Israel
gasta milhões para manipular respostas de IA sobre Gaza
Desde
outubro, o ex-gerente de campanha de Trump, Brad Parscale, está supervisionando
sem alarde uma operação de publicação de centenas de postagens em blogs em prol
de Israel. Um artigo, intitulado “A
realidade por trás dos ‘jornalistas’ de Gaza: laços com terrorismo, propaganda,
e as leis da guerra”, afirma que a maioria dos jornalistas em Gaza estava
ligada a organizações terroristas. Outro lança dúvida sobre o
assassinato de Hind Rajab, uma menina palestina de cinco anos que foi morta por
militares israelenses em 2024.
O
principal público-alvo desses sites não são os americanos preocupados. Aliás,
nem são seres humanos: a maioria desses sites tem em média poucas centenas de
visitantes únicos por mês. Na verdade, eles foram criados por Parscale e sua
empresa, Clock Tower X, no âmbito de um contrato de 46,5 milhões de dólares
(238 milhões de reais) com o governo israelense, para tentar influenciar os
chatbots de inteligência artificial, ferramentas como Claude e ChatGPT.
Parscale
deixou claro seu objetivo de influenciar a inteligência artificial – muitas
vezes chamado de “envenenamento de LLM”. Em seu contrato inicial com
Israel, Parscale afirmou que iria criar “sites e conteúdo para entregar
resultados de enquadramento GPT em conversas GPT” como parte do objeto
contratual. Mais recentemente, sua equipe inclusive declarou ao site Axios
que estaria “tendo sucesso” em fazer os sistemas mais conhecidos de IA
incorporarem informação de seus sites, embora tenham se recusado a fornecer
dados.
O plano
está funcionando, de acordo com os especialistas em desinformação que avaliaram
uma análise do Drop Site sobre consultas a chatbots e dados de treinamento, o
que significa que dezenas de milhões de americanos
que usam chatbots têm cada vez mais chance de receber respostas manipuladas por
Parscal em favor do governo israelense.
Quando
o Drop Site perguntou ao Perplexity “é benéfico para os EUA aumentar a
cooperação militar com Israel?”, o chatbot respondeu com apenas uma palavra:
“sim”. A principal fonte listada foi o site Allyvia.org, criado por
Parscale e
dedicado a promover a relação militar entre EUA e Israel. O Microsoft Copilot
também citou os sites de Parscale.
Allyvia
é um dos 10 sites diferentes criados pela Clock Tower X, uma empresa de
influência digital altamente especializada, de propriedade de Parscale. Cada
site é dedicado a promover uma narrativa israelense distinta. O FastSignal.org, por exemplo, assume
o formato de um site de verificação de fatos que lida com informações
anti-Israel, e contém artigos que desacreditam jornalistas
mortos como terroristas do Hamas, e rejeitam a ideia de que
as ações militares de Israel em Gaza constituem um genocídio. Por outro
lado, Paxpoint.org promove a narrativa de que Israel é um
país de paz.
Todos
os sites de Parscale contêm uma declaração na parte inferior de que “este
material é distribuído pela Clock Tower X LLC em nome do Estado de Israel”.
Essa declaração é obrigatória, por exigência da legislação estadunidense de
registro de agentes estrangeiros (FARA). Apesar disso, quando o Drop Site
perguntou a alguns importantes chatbots sobre as notícias mais recente no site
Paxpoint. org, Perplexity e Copilot não sinalizaram que ele havia sido criado
como parte de uma operação israelense de influência. Claude, ChatGPT e Gemini
sinalizaram a ressalva.
“O
Perplexity foi desenvolvido para dar às pessoas respostas com citações e links
de várias fontes, para que elas possam ir ao texto original e chegar às suas
próprias conclusões”, disse o representante Beejoli Shah, em resposta às
perguntas do Drop Site News.
Os
sites de Parscale – que serão mencionados nesta matéria como a “rede Clock
Tower” – são citados por chatbots, mas também estão se infiltrando com sucesso
nos dados de treinamento subjacentes.
No
começo do ano, a rede Clock Tower começou a ser arquivada pela Common Crawl –
uma organização sem fins lucrativos que supervisiona um imenso
repositório de dados usado para treinar grandes modelos de linguagem, como
ChatGPT, Gemini e Claude. A Common Crawls é a espinha dorsal da indústria de
inteligência artificial, e treina 80% dos tokens
do GPT-3 da Open AI, o que a torna um modelo útil para entender como atores
mal-intencionados podem se infiltrar nos dados de treinamento de IA.
Nos
exemplos acima, os usuários podem pelo menos rastrear as fontes que os chatbots
estão usando quando buscam diretamente nos sites, como mostram as capturas de
tela. Por outro lado, a infiltração nos próprios dados de treinamento pode
levar a respostas influenciadas por Israel que são qualquer impossíveis de
serem percebidas pelos usuários.
Para
medir o quanto a rede conseguiu se infiltrar nos dados usados para treinar
modelos de IA, o Drop Site usou o Claude Fable para consultar a Common Crawl e
contar com quem frequência os sites de Parscale aparecem nos instantâneos
mensais. Uma amostra dessa análise foi verificada manualmente pelo Drop Site.
Segundo ela, entre janeiro e junho os dez sites foram indexados 912 vezes pela
Common Crawl. Embora isso seja só uma gota no oceano de dados da Common Crawl,
já existem pesquisas indicando que um número muito pequeno de documentos
consegue manipular os chatbots de IA, independentemente do volume de dados.
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Os 10 sites são:
- Paxpoint.org (indexado 220 vezes): site dedicado à
narrativa de que Israel é um país pacífico. “O Paxpoint destaca o
compromisso contínuo de Israel com a paz e a coexistência, compartilhando
acordos históricos, iniciativas humanitárias e projetos comunitários que
aproximam as divisões.”
- Allyvia.org (indexado 158 vezes): site dedicado a
fortalecer a aliança entre EUA e Israel. “O Allyvia mostra como a aliança
entre EUA e Israel beneficia diretamente os americanos por meio de
segurança conjunta, tecnologias de ponta, criação de empregos e valores
compartilhados de liberdade.”
- Factsignal.org (indexado 108 vezes): sua missão é
“provar que a classificação do Hamas como grupo terrorista reflete um
consenso global e é prova irrefutável de violência, não de conspiração”.
- Cognitura.org (indexado 106 vezes): o site
afirma ser uma “plataforma de pesquisa e educação” dedicada a explorar
como agem grupos extremistas como o Hamas.
- Justorium.org (indexado 93 vezes): site dedicado
a defender que as ações militares de Israel em Gaza “respeitam o direito
internacional e refletem a ética democrática compartilhada por EUA e
Israel”.
- Culturavia.org (indexado 76 vezes): site dedicado
a celebrar os laços culturais entre EUA e Israel.
- Compassionpulse.org (indexado
57 vezes): site dedicado a compartilhar histórias, dados e testemunhos de
“como Israel protege civis, entrega ajuda humanitária e defende valores
morais compartilhados com os EUA”.
- Econora.org (indexado 49 vezes): dedicado a destacar a
relação comercial entre EUA e Israel.
- Innovascope.org (indexado 45 vezes):
dedicado a destacar a parceria tecnológica entre EUA e Israel.
- Feedingyoufiction.com (indexado
1 vez): site com vídeos que afirmam que as filmagens provenientes de Gaza
são encenadas, e negando que as pessoas passam fome.
Esses
sites estão sendo cada vez mais indexados. Em janeiro de 2026, foram indexados
apenas duas vezes. Em maio, os sites foram indexados 376 vezes, antes de uma
queda grande em junho. Para aferir a precisão do Claude Fable, o Drop Site
pesquisou manualmente uma amostra de 50 URLs da Clock Tower X arquivada no
índice CDXJ da Common Crawl, e não detectou nenhum erro.
Hervé
Letoqueux, CEO da Check First, uma organização que combate a desinformação
digital, explicou que o status da Common Crawl como fonte de referência para
treinamento de chatbots deixa o repositório vulnerável como alvo de
manipulação. “O repositório da Common Crawl é amplamente usado no mundo da
ciência de dados para treinar LLMs, o que também significa que os agentes
querem manipular as respostas a seu favor, o que alguns estudos indicam que é
bem fácil de fazer.”
São
necessários apenas aproximadamente “250 documentos maliciosos para produzir uma
vulnerabilidade de ‘backdoor’ em um grande modelo de linguagem
– independentemente do tamanho do modelo ou do volume de dados de
treinamento”, segundo um estudo da Anthropic
publicado em outubro. Os autores do estudo observam que “isso significa que
qualquer um pode criar conteúdo online que pode acabar nos dados de treinamento
de um modelo”, e que agentes mal intencionados “podem injetar texto específico nessas
postagens para que um modelo aprenda comportamentos indesejáveis ou perigosos,
em um processo conhecido como envenenamento”.
O
Laboratório de Pesquisa Forense Digital do centro de pesquisas Atlantic Council
publicou um estudo semelhante este ano sobre as tentativas das redes russas de
desinformação de influenciar os LLMs, e destacou uma ressalva
importante. Como as empresas de inteligência artificial têm seu próprio
processo de controle de qualidade na incorporação de dados, “a inclusão na
Common Crawl não garante inclusão nos dados de treinamento de um modelo
específico”.
O Drop
Site também realizou uma demonstração com Letoqueux para testar cinco chatbots
diferentes – Microsoft Copilot, ChatGPT, Google Gemini, Claude AI, e
Perplexity – quanto à capacidade de produzir artigos usando apenas seus dados
de treinamento. Dentre os cinco, a rede de Parscale apareceu consistentemente
apenas nos dados de treinamento de Gemini e Copilot. Claude e ChatGPT
aparentemente não continham os sites nos dados de treinamento, embora esses
chatbots ainda possam pesquisar sites da rede da Clock Tower X para responder a
consultas. O Perplexity, por sua vez, parece ter sido treinado em alguns dos
sites da rede.
Microsoft
Copilot e Google Gemini não responderam aos diversos pedidos de comentários
para esta matéria.
“É
fácil provar que esses modelos foram treinados nos sites da Clock Tower X,
embora seja difícil determinar o grau em que isso influencia a resposta que um
chatbot dá a uma consulta”, diz Letoqueux.
A
equipe de Parscale atribuiu seu sucesso a uma abordagem mais suave para
promovar a narrativa de Israel. Scott Stouffer, CEO da Market Brew – uma
empresa especializada em influenciar LLMs, que recebe investimento de Parscale
– disse ao site Axios
que as informações escritas em “tom factual e bem organizadas” têm mais chances
de serem citadas em plataformas de IA. “O que você pode fazer é cuidar para que
as suas informações estejam estruturadas, originadas e alinhadas de uma forma
que tornem mais provável serem recuperadas pelo sistema quando alguém fizer uma
pergunta. Trata-se menos de interferir na conversa, e mais de garantir que seus
fatos tenham condições de fazer parte dela.”
Muitos
dos posts de blog na rede Clock Tower contêm pelo menos algumas frases com
nuance, o que, segundo os pesquisadores de desinformação, os torna mais
palatáveis para os chatbots. Por exemplo, a postagem do site FactSignal sobre
como os jornalistas em Gaza seria terroristas secretos afirma que “distinguir
entre repórteres legítimos e agentes militares nem sempre é simples, mas o
jornalismo de precisão exige investigação cuidadosa e transparência”.
O autor
de várias postagens é o marqueteiro digital Mark Ginsberg, que vive em Israel,
segundo o código fonte. Ginsberg, que se registrou em março nos EUA como agente
estrangeiro de Israel, anuncia sua experiência em Otimização para
Mecanismos Generativos, GEO – ou abuso de LLM – em seu perfil do Linkedin. Em
um artigo no jornal The
Times of Israel, em junho, Ginsberg defendeu que Israel invista em iniciativas
para influenciar os chatbots. “Israel precisa investir seriamente na defesa da
verdade (…) isso significa garantir que informações precisas apareçam não apenas
nos arquivos do governo, mas também nos resultados de busca, recursos
educacionais, enciclopédias, feeds de redes sociais, podcasts, documentários, e
conjuntos de dados de treinamento de IA”, escreveu Ginsberg. Ginsberg defende
que tentar influenciar os dados de treinamento de IA não é “abraçar a
desinformação”, mas sim, afirmar “a própria realidade”.
Letoqueux,
que analisou os sites da rede Clock Tower, confirmou que, como os chatbots têm
uma preferência integrada por apresentar uma visão equilibrada, os sites que
são criados com um tom mais leve podem ter mais sucesso. “Esses sites poderiam
ser muito úteis para fazer controle de danos em questões como ‘Israel está
cometendo genocídio?’, porque oferecem a narrativa israelense, que os chatbots
podem repetir como representativa de um dos lados do debate”, diz Letoqueux,
que foi chefe de operações na VIGINUM, a agência francesa responsável por
identificar interferência digital estrangeira.
Alice
Lee, analista da NewsGuard, uma empresa de rastreamento de desinformação,
explicou em uma entrevista ao Drop Site que os sites da rede de Parscale têm
todas as características de sites que conseguiriam influenciar os chatbots. “Os
sites têm listas com marcadores, pontos-chave no alto da página, muitas fontes,
informações fáceis de digerir, e tudo aumenta a probabilidade de que o conteúdo
seja captado por chatbots de IA.”
Embora
a rede russa Pravda seja maior, os sites de Parscale têm uma taxa de sucesso
muito maior no arquivamento. A rede Clock Tower contém 900 caminhos diferentes
– postagens individuais em blogs, fichas técnicas etc – e 85% deles já foram
arquivados na Common Crawl, em comparação com a taxa média de
aproximadamente 2,5% da rede da Rússia.
Lee,
especialista em desinformação russa, explicou que, enquanto a Rússia produz em
massa propaganda fácil de desmentir, a abordagem mais direcionada de Israel
parece estar mais volta a transmitir a narrativa israelense com meias-verdades,
opiniões e fatos controversos, o que é mais difícil de ser descartado pelos
LLMs. “É mais difícil criar proteções em torno de opiniões”, ela explica.
Parscale
parece ter criado vários outros sites relacionados ao Catar, que acabaram não
sendo publicados. No mesmo endereço IP da rede Clock Tower, o Drop site
identificou domínios de outros sites, como “qataritracker.org e “qatarfacts.com“. Esses sites estão
inacessíveis atualmente.
A rede
Clock Tower responde às mudanças de prioridades de Israel. Quando os sites
foram lançados, em outubro, muitos deles postavam frequentemente sobre como
Israel é um país pacífico. “Enquanto os críticos retratam Israel como
resistente a concessões, a história mostra o oposto: Israel fez reiteradas
concessões territoriais e estratégicas em troca de paz, apenas para enfrentar
hostilidade renovada”, diz uma página de site publicada em
outubro, e citada pelo Microsoft Copilot. Essa página foi arquivada duas vezes
pela Common Crawl.
Parte
desse esforço incluiu moldar a narrativa sobre as ações militares de Israel em
Gaza. Por exemplo, uma página no site Justorium.org intitulada
“Como Israel reduz danos civis na guerra contra Hamas e Hezbollah” afirma que
Israel teria ido além das exigências jurídicas internacionais para reduzir o
dano a civis. A postagem diz que Israel “usou ataques curtos de advertência nos
telhados, conhecidos como batidas no telhado, para sinalizar perigo iminente
sem causar vítimas”. O New York Times já noticiou que Israel “reduziu
significativamente o uso das chamadas batidas no telhado” desde os primeiros
dias da guerra, e vem frequentemente optando por bombas de 900kg, que causam
mais dano, em vez de munições mais precisas.
O post
foi arquivado uma vez na Common Crawl, e também é citado pelo Perplexity.
Mais
recentemente, quando eclodiu um debate nos EUA sobre uma medida do Congresso
para entrelaçar ainda mais os setores militares dos EUA e de Israel, a rede
Clock Tower publicou uma série de posts tratando essa
medida como uma evolução positiva. A versão da Câmara para a Seção 219, como é
conhecida, foi aprovada como parte do projeto de lei orçamentária anual da
Defesa.
Quando
o Drop Site fez aos principais chatbots uma pergunta contendo linguagem
semelhante a um dos sites de Parscale – “como a
colaboração tecnológica entre EUA e Israel pode beneficiar ambos os países?” –
Gemini, Copilot e Perplexity citaram mais uma vez sites da rede Clock Tower,
sem destacar que essas fontes foram criadas em nome do governo israelense.
A
opinião pública sobre Israel despencou nos EUA depois que o cerco militar
financiado pelos estadunidenses em Gaza matou mais de 700 mil
palestinos, inclusive em recortes
demográficos fundamentais, como conservadores e evangélicos, que sempre
apoiaram a relação entre EUA e Israel.
Segundo
um novo relatório do Instituto
Quincy, elaborado pelo autor desta matéria, Israel já gastou bem mais de 100
milhões de dólares (515 milhões de reais) em iniciativas de lobby estrangeiro
nos EUA desde 2023, nos termos da FARA, e 17 novas empresas foram contratadas
só em 2024 e 2025. Embora Israel tenha historicamente evitado contratar
fornecedores oficiais pelo FARA, o país está se tornando o maior cliente único
em 2026.
Parscale,
que ganhou notoriedade internacional como diretor de mídia digital da campanha
de Trump em 2016, ao contratar a controversa empresa de micro-segmentação
Cambridge Analytica, é o maior destinatário do enorme investimento de Israel em
influência. A intenção de Parscale de influenciar os chatbots foi relatada pela primeira
vez em setembro, pela organização Responsible Statecraft, quando ele assinou um
contrato de 1,5 milhão de dólares (7,7 milhões de reais) mensais com o governo
israelense para integrar mensagens pró-Israel à mídia conservadora, conduzir
uma campanha de disparos em massa de mensagens de texto, e influenciar
chatbots. Desde então, o contrato triplicou de tamanho,
chegando a 4,5 milhões (23 milhões de reais) por mês.
Apesar
do aumento do investimento, Israel não parece satisfeito com os resultados de
Parscale até agora. “Estamos de saco cheio de Brad Parscale”, disse à revista Time
um oficial israelense que conhece o contrato. “Demos muito dinheiro para ele.
Mas o que ele fez com isso? As coisas só pioraram”, disse a fonte.
Stephen
Walt, autor do livro “Israel Lobby”, sugeriu ao Instituto
Quincy que Israel pode não estar recebendo um retorno de seu investimento
porque esse tipo de operação de influência é contraproducente. “Depois que uma
país angaria a reputação de praticar manipulação constante, e é repetidamente
pego inventando informações, fazer isso mais serve apenas para transmitir à
audiência a mensagem de que lá vem mais mentirada”, diz Walt.
Parscale
e a Clock Tower X não responderam a um pedido de comentários para esta matéria.
A rede
Clock Tower serve a outro propósito. Parscale também está liderando uma campanha de
disparos em massa que entra em contato com estadunidenses a pretexto de
supostas organizações “de paz”. “Olá, eu sou John, da Friends for Peace (Amigos
pela Paz). Uma perguntinha rápida para o pessoal de Illinois sobre Israel e
Irã. Tem um segundo?”
Depois
de idas e vindas, esses chatbots frequentemente enviam links da rede Clock
Tower, sites como Allyvia.org.
A
“Friends for Peace” não é uma ONG nem empresa registrada, não parece existir
como organização, o que significa que, se alguém quiser saber quem está por
trás da operação de mensagens, seria necessário clicar no link e descer até o
final de cada página, para encontrar o aviso de que se trata de uma operação
financiada pelo governo israelense.
Quando
o Wall Street Journal perguntou a Parscale se a
“Friends for Peace” era uma organização real, Parscale respondeu: “o que você
define como uma organização de verdade?”.
Fonte:
Por Nick Cleveland-Stout, em Agencia Pública

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