Os
inimigos da pátria sempre estiveram aqui, Trump e Rubio são só suportes
A
vassalagem frente aos interesses estrangeiros sempre foi a tônica das classes
dominantes brasileiras. Os senhores da terra e do comércio de escravizados
nunca se preocuparam com a constituição de um projeto
de nação nos trópicos. Seus rebentos foram buscar lustro na
Universidade e em Paris. Não à toa, como diz o Presidente Lula, o Brasil
foi um dos últimos países da América a erguer uma Universidade.
A
institucionalização do Brasil só começou a ganhar forma com a vinda da Corte de
Dom João VI, fugindo de Napoleão Bonaparte em 1808. Cabe ressaltar que até essa
data a colônia era uma mera exportadora dos frutos da terra e do ouro das Minas
Gerais para Portugal. Isso, por si só, já demonstra a diferença abissal entre a
colonização dos EUA, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelandia e a dos países
colonizados pelas então potências ibéricas: Portugal e Espanha.
Incapazes
de romper com o escravismo colonial, como escreveu Jacob Gorender, que nos EUA
levou a uma guerra entre o Sul escravista e o Norte industrialista, com a
vitória do Norte, aqui no Brasil, sem guerra o “Sul venceu”, completou Darcy
Ribeiro.
Nos
legando a vergonhosa herança de ser o último país a abolir a
escravização.
A
ausência de projeto, a visão torpe, tacanha e mesquinha nos colocou à margem da
Revolução Industrial e nos consolidou como um país exportador primário:
primeiro do açúcar, depois do café, da borracha, entre outros.
A
ausência de um enfrentamento entre o atraso e o progresso, e o massacre a todas
as formas de insubordinação dos de baixo: Palmares, balaiada, canudos, malês,
inconfidência mineira, entre muitas outras, criou um sólido vínculo entre as
nascentes forças militares e as oligarquias agraristas. Vem daí o epíteto de
“coronel” dado o poder de mando dos senhores que tinham poder de vida e de
morte em seus territórios. É deste cenário que surge a ingerência das forças
armadas todas as vezes que há contestação sólida ao status quo dominante. Fato
inaugurado com a Proclamação da República em 1889 liderada por Deodoro da
Fonseca, como uma resposta dos latifundiários à abolição da escravatura.
Séculos
XX e XXI: o viralatismo das elites
O
menosprezo pelo desenvolvimento do país atravessou os séculos. Incapazes de
ousar, os “donos” do poder optaram pelo mais fácil: exportar sua produção e
importar os bens produzidos no estrangeiro. O fortalecimento dos EUA pós 1ª
guerra e após a Doutrina Monroe, derivou os olhos da burguesia brasileira para
o “irmão do Norte”. Entrou com toda força no território brasileiro o
American way of life. Trazido inicialmente pelos jornais e
depois consolidado pelo cinema, as rádios e a televisão. Sem nenhum espírito de
ousadia criativa, optou-se para a substituição de importações: trazendo para cá
as multinacionais ao invés de investir na construção de parques industriais
nacionais. A presença do capital estrangeiro no país sem contrapartida nacional
levou a uma brutal remessa de lucros para o exterior e ampliou a dominação
econômica dos EUA sobre a economia brasileira.
A 2ª
guerra mundial e a decisão do governo brasileiro em aderir a luta contra o
Eixo: Alemanha, Itália e Japão, depois de uma certa indecisão, permitiu que
Vargas garantisse além do armamento, a construção, pelos EUA, da CSN, da FNM e
da Álcalis. Foi a partir da guerra que as forças armadas brasileiras elegeram
as forças norte-americanas como espelho. Já que até aquele momento eram
francesas as formações militares por aqui.
O
espírito nacionalista de Vargas preocupava os EUA, principalmente depois da
criação da Petrobras como uma empresa estatal. Já que o petróleo vinha se
tornando a principal commoditie do mundo. Foi aí que
o viralatismo ampliou a sua presença já que foi uma batalha
difícil não permitir a entrega da nossa empresa. O golpe de 1964, dez anos
depois foi o coroamento dessa subordinação.
Atualmente,
com a financeirização da economia, a associação entre o capital nacional e os
fundos americanos fazem com que parte dos financistas daqui operem diretamente
contra os interesses do país. Juntando-se isso com a subordinação
extremo-direitista dos bolsonaros e seus asseclas, forma-se o caldo
de cultura para que Marco Rúbio e seu chefe Donald Trump se arvorem em intervir
política e economicamente nos rumos do Brasil.
Falta
grandeza e vergonha na cara para grande parte da Faria Lima. Falta
decoro e honestidade aos parlamentares e governantes estaduais que se
subordinam a isso.
A
altivez e a defesa da pátria passam longe deles.
É obvio
que temos que repudiar a ingerência da Casa Branca sobre o processo eleitoral
brasileiro. Mas, com toda a certeza, o maior inimigo do Brasil é a
quinta-coluna. Derrotá-los é uma questão de honra.
¨
Lula disputa reeleição contra Trump e Marco Rubio. Por
Aquiles Lins
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva está disputando sua reeleição à
Presidência contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e contra o
seu secretário de Estado, Marco Rubio. Esqueçam Flávio Bolsonaro, Ronaldo
Caiado, Romeu Zema. A disputa que já está sendo travada é Lula-Alckmin versus
Trump-Rubio. É o que fica claro a partir da divulgação pelo Departamento de
Estado dos Estados Unidos de um vídeo que exalta a Doutrina Monroe.
A
mensagem de Washington ultrapassa em muito uma declaração sobre política
externa. Ao apresentar Trump como o “mais recente defensor” de uma doutrina
historicamente utilizada para afirmar a hegemonia dos Estados Unidos sobre as
Américas e proclamar que a “dominância americana” no Hemisfério Ocidental não
será mais questionada, o Departamento de Estado estabelece também quais
governos representam obstáculos a esse projeto. O Brasil sob o comando de Lula,
que novamente tenta sua vocação de ser uma potência, está necessariamente entre
eles: além de ser o maior país da América Latina, tem a China como principal
parceiro comercial, participa ativamente dos Brics e sustenta uma política
externa baseada na multipolaridade e na autonomia diante das grandes potências.
É por
isso que auxiliares de Lula passaram a enxergar com maior nitidez uma
articulação de Marco Rubio destinada a desgastar o governo brasileiro e
dificultar a reeleição do presidente. A leitura faz sentido quando o vídeo é
colocado ao lado das ações adotadas por Washington desde a volta de Trump à
Casa Branca. O governo estadunidense já recorreu a tarifas contra produtos
brasileiros, investigação comercial contra o Pix e diversas outras ações do
Brasil, sanções e restrições de vistos contra autoridades e pressões
diplomáticas, chegando a relacionar algumas de suas medidas ao tratamento dado
pelo Estado brasileiro a Jair Bolsonaro.
A
interferência estadunidense na eleição brasileira, portanto, não precisa
começar com um pedido explícito de votos para determinado candidato. Ela começa
quando uma potência estrangeira utiliza seu peso econômico e diplomático para
aumentar o custo político de um governo que pretende derrotar. Se tarifas
prejudicam setores da economia brasileira, se sanções alimentam a narrativa da
oposição contra as instituições nacionais e se Washington transforma aliados de
Bolsonaro em interlocutores privilegiados, essas decisões produzem efeitos
dentro do processo político brasileiro. Trump e Rubio não precisam estar na
urna para participar da eleição.
O
interesse dos Estados Unidos na derrota de Lula também é objetivo. Uma vitória
do atual presidente significaria mais quatro anos de um Brasil empenhado em
diversificar suas relações internacionais, aprofundar os Brics e preservar seus
vínculos econômicos com a China. Uma vitória de forças alinhadas ao trumpismo
abriria a possibilidade inversa: aproximar novamente Brasília da estratégia de
Washington para conter Pequim e reconstruir uma esfera de influência
norte-americana na América do Sul. A eleição brasileira passou, dessa maneira,
a integrar a disputa geopolítica entre Estados Unidos e China.
Marco
Rubio ocupa posição central nessa estratégia. Sua proximidade política com
aliados da família Bolsonaro e sua atuação na ala mais ideológica do governo
Trump ajudam a conectar o projeto continental da Casa Branca à disputa
brasileira. Para Washington, interessa menos saber qual nome da direita chegará
competitivo a outubro do que criar as condições para que Lula não permaneça no
Palácio do Planalto. O candidato brasileiro pode mudar; o interesse estratégico
do império decadente, não.
A
eleição presidencial de 2026 começa, assim, antes da campanha formal e com
atores que não aparecerão na cédula. Lula e Alckmin terão adversários
brasileiros, mas enfrentarão uma máquina de poder instalada em Washington que
declarou publicamente sua intenção de restabelecer a “dominância americana”
sobre o continente. Trump e Rubio já escolheram o projeto que desejam derrotar
no Brasil. Por isso o país precisa acordar e reeleger Lula no primeiro turno,
para dar uma resposta clara e uníssona de que o Brasil é do povo brasileiro.
¨
Flávio Bolsonaro não consegue sustentar a marca que
herdou do pai. Por Moisés Mendes
A marca
Bolsonaro, o mais importante ativo da direita brasileira desde 2018, está sob
ameaça. A fragilização desse bem com valor intangível, em plena campanha, não
favorece os herdeiros de Bolsonaro.
Esse é
o dilema que o bolsonarismo tentará escamotear: a marca ficou fraca porque seu
criador perdeu forças, ou perdeu forças porque o herdeiro da grife não tem
qualidades para mantê-la relevante?
As duas
causas se misturam, mas o esgotamento do nome indica que Flávio Bolsonaro é
fraco para carregar nas costas a herança política do pai. Tanto que os próprios
marqueteiros pretendem tirar o sobrenome das peças de campanha do filho ungido.
Parece
um paradoxo. Flávio só se firmou como nome capaz de enfrentar Lula por ser um
Bolsonaro. Mas é incompetente para manter esse ativo vivo e decisivo não só
para o bolsonarismo, mas para toda a direita.
Mais
paradoxos. Desde o final de 2023, pesquisas do Datafolha indicavam que o
eleitor não se sentia à vontade para votar em indicados por Bolsonaro. Esta
manchete é de setembro daquele ano: 68% dos paulistanos não querem votar em
candidato a prefeito indicado pelo ex-presidente. Ricardo Nunes se elegeu como
bolsonarista, mas com apoio constrangido de Bolsonaro.
Esta
outra manchete é de dezembro de 2025: Datafolha aponta que 50% dos eleitores
brasileiros não votariam em nenhum candidato a presidente indicado por
Bolsonaro. A mesma pesquisa mostrou Michelle como a preferida para suceder
o criador do bolsonarismo, com 22%.
Depois,
vinham Tarcísio de Freitas (20%), Ratinho Júnior (12%) e Eduardo Bolsonaro
(9%). Flávio aparecia em quinto lugar, com apenas 8%, quase empatado com
Ronaldo Caiado, em sexto, com 6%.
Flávio
assumiu, ao ser o ungido, uma tarefa que não teria como suportar, como previam
os eleitores da direita há pouco mais de meio ano. Mais recentemente, Michelle
o denunciou como machista e autoritário, para desafiar sua autoridade e dizer
também que ele é fraco.
O
Centrão o considera incapaz, ou não teria abandonado sua candidatura. A velha
direita negou-lhe apoio, não por discordar do que pensa e do que poderia vir a
fazer no governo, mas por ser fraco.
Junta-se
à fraqueza do candidato a perda de valor da marca, pela série de circunstâncias
que não a favorecem. E esse cenário pode ir comprovando a tese segundo a qual o
bolsonarismo seria apenas uma manifestação doentia e transitória do
antilulismo.
O que
sempre se soube é que o eleitorado lulista é maior do que o eleitorado de
esquerda não lulista. E que a direita não bolsonarista é muito maior do que o
eleitorado do bolsonarismo. Lula é bem maior do que a esquerda, e Bolsonaro é
bem menor do que a direita.
Lula
construiu as esquerdas pós-ditadura em torno do seu nome. O nome de Bolsonaro
foi usado pela direita como gambiarra para enfrentar Lula e o
PT. Bolsonaro só foi grande porque a velha direita o enxergou como
salvação para derrotar o lulismo.
É
possível resumir que, sem Lula e sem o antilulismo extremado, que ficou
desamparado com o fim do tucanismo, Bolsonaro não existiria.E agora percebemos
que o bolsonarismo com esse formato, frágil como estrutura política orgânica,
porque nem partido próprio conseguiu formar, pode acabar nesta eleição.
O
descarte da marca Bolsonaro, orientado por marqueteiros que sabem o que fazem,
a partir de pesquisas com quem consome e exala extremismo, é o momento mais
doloroso para os herdeiros de um líder fora de combate.
O que
virá depois é puro chute. Pode ser o bolsonarismo neopentecostal de Michelle,
que será mais evangélico do que bolsonarista. E mais fofo do que virulento, mas
também, como significa uma reinvenção, talvez mais perigoso, por tudo o que o
mundo da fé representa. E pode ser também o bolsonarismo burocrata de Tarcísio.
Como
todos os indicadores até aqui são de derrota de Flávio, ele pode se preparar
para a dívida que não terá como pagar a partir de outubro. O filho que ninguém
queria como candidato ficará marcado como incompetente até para proteger o nome
do pai.
Fonte:
Por Alberto Cantalice, em Brasil 247

Nenhum comentário:
Postar um comentário