Por
que petróleo na Amazônia entrou no cálculo de Lula para eleição de 2026
Quando embarcou
para o Amapá, na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha na
bagagem dois grandes objetivos.
O primeiro era
intensificar seu périplo pelo Brasil em um momento de baixa popularidade.
Em dois
meses, a aprovação de Lula caiu de 35%
para 24%,
segundo o Datafolha, o menor índice de todos os seus mandatos. A reprovação
também atingiu recorde, passando de 34% a 41%.
O segundo,
estreitar sua relação com um dos homens mais poderosos da República: o presidente
do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), eleito pela segunda vez para o
cargo no início de fevereiro.
Em um palanque
montado para uma plateia selecionada, Lula cumpriu o plano com um discurso que
agradou Alcolumbre e a classe política local, mas deixou ambientalistas contrariados
e preocupados.
"Ninguém pode
proibir que a gente deixe o Amapá pobre se tiver petróleo aqui", disse
Lula.
Sem mencionar
diretamente o tema, Alcolumbre disse que "o mundo" não estaria em
condições de cobrar compromissos ambientais do Amapá.
"Não venha o
mundo cantar de galo em relação à nossa capacidade de preservar. O mundo não
pode impor ao Amapá nada na relação da preservação e manutenção do meio
ambiente", disse o senador.
As declarações de
Lula e Alcolumbre foram uma alusão clara à exploração de petróleo na bacia
sedimentar da Foz do Amazonas, uma região localizada a 500 quilômetros da costa
do Amapá.
O Amapá vive a
expectativa em torno dos supostos benefícios da possível exploração de petróleo
na região.
O Estado tinha 33% da sua população vivendo em
pobreza extrema, média superior à brasileira, de 27,5%, segundo cálculos
do Instituto Jones dos Santos Neves (IJNS), com base em dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As pesquisas sobre
petróleo na região, no entanto, estão paralisadas pelo Instituto Brasileiro de
Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Mas são defendidas
pela classe política amapaense. Alcolumbre é um dos principais entusiastas.
Por outro lado,
cientistas e ambientalistas alertam para os riscos que a exploração de petróleo
pode ter na região, considerada ambientalmente sensível.
Cientistas
políticos e ambientalistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que as
declarações recentes de Lula sobre a Foz do Amazonas indicam que a exploração
de petróleo na região entrou no cálculo político de Lula para o que resta de
seu mandato e, principalmente, de olho na eleição presidencial de 2026.
Segundo eles, o
aceno de Lula seria uma forma de tentar garantir o apoio de Alcolumbre para
garantir alguma governabilidade no Congresso Nacional nos próximos dois anos em
meio a uma dificuldade crônica de manter a coesão de sua base política no
Parlamento.
Ao mesmo tempo, a
aposta no petróleo da Margem Equatorial seria uma forma de lançar as bases para
atrair votos não apenas no Amapá, mas em Estados do Nordeste e na região Norte
com base nos supostos recursos bilionários que o petróleo da Margem Equatorial
poderiam gerar.
Seria uma espécie
de reedição do chamado "milagre" do pré-sal, descoberto durante os
primeiros dois governos de Lula, que classificou na época a descoberta como um
"bilhete premiado" e um "passaporte para o futuro do
Brasil".
Na segunda-feira
(18/2), Lula, vestido com trajes de funcionários da Petrobras, voltou a falar sobre a importância
da empresa.
"Eu não
defendo a Petrobras porque eu
como petróleo, eu não como. Porque eu bebo gasolina, eu não bebo. Eu bebo outro
álcool, mas gasolina, não", disse o presidente.
"É preciso que
a gente assuma uma responsabilidade e defenda com mais coragem aquilo que a
gente acredita. Se não levarmos a sério, entra outro cara e vai privatizar
vocês. Vai mandar vocês embora."
Procurado pela BBC
News Brasil, o Palácio do Planalto disse em nota que "o compromisso desta
gestão é agir com responsabilidade ambiental, cumprindo com rigor todos os
requisitos ambientais e considerando a capacidade de retorno dessa exploração
para o país".
Questionado sobre o
cálculo político de Lula e como isso poderia influenciar ou não a liberação da
exploração na região, o Planalto não respondeu.
A reportagem também
enviou questionamentos a respeito do assunto ao Ministério do Meio Ambiente,
comandado por Marina Silva (Rede), mas
não obteve retorno.
·
Governabilidade
e eleições
Para Marco Antonio
Teixeira, professor de ciência política da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São
Paulo, as falas de Lula sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas fazem
parte de um complexo cálculo político.
"Não é apenas
um cálculo de governabilidade", diz Teixeira à BBC News Brasil.
"Alcolumbre
não é só presidente do Senado. Ele é um senador pelo Amapá. Todo esse contexto
faz com que o governo olhe para isso de uma forma política e não apenas
ambiental."
Segundo Teixeira,
Alcolumbre é considerado uma peça vital para o sucesso da articulação política
do governo, uma vez que, como novo presidente do Senado, ele tem o controle
sobre a pauta da Casa.
Seu apoio é
importante para que projetos importantes para o governo sejam postos em votação
ou para evitar a aprovação de eventuais pautas-bomba.
Além disso,
Alcolumbre é uma das principais lideranças do União Brasil, partido que faz
parte da base governista, embora não esteja inteiramente alinhado com a gestão
petista.
No Senado, por
exemplo, o partido tem sete senadores. Na Câmara, são 59 deputados federais.
Com uma base política fragmentada, o apoio do União Brasil é considerado
estratégico pelo governo.
"Neste
momento, o governo precisa dar sinais como esse, porque não o fazer implicaria
desagradar o presidente do Senado", diz Teixeira.
"O momento
para esse tema é mais delicado agora do que quando Alcolumbre era apenas um
senador. Além disso, ele pode ajudar a angariar apoio do União Brasil, que é um
partido dividido."
Outro elemento que,
segundo Teixeira, pesaria no cálculo de Lula é a conta para a reeleição de
2026.
Pesquisas apontam
que, apesar de ele ainda ser competitivo em cenários com o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL), Lula está perdendo popularidade.
Neste contexto, ter
projetos puxadores de voto torna-se imprescindível.
O Amapá tem apenas
571 mil eleitores de um total de 155 milhões em todo o Brasil.
Em 2022, no
entanto, Lula viu um movimento incomum no Estado. Ele venceu a eleição ali no
primeiro turno, mas perdeu entre os eleitores amapaenses no segundo.
Eduardo Grin,
pesquisador do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), diz não ter dúvidas de que a liberação para as
perfurações de pesquisa na Foz do Amazonas já teria entrado na conta da
governabilidade e das eleições de 2026.
"Isso é apenas
uma questão de tempo para liberar", diz Grin.
"As falas de
Lula sobre o assunto revelam que ele tem pressa em liberar essa perfuração
porque é uma forma de pressionar o Alcolumbre para aprovar pautas importantes
para o governo como a reforma tributária e ajuste fiscal."
Para Grin, não
seria bom negócio para o governo manter o projeto parado.
"Segurar a
perfuração teria um custo elevado, porque é importante ter o apoio de
Alcolumbre", afirma o pesquisador.
"Então,
ponderando os prós e os contras, o governo entende que é mais importante
liberar isso do que comprometer o projeto mais importante da reeleição",
prossegue.
"O governo já
fez o cálculo político dos efeitos negativos dessa liberação. Há expectativa de
que haja reação internacional, mas quem vota no Lula é quem mora no Brasil. Não
são os organismos internacionais."
Para o coordenador
da bancada ambientalista na Câmara dos Deputados, Nilto Tatto (PT-SP), o
movimento do presidente Lula obedece a uma lógica política.
Ele afirma que é
contra a exploração de novos poços de petróleo, mas diz entender a posição de
Lula.
"Do ponto de
vista político, o governo não tem muita opção. Não podemos esquecer que a chapa
que elegeu o Lula presidente tem 130 deputados entre 513. No Senado, a
fotografia é parecida. A base é pequena", diz Tatto à BBC News Brasil.
"Tem muitos
setores econômicos que querem fazer exploração (na Foz do Amazonas). É só ver o
tamanho, a dimensão da Petrobras, que você entende do que estamos
falando", prossegue.
"Além disso,
há pressões de setores da sociedade que não dialogam com a ideia de que a pauta
ambiental é importante para o enfrentamento da crise climática."
O deputado
acrescenta ainda: "Quando falamos da necessidade do governo em ampliar (a
produção de petróleo) pensando em 2026, estamos falando de toda essa cadeia
interessada. Este é o ponto de vista do governo".
"O movimento
do Lula aponta para uma possibilidade de governabilidade porque se você pegar
toda a cadeia, não só do petróleo, mas do setor de energia, ela tem uma força
política muito grande no Congresso Nacional", diz Tatto.
O coordenador de
Política Internacional da organização não governamental Observatório do Clima,
Cláudio Ângelo, também concorda que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas
virou uma espécie de moeda política.
"Assim que
Alcolumbre assumiu, ele começou a falar dessas barbaridades. Lula sabe que vai
ter dificuldades na Câmara dos Deputados e quer contar com a simpatia do
presidente do Senado", diz Ângelo.
"Por isso,
acho que a Foz do Amazonas entrou na conta da governabilidade e explica esse
afã petroleiro de Lula."
Em meio aos acenos
políticos feitos por Lula, ambientalistas vêm se mostrando cada vez mais
preocupados com os possíveis efeitos negativos dessas manifestações.
Um deles seria a
pressão política sobre um órgão que deveria atuar de forma técnica como o Ibama.
"As
manifestações do Presidente da República acrescentam uma nova camada de pressão
sobre a discussão de explorar petróleo na Foz do Amazonas", diz Rárisson
Sampaio, porta-voz de transição energética do Greenpeace Brasil.
"Há um coro
com outras falas que já vinham ocorrendo em outros espaços políticos, sobretudo
por agentes de governo e parlamentares."
Ainda segundo ele,
o Ibama deveria ficar
isento de pressões políticas para decidir sobre o assunto.
"O Ibama não é agente de governo, mas uma
autarquia federal com autonomia e competência definida por lei, de modo que é
preciso respeitar suas decisões, mesmo quando estas são desfavoráveis ao
intento político", afirmou Sampaio.
Para a ex-ministra
do Meio Ambiente durante a gestão de Dilma Rousseff Izabela
Teixeira, o processo de licenciamento sobre a Foz do Amazonas teria sido
afetado pela politização.
"Para discutir
se vamos explorar petróleo em uma área sensível, é preciso antes saber se há
viabilidade nela", disse ela à BBC News Brasil.
"A politização
contamina a discussão técnica. Vamos imaginar que não haja viabilidade lá:
morrerá o assunto, certo?"
Na avaliação da
ex-ministra, Lula errou na forma como tratou do assunto.
"Ele errou. O
papel dele é entender os interesses do país e cobrar celeridade e eficiência
dos processos institucionais, mas não é papel dele — nem de ninguém — apequenar
instituições públicas competentes e responsáveis tecnicamente", disse.
Para Sampaio, as
declarações de Lula representam uma contradição em relação ao papel de
liderança climática que o Brasil pretende projetar, especialmente às vésperas
da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Clima (COP 30), que será realizada
em Belém (PA), no final do ano.
"Este governo
está firmemente comprometido em expandir a exploração de petróleo no país,
mesmo que isso se dê ao custo de fragilizar uma das regiões mais
sociobiodiversas do planeta, como é a região Amazônica", diz Sampaio.
"Tal postura
revela a contradição nos rumos da transição energética brasileira."
Por outro lado, o
presidente da COP 30, embaixador André Correa do Lago, disse à BBC News Brasil
que não ver contradição entre a expectativa de o Brasil explorar petróleo na
bacia da Foz do Amazonas e o papel de liderança que o país tenta passar na área
ambiental.
"Se você pegar
qualquer país do mundo, eles estão fazendo coisas com vistas a chegar à meta de
neutralidade de emissões", afirmou o diplomata.
Foz do rio
Amazonas, cuja bacia faz parte da Margem Equatorial — Foto: Reuters via BBC
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Petróleo
polêmico
A controvérsia em
torno da exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas se arrasta há anos.
A região é uma
bacia sedimentar no Oceano Atlântico. Ela faz parte de uma área maior chamada
Margem Equatorial, que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá.
A região é a
principal aposta do governo brasileiro para renovar suas reservas de petróleo
depois dos poços localizados na camada pré-sal, descobertos em 2006.
A expectativa em
torno da exploração na Foz do Amazonas ficou ainda maior depois que, a partir
de 2015, países como a Guiana e o Suriname, países geograficamente próximos ao
Amapá, passaram a extrair petróleo em grandes quantidades gerando bilhões de
dólares por ano.
Apesar disso, a
exploração na Foz do Amazonas ainda não começou.
O tema estava
adormecido nos últimos meses até que Alcolumbre venceu a eleição para a
presidência do Senado, em 1º de fevereiro.
Lula deu depois
disso declarações cobrando o Ibama por uma posição sobre o tema e chegou
a dizer que seria preciso acabar com o "lenga-lenga" em torno do
assunto.
"Se depois a
gente vai explorar, é outra discussão. O que não dá é para a gente ficar nessa
lenga-lenga, com o Ibama sendo um
órgão do governo e parecendo ser contra o governo", disse Lula em
entrevista à rádio Diário FM, do Amapá, na sexta-feira passada (14/2).
Diante das
declarações de Lula, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, disse estar habituado
a trabalhar sob pressão, mas afirmou nunca ter sido pressionado pelo presidente
sobre o tema.
"Isso é
normal. Se eu não gostasse de pressão, não estava fazendo o que eu faço. Eu
preciso também ser justo", disse Agostinho ao jornal O Globo.
"O presidente
nunca me pressionou para isso, mas de tempos em tempos tem empreendimentos que
são emblemáticos e a sociedade toda cobra uma resposta. Vejo isso com muita
naturalidade."
A Presidência da
República disse em nota à BBC News Brasil que Lula "tem defendido a
necessidade de o Brasil conduzir pesquisas para descobrir se há ou não petróleo
na região da margem equatorial amazônica, que está a cerca de 500 km da foz do
Rio Amazonas, como outros países já estão fazendo, mas com toda segurança
necessária".
O governo defendeu
ser importante para o futuro do país explorar essas reservas.
"É fundamental
considerar a importância estratégica dessa riqueza, que pode, por exemplo,
financiar a transição energética e colocar definitivamente o Brasil como a
potência mundial da energia verde", disse o Planalto em nota.
"Os recursos
provenientes da exploração podem, ainda, possibilitar mais investimentos em
ações voltadas para o combate ao desmatamento e em áreas sociais como educação
e saúde."
Atualmente, a Petrobras aguarda uma manifestação
do Ibama sobre uma
licença ambiental para a perfuração de um poço com o objetivo de pesquisar se
há petróleo no local e, caso haja, se a exploração na região seria
economicamente viável.
Nos últimos anos, a área técnica do Ibama não
liberou a licença afirmando que a Petrobras não havia cumprido requisitos
técnicos necessários
para garantir a segurança da região no caso de um eventual vazamento.
A estatal, no
entanto, vem argumentando que já cumpriu as últimas exigências feitas pelo
órgão e que aguarda a liberação da licença.
Ambientalistas, por
sua vez, dizem que a exploração nesta área pode levar à destruição de
ecossistemas sensíveis como manguezais e recifes de corais.
Além disso,
sinalizaria um retrocesso ambiental na medida em que o mundo deveria diminuir,
em vez de aumentar, o ritmo da exploração de petróleo.
No governo, o tema
divide opiniões. Enquanto ministros como o da Casa Civil (Rui Costa) e de Minas
e Energia (Alexandre Silveira) defendem a exploração de petróleo na região, a
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, vem sustentando
que a decisão sobre a liberação ou não da licença será técnica e não política.
Na
sexta-feira, Lula disse "ter certeza
que Marina jamais será contra" a exploração de petróleo na foz.
"Porque a
Marina é uma pessoa muito inteligente. O que ela quer, não é 'não fazer', mas é
'como fazer'. Isso é uma coisa que eu quero, ela quer e você quer", disse
Lula à Diário FM.
"Como fazer
para a gente não ser predatório com a nossa querida Amazônia. Por isso, acho
que a gente vai fazer."
Em um evento ao
lado de Lula após as declarações do presidente, a ministra não falou do assunto
diretamente, mas defendeu a manutenção de investimentos em descarbonização e na
transição energética do país.
"O mundo vai
ter que fazer essa transição", disse a ministra.
·
'Belo Monte de Lula'
Para ambientalistas
ouvidos pela BBC News Brasil, a insistência do atual presidente em torno da
exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode fazer com que o projeto fique
conhecido como a "Belo Monte" de Lula.
A referência é uma
menção à usina hidrelétrica de Belo Monte, iniciada durante
o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e que
foi alvo de intenso debate entre governistas e ambientalistas.
A exemplo do que
acontece agora com o petróleo na Foz do Amazonas, a liberação para as obras
de Belo Monte também
colocava o governo e ambientalistas em lados opostos.
Cientistas
alertavam que a construção da usina poderia prejudicar populações indígenas que
viviam às margens do rio Xingu, no Pará, além de afetar a fauna e a flora da
região.
Em janeiro de 2011,
o então presidente do Ibama Abelardo Bayma pediu exoneração do
cargo em meio ao aumento das pressões para a liberação da obra.
Em seu lugar,
assumiu Curt Trennepohl. Seis meses depois, em junho, a licença para o início
da obra foi liberada.
Doze anos depois,
técnicos do Ibama constataram
que alguns dos prejuízos previstos inicialmente se materializaram.
Relatórios do órgão
obtidos pelo site Sumaúma apontaram danos a populações indígenas como os povos
Yudjá/Juruna e Xikrin.
Um desses danos foi
a criação dos chamados "remansos", espécies de redemoinhos que
prejudicam a navegação e desgastam as margens do rio, aumentando a erosão do
rio Xingu.
Isso também teria
efeitos sobre os estoques pesqueiros, considerados essenciais para a
sobrevivência das populações tradicionais da região.
"O que marcou
o projeto de Belo Monte foi a
sobreposição de uma decisão política em contraposição a diversas análises que
apontavam para os graves problemas socioambientais da obra, situações estas que
se mostraram verdadeiras no longo prazo", diz Sampaio.
Sobre a Foz do
Amazonas, um despacho da área de licenciamento ambiental do Ibama de 2023 apontou que os modelos e
planos de segurança apresentados pela Petrobras até então precisavam ser
melhorados por conta da sensibilidade da região em que a estatal pretende fazer
suas perfurações.
"A depender do
local escolhido, sua sensibilidade social e ambiental, erros nas previsões da
modelagem podem prejudicar as estratégias de contenção e recolhimento de óleo e
de proteção da fauna, o que leva ao aumento do risco de dano à biodiversidade e
aos modos de subsistência de populações locais", diz um trecho do
documento.
Desde então,
a Petrobras tem enviado
novos estudos em complemento às exigências feitas pelo Ibama numa tentativa de destravar o processo
de licenciamento.
"No caso da
Foz do Amazonas e da Margem Equatorial como um todo, vemos a repetição de
alguns elementos por parte do governo federal", diz Rárisson Sampaio, do
Greenpeace Brasil.
Para Claudio
Angelo, do Observatório do Clima, o paralelo faz sentido: "Todos os
estudos diziam que Belo Monte ia ser um
desastre, mas o governo decidiu fazer mesmo assim".
Fonte: g1
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