Por
quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel?
Após
sete meses de guerra, e apesar da forte pressão sobre a economia e a
infraestrutura do país, os líderes iranianos ainda não parecem ter pressa para
encerrar o conflito com os Estados Unidos e Israel.
O Irã pode querer demonstrar que os
EUA não podem ditar sozinhos o ritmo do conflito.
O país
também pode tentar tornar a guerra mais custosa militar, econômica e
politicamente para os EUA e, assim, pressionar o governo americano a aceitar
algumas de suas exigências.
Mas
tudo depende de uma questão crucial: por quanto tempo o Irã consegue sustentar
a guerra?
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Qual é a capacidade militar do Irã para prolongar a guerra?
Partes
da indústria de defesa e das instalações de produção de mísseis do Irã foram alvo de ataques, mas não
há dados independentes que permitam dimensionar os danos. Em sua análise mais
recente, o think tank (centro de pesquisa e debates) Chatham
House afirma que não há uma estimativa confiável de quantos mísseis o Irã
possui.
O
número de mísseis balísticos lançados pelo Irã em cada ataque vem diminuindo.
Mas a capacidade do país de sustentar a guerra não depende apenas de seus
estoques de mísseis: drones e mísseis de cruzeiro podem ser produzidos com mais
rapidez e facilidade, os comandantes mortos até agora foram substituídos e a
estrutura de comando não foi desmantelada.
Mohammad
Ghaedi, professor de relações internacionais da Universidade George Washington,
nos EUA, disse à BBC News Persa que "o Irã provavelmente consegue manter
por muito tempo a sua capacidade de realizar lançamentos — ainda que em menor
intensidade — e continua capaz de provocar transtornos no estreito de
Ormuz", por onde passava cerca de 20% da produção global de petróleo antes
da guerra.
Os
líderes iranianos também avaliam que prolongar o conflito pode trazer prejuízos
aos EUA.
A
defesa americana já gastou parte de seus estoques de munição para interceptar
mísseis e drones iranianos, e algumas análises nos EUA alertam que esse arsenal
não poderá ser reposto rapidamente.
Ghaedi
também afirmou que "o impacto da guerra sobre o preço do petróleo e a
situação política interna dos EUA alimentaram no Irã a expectativa de que seja
possível forçar os EUA a aceitar algumas de suas condições".
Nos
EUA, o apoio ao presidente Donald Trump entre eleitores do Partido Republicano
(ao qual Trump pertence) continua relativamente alto. Ainda assim, pesquisas
mostram que muitos americanos desaprovam o conflito e temem que Trump não
esteja conseguindo atingir os objetivos traçados para a guerra.
Se o
Irã estiver certo em sua avaliação, o país não precisaria necessariamente
derrotar os EUA no campo militar. Prolongar a guerra e aumentar seus custos já
pode funcionar como instrumento de pressão. Até agora, não há sinais de que as
limitações militares, por si só, seja suficientes para levar o Irã a encerrar o
conflito.
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Por quanto tempo a economia do Irã consegue resistir?
Antes
mesmo da guerra, a economia iraniana já enfrentava inflação alta, falta de
investimentos, desvalorização de sua moeda, o rial, e problemas estruturais.
Segundo uma estimativa do Banco Mundial, o PIB (soma de todas as riquezas
produzidas) do país caiu cerca de 2,7% no ano fiscal de 2025-26, e apenas as
últimas semanas desse período coincidiram com o conflito.
A
guerra agravou esse quadro. Dados do Centro de Estatísticas do Irã mostram que
a inflação acumulada em 12 meses chegou a 62%. A pressão foi maior nas
províncias do sul, mais expostas aos efeitos da guerra: em Hormozgan, por
exemplo, a inflação superou 101%.
No
mercado de trabalho, mais de 1 milhão de postos foram perdidos por causa da
guerra, que deixou cerca de 2 milhões de pessoas direta ou indiretamente
desempregadas, segundo o vice-ministro do Trabalho do Irã.
O Fundo
Monetário Internacional (FMI) prevê ainda que a economia iraniana encolha cerca
de 5,4% em 2026 e que a inflação se aproxime de 69%.
A
duração da guerra e o impacto sobre o comércio e as exportações de petróleo
serão decisivos. O estreito de Ormuz é, ao mesmo tempo, uma forma de pressionar
os EUA e uma fragilidade para o próprio Irã: interrupções nessa rota podem
encarecer a guerra para os americanos e afetar o mercado global de energia, mas
o bloqueio naval americano e as restrições à navegação também dificultam as
exportações de petróleo do Irã.
Ainda
assim, a piora da economia não necessariamente levará o Irã a mudar de rumo.
Ghaedi
afirmou que governos autoritários podem se manter por anos mesmo em situações
econômicas difíceis. Na avaliação dele, inflação, desemprego e desequilíbrios
estruturais podem aumentar o descontentamento da população, mas só tenderiam a
alterar a política militar do Irã se viessem acompanhados de protestos
generalizados ou de divisões dentro do governo.
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Divergências no governo iraniano: por quanto tempo a guerra deve continuar?
Não há
consenso no Irã sobre qual é o melhor caminho a seguir.
Mohammad
Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do Irã e chefe da delegação iraniana
nas negociações, já havia alertado que o Irã não deveria se deixar arrastar
para uma "guerra de desgaste" e criticou os opositores das
negociações. Já Amirhossein Sabeti, deputado linha-dura do Irã, afirmou que a
guerra ocorreria mesmo que os EUA aceitassem todas as condições do Irã e
assinassem um acordo.
A
divergência não se resume a dois grupos, um favorável à guerra e outro à paz.
Ghalibaf
também afirma que não aceitará um acordo que não preserve os direitos do Irã. A
discordância está sobretudo em até que ponto prolongar a pressão pode
fortalecer a posição do Irã nas negociações e quando os custos passam a ser
maiores do que os ganhos.
E o que
pensa a população? Não há pesquisas de opinião independentes e confiáveis sobre
a opinião dos iranianos a respeito da continuidade da guerra, e as redes
sociais não refletem toda a sociedade.
Mas,
Hamidreza Azizi, especialista em Irã e pesquisador visitante do Instituto
Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP, na sigla em alemão),
disse em entrevista à BBC que o maior risco para a República Islâmica pode vir
de dentro do próprio país. Segundo Azizi, a inflação alta, a crise econômica e
os problemas de infraestrutura podem tornar a situação interna a "frente
mais perigosa" para o governo iraniano.
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Uma guerra que precisa de uma estratégia para terminar
Uma
guerra longa também pode prejudicar a posição do Irã na região. Nos últimos
anos, o Irã vinha tentando melhorar as relações com os países árabes do Golfo,
sobretudo com a Arábia Saudita. A continuidade dos ataques contra bases,
instalações e rotas marítimas nesses países pode desfazer parte dessa
aproximação.
Até
agora, esses países têm buscado conter as tensões e retomar as negociações.
Mas, quanto mais vulneráveis se sentirem a ataques do Irã ou de grupos
alinhados ao Irã, maior será a tendência de ampliar a cooperação militar com os
EUA — inclusive como forma de se proteger do próprio Irã.
Para o
Irã, prolongar a guerra só terá vantagem política se a pressão sobre os EUA
resultar em concessões nas negociações. Ainda não está claro que tipo de acordo
permitiria ao Irã encerrar a guerra em condições consideradas aceitáveis nem
como seria possível chegar a esse entendimento.
"O
que falta à estratégia do Irã", afirmou Azizi, do SWP, "é explicar
claramente como as vantagens obtidas durante a guerra podem ser transformadas
em um acordo político duradouro. O Irã mostrou que consegue afetar o
fornecimento global de energia e aumentar os custos para os EUA e seus aliados.
Mas não está claro como poderá manter indefinidamente um confronto com os EUA e
os países do Golfo."
Até
agora, nenhuma das limitações militares, econômicas ou políticas, isoladamente,
impediu o Irã de continuar a guerra. Mas, quanto mais tempo o conflito durar,
maior será a pressão econômica interna, mais prejudicadas ficarão as relações
regionais do Irã e mais difícil será chegar a um acordo que compense esses
custos.
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Em Teerã, ministro paquistanês defende fortalecer laços
com Irã e ‘acelerar’ implementação de acordos
O
ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, reuniu-se nesta terça-feira
(11/08) com o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, na capital Teerã, em meio a esforços de mediação para
encerrar a guerra em curso promovida pelos Estados Unidos e Israel, de acordo
com a emissora catari Al Jazeera.
Conforme
fontes diplomáticas citadas pela agência de notícias iraniana IRNA,
as conversas de alto nível abordaram os laços bilaterais e questões de
interesse mútuo. No entanto, nenhum detalhe do encontro em específico foi
oficialmente divulgado, de imediato, por ambas as partes.
“Naqvi
fez várias viagens ao Irã nos últimos meses para conversas com autoridades
iranianas. Suas visitas recentes têm se concentrado no acompanhamento do
memorando de entendimento de Islamabad, na mediação do Paquistão entre Teerã e
Washington, e nas relações bilaterais entre Irã e Paquistão”, informou o
veículo.
A
visita ocorre um mês após o ministro do Interior iraniano Eskandar Momeni ter
viajado a Islamabad para conversas com seu homólogo paquistanês.
O
presidente iraniano Masoud Pezeshkian, que também se reuniu com Naqvi, afirmou
que Teerã está pronta para aprofundar as relações bilaterais com o governo
paquistanês nos setores político, econômico, comercial, cultural e de
segurança, elogiando os esforços de Islamabad para fortalecer os laços que, em
sua avaliação, impulsionaria a “estabilidade e segurança regionais”.
Conforme
a agência IRNA, ele enfatizou a necessidade de fazer melhor uso das
capacidades existentes dos dois países para elevar o nível da cooperação
bilateral, enfatizando a importância das relações entre Irã e Paquistão dentro
do contexto regional mais amplo.
Naqvi,
por sua vez, expressou satisfação com sua reunião com Pezeshkian e disse que
sua visita a Teerã teve como objetivo dar seguimento aos acordos e
entendimentos alcançados durante a recente visita de seu homólogo iraniano
Eskandar Momeni ao Paquistão. O ministro paquistanês reafirmou a relação
histórica entre os dois países, além de destacar que Islamabad está determinada
a buscar o desenvolvimento abrangente das relações com Teerã.
Ele
também enfatizou a importância de implementar os acordos e entendimentos
existentes, descrevendo sua visita como parte dos esforços para fortalecer os
mecanismos bilaterais de cooperação e acelerar a implementação dos compromissos
alcançados pelas duas partes.
O
Paquistão, que é apoiado por países do Golfo como o Catar, tem tentado mediar
um acordo entre Washington e Teerã, mas o conflito continuou após violações
norte-americanas do memorando de entendimento assinado entre as duas partes em
junho. Este acordo provisório previa a abertura de uma janela de 60 dias para
novas negociações voltadas a um acordo de paz definitivo.
Agora,
o bloqueio do Estreito de Ormuz, via navegável que era responsável pela
passagem de cerca de um quinto do petróleo mundial antes da agressão
norte-americana e israelense em 28 de fevereiro, se consolida como a pauta
principal nas negociações.
¨ Premiê libanês
denuncia 'destruição sistemática' de Israel no sul do país: 'violação do
direito internacional'
O
primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, denunciou nesta quarta-feira (12/08)
que os “ataques, incursões, operações de demolição e a destruição
sistemática” de Israel no sul libanês constituem uma “grave violação dos
princípios e regras do direito internacional e do direito internacional
humanitário”.
Em sua
conta no X, o premiê ressaltou as agressões nas regiões de Mansouri, Zawtar
al-Sharqiyah, Kfar Tebnit e outras vilas e cidades do sul, nas quais o governo
israelense justifica a demolição com base na presença de instalações militares.
“A
natureza dos locais visados refuta tais alegações. A afirmação de que vilas e
cidades inteiras, incluindo suas casas, bairros, prédios governamentais,
instalações públicas, locais de culto e infraestrutura, são ‘instalações
militares’ é insustentável sob qualquer lógica e não pode servir de pretexto
para destruí-las, deslocar seus moradores e impedi-los de retornar”, declarou
Salam.
O líder
libanês reafirmou a soberania do país e a segurança do povo, instando que
o direito dos sulistas
de retornarem às suas terras e reconstruírem suas aldeias “é
inegociável”.
Em
paralelo, o Comando do Exército do Líbano emitiu uma declaração afirmando que
as “forças de ocupação israelenses continuam seus ataques e violações dos
entendimentos existentes e do direito internacional”, citando a demolição do
prédio da prefeitura de Zawtar al-Sharqiyah em Nabatieh, bem como da escola
pública, do posto de saúde, da creche e de várias casas na cidade.
“Isso
confirma a abordagem destrutiva contínua da ocupação, que visa infligir o maior
dano possível às vilas e cidades do sul e impedir o estabelecimento da
estabilidade”, observaram.
“Ao
mesmo tempo, o Exército continua a cumprir as suas missões no sul, onde
enfrenta dificuldades significativas em consequência destes ataques, que estão
a dificultar a conclusão do seu destacamento e o regresso dos residentes”,
acrescentou.
Beirute
e Tel Aviv realizaram, na última semana, a sétima rodada de
negociações visando um cessar-fogo dos ataques israelenses no território
libanês. Enquanto o governo de Netanyahu mantém sua ofensiva, o Centro de
Operações de Emergência do Ministério da Saúde Pública indicou que desde o
início das agressões em 2 de março, ao menos 4.335 civis já foram mortos.
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'Não permitiremos que Israel fique em nossa terra', afirma presidente do Líbano
O presidente do
Líbano, Joseph Aoun,
afirmou nesta terça-feira (11/08) que as negociações com Israel estão
“progredindo”, mas declarou que “não permitiremos que Israel permaneça, nem
mesmo em um único centímetro de nossa terra, nem que um único soldado de seu
exército fique em nosso solo”.
“Não há
discordância entre os libaneses quanto aos objetivos, desde a retirada
israelense e o retorno dos prisioneiros até a reconstrução do que foi
destruído”, disse Aoun, segundo um comunicado da Presidência libanesa após uma
reunião com uma delegação da Instituição Maronita para a Propagação.
O líder
acrescentou que as conversas continuam
sendo preferíveis aos “resultados da guerra destrutiva travada contra nós” e
observou que os ataques de Israel “foram reduzidos” desde a assinatura do
acordo preliminar para as negociações.
Aoun
também disse que slogans alegando que “o que é tomado à força só pode ser
restaurado à força” têm sido ouvidos repetidamente, mas que “a realidade no
terreno provou que essa afirmação está errada”.
5 de
agosto
Seus
comentários surgem após a sétima rodada de negociações entre as delegações de
Beirute e Tel Aviv em Roma na semana passada, enquanto os ataques
israelenses ao Líbano continuam.
Nesse
sentido, os libaneses do sul que foram deslocados pelos soldados israelenses
continuam impedidos de retornar para suas casas devido à presença militar e aos
ataques contínuos de Israel.
“Chegou
a hora de o povo do Sul descansar e viver em segurança em suas terras, em vez
de continuar travando guerras em seu nome por objetivos que não são libaneses”,
disse o presidente.
Aoun
enfatizou que sua prioridade era reconstruir o Estado, independentemente do
custo, apesar da oposição daqueles que buscam minar seus fundamentos e impedir
sua reconstrução.
A Agência
Nacional de Notícias do Líbano informou que, desde a manhã desta
terça-feira, o Exército israelense incendiou diversos campos e pomares nas
áreas de Sarda e Wazzani. Os incêndios se alastraram para a região de Wata
Khiyam, com colunas de fumaça sobrevoando a área.
Além
disso, veículos militares também avançaram na cidade de Hadatha em direção aos
arredores orientais de Aita al-Jabal, no distrito de Bint Jbeil, enquanto as
forças israelenses disparavam tiros de metralhadora contra a parte leste da
cidade.
Em
outro comunicado, o Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde
Pública informou que um ataque de drone
israelense na
cidade de Nabatieh deixou ao menos duas pessoas feridas.
Segundo
o ministério, a área foi alvo de dois ataques. O segundo atingiu uma equipe de
resgate da Associação Al-Rissala, que já havia chegado para prestar auxílio aos
dois feridos, e danificou uma ambulância.
Desde o
início da agressão israelense contra o Líbano em 2 de março, cerca de 4.335
civis foram mortos e pelo menos 12.227 foram feridos.
Fonte: BBC
News Persa/Opera Mundi

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