Quais
são as alternativas ao Estreito de Ormuz?
Meses
de bloqueios e incertezas em torno do Estreito de Ormuz levaram os
exportadores de petróleo a buscar
alternativas para contornar essa importante rota marítima.
Autoridades
iranianas insistiram que a hidrovia permaneceria fechada e que as negociações
não seriam retomadas a menos que os Estados Unidos cumprissem um acordo firmado
em junho e oferecessem compensações a Teerã por supostas violações.
Mas o
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu na segunda-feira (10/08) que a
Marinha americana já controla o Estreito de Ormuz. "Nós removemos
as minas de todo o estreito", disse a jornalistas na Casa Branca.
A
estreita passagem marítima entre o Irã e Omã é uma das rotas mais importantes
do mundo para o transporte de petróleo. Antes da guerra com o Irã, cerca de 20%
das exportações globais de petróleo bruto passavam pelo local, saindo do Golfo
Pérsico em direção a mercados da Europa, Ásia e América do Norte.
Diante
da interrupção prolongada, a Arábia Saudita demonstrou que consegue
redirecionar volumes substanciais para longe do Estreito de Ormuz. Os Emirados
Árabes Unidos, por sua vez, tiveram menos sucesso, apesar de contarem com
portos e oleodutos projetados especificamente para essa finalidade.
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A Arábia Saudita conseguiu absorver parte das exportações
A
guerra entre Estados Unidos e Irã aumentou a importância das rotas alternativas
pelo Mar Vermelho.
A
Arábia Saudita está enviando seu petróleo bruto por meio do Oleoduto
Leste-Oeste, que liga os campos petrolíferos do leste do país ao porto saudita
de Yanbu, no Mar Vermelho. Isso permite que o reino mantenha as exportações
para os mercados globais sem passar por Ormuz.
Durante
abril e maio, os embarques sauditas de petróleo a partir da costa do Golfo
caíram de 47,5 milhões de toneladas no ano anterior para apenas 6,3 milhões de
toneladas, segundo dados da plataforma PortWatch, do Fundo Monetário
Internacional (FMI).
No
mesmo período, as exportações pelo Mar Vermelho aumentaram de 29,6 milhões para
54,8 milhões de toneladas. O acréscimo de 25,2 milhões de toneladas compensou
cerca de 61% do volume perdido no lado do Golfo Pérsico.
A
mudança mostra que o Oleoduto Leste-Oeste não é apenas uma solução de
emergência, mas também uma ferramenta importante para manter o fluxo do
petróleo saudita durante um fechamento de Ormuz.
Os
rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram recentemente um bloqueio marítimo contra a Arábia
Saudita,
mas o impacto da medida ainda não está claro.
Enquanto
a Arábia Saudita trabalha para eliminar gargalos em seu sistema Leste-Oeste,
seu vizinho oriental, os Emirados Árabes Unidos, avaliam ampliar a capacidade
paralela ao Oleoduto de Abu Dhabi (ADCOP).
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Emirados Árabes Unidos ainda penam
No
papel, os Emirados Árabes Unidos parecem bem preparados. O ADCOP transporta
petróleo bruto de Habshan, em Abu Dhabi, até Fujairah, no Golfo de Omã, fora do
Estreito de Ormuz. Fujairah e o porto vizinho de Khor Fakkan também dispõem de
importantes instalações portuárias de águas profundas na costa leste do país.
No
entanto, embora esses portos estejam fora do Estreito de Ormuz, continuam
suficientemente próximos do Irã para permanecerem vulneráveis a drones e
mísseis. Durante os confrontos, o porto de Fujairah foi atacado, e embarcações
que operavam próximo à costa leste dos Emirados também foram atingidas.
O
tráfego marítimo na costa dos Emirados voltada para o Golfo Pérsico caiu para
12 milhões de toneladas em abril e maio, ante 68,5 milhões no mesmo período de
2025, segundo dados de rastreamento de embarcações da plataforma PortWatch, do
FMI. O movimento nos portos alternativos dos Emirados também recuou, de 13,7
milhões para 6,3 milhões de toneladas.
Em
outras palavras, em vez de absorver a carga desviada do Golfo Pérsico, esses
portos alternativos também registraram queda nos embarques.
Um dos
problemas é a capacidade física. Fujairah não consegue substituir rapidamente o
enorme volume movimentado por grandes instalações do Golfo Pérsico, como Jebel
Ali.
Mas o
risco de guerra é pelo menos tão importante quanto a capacidade. Uma rota
alternativa tem utilidade limitada se armadores e seguradoras considerarem seu
destino quase tão perigoso quanto o próprio Estreito de Ormuz.
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Novos oleodutos não resolverão a crise atual
Governos
e especialistas do setor discutem alternativas mais amplas.
O
economista Hassan Mansour afirma à DW que as propostas incluem novos oleodutos
ligando o Iraque a Omã e à Jordânia, além de rotas marítimas mais longas ao
redor de todo o continente africano, passando pelo Cabo da Boa Esperança, na
África do Sul. Mas esses projetos seriam caros e levariam anos para serem
construídos.
Segundo
Mansour, um oleoduto entre Basra, no Iraque, e Aqaba, na Jordânia, poderia
levar de cinco a sete anos para ficar pronto e custar entre 8 bilhões e 10
bilhões de dólares (R$ 41,5 bilhões e R$ 51,8 bilhões).
Já uma
ligação entre Basra e Omã poderia custar entre 10 bilhões e 15 bilhões de
dólares (R$ 51,8 bilhões e R$ 77,8 bilhões), enquanto projetos mais amplos
envolvendo Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Omã também exigiriam
investimentos significativos.
Ele
pondera que o desvio das embarcações pelo Cabo da Boa Esperança pode
acrescentar centenas de milhares de dólares em custos de transporte a cada
viagem.
"Em
resumo, esses projetos não podem resolver o problema imediato do mercado de
petróleo", afirma Mansour.
A rota
pelo Mar Vermelho também tem sua própria vulnerabilidade de segurança. Navios
que seguem em direção ao Canal de Suez precisam passar pelo estreito de Bab
el-Mandeb, onde ataques dos houthis têm ameaçado repetidamente a navegação
comercial.
Em
outras palavras, evitar um gargalo pode significar tornar-se dependente de
outro.
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Uma alternativa por Israel?
O
primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, argumentou que a região
precisa de "rotas alternativas, em vez de depender dos gargalos do
Estreito de Ormuz e do Estreito de Bab el-Mandeb para garantir o fluxo de
petróleo".
Segundo
o jornal The Times of Israel, isso poderia ser alcançado por meio
de "oleodutos e gasodutos seguindo para oeste através da Península Arábica
até Israel e nossos portos mediterrâneos".
Netanyahu
afirmou que essa rede significaria "eliminar para sempre os gargalos"
e insistiu que ela seria "definitivamente possível".
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Catar, Kuwait e Bahrein não têm saída fácil
As
tentativas de contornar Ormuz não são novas, mas a guerra expôs a
vulnerabilidade dessas alternativas, pontua Rahman Ghahremanpour, analista
político baseado em Teerã.
"Esses
oleodutos podem reduzir o impacto do Estreito de Ormuz, mas, em tempos de
guerra, eles próprios são vulneráveis", diz, observando que drones
iranianos e houthis podem alcançar tanto Fujairah quanto o Mar Vermelho.
Segundo
ele, o problema é ainda mais grave para Catar, Kuwait e Bahrein. "Ao
contrário da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, eles não possuem
litoral fora do Golfo Pérsico. Qualquer rota alternativa exigiria cooperação
com outros países, possivelmente envolvendo Iraque, Síria, Jordânia ou
Israel."
Por
isso, afirma, esses países continuarão dependentes de Ormuz no curto prazo.
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Estreito de Ormuz continua difícil de substituir
As
rotas alternativas podem tornar as exportações de energia do Golfo menos
vulneráveis, como demonstra a experiência saudita. Além disso, a ampliação dos
oleodutos existentes poderia reduzir ainda mais o impacto da atual crise.
Antes
do conflito, porém, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados
passavam diariamente pelo Estreito de Ormuz. A capacidade atual das rotas
alternativas representa apenas uma fração desse volume.
Ghahremanpour
também alerta que "oleodutos, sozinhos, não resolvem o problema".
"Portos, terminais e oleodutos também podem ser atacados", lembra.
Ao
mesmo tempo, segundo o analista, o fechamento de Ormuz também impõe limitações
a Teerã.
"Se
o Irã mantiver Ormuz fechado por muito tempo, a percepção de que a interrupção
é temporária pode desaparecer, e uma coalizão internacional muito mais
ampla poderá
se formar contra Teerã", disse. "O objetivo do Irã é evitar que essa
coalizão se forme."
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Países do Golfo devem aceitar controle iraniano sobre
Estreito de Ormuz, diz jornal
Os
países do Golfo Pérsico estão prontos para aceitar o acordo atual em
consideração que prevê o controle do Irã sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, ao avaliar que uma
escalada militar entre os Estados Unidos e o país persa
colocaria a infraestrutura energética das nações árabes em risco, conforme
noticiado pelo jornal The Wall Street Journal (WSJ) na
segunda-feira (10/08).
Segundo
o periódico norte-americano, os Estados da região não estão satisfeitos com o
mecanismo de passagem marítima negociado entre Omã e Irã, mas entendem ser “a
opção menos ruim” do que a continuidade das hostilidades entre Washington e
Teerã.
Um
ponto é que o acordo, que promete liberar os envios de energia através da
travessia do Ormuz, estagnaram nos últimos dias. As autoridades iranianas
exigem a retirada de sanções ocidentais, a reparação pelos danos causados ao
país, além da proibição de navios de guerra norte-americanos e israelenses no
estreito. Por outro lado, os Estados Unidos se recusam a aceitar um tratado que
permita a Teerã impor bloqueios à sua navegação.
“Enquanto
o bloqueio naval dos Estados Unidos continuar, as condições necessárias para a
reabertura do Estreito de Ormuz não existirão”, afirmou o porta-voz do
Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva
na segunda-feira, enfatizando que o fechamento da rota marítima foi “resultado
da agressão militar dos Estados Unidos e de Israel” contra o país persa.
De
acordo com o WSJ, a maior ameaça à região se trata de um conflito
prolongado que bloqueie ainda mais fluxos de energia e “assuste investidores
estrangeiros e turistas”. Autoridades do Golfo, conforme o jornal, “estão cada
vez mais frustradas com o que veem como a falta de uma estratégia clara por
parte dos Estados Unidos à medida que a guerra se arrasta, colocando em risco
sua segurança nacional e economias”.
Desta
forma, os países do Golfo estudam alternativas diferentes para contornar o
Estreito de Ormuz, expandindo os oleodutos para o Mar Vermelho e o Golfo de
Omã, além de investir em instalações de armazenamento para que possam
transportar mais petróleo durante períodos de menos ataques.
“Autoridades
do Golfo dizem que seus colegas iranianos ameaçaram durante todo o conflito
atacar a infraestrutura energética regional caso o presidente [Donald] Trump
cumpra suas ameaças de escalada”, destacou o WSJ.
“Autoridades da região reconhecem que suas instalações de energia e água são
vulneráveis e provavelmente alvos importantes para o Irã como forma de
interromper o fornecimento de energia e pressionar os Estados Unidos”.
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Trump diz que EUA têm ‘controle’ sobre Ormuz. Já o
Conselho Supremo de Segurança do Irã garanter que via continua fechada
Apesar
das tensões militares e do impasse nas negociações, o presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (11/08) que a situação com
o Irã está “indo bem”
e que as forças norte-americanas estão no “controle total” do Estreito de
Ormuz.
“Controlamos
totalmente o Estreito de Ormuz. Temos controle sobre ela. Ninguém mais, apenas
nós. Nossa Marinha é inacreditável, e as coisas estão indo muito bem para o
nosso país”, alegou o republicano a repórteres na Base Conjunta Andrews.
“Eu não
confio no Irã. Sou a última pessoa a confiar no Irã. Eles mentiram para mim o
tempo todo. Temos controle total sobre o Estreito de Ormuz neste momento. Eles
não têm controle”, reforçou.
A
declaração se dá mesmo enquanto o país persa detém o bloqueio da via
estratégica. Horas antes do posicionamento de Trump, o novo secretário do
Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, reiterou que
Ormuz “não será aberto” até que os Estados Unidos “mudem o seu comportamento
e aceitem as condições” de Teerã, de acordo
com a agência Tasnim.
O novo
dirigente iraniano afirmou que o acordo referente à rota marítima que está
sendo negociado com Omã deve ser visto “em separado” do bloqueio e não
significará a sua reabertura. Enfatizou também que Teerã não deve abrir mão de
seus direitos nacionais diante de qualquer ameaça, apontando que as decisões a
serem tomadas agora deverão ser “mais fortes do que antes”, baseadas em uma
compreensão precisa da situação.
No
começo da semana, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã,
Esmaeil Baqaei, destacou que Ormuz não será reaberto enquanto Washington
mantiver o bloqueio naval contra Teerã, não liberar os fundos iranianos
congelados e não reparar por suas “ações destrutivas”.
“Enquanto
o bloqueio naval dos EUA continuar, as condições necessárias para a reabertura
do Estreito de Ormuz não existirão”, afirmou Baqaei à imprensa na ocasião.
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Irã diz que novo acordo de defesa Arábia Saudita-Paquistão-Turquia sinaliza
desconfiança nos EUA
O
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou
nesta segunda-feira (10/08) que o novo acordo de defesa assinado
entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia sinaliza que os países mudaram
sua percepção referente à segurança regional e notaram que ela não pode ser
garantida confiando em potências estrangeiras, como os Estados Unidos.
A
posição foi dada em uma coletiva semanal, durante a qual Baqaei abordou o
tratado trilateral de defesa mútua firmado pelas três nações do Oriente Médio
na última sexta-feira (07/08), tendo como pano de fundo a guerra promovida por
Washington e Tel Aviv contra o país persa. Os três signatários foram fortemente
afetados pelo bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, uma medida retaliatória
tomada por Teerã contra os países agressores.
“Qualquer
plano baseado nas realidades geopolíticas e históricas da região, que seja
abrangente e inclusivo, que identifique corretamente o inimigo e a ameaça, tem
chance de ajudar a fortalecer a segurança e prevenir instabilidade e abusos por
parte do inimigo sionista e seus aliados”, destacou. “Os países da região não
podem se basear na alegação de segurança fornecida pelos EUA, como no passado”.
Segundo
o representante, os ataques do regime sionista e dos norte-americanos ao
Líbano, Palestina e Síria, bem como suas ameaças no Oriente Médio, fortaleceram
a compreensão de que as nações da região não podem mais contar com as alegações
falsas dos Estados Unidos para garantir segurança.
O
porta-voz iraniano também disse que o próprio governo norte-americano
contribuiu para a insegurança na região, argumentando que o Estado de Israel
não poderia ter realizado suas ações militares sem o apoio de Washington.
Embora
os três países sejam aliados-chave dos Estados Unidos na região, apenas a
Turquia mantém relações com Israel. Ainda assim, Istambul se manifesta
publicamente contra Israel em determinados momentos, com o presidente Recep
Tayyip Erdogan frequentemente comparando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
ao líder nazista Adolf Hitler, acusando o regime sionista de cometer genocídio
em Gaza e oferecendo consistentemente apoio diplomático ao Hamas.
Baghaei
também afirmou na segunda-feira que as negociações com Omã sobre o acordo de
cessar-fogo estão “progredindo de forma suave e construtiva.” Conforme o
porta-voz, o acordo foi alcançado sobre um mapa de rotas marítimas, enquanto
algumas questões técnicas permanecem sem solução.
Fonte: DW
Brasil/Opera Mundi

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