Trump
e Rubio: “Este hemisfério é nosso”
A
Venezuela é nossa. Cuba é nossa. A América Latina é nossa. O Brasil é nosso.
Este hemisfério é nosso. Donald Trump e Marco Rubio não pronunciaram
literalmente essas frases. Não precisaram. O Departamento de Estado dos Estados
Unidos encarregou-se de transmitir a mensagem.
Em um
vídeo oficial que reconstrói mais de dois séculos da presença norte-americana
no continente, recupera a Doutrina Monroe, celebra intervenções dos Estados
Unidos e apresenta a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro como uma
“manobra calculada” destinada a enviar um sinal ao hemisfério, Washington chega
a uma conclusão que dispensa interpretação:
“This
is OUR hemisphere.” (“Este hemisfério é NOSSO.”)
E vai
além. A dominância dos Estados Unidos sobre o Hemisfério Ocidental, proclama o
vídeo oficial, “nunca mais será questionada”.
É difícil imaginar uma formulação mais explícita. A questão deixou de
ser saber se Donald Trump pretende ressuscitar a Doutrina Monroe. Ela já foi
ressuscitada. A pergunta agora é outra: Até onde os Estados Unidos estão
dispostos a ir para transformá-la em realidade?
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O homem ao lado de Trump
Ao
analisar o vídeo do Departamento de Estado, o historiador e comentarista
internacional Leonardo Trevisan chamou atenção para uma dimensão pouco
observada da peça. Para ele, o vídeo não seria destinado prioritariamente à
América Latina. “O vídeo não é para nós. O vídeo é o lançamento de uma
candidatura. A de Marco Rubio a presidente dos Estados Unidos.”
Rubio
estaria tentando apresentar-se aos norte-americanos como uma espécie de John
Quincy Adams do século XXI — o homem capaz de formular uma nova política para
assegurar a supremacia dos Estados Unidos nas Américas. É uma interpretação,
não um fato. Mas merece atenção. Principalmente porque o adversário também está
claramente identificado.
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Agora o adversário é a China
Em
1823, a Doutrina Monroe dirigia-se às potências europeias. A mensagem era
simples: “não tentem recolonizar as Américas.” Dois séculos depois, o centro da
disputa deslocou-se. Agora o adversário estratégico é a China.
Não se
trata de capitalismo contra socialismo, esquerda contra direita ou democracia
contra autoritarismo. Trata-se de poder. Recursos naturais. Petróleo. Lítio.
Terras raras. Água. Alimentos. Energia. Tecnologia. Portos. Rotas comerciais.
Influência política.
A China transformou-se no principal parceiro
comercial de vários países latino-americanos e ocupa posição central no
comércio exterior brasileiro. Para Washington, o avanço chinês em uma região
historicamente considerada sua área de influência deixou de ser apenas um
problema econômico.
Passou
a ser tratado como questão de segurança nacional. A América Latina voltou ao centro do
tabuleiro. E o que até recentemente
poderia parecer apenas retórica começou a ganhar estrutura militar.
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A Doutrina Donroe
Na
madrugada desta sexta-feira, 14 de agosto, Jamil Chade revelou que os Estados
Unidos estão avançando na criação de uma arquitetura militar e de inteligência
para o continente. Representantes militares de 18 países reuniram-se no Panamá
no âmbito do Escudo das Américas, iniciativa apresentada como uma aliança
contra terrorismo, narcotráfico e cartéis. O Brasil não participa.
Um dos
projetos em discussão é a criação de uma central regional de inteligência sob
comando norte-americano. Os países participantes seriam chamados a fornecer
informações sobre pessoas e organizações consideradas ameaças.
A
pergunta é quem poderá ser classificado amanhã como ameaça aos interesses dos
Estados Unidos. Recursos naturais e concorrência chinesa já aparecem no
horizonte dessas preocupações. O Comando Sul ativou a Força-Tarefa Conjunta do
Hemisfério Ocidental, criada, segundo o Pentágono, para coordenar operações
militares norte-americanas com aliados e parceiros e responder rapidamente a
crises em toda a região.
Ao
mesmo tempo, o governo Trump anuncia a preparação de ações militares terrestres
contra organizações classificadas como narcoterroristas na América Latina. No
Equador, operações norte-americanas já ocorrem. A Colômbia autorizou a adoção
do novo modelo em seu território. O discurso começa a adquirir músculos. A
Doutrina Monroe foi uma declaração política. Está se transformando numa
arquitetura diplomática, econômica, militar e de inteligência. E existe um
precedente recente demais para ser ignorado.
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Foi assim que começou na Venezuela
Antes
da invasão da Venezuela, Washington também falava em narcotráfico. Falava em
cartéis. Falava em terrorismo. Falava em segurança dos Estados Unidos. Nicolás
Maduro foi acusado de ligação com o narcotráfico. A pressão militar cresceu.
Vieram as operações no Caribe. Depois veio a força. Em 3 de janeiro de 2026,
forças norte-americanas entraram na Venezuela, sequestraram o presidente
Nicolás Maduro e sua mulher Cilia Flores, arrancados de dentro do Palácio
Miraflores, em Caracas, e os transportaram para os Estados Unidos. Continuam
presos em alguma prisão de Nova York há sete meses.
O
presidente de um país latino-americano foi retirado de seu território por
militares estrangeiros. E o próprio vídeo do Departamento de Estado divulgado
na terça-feira, 4 de agosto, transforma a operação em exemplo histórico da nova
política hemisférica, apresentando-a como sinal destinado aos demais países da
região.
Não
significa que o mesmo roteiro será automaticamente aplicado a outros países.
Mas significa que o precedente existe. E que foi produzido há apenas sete
meses. Por isso, quando Washington anuncia agora que pretende realizar
operações militares terrestres contra “narcoterroristas” em outros países
latino-americanos, é impossível não lembrar como começou a escalada
venezuelana. A Venezuela mostrou até onde a nova doutrina pode chegar pela
força. Cuba mostra outra face do mesmo poder.
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Cuba, a Gaza do hemisfério de Trump
Uma
pequena ilha do Caribe atravessa uma das mais graves crises de sua história
recente.
Falta
combustível, medicamentos, alimentos. Falta tudo. Apagões chegam a vinte horas.
Hospitais lutam para manter equipamentos funcionando. A falta de energia
compromete o bombeamento de água, o transporte e a conservação dos alimentos.
É
diante desse quadro que surge uma pergunta desconcertante: Por que uma pequena
ilha empobrecida continua sendo tratada como ameaça pela maior potência militar
do planeta?
A
situação tornou-se ainda mais grave depois da intervenção norte-americana na
Venezuela. Durante anos, Caracas foi um dos principais fornecedores de petróleo
de Cuba. Depois do sequestro de Maduro pelas forças armadas de Trump esse fluxo
foi interrompido.
Sem
petróleo suficiente, não falta apenas gasolina. Falta eletricidade. E, quando
falta eletricidade, param bombas de água, refrigeração, transportes e
equipamentos hospitalares. Cuba espera combustível. Mas os navios não podem
chegam. Os Estados Unidos da América do Norte não permitem.
Se a
Venezuela foi a demonstração do poder militar norte-americano, Cuba tornou-se a
demonstração do poder econômico. Uma mostra o que acontece quando Washington
decide usar a força. A outra mostra o que pode acontecer quando se decide
fechar o cerco. A mensagem é a mesma: “Este hemisfério é nosso.” Dizem e reptem
Trump, Rubio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos da América do Norte.
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E o Brasil?
É aqui
que a história deixa de ser apenas latino-americana e chega diretamente às
eleições brasileiras. O Brasil não é Venezuela. Não é Cuba. Não é Panamá. É a
maior economia da América Latina.
O maior
território da região. Um dos maiores produtores de alimentos do planeta. Possui
água, petróleo, minerais críticos, terras raras, biodiversidade e uma base
industrial que, embora enfraquecida, continua sendo incomparável na América do
Sul. É membro fundador dos BRICS. Mantém relações estratégicas com a China. E
pretende preservar uma política externa independente. Não por acaso, Brasília
acompanha com preocupação a formação de um bloco regional militar articulado
pelos Estados Unidos.
Jamil
Chade já havia revelado, em janeiro, que a prioridade número um da política
externa brasileira em 2026 seria evitar ingerências estrangeiras na eleição
presidencial e impedir o isolamento regional do país. Segundo sua apuração, o
governo brasileiro interpretava a nova estratégia norte-americana como
tentativa de retomar o controle do hemisfério por meio de força, pressão
econômica e acesso aos recursos naturais. Agora já não se trata apenas de uma
previsão. A estrutura está montada.
Sempre
houve pressão econômica. Inteligência. Operações políticas. Campanhas de
influência. Sanções. Guerra informacional. A diferença de 2026 talvez esteja
menos na existência da ingerência do que em sua visibilidade. Washington já não
parece preocupado em escondê-la.
O Departamento de Estado produz um vídeo.
Recupera a Doutrina Monroe. Mostra a Venezuela e Cuba. Exalta a supremacia
norte-americana. E conclui: “Este hemisfério é nosso.”
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Dois projetos diante das urnas
Neste
sábado, 15 de agosto, começa oficialmente a propaganda eleitoral no Brasil. O
primeiro turno será realizado em 4 de outubro. O segundo na terça-feira, 25 de
outubro. Dois projetos profundamente
antagônicos chegam à disputa.
De um
lado, Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, defendendo soberania
nacional, integração regional, multilateralismo, BRICS e a manutenção de
relações com diferentes centros de poder mundial.
Do
outro, Flávio Bolsonaro, candidato do PL e representante de uma extrema direita
brasileira profundamente identificada com a ultradireita internacional que hoje
tem em Donald Trump e Marco Rubio suas principais referências. A campanha
brasileira começa, portanto, em um momento extraordinário.
A
Venezuela foi invadida. Cuba está sob asfixia. Os Estados Unidos montam uma
estrutura militar e de inteligência para a América Latina. Washington proclama
que sua dominância regional não será novamente questionada.
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E o Brasil vai às urnas
A
eleição presidencial de 2026 já não pode ser compreendida apenas como uma
disputa doméstica entre dois candidatos ou dois campos políticos. Ela ocorre
dentro de uma disputa muito maior sobre quem definirá o futuro deste
continente.
Durante
meses, perguntamos se o Brasil seria a joia da coroa. O país que ainda faltava
para os Estados Unidos de Trump e Rubio completarem o cerco total à América do
Sul. A pergunta está ultrapassada. O presidente dos Estados Unidos já decidiu
que não há joia alguma a disputar. Para ele, todo o hemisfério ocidental já tem
dono.
“A
Venezuela é nossa. Cuba é nossa. A América Latina é nossa. O Brasil é nosso.
Este hemisfério é nosso.”
É o que
dizem Trump e Rubio no vídeo preparado pelo Departamento de Estado para que
eles reafirmassem o que pensam.
Em 4 de
outubro, é chegada a hora e o exato momento de os eleitores brasileiros
responderem nas urnas à pergunta que Washington resolveu fazer para nós: O Brasil é de quem?
• Flávio: A Missão. Por Ricardo Mezavila
O
presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse em uma reunião com políticos, que o
Centrão está com Lula e que Flávio Bolsonaro já estaria derrotado pelo
Presidente. O fato de nenhum Partido formar com a chapa do PL, contrariando a
candidatura de seu pai Jair em 2022, traz uma mensagem muito clara de que
Flávio Bolsonaro vai ter muita dificuldade durante a campanha.
Algo
muito explosivo assombra os bastidores da candidatura de Flávio, que já seria
do conhecimento de seus aliados e, que por conta disso, preferiram o
afastamento para não prejudicar suas imagens em seus redutos eleitorais.
Não
bastassem os áudios com Vorcaro, a possível lavagem de dinheiro no caso do
filme Dark Horse, fotos com corruptos investigados, o próprio candidato do PL
disse que teria um vídeo comprometedor que o levou a pedir desculpas públicas
antecipadas à sua esposa.
Tem
muito caroço debaixo desse angu, muitos cadáveres escondidos dentro dos
armários de Flávio, e todo dia aparece algo para ser anotado em sua agenda
negativa, como a informação falsa de que teria cursado Pós-graduação em Ciência
Política na UFRJ.
Para
tentar desviar de tantos problemas, Flávio usa a mentira como defesa. Mente o
dia inteiro pelas redes sociais e, quando convidado, mente nos programas de
entrevistas. Outra ‘arma’ que utiliza são as indefectíveis perguntas: E o Lula?
E o Lulinha? E o PT?
Determinado
a construir um factoide brilhante, como a facada do Adélio, Flávio tenta criar
um clima de que estaria sendo perseguido pelo ‘sistema’. O fato da filiação ao
Partido Missão, pode ter sido mais uma estratégia para reforçar essa
‘perseguição’.
Pouco a
pouco, sem saída, sem vislumbrar êxito em outubro, ele tem como bengala da
esperança, a intervenção de Donald Trump nas eleições do Brasil, ou até uma
possível ação extrema por parte dos EUA, que não podemos tratar como
impossível.
Fonte:
Por Gustavo Tapioca, em Brasil 247

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