sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Ossos fortes para a vida toda? Cuidados começam antes do nascimento

Quando se fala em saúde óssea, a maioria das pessoas pensa imediatamente na osteoporose e na terceira idade, porém a ciência mostra que os cuidados com os ossos devem começar ainda durante a gestação.

A ação se inicia por meio da nutrição adequada da gestante, e deve continuar durante a infância e adolescência, período em que é formada a maior parte da massa óssea. Até o envelhecimento, para cada fase da vida há estratégias específicas de cuidado com os ossos.

Essa mudança ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento da população brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com 60 anos ou mais deverá dobrar nas próximas décadas, aumentando também a incidência de doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento, entre elas a osteoporose e as fraturas por fragilidade.

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De acordo com a Fundação Internacional de Osteoporose, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Essas fraturas estão associadas à perda de independência, redução da qualidade de vida e aumento da mortalidade, especialmente entre idosos.

<><> O que dizem especialistas?

Para a reumatologista Dra. Vera Szejnfeld, presidente do 12º Congresso Brasileiro de Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo (BRADOO) e ex-presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), pensar na saúde dos ossos apenas quando surgem sintomas significa perder oportunidades importantes de prevenção.

Para a profissional, cada etapa da vida apresenta desafios próprios. Durante a gestação, fatores como o estado nutricional materno influenciam a formação do esqueleto fetal. Na infância e na adolescência ocorre a construção do chamado pico de massa óssea, considerado um dos principais determinantes da saúde dos ossos ao longo da vida. Estima-se que cerca de 90% da massa óssea seja adquirida até os 18 a 20 anos de idade, tornando esse período decisivo para reduzir o risco de osteoporose no futuro.

Na vida adulta, o objetivo passa a ser preservar essa reserva óssea. Alimentação adequada, prática regular de atividade física, ingestão suficiente de cálcio e vitamina D, além da redução de fatores de risco como sedentarismo e tabagismo, contribuem para manter a saúde do esqueleto.

Já entre as mulheres, a menopausa representa uma das fases de maior atenção. A redução dos níveis de estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose e fraturas, motivo pelo qual a avaliação médica individualizada torna-se fundamental.

Na população idosa, o cuidado vai além da densidade mineral óssea. A perda de massa muscular, alterações do equilíbrio e maior risco de quedas tornam necessária uma abordagem integrada para preservar a autonomia e evitar fraturas incapacitantes.

"A saúde óssea requer atenção todos os dias, com cuidados contínuos da infância à terceira idade. Ao longo do tempo, ela se torna decisiva para preservar independência, mobilidade e qualidade de vida na longevidade. Essa é a jornada do osso", destaca a médica.

Nas últimas décadas, os avanços científicos também transformaram o acompanhamento das doenças osteometabólicas. Além da densitometria óssea, exames de composição corporal, biomarcadores e novas terapias permitem diagnósticos mais precoces e tratamentos cada vez mais personalizados.

•        Artrose no joelho: o que há de novo para evitar a prótese por mais tempo

Durante muito tempo, o diagnóstico de artrose de joelho parecia levar inevitavelmente à cirurgia de prótese. Hoje, avanços na medicina regenerativa e em terapias ortobiológicas permitem controlar os sintomas e preservar a articulação por mais tempo em muitos pacientes.

<><> O que mudou no tratamento da artrose

A artrose do joelho é uma das causas mais comuns de dor e limitação funcional, especialmente após os 50 anos. Trata-se de um processo degenerativo em que a cartilagem que recobre a articulação se desgasta progressivamente, levando à dor, rigidez e dificuldade para caminhar.

Por muitos anos, quando o tratamento conservador deixava de funcionar, a principal alternativa era a cirurgia de prótese. Embora esse procedimento continue sendo uma solução eficaz em casos avançados, a abordagem da artrose evoluiu significativamente. Hoje, novas estratégias permitem retardar a progressão da doença e melhorar a

qualidade de vida

 sem recorrer imediatamente à cirurgia.

A medicina atual passou a enxergar a artrose não apenas como desgaste mecânico, mas como uma condição que envolve inflamação articular, alterações metabólicas e impacto do estilo de vida.

Isso ampliou o arsenal terapêutico. O controle do peso, o fortalecimento muscular, a fisioterapia especializada e a atividade física orientada continuam sendo pilares fundamentais. O fortalecimento da musculatura ao redor do joelho ajuda a estabilizar a articulação e reduzir a sobrecarga sobre a cartilagem.

Além disso, terapias injetáveis passaram a ter papel relevante no controle da dor e na melhora da função articular.

<><> Terapias ortobiológicas e o papel do MFAT

Nos últimos anos, as chamadas terapias ortobiológicas têm despertado interesse crescente. Elas utilizam componentes biológicos do próprio organismo para modular a inflamação e favorecer um ambiente de regeneração dos tecidos.

Uma dessas abordagens é o MFAT (Microfragmented Adipose Tissue), que utiliza tecido adiposo do próprio paciente, processado de forma específica para preservar células e fatores biológicos com potencial regenerativo. Esse material é então aplicado na articulação com o objetivo de reduzir a inflamação e melhorar o ambiente articular.

Embora não represente uma “cura” da artrose, o objetivo dessas terapias é aliviar os sintomas, melhorar a função e, possivelmente, retardar a progressão da doença em pacientes selecionados.

<><> Quando é possível preservar a articulação

Nem todo paciente com artrose precisa, necessariamente, de prótese de joelho. Em muitos casos, especialmente nos estágios iniciais ou moderados da doença, estratégias combinadas podem manter a articulação funcional por muitos anos.

A decisão depende de diversos fatores, como idade, nível de atividade, grau de desgaste da cartilagem, alinhamento do joelho e intensidade da dor. A avaliação individualizada é essencial para definir o melhor caminho.

Em alguns pacientes, intervenções precoces podem reduzir a progressão do desgaste e postergar a necessidade de cirurgia. Em outros, a prótese continua sendo a opção mais eficaz para recuperar mobilidade e qualidade de vida.

O mais importante é entender que o tratamento da artrose evoluiu. Hoje existe um caminho entre a dor persistente e a cirurgia imediata. Com diagnóstico adequado, acompanhamento especializado e uso criterioso das novas terapias, muitos pacientes conseguem preservar a articulação e manter uma vida ativa por mais tempo.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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