sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Ficou doente e a glicemia subiu? Veja os fatores que podem dificultar o controle

Ficar doente pode mudar completamente o comportamento da glicemia. Mesmo mantendo a alimentação habitual e seguindo o tratamento, a pessoa pode perceber os níveis de glicose subirem ou ficarem mais difíceis de controlar. Nessas situações, é comum surgir a dúvida: por que a glicemia aumentou se nada parece ter mudado?

A resposta nem sempre está na alimentação. Durante um episódio do DiabetesCast, os endocrinologistas Denise Franco e Ricardo de Rienzo explicaram que diferentes fatores podem influenciar o controle glicêmico. Entre eles estão doenças, sono, estresse, medicamentos, atividade física, hidratação e mudanças na rotina.

Ao todo, os especialistas discutiram 42 fatores que podem interferir na glicemia. Apenas nove deles estão diretamente relacionados à alimentação, enquanto os demais envolvem aspectos biológicos, ambientais, comportamentais e do próprio tratamento.

<><> O que acontece com a glicemia quando estamos doentes?

Durante uma doença, o organismo passa por uma série de mudanças que podem afetar o controle da glicose. Segundo Denise Franco, processos infecciosos estão entre os fatores capazes de alterar ela.

“Se você está com um processo infeccioso, isso pode alterar a glicemia”, explicou a endocrinologista.

Por isso, uma glicemia mais alta durante uma doença não significa necessariamente que houve um erro na alimentação ou no tratamento. Muitas vezes, é o próprio organismo reagindo ao quadro de saúde.

E há um detalhe importante: ficar doente não significa obrigatoriamente que a glicemia vai subir. Como explicaram os especialistas, dependendo da situação e do momento da doença, também pode haver maior risco de hipoglicemia. Isso mostra que a resposta do organismo pode variar bastante de uma pessoa para outra.

<><> A alimentação importa, mas não explica tudo

A alimentação continua sendo uma das principais influências sobre a glicemia. A quantidade e a qualidade dos carboidratos, além da ingestão de gordura, proteína, álcool, cafeína e até o estado de hidratação, podem interferir nos resultados.

Mas o diabetes não pode ser resumido apenas ao que está no prato.

“Se a gente for olhar, são nove fatores que interferem no quesito comida, ou seja, 33 não estão relacionados à alimentação”, destacou Ricardo de Rienzo.

Essa é uma das razões pelas quais a glicemia pode apresentar comportamentos diferentes mesmo quando a alimentação permanece praticamente igual.

<><> Sono e estresse também influenciam

Outro grupo de fatores está relacionado ao funcionamento do próprio organismo. Dormir mal, por exemplo, pode dificultar o controle glicêmico.

“A gente sabe que a qualidade do sono interfere bastante em toda a parte metabólica, em todo o controle glicêmico”, afirmou Ricardo. Segundo ele, a privação de sono pode tornar mais difícil manter a glicemia dentro da faixa desejada.

O estresse também aparece entre os fatores discutidos pelos especialistas. Quando o corpo está sob pressão física ou emocional, a resposta glicêmica pode ser diferente da habitual.

Isso ajuda a explicar por que uma mesma refeição ou a mesma dose de insulina podem produzir resultados diferentes em dias de maior desgaste físico ou emocional.

<><> Medicamentos podem alterar a resposta do organismo

Além da própria insulina, outros medicamentos também podem interferir na glicemia.

Um dos exemplos citados pelos especialistas foi o corticoide. Segundo Denise, esse tipo de medicamento pode elevar os níveis de glicose e, em determinadas situações, contribuir para o chamado diabetes medicamentoso.

Por isso, é importante informar aos profissionais de saúde sobre o diagnóstico de diabetes sempre que houver necessidade de iniciar um novo tratamento, especialmente em períodos de doença ou internação.

<><> Por que a glicemia às vezes demora para baixar?

Outra situação comum é perceber que a glicemia permanece elevada apesar do tratamento habitual.

Segundo os especialistas, quanto mais alta a glicemia, maior pode ser a dificuldade para reduzi-la. Esse fenômeno é conhecido como glicotoxicidade.

Além disso, outros fatores podem contribuir para esse cenário. Entre eles estão problemas relacionados ao uso da bomba de insulina, falhas na administração da insulina e até a desidratação, que pode dificultar o controle glicêmico.

Por esse motivo, quando a glicemia está elevada, a hidratação adequada também faz parte dos cuidados recomendados.

<><> Exercício físico também entra nessa equação

A atividade física é outro fator que pode modificar a glicemia de diferentes formas.

Tipo de exercício, intensidade, duração e horário da prática podem influenciar a resposta do organismo. Exercícios mais leves tendem a aumentar o risco de hipoglicemia, enquanto atividades mais intensas podem provocar uma elevação temporária da glicose devido à liberação de hormônios relacionados ao esforço físico.

Por isso, entender como o próprio corpo reage ao exercício faz parte do processo de autocuidado e do ajuste do tratamento.

<><> Olhar para o contexto faz diferença

Quando a glicemia muda durante uma doença, depois de uma noite mal dormida ou em um período de estresse, a explicação pode estar em uma combinação de fatores.

Os especialistas defendem que o mais importante é observar o contexto e identificar padrões, em vez de buscar uma única causa para cada alteração.

Durante o episódio, Ricardo resumiu essa ideia em uma palavra: autocuidado. Para ele, conhecer a própria resposta às diferentes situações ajuda a entender melhor os fatores que interferem na glicemia e a tomar decisões mais adequadas no dia a dia.

A principal mensagem deixada pelo podcast é que uma glicemia fora do esperado não deve ser encarada automaticamente como sinal de erro ou falta de controle.

Como destacou Denise Franco, “quando a gente vê uma glicemia subindo, nem tudo é o carboidrato”.

Quando a glicemia muda durante uma doença, o organismo pode estar respondendo à infecção, ao estresse, à alteração do sono, à desidratação ou a diversos outros fatores. Entender esse contexto é um passo importante para lidar melhor com o diabetes e evitar culpa desnecessária diante de oscilações que fazem parte da vida real.

•        Entenda como funciona o sensor de glicose que fica dentro da pele por 1 ano

O sensor de glicose que permanece no corpo por 365 dias já recebeu aprovação nos Estados Unidos e na União Europeia. O Eversense 365 foi aprovado pela FDA em setembro de 2024 e chegou ao mercado norte-americano no mês seguinte. A aprovação para comercialização na União Europeia também já aconteceu.

No Brasil, porém, não há previsão informada de chegada do Eversense 365 até o momento. Para ser comercializado no país, o produto precisaria passar pelo processo de avaliação e aprovação da Anvisa.

O sistema muda uma das etapas mais frequentes para quem usa monitor contínuo de glicose. Em vez de trocar o sensor a cada poucos dias, o dispositivo implantado pode permanecer sob a pele durante um ano.

<><> Como funciona o sensor de glicose que dura 365 dias?

O Eversense 365 utiliza um pequeno sensor colocado sob a pele da parte superior do braço. Um profissional de saúde realiza o procedimento para inserir o dispositivo. A medição é feita no líquido intersticial, que fica entre as células.

Segundo as informações do fabricante, o sensor tem menos de 2 centímetros de comprimento e menos de 4 milímetros de largura.

Depois da implantação, o sensor permanece no local durante um ano. O procedimento envolve uma pequena incisão, que pode ser fechada com fitas adesivas cirúrgicas. Em geral, o material não precisa de pontos.

O sensor envia as informações para um transmissor colocado sobre a pele. Esse transmissor encaminha os dados para o aplicativo Eversense.

Assim, a pessoa consegue acompanhar a glicose pelo celular. O sistema também oferece compatibilidade com Apple Watch e smartphones Android e iOS.

<><> O transmissor pode ser retirado?

Sim. O transmissor fica sobre a pele e pode ser removido e colocado novamente. Essa característica permite retirar o transmissor sem precisar retirar o sensor implantado. Quando o transmissor está fora do corpo, porém, não são gerados dados de glicose.

O transmissor também pode ser retirado sem desperdiçar o sensor. Por isso, a pessoa pode voltar a utilizá-lo depois. O sistema registra leituras de glicose em tempo real a cada cinco minutos.

<><> Como funciona o adesivo do Eversense 365?

O transmissor fica preso ao corpo com um adesivo à base de silicone. O material informa que o adesivo deve ser trocado diariamente. Ele está disponível nas versões transparente e branca.

A empresa também afirma que os adesivos apresentam baixa ocorrência de reações na pele. Essa informação vem dos materiais do fabricante e não significa que nenhuma pessoa terá irritação.

<><> O sensor de glicose emite alertas?

Sim. O sistema envia alertas relacionados aos níveis de glicose. O transmissor pode emitir alertas por vibração diretamente no corpo. O aplicativo também recebe os dados e apresenta as informações de glicose.

Segundo o fabricante, o aplicativo oferece alertas para níveis altos e baixos e também alertas preditivos.

O sistema permite ainda compartilhar os dados em tempo real com profissionais de saúde. Familiares e amigos também podem acompanhar as informações por meio do aplicativo Eversense Now, conforme as configurações escolhidas pelo usuário.

<><> O sensor pode dar alerta falso durante o sono?

O fabricante afirma que o Eversense 365 apresenta poucos alertas falsos relacionados à chamada queda de compressão durante o sono.

Esse tipo de situação pode ocorrer quando uma pessoa pressiona o sensor durante o sono. O material do produto afirma que o Eversense 365 reduz esse tipo de ocorrência.

No entanto, é importante separar as informações do produto dos resultados de estudos citados pelo fabricante. A referência apresentada para esse ponto é um estudo publicado em 2018 sobre um sensor implantável de glicose.

O estudo avaliou a precisão de um sensor implantável em uma pesquisa multicêntrica. Ele não deve ser apresentado, por si só, como uma avaliação completa de todos os recursos do Eversense 365 lançado em 2024.

<><> Quem pode usar o Eversense 365?

As informações fornecidas para o mercado norte-americano indicam os seguintes critérios:

•        Adultos com 18 anos ou mais;

•        Pessoas com diabetes;

•        Pessoas que utilizam insulina;

•        Pessoas com seguro de saúde comercial elegível;

•        Pessoas que atendem aos critérios de cobertura do Medicare.

A cobertura, portanto, depende das regras do sistema de saúde e do seguro nos Estados Unidos.

Esses critérios não significam que o produto esteja disponível para essas mesmas pessoas no Brasil.

<><> O Eversense 365 pode funcionar junto com bomba de insulina?

O Eversense 365 foi aprovado nos Estados Unidos como um sistema integrado de monitoramento contínuo de glicose.

Isso permite a integração com dispositivos médicos compatíveis. Entre eles estão bombas de insulina que fazem parte de sistemas automatizados de administração de insulina.

O material informa que o Eversense 365 se conecta ao sistema twiist. A empresa também afirma que mantém discussões de parceria com fabricantes de bombas.

Na prática, essa integração permite que os dados do sensor sejam utilizados por sistemas compatíveis que ajudam no controle da administração de insulina.

<><> Quanto custa o Eversense 365?

O material fornecido informa que pacientes elegíveis nos Estados Unidos podem pagar US$ 199 por um ano por meio do programa Eversense PASS.

Pela cotação consultada em 10 de agosto de 2026, esse valor corresponde a cerca de R$ 1.015. O valor em reais é apenas uma conversão cambial e não representa um possível preço do produto no Brasil.

O mesmo material afirma que o produto possui cobertura pela maioria dos planos de saúde comerciais e pelo Medicare para pessoas que utilizam insulina.

<><> O que muda para quem usa monitor contínuo de glicose?

A principal mudança está na frequência de troca do sensor.

Um sensor implantado que permanece por um ano pode reduzir a necessidade de várias trocas durante esse período. Além disso, o transmissor externo pode ser retirado sem retirar o sensor que está sob a pele.

Por outro lado, o sistema exige um procedimento realizado por profissional de saúde para colocar e retirar o sensor.

Também existe a necessidade de trocar diariamente o adesivo que mantém o transmissor preso à pele.

Essas características diferenciam o Eversense 365 dos sistemas de monitoramento contínuo de glicose de curta duração citados no material.

 

Fonte: Um Diabético

 

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