Calor
extremo no Brasil é causado por destruição ambiental e ganância capitalista
Os últimos dias no
Brasil têm sido extremamente quentes, com temperaturas batendo 5ºC acima da
média esperada para o mês. Quando esse fenômeno ocorre ele é chamado de onda de
calor, e ela tem afetado diariamente a realidade da classe trabalhadora,
fazendo ferver os locais de trabalho, transportes e casas da maioria da
população.
Segundo as previsões meteorológicas essa onda de calor
irá se estender por mais cinco dias, atingindo recordes alarmantes em várias
cidades. Nas regiões sul, centro-oeste, sudeste e Nordeste já registram
temperaturas de 3 a 7 graus acima do normal para o mês de fevereiro. Em algumas
localidades específicas, como a cidade do Rio de Janeiro, o termômetro já bate
40 graus, absurdos 10 graus a mais do que o esperado para o mês de fevereiro.
Essa temperatura também é a mesma que já enfrenta a capital do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre, que só terá uma trégua após a passagem dessa onda de calor,
saindo de 40 graus para 26.
Há também projeções de que regiões de Minas Gerais,
Bahia, Pernambuco e Piauí também cheguem a 40 graus nos próximos dias. Há
inclusive dados que têm apontado que a sensação térmica em alguns lugares pode
chegar há 70ºC.
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Mas afinal, por que está tão quente?
Há quem diga que esses fenômenos são naturais, porém
especialistas apontam que a ocorrência de eventos climáticos extremos tem
ficado cada vez menos espaçada temporalmente, ou seja, eventos desse tipo tem
acontecido em muito menos tempo do que deveriam se considerarmos o tempo
natural do planeta.
A maior incidência de ondas de calor, furacões,
tornados e tempestades, tem relação direta com o aumento da temperatura média
da Terra. Segundo o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas (IPCC), a
temperatura média do planeta pode aumentar entre 1,4ºC até 4,5ºC até o ano de
2100. Isso significa não somente que as condições de vida se tornarão muito
mais difíceis, mas que também uma maior quantidade de eventos extremos irá
acontecer, devido ao aumento da temperatura e pressão normais do ecossistema
terrestre.
Essa alta das temperaturas está ligada, por sua vez,
diretamente ao aumento das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis
pelo aquecimento da Terra, mas que, quando se concentram em níveis acima dos
normais, acabam por ser responsáveis por esquentar o planeta mais do que
deveriam. As principais emissões de gases de efeito estufa são as grandes
indústrias e o agronegócio.
O capitalismo, em sua sede interminável por lucro,
destrói o meio-ambiente em busca de recursos, depredando a natureza na extração
e depois jogando resíduos nos mares e na atmosfera. As emissões de gases de
efeito estufa são sustentadas por extração poluente de petróleo em certas
regiões e pelo desmatamento em outras, transformando regiões inteiras em
pastagem para gado ou em massivas plantações de monocultura e também poluindo
rios e outras fontes de água potável.
O imperialismo exporta a destruição ambiental para outros países, como por
exemplo os Estados Unidos e países da Europa que abrem refinarias e mineradoras
em países do chamado sul global, explorando os recursos destes países e
explorando a mão de obra da classe trabalhadora por valores muito mais baixos
do que em seus próprios países. Esse legado de destruição tende a aumentar com
a localização da burguesia cada vez mais próxima dos governos, como é o caso de
Trump e Musk, já que esse último já declarou que, atrás de recursos naturais,
“nós iremos dar um golpe em quem nós quisermos”, em referência ao golpe na
Bolívia em 2019.
Outro grande responsável pelo aquecimento global é o
agronegócio, com seus intermináveis campos de plantação de soja e pastagens
para gado, e encontra seus cúmplices na política na bancada ruralista no caso
do Brasil. Essa bancada foi base do governo de extrema-direita de Jair
Bolsonaro, mas segue tendo um peso importante na política brasileira. A
frente-ampla também se mostrou uma grande aliada do agro, com o governo
Lula-Alckmin destinando o maior plano Safra da história aos grandes
latifundiários, e hoje segue aprofundando os ataques ao meio ambiente
insistindo em explorar petroleo na foz do Amazonas.
A única alternativa possível para combater a crise
ambiental e o aumento das temperaturas é a organização da classe trabalhadora
em aliança com o campo. Para o caso brasileiro é necessário que haja uma reorganização
completa do padrão produtivo do país, que hoje é dominado pelo agronegócio e a
agroindústria. Isso só pode se dar através de uma reforma agrária radical, que
possa se enfrentar efetivamente contra os grandes latifundiários, e que as
fábricas ligadas ao agro, além de refinarias como as da Petrobrás sejam
controladas pelos próprios trabalhadores, para que decidam como produzir e qual
o destino da produção, tendo uma relação muito mais racional e harmônica com o
meio-ambiente sem uma preocupação estrita com o lucro.
¨ Graças
ao capitalismo janeiro foi o mês mais quente da história
Segundo dados do Observatório Copernicus da União
Europeia, o mês de janeiro de 2025 marcou um recorde da maior temperatura
global. Registrou-se uma temperatura de 1,75ºC acima do nível registrado no
último século no planeta. Essa alta se refletiu nas geleiras do Ártico e da
Antártica, já que as mesmas diminuíram em 6% seu tamanho. Do mesmo modo, houve
uma alta de temperaturas nos oceanos contrariamente ao que os especialistas
esperavam. Nem mesmo o fenômeno El Nina - que resfria a temperatura do planeta
- foi suficiente para impedir tal agravamento das mudanças climáticas no
sentido do aumento das temperaturas globais. Por fim, tais altas também
resultaram em eventos de chuvas extremas, como vimos nas dezenas de alagamentos
no mês de janeiro, em especial, em São Paulo e Minas Gerais.
Neste cenário, o que é preciso termos claro é que a
causa do aquecimento global e das mudanças climáticas tem raiz no capitalismo e
na irresponsabilidade dos governos. E ainda, que há uma classe que paga mais
caro por esse desastre ambiental: os trabalhadores e povo pobre. Por fora da
demagogia que encontramos nas metas da COP30 e sua aparente preocupação com as
mudanças climáticas, vemos governos que aprofundam o financiamento do
agronegócio, como foi o caso do governo Lula no Brasil, o qual anunciou o maior
plano safra da história com 400 bilhões de reais destinados aos magnatas do
agro. Um exemplo de como a crise ambiental pode vir a impactar diversos
cenários urbanos é o caso da tragédia capitalista no Rio Grande do Sul, que
afetou cidades por todo o estado, deixando milhares de pessoas desabrigadas e
inundando bairros inteiros. No caso das grandes cidades, como é o caso de São
Paulo, a situação também é favorável à piora dos efeitos da crise climática.
O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo
Nunes, ambos de extrema direita, fazem a população paulista pagar com o
alagamento de suas próprias casas e perdendo seus pertences no melhor dos
casos, e diretamente mortes no pior. Nas últimas semanas, vimos cenas de
embrulhar o estômago: trabalhadores subindo no corrimão de estações de metrô
para não serem levados pela enxurrada.
Para além das chuvas, as maiores ondas de calor também
atingem mais a classe trabalhadora. Basta pensarmos na nossa juventude negra
que passa 15 horas do dia pedalando em cima de uma bicicleta no calor em
temperaturas extremas graças ao trabalho precário, cenário esse que é sentido
de forma absurdamente diferente nos escritório da Faria Lima.
Os efeitos da crise climática são uma questão de classe
porque atingem profundamente a vida cotidiana da classe trabalhadora. Além
disso, essa crise não é um fenômeno natural: pelo contrário, o hiper
produtivismo de mercado do capitalismo e a falta de financiamento em gastos
sociais que poderiam reduzir o impacto das altas das temperaturas ocorrem
graças a uma preservação do pagamento da dívida pública por parte dos grandes
capitalistas.
Como dizia Karl Marx, “A produção capitalista,
portanto, só desenvolve a técnica e a combinação do processo social de
produção, exaurindo as fontes originais de toda a riqueza: a terra e o
trabalhador.” O objetivo dos capitalistas nunca será se preocupar com o impacto
da crise climática, pelo contrário, colocam nossa classe para pagar pelos
efeitos dela. A única saída para barrar o aquecimento global e seus efeitos é o
fim do capitalismo. Por isso, retomemos a força que os trabalhadores e a
juventude já demonstraram na história. É necessário que a classe trabalhadora,
junto aos setores mais afetados com a ganância sem fim dos capitalistas sobre a
natureza, como os povos indígenas e quilombolas, sejam sujeitos de impulsionar
uma verdadeira luta para frear a crise climática, com métodos como mobilizações
massivas e greves. Se o capitalismo destrói o planeta, destruamos o
capitalismo!
Fonte: Esquerda
Diário

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