Israel
reforça aliança com evangélicos para promover extrema direita
A mais
recente edição do Congresso Sionista Mundial, realizado em
Jerusalém, terminou com uma grande surpresa que pode ter grandes consequências
para a política em todo o mundo.
Segundo
reportagem do diário israelense Haaretz, publicada nesta
sexta-feira (14/11), o evento oficializou a aceitação do movimento cristão
evangélico Israel365 como novo membro do Congresso.
Se
trata de uma organização criada nos Estados Unidos que mantém laços com entidades cristãs evangélicas em outros
países, e que tem como um dos seus mais importantes aliados o empresário
extremista Steve Bannon.
A
incorporação do Israel365 Action é considerada polêmica justamente por sua
proximidade com Bannon, considerado persona non grata pela maioria das
organizações judaico-americanas tradicionais.
Porém,
Bannon não é aliado apenas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como
também de outros grupos líderes da extrema direita em diversas partes do mundo,
como os sionistas israelenses, razão pela qual tem forte relação com Bezalel
Smotrich, ministro da Economia do governo sionista de Benjamin Netanyahu.
A
reportagem do Haaretz afirma que Smotrich é o principal
idealizador desse movimento de aproximação entre o sionismo e os grupos
evangélicos de extrema direita dos Estados Unidos, e tem usado sua proximidade
com Bannon para avançar nesse sentido.
Um
trecho da matéria diz que “de acordo com fontes bem posicionadas no Congresso
(Sionista Mundial), o Israel365 Action está de olho em várias instituições
dentro do movimento sionista: o Fundo Nacional Judaico, que detém cerca de 13%
de todas as terras em Israel; a Divisão de Assentamentos da Organização
Sionista Mundial (WZO, por sua sigla em inglês), que funciona como o braço do
governo para a tomada de terras palestinas; e a extensa rede educacional da
Jewish Agency, especialmente na América do Norte”.
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‘Ensinando para Israel’
Além de
Bannon e Smotrich, outra figura chave do movimento é o rabino Naphtali “Tuly”
Weisz, nascido em Ohio, mas atualmente residente em Beit Shemesh, no oeste de
Jerusalém, onde administra uma entidade chamada Teach for Israel (“Ensinando
para Israel”), fundada por ele mesmo, com o objetivo de “educar judeus e
cristãos sobre o significado bíblico do Estado moderno de Israel”.
Em
discurso realizado no Texas, pouco antes do Congresso Sionista Mundial), Weiss
disse que “nós, o povo judeu, não toleraremos mais que fundos comunitários
sejam usados para apoiar agendas
progressistas subversivas que defendem uma solução de dois Estados,
que põe em risco o nosso futuro como nação”.
“O
Israel365 Action é o braço político do Teach for Israel, de Weisz. De acordo
com seus registros de 2023, dois de seus cinco membros do conselho são
evangélicos, e parte de sua atividade online é gerenciada por uma empresa de
mídia evangélica. Seu conselho consultivo inclui oito clérigos e ativistas
evangélicos, bem como figuras proeminentes como a ex-congressista republicana
Michele Bachmann e o ativista Frank Gaffney, uma figura de destaque no
movimento conservador americano que foi rotulado como um dos islamofóbicos mais
notórios dos Estados Unidos”, ressalta a reportagem.
O Haaretz afirma
que “a nova aliança (entre evangélicos e sionistas) permite que cristãos
evangélicos – muitos deles missionários – ganhassem mais legitimidade nos
círculos judaicos, e também serve como fonte de financiamento”.
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Israel pressiona EUA para impedir criação do Estado
palestino
O
gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo
(16/11) que sua oposição à criação de um Estado palestino “não mudou nem um
pouco”. A declaração ocorreu um dia antes da votação no Conselho de Segurança
da ONU sobre a resolução elaborada
pelos Estados Unidos,
que propõe o estabelecimento de uma administração de transição e de uma força
internacional de estabilização (FIE) em Gaza.
A
emissora pública israelense Kan informou que o governo de
Netanyahu empenhava-se numa pressão diplomática de última hora para alterar o
texto da resolução – que Washington havia modificado para incluir termos mais
definidos sobre a autodeterminação palestina, cedendo à pressão de países
árabes e muçulmanos que contribuirão com tropas para as Forças de Segurança
Israelenses (FSI).
A
versão atual do rascunho menciona que “as condições podem estar presentes para
um caminho credível rumo à autodeterminação e à formação de um
Estado palestino”
após a “implementação fiel” de reformas na Autoridade Palestina e “avanços na
reconstrução de Gaza”.
Posteriormente,
o Hamas e outras facções da resistência palestina apelaram à Argélia – membro
não permanente do Conselho de Segurança da ONU – para que rejeitasse o plano de
implantação de forças de estabilização no território palestino.
Em
comunicado, os grupos de resistência classificaram a iniciativa como “uma nova
tentativa de impor outra forma de ocupação à nossa terra e ao nosso povo, e de
legitimar a tutela estrangeira”.
“Dirigimos
um apelo sincero e fraterno à República da Argélia, ao seu governo e ao seu
povo, para que mantenham suas posições de princípio em apoio à Palestina e sua
firme rejeição a quaisquer projetos
que atentem contra a identidade de Gaza e o direito do nosso povo à
autodeterminação”, acrescentou o comunicado.
Do lado
israelense, os aliados de extrema-direita de Netanyahu – o ministro da
Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o ministro das Finanças, Bezalel
Smotrich – exigiram declarações públicas assegurando que Israel jamais aceitará
o reconhecimento de um
Estado palestino.
Ben-Gvir chegou a afirmar que “o povo palestino não existe”.
Essas
manifestações sionistas ocorreram no sábado (15/11), após a divulgação de uma
declaração conjunta organizada pelos EUA e assinada por diversas nações, que –
no âmbito do plano de 20 pontos do presidente Donald
Trump para o fim da guerra em Gaza – oferece um caminho para a criação de
um Estado palestino.
“Não
existe um ‘povo palestino’. É uma invenção sem qualquer base histórica,
arqueológica ou realista”, publicou Ben-Gvir na rede social X, acrescentando que
“o grupo de imigrantes de países árabes que vieram para a Terra de Israel não
constitui um povo”.
O
ministro defendeu ainda que a única solução real para Gaza é “incentivar a
emigração voluntária” – e não a criação de um Estado que, em sua visão,
recompensaria o terrorismo. Garantiu que seu partido ultranacionalista, Otzma
Yehudit, “não fará parte de nenhum governo que aceite isso” e instou Netanyahu
a esclarecer que Tel Aviv “não permitirá o estabelecimento de
um Estado palestino sob
nenhuma circunstância”.
Bezalel
Smotrich, por sua vez, pediu ao
primeiro-ministro que “deixe claro para o mundo inteiro” que “um Estado
palestino jamais será estabelecido”, argumentando que o “silêncio” do premiê
sobre o tema tem sido uma “vergonha diplomática”.
A
declaração conjunta, que integra o plano de cessar-fogo, foi apoiada por
Catar, Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Indonésia, Paquistão,
Jordânia e Turquia, e observa que o processo “oferece um caminho para a
autodeterminação e a formação de um Estado palestino”.
“Ressaltamos
que este é um esforço sincero e que o Plano oferece um caminho viável para a
paz e a estabilidade, não apenas entre israelenses e palestinos, mas para toda
a região”, prosseguiu o documento. “Aguardamos com expectativa a rápida
aprovação desta resolução.”
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EUA propõem dividir Gaza em áreas reconstruídas para
Israel e em ruínas aos palestinos
O
projeto impulsionado pelo governo dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza pode levar a
que Israel se aproprie de uma parte do território, ao mesmo tempo em que
aprofunda o apartheid imposto ao povo palestino na região.
Esse é
o cenário descrito em uma reportagem exclusiva publicada nesta sexta-feira
(14/11) pelo jornal britânico The Guardian, que revela os planos
norte-americanos para criar diferentes zonas de influência em Gaza.
Segundo
a matéria, a ideia é estabelecer uma “zona verde”, que será controlada por
forças militares israelenses e internacionais, e que seria separada da “zona
vermelha”, para onde seria levada toda a população palestina sobrevivente do
genocídio iniciado em outubro de 2023.
O plano
de Washington prevê a reconstrução de áreas apenas na “zona verde”, que seria
protegida por soldados de Israel e de países que aceitem participar das
chamadas Forças Internacionais de Estabilização (ISF, por sua sigla em inglês).
De
acordo com o jornal britânico, os Estados Unidos consultaram os governos da
Alemanha, da Holanda e de países nórdicos sobre seu interesse em participar das
ISF e lidar com hospitais de campanha, logística e inteligência em Gaza.
Na
versão do projeto que o The Guardian teve acesso, as forças
internacionais atuariam somente na “zona verde”, sob a administração
israelense, e não na “zona vermelha”, onde ficaria toda a população palestina.
Ademais,
seria estabelecida uma “linha amarela” para afastar as duas zonas, e esse
trecho seria ocupado inteiramente por militares de Israel, sem a presença das
ISF.
Após a
entrada em vigor do acordo de cessar-fogo, em outubro deste ano, a população
palestina sobrevivente do genocídio em Gaza passou a ficar abrigada nas
chamadas Comunidades Seguras Alternativas (ASC, por sua sigla em inglês),
construídas de forma improvisada por organizações humanitárias para servir como
campos de refugiados.
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‘Nem guerra, nem paz’
A
reportagem do The Guardian também mostra que organizações
humanitárias e entidades ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU) que
atuam no local têm expressado suas preocupações sobre o modelo ASC e a falta de
perspectivas para estabelecer melhores condições aos palestinos sobreviventes.
O
jornal trouxe o depoimento de um trabalhador de entidade humanitária que
questionou a situação criada a partir do acordo imposto pelos Estados Unidos,
dando a entender que não há um cessar-fogo real e que os ataques israelenses seguem
acontecendo,
só que em menor escala.
“Não é
mais guerra, mas também não é paz”, foram as palavras da pessoa entrevistada,
cuja identidade foi preservada.
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Em Portugal, PCP denuncia produção de moedas destinadas
ao Estado de Israel
O
Partido Comunista Português (PCP) questionou o governo local sobre um contrato
da Casa da Moeda (INCM) para a produção de dois milhões de moedas destinadas ao
Estado de Israel. O acordo, que está em vigor, refere-se ao ano de 2025.
O
questionário foi entregue nesta sexta-feira (14/11) ao presidente da Assembleia
da República, José Pedro Aguiar-Branco, pela deputada comunista Paula Santo.
O
documento alerta para o que os deputados subscritores consideram ser um sinal
de “cumplicidade” com as ações de Israel em Gaza, classificadas como
“genocídio”, e exigem explicações ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo
Rangel (PSD).
De
acordo com o documento que Opera Mundi teve acesso, a empresa pública
não só avançará com a produção das moedas no próximo ano, como está prevista
uma visita oficial de uma delegação do governo israelense às instalações da
INCM para assinalar a fabricação das primeiras peças.
O
centro dessa contestação está no tempo e no contexto do acordo. O texto
endereçado ao Presidente da Assembleia da República sustenta que, “há mais de
dois anos que Israel leva a cabo um genocídio na Faixa de Gaza”, cometendo
“crimes e atrocidades diárias” e impondo um “bloqueio e o uso da fome como
forma de agressão”.
Os
deputados comunistas referem-se ainda às “várias centenas de milhares de
palestinianos mortos e feridos”, dando destaque para o elevado número de
crianças assassinadas pelo exército israelense.
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Cumplicidade
Diante
deste cenário, os parlamentares argumentam que as relações entre os governos
português e israelense “não devem consubstanciar uma forma de cumplicidade” com
a “contínua agressão”, que consideram um “frontal desrespeito” pelos princípios
da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.
O
questionário realça a contradição que, na visão dos deputados do PCP, existe
entre este contrato comercial e o reconhecimento do Estado da Palestina por
parte de Portugal, ocorrido em setembro passado.
Os
comunistas também defendem que é “imperioso” que o governo português adote “uma
posição ativa” em prol do estabelecimento do Estado da Palestina a partir das
fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Leste e garanti do direito de
retorno dos refugiados ao território.
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Ataques de colonos israelenses na Cisjordânia atingem
nível recorde, diz ONG
A
quinta-feira (13/11) foi marcada por diferentes ataques incendiários de colonos
israelenses a localidades palestinas no território da Cisjordânia, fazendo crescer a
onda de violência que atingiu nível recorde, segundo a organização palestina
Comissão de Resistência ao Muro e à Colonização (CWRC, por sua sigla em
inglês).
Os
ataques desta jornada foram registrados na vila de Kifl Hares, perto de Ariel,
na qual ocorreu um incêndio em uma mesquita, e também nas localidades de Beit
Lid e Deir Sharaf, onde houve pichações islamofóbicas, veículos incendiados e
fogueiras onde foram queimados artefatos ligados à religião muçulmana e
exemplares do Alcorão.
Segundo
a CWRC, com os ataques desta quinta, já foram contabilizados desde outubro até
hoje mais de 2,3 mil ataques israelenses contra localidades palestinas da
Cisjordânia. A entidade afirma que esta é a mais intensa onda de violência
israelense contra os palestinos dessa região desde que iniciaram a contabilizar
os ataques, em 2013.
O
informe da entidade indica também que 1584 atentados foram realizados com apoio
de militares das forças de ocupação israelenses no território palestino,
enquanto outros 766 foram iniciativa exclusiva dos colonos.
Os
dados mostram que as localidades mais atacadas foram Ramallah, que registrou
542 ataques; Nablus, com 412 atentados; e Hebron, onde acontecerem 401 ações
violentas.
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Preocupação dos EUA
Nesta
quarta-feira, durante a cúpula do G7 no Canadá, o secretário de Estado
norte-americano Marco Rubio demonstrou sua preocupação com a crescente onda de
violência impulsionada por colonos israelenses contra os vilarejos palestinos
na Cisjordânia.
Segundo
o funcionário estadunidense, os ataques podem gerar um clima desfavorável aos
esforços do seu país em alcançar um acordo de paz permanente na Faixa de Gaza.
“Certamente,
existe alguma preocupação de que os eventos na Cisjordânia se alastrem e criem
um efeito que possa prejudicar o que estamos fazendo em Gaza. Não esperamos que
não seja assim. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que
isso não ocorra”, admitiu Rubio.
Após os
ataques desta quinta-feira na vila de Kifl Hares, as forças militares e
policiais de Israel anunciaram a abertura de uma investigação sobre o caso.
Fonte: Opera
Mundi/Diálogos do Sul Global/The Guardian

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