Ossos
fortes para a vida toda? Cuidados começam antes do nascimento
Quando
se fala em saúde óssea, a maioria das pessoas pensa imediatamente na
osteoporose e na terceira idade, porém a ciência mostra que os cuidados com os
ossos devem começar ainda durante a gestação.
A ação
se inicia por meio da nutrição adequada da gestante, e deve continuar durante a
infância e adolescência, período em que é formada a maior parte da massa óssea.
Até o envelhecimento, para cada fase da vida há estratégias específicas de
cuidado com os ossos.
Essa
mudança ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento da população
brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a
população com 60 anos ou mais deverá dobrar nas próximas décadas, aumentando
também a incidência de doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento, entre
elas a osteoporose e as fraturas por fragilidade.
Play
Video
De
acordo com a Fundação Internacional de Osteoporose, uma em cada três mulheres e
um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica
ao longo da vida. Essas fraturas estão associadas à perda de independência,
redução da qualidade de vida e aumento da mortalidade, especialmente entre
idosos.
<><>
O que dizem especialistas?
Para a
reumatologista Dra. Vera Szejnfeld, presidente do 12º Congresso Brasileiro de
Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo (BRADOO) e ex-presidente da
Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), pensar
na saúde dos ossos apenas quando surgem sintomas significa perder oportunidades
importantes de prevenção.
Para a
profissional, cada etapa da vida apresenta desafios próprios. Durante a
gestação, fatores como o estado nutricional materno influenciam a formação do
esqueleto fetal. Na infância e na adolescência ocorre a construção do chamado
pico de massa óssea, considerado um dos principais determinantes da saúde dos
ossos ao longo da vida. Estima-se que cerca de 90% da massa óssea seja
adquirida até os 18 a 20 anos de idade, tornando esse período decisivo para
reduzir o risco de osteoporose no futuro.
Na vida
adulta, o objetivo passa a ser preservar essa reserva óssea. Alimentação
adequada, prática regular de atividade física, ingestão suficiente de cálcio e
vitamina D, além da redução de fatores de risco como sedentarismo e tabagismo,
contribuem para manter a saúde do esqueleto.
Já
entre as mulheres, a menopausa representa uma das fases de maior atenção. A
redução dos níveis de estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o
risco de osteoporose e fraturas, motivo pelo qual a avaliação médica
individualizada torna-se fundamental.
Na
população idosa, o cuidado vai além da densidade mineral óssea. A perda de
massa muscular, alterações do equilíbrio e maior risco de quedas tornam
necessária uma abordagem integrada para preservar a autonomia e evitar fraturas
incapacitantes.
"A
saúde óssea requer atenção todos os dias, com cuidados contínuos da infância à
terceira idade. Ao longo do tempo, ela se torna decisiva para preservar
independência, mobilidade e qualidade de vida na longevidade. Essa é a jornada
do osso", destaca a médica.
Nas
últimas décadas, os avanços científicos também transformaram o acompanhamento
das doenças osteometabólicas. Além da densitometria óssea, exames de composição
corporal, biomarcadores e novas terapias permitem diagnósticos mais precoces e
tratamentos cada vez mais personalizados.
• Artrose no joelho: o que há de novo para
evitar a prótese por mais tempo
Durante
muito tempo, o diagnóstico de artrose de joelho parecia levar inevitavelmente à
cirurgia de prótese. Hoje, avanços na medicina regenerativa e em terapias
ortobiológicas permitem controlar os sintomas e preservar a articulação por
mais tempo em muitos pacientes.
<><>
O que mudou no tratamento da artrose
A
artrose do joelho é uma das causas mais comuns de dor e limitação funcional,
especialmente após os 50 anos. Trata-se de um processo degenerativo em que a
cartilagem que recobre a articulação se desgasta progressivamente, levando à
dor, rigidez e dificuldade para caminhar.
Por
muitos anos, quando o tratamento conservador deixava de funcionar, a principal
alternativa era a cirurgia de prótese. Embora esse procedimento continue sendo
uma solução eficaz em casos avançados, a abordagem da artrose evoluiu
significativamente. Hoje, novas estratégias permitem retardar a progressão da
doença e melhorar a
qualidade
de vida
sem recorrer imediatamente à cirurgia.
A
medicina atual passou a enxergar a artrose não apenas como desgaste mecânico,
mas como uma condição que envolve inflamação articular, alterações metabólicas
e impacto do estilo de vida.
Isso
ampliou o arsenal terapêutico. O controle do peso, o fortalecimento muscular, a
fisioterapia especializada e a atividade física orientada continuam sendo
pilares fundamentais. O fortalecimento da musculatura ao redor do joelho ajuda
a estabilizar a articulação e reduzir a sobrecarga sobre a cartilagem.
Além
disso, terapias injetáveis passaram a ter papel relevante no controle da dor e
na melhora da função articular.
<><>
Terapias ortobiológicas e o papel do MFAT
Nos
últimos anos, as chamadas terapias ortobiológicas têm despertado interesse
crescente. Elas utilizam componentes biológicos do próprio organismo para
modular a inflamação e favorecer um ambiente de regeneração dos tecidos.
Uma
dessas abordagens é o MFAT (Microfragmented Adipose Tissue), que utiliza tecido
adiposo do próprio paciente, processado de forma específica para preservar
células e fatores biológicos com potencial regenerativo. Esse material é então
aplicado na articulação com o objetivo de reduzir a inflamação e melhorar o
ambiente articular.
Embora
não represente uma “cura” da artrose, o objetivo dessas terapias é aliviar os
sintomas, melhorar a função e, possivelmente, retardar a progressão da doença
em pacientes selecionados.
<><>
Quando é possível preservar a articulação
Nem
todo paciente com artrose precisa, necessariamente, de prótese de joelho. Em
muitos casos, especialmente nos estágios iniciais ou moderados da doença,
estratégias combinadas podem manter a articulação funcional por muitos anos.
A
decisão depende de diversos fatores, como idade, nível de atividade, grau de
desgaste da cartilagem, alinhamento do joelho e intensidade da dor. A avaliação
individualizada é essencial para definir o melhor caminho.
Em
alguns pacientes, intervenções precoces podem reduzir a progressão do desgaste
e postergar a necessidade de cirurgia. Em outros, a prótese continua sendo a
opção mais eficaz para recuperar mobilidade e qualidade de vida.
O mais
importante é entender que o tratamento da artrose evoluiu. Hoje existe um
caminho entre a dor persistente e a cirurgia imediata. Com diagnóstico
adequado, acompanhamento especializado e uso criterioso das novas terapias,
muitos pacientes conseguem preservar a articulação e manter uma vida ativa por
mais tempo.
Fonte:
CNN Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário