Sobrosso
– nos tempos do bolsonarismo
Remassando
o passado, convenço-me de que este livro começou a ser gestado numa ensolarada
tarde de domingo. Dentre as várias maneiras de apontar que um texto entra em
concepção, uma é detectar o momento em que a alguém acode o desejo de escrever,
seja qual for o acicate que lhe impulsione ou o resultado que daí virá. Curiosa
reação, exclamar-se-á.
Em face
do ocorrido, sentir a necessidade de achegar-se do papel e lá assentar uma
contraposição, manifestar uma intenção polêmica que se esforce em rebater,
exorcizar por meio do estudo e da compreensão, mesmo reconhecendo a provável
inutilidade do ato, o andar do mundo que cisma de ofender-nos. Pois a grave
ofensa constrangia à reação. Foi assim naquele negro ensolarado domingo de 17
de abril de 2016, quando fomos descaradamente golpeados.
As
denominações que se aplicam aos eventos pretéritos resultam de disputas que
custam a acabar; por isso é possível que só a historiografia futura encontre
uma forma adequada de nomear o que realmente nos aconteceu na última década –
mesmo sem pleno consenso, já que tais denominações ficam na dependência de
embates e controvérsias que se longevam, assim como hoje é geralmente acatada a
noção de “golpe de 64” conquanto um bando gatos engandolados insista em dizer
“revolução”, uso que à época tinha motivo oficial e ora soa apenas ridículo.
De
minha parte, desde o presente e no interior da extensa e quase toda malsinada
semântica da palavra “golpe”, queria descer ao chão e lembrar que o significado
primeiro da palavra é “pancada”, “porrada” que pode ser tão forte e repentina
quanto vertiginosa, para emprestar uma caracterização proposta por Petra Costa
em Democracia em vertigem (2019) no intuito de expressar a correlação entre a
situação de nossa democracia e a de seu eu, e quiçá, por que não?, de nosso
nós. Diga-se o que for acerca da precisão dos fatos narrados e das teses
assumidas pela documentarista, a narrativa das vertigens paralelas – cuja
sutileza é sugestivamente plutarquiana – foi no meu entender o maior achado de
sua película.
Ora,
deve haver um jeito de falar de si sem recair no vício do autocentramento,
derive este do sentimentalismo ou da compreensão encapsulada, atitudes que às
vezes dão no mesmo. Falar dos acontecimentos sem que se mostrem alérgicos nem
ao si que os vivenciou aflitivamente e carece de elaborá-los nem ao coletivo
que precisa estar envolvido nesse trabalho. Como alcançar um modo de falar e
lidar com o acontecimento que se espelhe no coro grego: palavra dolente que
convida à inteligência do que primeiramente atordoa e entristece?
Não foi
por outra razão que num texto antigo sobre Antonio Negri, sem acaso datado de
2017, busquei então tematizar este ponto candente: cantar vitórias é coisa de
uma facilidade acabrunhante; difícil é encarar as derrotas, contornando a
neurose que paralisa e movimentando o intelecto que compreende, nossa
fortaleza. De fato, quantos até hoje não ressentem os sintomas do baque,
achando que entre 2019 e 2022 o país foi completamente destruído e ainda sem
conseguir acompanhar o noticiário com placidez, chorando as suas e as alheias
pitangas?
“Deve
haver um jeito de fazer da experiência que inquieta o indivíduo, em vez de
reles fulcro de estados d’alma confusos e incomunicáveis, alavanca para o
entendimento conjunto, de modo que a retração do intimismo permita o vislumbre
de um sentido comum”.
A
infância com a anistia e as “Diretas Já”, a adolescência marcada pelo frescor
democrático de uma nova Constituição e a maioridade com um operário presidente
– vindo nessa toada não sabia o que é sobrosso. No entanto, à mó de ciclo vital
de inapelável decadência, o país de repente escancarou-se outra coisa naquele
domingo que sintomaticamente coincidia com o primeiro vintênio do massacre de
Eldorado dos Carajás, macabro ouropel. Quiçá o único efeito positivo da
porretada de 2016 tenha sido abrir-nos os olhos para a miserável katábasis que
estávamos prestes a experimentar.
Não
ficamos mais sagazes, mas sem dúvida somos hoje menos pueris; um passo à frente
que custou muitos para trás. Perdemos a inocência que inclinava a negligenciar
com temerária celeridade as profundezas, inclusive os mais abjetos porões de
nossa constituição como país; aquela ingenuidade que facultava acreditar que
certos personagens e aspectos, embora não liquidados de direito, estariam de
fato domados e em via de desaparecimento por obra dos novos tempos,
inevitavelmente promissores. Só que entrementes tudo isso veio à tona, mais ou
menos repristinado, sob a forma de bolsonarismo.
Foi-se
embora a promessa de uma nova vida em que a exigência de felicidade comunicável
impunha-se sobre as demais; reentraram em cena a burrice, o individualismo, a
violência – o ideal de vida em comum, para parcela significativa dos
brasileiros, revirou na realidade de uma vida em armas. Os devidos cuidados não
se tomaram ou, em realidade, os desafios é que estavam além de nossas forças?
Para tudo piorar, e não podemos esquecê-lo em nenhum momento, sobretudo em
respeito à memória das centenas de milhares de brasileiros vitimados, a coisa
se deu em boa parte, por capricho do destino, simultaneamente à pandemia de
covid-19; má fortuna em dobro que exponenciou todos os dissabores imagináveis.
E daí o
sobrosso que intitula este livro. Como sobre os ossos das bestas de eito a
constante cutucação forma ferida (“sobreosso”) que molesta, e ainda assim
precisam continuar trabalhando e seguindo a vida normal, assim também os
brasileiros tivemos de enfrentar todos, de bom ou de mau grado, os anos
bolsonaristas, tanto mais complicados pela peste covidiana. “É necessário haver
um jeito de falar disso tudo. O sobrosso foi meu, mas poderia e ainda pode ser
o de muita gente; e daí a ocasião do compartilhamento”.
Este
volume não consiste senão na tentativa de compartilhar o modo que descobri para
sentimental e intelectualmente elaborar a derrota, por meio da compilação de
textos redigidos no correr dos anos, ou exatamente, com base nas datas de
publicação, entre 2017 e 2025, que cristalizaram momentos do processo.
O
pronunciamento da sentença final contra a cúpula golpista do bolsonarismo, o
derrisório atordoamento do chefe (“foi mal, tava doidão”, confirmando o que
muitos pensavam dele ainda no tempo de baixo clero) e o seu consequente
encarceramento, afiguraram-se-me marco bastante para o fechamento de um ciclo –
o que não implica, por óbvio, cogitar o fim do bolsonarismo entendido como
expressão propriamente brasileira do ideal autoritário.
Trata-se
de um movimento e um ideário que por seu teor e por sua forma, que vão além do
personagem pífio que lhes empresta o nome próprio, serve para substituir em
nossas cabeças o velho e polêmico termo “fascismo”, oferecendo entre outras
vantagens a de integrar ao conceito particularidades novíssimas (a comunicação
digital, a inteligência de whatsapp) e alinhavar a nossa experiência imediata e
a história do país, facultando-nos uma instigante dobra sobre nós mesmos, sobre
o que somos como nação e em que medida o mundo, ao menos nisso, pode ou não ser
tomado conforme o que somos – não me parece absurdo, em vez de ventilar um
Donald Trump imperialista gringo de corte tradicional, para efeito compreensivo
inseri-lo no bolsonarismo, e por conseguinte no laboratório brasileiro do
autoritarismo mundial.
Nosso
enraizado autoritarismo é uma instituição nacional que sopita embora
insopitável. “Instituição”, digo, no sentido que Maurice Merleau-Ponty atribui
à palavra: invés de fado, um campo de sentido que, uma volta aberto, perdura e
orienta as ações dos sujeitos a ele submetidos, cobrando-lhes sequência;
determina sem destinar, até quando os próprios sujeitos, por qualquer razão que
seja, tornam-se instituintes e o transformam, não como o querem, mas como o
podem.
Por
isso, no curso dos anos, instilado pelas leituras e pela meditação sobre alguns
fatos, várias vezes ocorreu-me a ideia de escrever um texto com o título
Bolsonaro, um brasileiro, emulando o nome de certas cinebiografias de estrelas
da música, ou algo como Bolsonaro e nós.
Nunca
cheguei a tanto, mas a verdade é que tais fórmulas seriam apropriadas para
designar a substância deste livro, exprimindo com fidelidade o entendimento
geral que o subjaz e que pode ser assim sintetizado: Jair Bolsonaro não é uma
aberração ou excepcionalidade; ele exprime nossa essência oculta, o quid
proprium do brasileiro e de nossa sociedade, uma sociedade autoritária.
Daí o
fecho de abóbada do conjunto de materiais e interpretações aqui apresentados
encontrar-se no discurso do deputado federal Jair Bolsonaro na sessão que votou
o afastamento de Dilma Rousseff em 17 de abril de 2016. A partir dali,
acreditei possível delinear com precisão o nosso persistente e peculiar pendor
autoritário, isto é, a inclinação que atravessa a história nacional a resolver
todos os dilemas por meio da exacerbação da autoridade e da violência, ainda
que se manifestando sob formas variadas, as quais nem sempre são à primeira
vista congruentes.
Para
fornecer um exemplo entre tantos, em coerência com o desejo de morte que nasce
dos abismos de seu nadir, o bolsonarismo não faz concessão ao folclórico
lero-lero da cordialidade brasileira: sem meias palavras, Jair Bolsonaro louvou
torturadores e gostava de falar em “CPF cancelado”, pantomimava arminhas e
diagnosticou que os problemas do país seriam menores se a ditadura tivesse
matado mais, no auge da pandemia filosofou que morrer faz parte da vida e não
se conteve ao galhofar moribundos manauaras que padeciam a falta de oxigênio.
É nessa
mesma linha da visceral incordialidade que ganha pleno sentido a retomada do
AI-5 e a sua transformação em significante político maior dos anos
bolsonaristas, particularmente à maneira de mezinha para os inconvenientes
acarretados pela crise sanitária. Salvo engano, antes de Jair Bolsonaro nenhum
político de certa relevância nacional elogiava abertamente a ditadura, muito
menos o AI-5.
O
fascínio pelo AI-5 e a versatilidade em sob um mesmo significante reunir
passado, presente, futuro, instrui-nos ainda sobre a particular temporalidade
do fenômeno autoritário entre nós e, por decorrência, em sua versão
bolsonarista.
O
plural tempos presente no subtítulo do livro é a entender-se em dois sentidos.
Primeiramente, de forma mais ou menos trivial, remete ao bolsonarismo tanto
quanto ao presente e à experiência que dele seguimos fazendo sob o horizonte
que ele mesmo nos delineia; assim, pareceu natural que temas de matriz não
estritamente bolsonarista (a guerra da Ucrânia, por exemplo) fossem aqui
tratados em associação com o ar do tempo respirado, a contragosto, no período;
isso, por óbvio, para nem falar da pandemia – é praticamente impossível
distinguir os anos de bolsonarismo no poder e os de pandemia nas ruas.
Um
segundo sentido mais fundamental impõe-se, contudo. Eu não diria, como fez
Umberto Eco relativamente ao fascismo, que o bolsonarismo é eterno; acredito
porém que usufrua de uma essencial transtemporalidade configurada pelas raízes
bem fincadas em nossa história nacional, aquelas que vieram à tona de modo
notável, asquerosamente inconfundível, no voto de seu representante na sessão
parlamentar que golpeou Dilma Rousseff com o afastamento.
Ao
individuar os tempos, o discurso bolsonarista realizou a façanha de inserir-se
no passado, tomando-o para si e conectando-o ao presente, para a partir dali
prenunciar um futuro redimido; é uma operação grandiosa que subjaz ao liame
então estendido entre 1964 e 2016. Essa complexa temporalidade sonha haurir ao
fundo dos tempos as bases fixas e inamovíveis do mundo, intentando configurar
uma história que se repete sempre, inclusive quando paradoxalmente promete a
revolução que erguerá e consolidará os novos tempos.
Em
resumo, o livro busca dar conta, de maneira muito pessoal, dessas múltiplas
dificuldades e assim tangenciar um fenômeno que é ao mesmo tempo novo e velho,
coerente e ilógico, altissonante e grotesco, tomando-o sob facetas diversas e
exprimindo-se em formatos variados. Escusado frisar que a coisa não é fácil;
vívidos e claros, os sentimentos transmutam-se ao tangenciar a reflexão,
sobretudo quando cabe organizar o material.
Tendo
isso em conta, a distribuição dos textos preservou em parte o referido processo
subjetivo de afrontamento e elaboração, e por isso nas respectivas seções os
textos estão dispostos em rigorosa ordem cronológica e uma nota inicial indica
a data de cada um; além disso, visto que os escritos foram nascendo e sendo
publicados independentemente, pareceu adequado preservar essa autonomia, o que
redundou na dispensa de remissões internas (que seriam muitas) e a manutenção
aqui e ali de argumentos aparentemente, mas não realmente, redundantes.
A
primeira seção tem por título A tentação autoritária e dedica-se a cavoucar o
bolsonarismo investigando como ele finca raízes no passado e, durante a
pandemia, reativou o pendor nacional ao autoritarismo; a crise sanitária impôs
circunstâncias inéditas que deixaram aflorar de modo especialmente nítido
aspectos desse caráter autoritário que, em situação normal, talvez passassem
por folclóricos apenas.
A
partir disso, patenteia-se a importância da terceira seção do livro, composta
de notas que não passam do referido “varejo”: intervenções, relatos do dia a
dia, textos circunstanciais, que recendem o calvário do tempo, as inquietações
que nos acometem e cobram respostas, ocasionando leituras e açulando a escrita.
Daí, nessas páginas, o bem-marcado clima de época e os sentimentos que lhe
percorrem, aqui e ali arrevesadamente, tomando direções inusitadas.
Entre
as duas seções, como já observado, deve-se conceber uma ação recíproca: o
particular vai amoldando o geral ao mesmo tempo que este serve à captura dos
fatos miúdos, que em retorno servem de controle às teses maiores. Mediando os
dois estratos, estão alguns materiais produzidos em busca de compreensão,
tentativas de formular instrumentos para a inteligência da situação ou de
aprofundar aspectos do bolsonarismo, mesmo quando sem dele falar, que eu não
sentia satisfatoriamente salientados na literatura que acompanhava.
Isso
explica que os textos ali alocados sejam os únicos a endossar uma armadura mais
acadêmica, embora sem despojar-se do tatear e da experimentação interpretativa
que só um não especialista nesses assuntos se permitiria (o que sabia eu de
Golbery antes de Jair Bolsonaro?). Nesse sentido, ainda, cumpre entender a
constante referência a Marilena Chaui nos textos da segunda seção; o detalhe
passaria por só inconveniência, não fosse a razão básica de que desde o
instante em que se me antojou a necessidade de elaborar o bolsonarismo, ato
contínuo pensei, o que posteriormente confirmou-se, que na filósofa eu colheria
instrumentos e orientações preciosos para tanto.
Ao
repassar os textos constantes do volume, quedou-me claro que não era apropriado
encerrar tanta malsinação sem uma esperança. Não precisava nem podia ser uma
invocação do paraíso, a contrabalançar o Inferno que fecha o texto inicial, mas
pelo menos um ar renovado muito calhava para afastar o tristilóquio indicando,
contra os que tremelicam às tontas só de ouvir o nome do capitão de araque, que
nem tudo foi ou está perdido.
Nem o
coro dos anjos nem a garganta do inferno, apenas um alento, um refrigério a
quem atravessou o livro e consolo aos muitos que ainda sustentam uma condição
lutuosa injustificadamente prolongada. Nem sempre a esperança que previne
contra o negrume dos tempos é só um urubu embuçado de verde. Um imunizante, por
que não?
Onde
encontrar essa esperança inteligente sob Jair Bolsonaro e a covid-19, no auge
de nosso duplo infortúnio e quando seus efeitos pareciam mais devastadores?
Pois sim, foi então que, sem repente e aos cados, demo-nos conta que uma das
expressões mais concretas e altivas da abstrata nação, naquele período
tribuloso, era o nosso Sistema Único de Saúde. Ele se mostrou mais forte que a
má fortuna e a sordidez, o vírus e o mito, graças à gênese democrática que lhe
determinou uma estrutura eficaz na efetivação do direito humano à saúde e
politicamente resistente à chicanice da classe média e aos desmandos
autoritários.
É a
prova de que o nosso quid proprium não configura um destino, senão quando a
adversidade assim se maquia e nós a abraçamos. A instituição determina somente
aquilo que não é por nós mesmos determinado, não de maneira voluntarista,
decerto, mas mediante a produção de outras instituições que possam
ressignificar o campo de nosso porvir.
O curso
das incessantes lutas dos brasileiros contra o que somos, levadas a cabo no
esforço de destruir a própria identidade autoritária, suprimindo-se como tais,
inclusive em momentos bem mais perigosos do que aquele que vivíamos, graças
àquilo que conseguiram inventar e que tomou forma institucional com a
Constituição de 1988, deram forma ao longo da pandemia a uma tábua de salvação,
em sentido quase literal, e à inequívoca demonstração de que não é necessário
que o bolsonarismo e as bolsonarices, robustas quanto o sejam, tenham a última
palavra sobre coisa alguma em nossa vida em comum.
É
fundamental reconhecer que, ao gritar “Viva o SUS!” durante a pandemia, cada
brasileiro prestava homenagem às lutas de outros brasileiros, de maneira
igualmente transtemporal, segundo outros tempos porém que aqueles do maldito
voto de 17 de abril de 2016 que se enraizavam no autoritarismo atávico. Mais
que os espasmos de prazer trazidos pela vacinação e que geravam os justos
“vivas”, na matriz teórica do SUS e em sua efetivação prática devemos ler uma
maneira singular de conter a nossa inclinação à repetição autoritária.
Tanto
me parece assim, que arriscaria dizer que no Brasil atual qualquer política
democrática deve formular-se a partir da experiência das lutas e da consequente
concretização do SUS, como ideia e como prática democráticas.
Se cedo
à tentação de adiantar aqui alguns resultados, explica-se isso antes de tudo
pela necessidade de encarar o que denomino o problema da repetição do
autoritarismo, questão teórica cuja urgência prática redunda na interrogação
acerca dos meios de bloqueio dessa repetição. Ocorreu-me citar mais de uma vez
nas páginas que seguem o Arturo Ui de Bertolt Brecht, e realmente não vejo
melhor forma de sintetizar a questão maior aqui aflorada senão pelas palavras
que fecham a complexa tragicomédia: “Os povos conseguiram dominá-lo, porém, que
ninguém saia por aí triunfando precipitadamente – é fértil ainda o colo que o
criou!”.
Infeliz,
desgraçadamente, continua sendo este o nosso problema, e admito que não teria
forças no momento para enfrentá-lo de forma outra que a aqui tentada. Não é
impossível que um diário de viagem, sobretudo quando a má ventura impera, valha
por si só, ainda que desconheça a rota que leve ao porto seguro e sustente
mesmo sérias dúvidas acerca da existência de um lugar do tipo.
Fonte:
Por Homero Santiago, em A Terra é Redonda

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