saúde mental. Além disso, as descobertas podem dar suporte ao desenvolvimento de novos tratamentos e estratégias de prevenção de doenças como depressão e ansiedade.

Pesquisadores das Universidades de York, Cambridge e Sussex, no Reino Unido, e da Queen’s University, no Canadá, utilizaram neuroimagem funcional para o trabalho e descobriram que a privação de sono pode levar a déficits no controle da memória.

Isso está relacionado à dificuldade em envolver regiões cerebrais que dão suporte à inibição da recuperação da memória, o que facilita que lembranças indesejadas voltem para o consciente repentinamente. Os pesquisadores também apontam que o rejuvenescimento dessas regiões cerebrais está associado ao sono REM (movimento rápido dos olhos).

“Memórias de experiências desagradáveis ​​podem invadir a consciência, geralmente em resposta a lembretes”, explica Marcus Harrington, autor principal do estudo, em comunicado. “Embora essas memórias intrusivas sejam uma perturbação ocasional e momentânea para a maioria das pessoas, elas podem ser recorrentes, vívidas e perturbadoras para indivíduos que sofrem de transtornos de saúde mental, como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático”, esclarece.

<><> Como o estudo foi feito?

Para o estudo, 85 adultos saudáveis tentaram suprimir memórias indesejadas enquanto os pesquisadores analisavam imagens de seus cérebros por meio de ressonância magnética funcional. Metade dos participantes teve uma noite de sono tranquila no laboratório de sono antes da tarefa, enquanto a outra metade permaneceu acordada.

Durante a supressão de memória, os participantes bem descansados ​​mostraram mais ativação no córtex pré-frontal dorsolateral direito — uma região do cérebro que controla pensamentos, ações e emoções — em comparação com aqueles que ficaram acordados a noite toda.

Os participantes descansados ​​também apresentaram uma atividade reduzida no hipocampo — região do cérebro envolvida na recuperação da memória — durante tentativas de suprimir memórias indesejadas.

Além disso, entre os participantes que dormiram no laboratório, aqueles que tiveram maior tempo de sono REM foram mais capazes de envolver o córtex pré-frontal dorsolateral direito durante a supressão de memória. Isso aponta para o papel do sono REM na restauração dos mecanismos de controle pré-frontal que sustentam a capacidade de impedir que memórias indesejadas sejam intrusivas.

“Em conjunto, nossas descobertas destacam o papel crítico do sono na manutenção do controle sobre nossas memórias e pensamentos contínuos”, afirma Harrington.

¨      Estudo mostra a eficácia de uma nova terapia para os pesadelos

A frequência de pesadelos crônicos em crianças costuma gerar interrupções nas noites de sono. No entanto, uma pesquisa publicada recentemente pela Universidade de Oklahoma e pela Universidade de Tulsa revela resultados de um ensaio clínico envolvendo uma nova terapia, que pode diminuir as noites mal dormidas.

estudo mostrou que as crianças submetidas ao tratamentos tiveram uma redução na frequência dos pesadelos e do sofrimento que eles causam. Além disso, a terapia conseguiu aumentar as noites de sono sem interrupções.

Publicado na revista Frontiers in Sleep, o estudo é considerado o primeiro ensaio clínico randomizado, ou seja, com indivíduos escolhidos de forma aleatória, a testar uma terapia para pesadelos em crianças. Segundo a pesquisa, isso representa um avanço no tratamento de pesadelos como um transtorno distinto, e não apenas como um sintoma de outro problema de saúde mental.

Uma em cada seis crianças com dificuldades de saúde mental sofre de pesadelos crônicos, de acordo com estimativas, um número que pode ser subestimado, já que os pesadelos raramente são incluídos em triagens clínicas de rotina. No entanto, nem sempre os pesadelos diminuem quando um transtorno de saúde mental da criança é tratado.

Em razão disso, autores do estudo passaram a desenvolver a pesquisa abordando os pesadelos diretamente, independentemente de possíveis comorbidades na criança.

 “Faltam pesquisas sobre pesadelos em crianças; a maioria dos estudos foi realizada com adultos. Queremos ir à raiz do problema porque, quando as crianças sofrem de pesadelos, elas ficam com medo de dormir, o que as torna cansadas e irritáveis durante o dia, propensas a problemas de comportamento – tudo isso pode afetar o desempenho escolar e outras áreas de suas vidas,” disse a psiquiatra infantil e adolescente. Dra. Tara Buck, professora associada da OU School of Community Medicine em Tulsa.

Ela conduziu o estudo junto com a Dra. Lisa Cromer, professora de psicologia na Universidade de Tulsa e membro voluntário da faculdade de psiquiatria infantil na OU School of Community Medicine. Dra. Cromer liderou o desenvolvimento da terapia, adaptando um tratamento de pesadelos voltado para adultos para o público pediátrico e refinando-o por meio de estudos piloto.

<><> Nova terapia

A nova terapia desenvolvida consiste em cinco sessões semanais que ensinam as crianças sobre a importância do sono, criam motivação para hábitos que melhoram o sono e as guiam para “reescrever” seus pesadelos como sonhos agradáveis.

Os participantes também receberam alguns itens como óculos embaralhadores, fronha e canetas, que auxiliaram no novo tratamento, projetado para ser interativo e apropriado para a faixa etária.

“O tratamento utiliza terapia cognitivo-comportamental, mas também incorpora estratégias de relaxamento, mindfulness, manejo do estresse e visualização para alterar a estrutura dos sonhos. Também ajudamos a criar um plano caso tenham pesadelos, para que possam ‘mudar de canal’ e voltar a dormir,” explicou Cromer.

O ensaio envolveu 46 crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, com idade média de 12 anos. Todas enfrentavam pesadelos persistentes há pelo menos seis meses, em alguns casos, há anos. Os participantes foram divididos aleatoriamente entre o grupo de tratamento e um grupo de controle que apenas monitorava os pesadelos sem receber terapia. Após o término do ensaio, o grupo de controle também teve acesso ao tratamento.

O ensaio começou durante a pandemia de COVID-19, e no futuro, Buck e Cromer pretendem buscar financiamento para testar a terapia em um ensaio maior e por um período mais longo.

¨      Sono irregular pode aumentar risco de derrame e ataque cardíaco, diz estudo

Ter um ciclo de sono irregular pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves, como ataque cardíaco e derrame, segundo novo estudo publicado na terça-feira (26). O risco permanece alto mesmo naquelas pessoas que dormem as horas recomendadas de sono por noite.

A pesquisa, publicada no Journal of Epidemiology & Community Health, avalia o impacto do sono irregular — como ter horários diferentes para dormir e acordar ao longo dos dias — na saúde cardiovascular. Para isso, os pesquisadores entrevistaram 72.269 pessoas com idades entre 40 e 79 anos que participaram do estudo UK Biobank e que não tinham histórico de eventos cardiovasculares graves.

Os participantes utilizaram um rastreador de atividades por sete dias para registrar o sono e os dados foram usados para calcular a pontuação no Índice de Regularidade do Sono (IRS). Pessoas com pontuação IRS maior que 87 foram consideradas com padrão regular de sono, enquanto aquelas com pontuação menor que 72 foram consideradas com sono irregular. Participantes que pontuaram em valores entre essa faixa foram considerados “moderadamente irregulares”.

Nos oito anos seguintes, foram coletados dados de morte cardiovascular, ataque cardíaco, insuficiência cardíaca e derrame, a partir de registros hospitalares e registros de óbitos. Com isso, foram calculados os riscos desses eventos para cada grupo de padrão de sono.

Os pesquisadores levaram em conta fatores que poderiam influenciar no risco de complicações cardiovasculares, como idade, níveis de atividade física, tempo de tela, ingestão de frutas, vegetais e café, consumo de álcool, tabagismo, problemas de saúde mental, uso de medicamentos e trabalho em turnos.

Depois disso, os autores identificaram que pessoas com sono irregular tinham 26% mais probabilidade de ter um evento cardiovascular grave em comparação com aquelas que tinham um padrão de sono regular. Já os participantes enquadrados no grupo de “sono moderadamente irregular” tinham um risco 8% maior.

A pesquisa também indicou que dormir as quantidades recomendadas de sono noturno (de sete a nove horas para pessoas de 18 a 64 anos e de sete a oito horas para pessoas com 65 anos ou mais) não diminuiu o risco para aqueles que mantinham padrões de sono irregular.

Ou seja, aquelas pessoas que dormiram uma boa quantidade de horas, mas em padrões de horários diferentes a cada dia, mantiveram o risco aumentado para essas complicações cardiovasculares.

“Nossos resultados sugerem que a regularidade do sono pode ser mais relevante do que a duração suficiente do sono na modulação do risco de Mace [evento cardiovascular adverso grave]”, afirmam os autores do estudo.  “Os resultados deste estudo sugerem que mais atenção precisa ser dada à regularidade do sono nas diretrizes de saúde pública e na prática clínica devido ao seu papel potencial na saúde cardiovascular”, acrescentam.

Apesar disso, é importante ressaltar que esse é um estudo observacional e, por isso, não pode estabelecer causa e efeito. Ademais, os pesquisadores apontam limitações na pesquisa, como o período em que o sono foi analisado (apenas uma semana) e o fato de os dados do UK Biobank não poderem refletir com precisão a população do Reino Unido.

 

Fonte: CNN Brasil

 

 

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