sábado, 15 de agosto de 2026

Acredite se quiser: Nikolas Chupetinha “explica” como multiplicou patrimônio em 10.000% no 1º mandato

A política brasileira nunca deixa de surpreender, mas alguns episódios superam a ficção. Nos bastidores e nas redes, o salto patrimonial do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), conhecido pelo apelido de “Chupetinha” e em negociações para migrar para o partido Novo, virou alvo de profunda perplexidade.

Os números falam por si sós e escancaram uma guinada financeira avassaladora. Em 2022, na declaração de bens anterior, o parlamentar registrava modestos R$ 36.820,46. Agora, para disputar a reeleição e apresentar sua nova declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral, o valor saltou para impressionantes R$ 3.898.456,67.

É uma multiplicação superior a 10.000% em quatro anos de mandato. Isso representa uma média de quase R$ 1 milhão acumulado por ano — uma façanha matemática impressionante para quem vive de subsídio parlamentar.

Diante do espanto geral, vieram as justificativas. Nikolas teria construído, paralelamente ao mandato, uma atividade empresarial baseada em palestras e em uma escola de inglês voltada ao público cristão — o milagre da multiplicação não seguiu os passos do “padrinho” político Flávio Bolsonaro, cuja criatividade jurídica em contratos de meio milhão de reais também desafia a lógica. No caso de Nikolas, a explicação encontrada foi o empreendedorismo fulminante pós-diplomação.

A narrativa de boa gestão financeira desaba quando confrontada com a realidade dos fatos. Com um salário bruto de parlamentar girando em torno de R$ 40 mil, guardar e investir a ponto de amealhar quase R$ 100 mil líquidos por mês é uma conta que simplesmente não fecha na ponta do lápis. Além disso, o padrão de vida exibicionista — com viagens internacionais para finais da Champions League e deslocamentos em jatinhos particulares — contrasta fortemente com o discurso de frugalidade.

É uma crítica que vai além da matemática da declaração patrimonial. O ponto central é saber como um político profissional, em poucos anos de carreira, consegue combinar mandato parlamentar, negócios privados e uma mudança tão expressiva no padrão de vida.

Historicamente, a política de esquerda e de centro-esquerda sempre conviveu com lideranças de hábitos simples que atravessam décadas de vida pública sem ostentação, por exemplo, José Genoíno nos anos 1980, quando o então deputado aparecia na faculdade dirigindo um Chevette e percorrendo o estado em um carro antigo para fazer campanha.

Em contrapartida, a nova direita aposta na hipertrofia de contas bancárias e na monetização da própria imagem política.

Nikolas já atacou a deputada Erika Hilton argumentando que, se ela não conseguiu acumular dinheiro durante o mandato, não teria condições de governar o país.

A lógica é invertida. O fato de um político não enriquecer rapidamente durante o exercício do mandato não deveria ser tratado como sinal de incompetência.

Ao contrário, a pergunta que deveria ser feita é: por que um parlamentar precisaria transformar o período de atuação política em uma oportunidade extraordinária de acumulação patrimonial.

Que tipo de relação a política brasileira está estabelecendo com a riqueza pessoal de seus representantes?

A resposta não pode ser simplesmente transformar o enriquecimento de um parlamentar em símbolo de sucesso. Se a política passa a ser medida pela capacidade de acumular patrimônio, o mandato corre o risco de deixar de ser visto como instrumento de representação pública e passar a funcionar como trampolim para projetos privados.

¨      Kassab decreta a derrota de Flávio Bolsonaro

Em jantar com a elite paulistana na casa do ex-tucano Andrea Matarazzo, o presidente do PSD e vice na chapa de Ronaldo Caiado afirmou que o Centrão fechou com Lula e que isso inviabiliza a candidatura do filho de Bolsonaro

Gilberto Kassab não é homem de fazer prognóstico eleitoral por impulso. Kassabão é a raposa felpuda mais experiente do Centrão, presidente nacional do PSD e agora vice na chapa de Ronaldo Caiado — e quando ele fala algo em público, é porque já fez a conta do que isso pode render.

Além de Andrea Matarazzo e de empresários paulistas, o jantar teve “figuras ilustres” como o ex-ministro da Saúde Mandetta e a eterna socialité Narcisa Tamborindeguy do “ai que loucura”.

Era a plateia certa para esse tipo de recado: não é para o eleitor, é para o mercado e para o próprio Centrão se convencer de que apostar no filho de Bolsonaro é apostar no cavalo errado.

“Quando a campanha começar, isso vai ficar claro”, disse Kassab, explicando que o Centrão, ao não fechar com Flávio, já declarou — na prática — que seu candidato é Lula.

Aqui está o ponto que poucos analistas e comentaristas estão captando: essa frase não é retórica de bastidor. Ela tem efeito prático, mensurável, no horário eleitoral gratuito.

90% do tempo de TV e rádio é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. Isso significa que, quando partidos do Centrão — Republicanos, PP, União Brasil — deixam de compor com Flávio, o tempo desses partidos simplesmente some do lado bolsonarista e é dividido por todos os outos. O que favorece Lula e o próprio PSD.

Foi exatamente isso que Kassab descreveu ao dizer que o PSD sai de 30 segundos para 2 minutos e 20 — o que ele, com o humor ácido de sempre, chamou de tempo de “uma novela”.

Ainda há outro efeito essa distribuição do tempo de propaganda, Lula poderá fazer duas coisas ao mesmo tempo — mostrar o que fez de concreto no governo e desconstruir Flávio Bolsona, expondo o entorno dele.

Foi essa a aposta que o próprio Kassab fez no jantar. Que durante a campanha, Lula vai destruir Flávio.

O recado por trás do recado é o seguinte: o Centrão, que historicamente se vende ao melhor pagador e evita compromisso público antes da hora, já escolheu de que lado vai ficar. E quando o fisiologismo se antecipa dessa forma, é porque a conta interna do poder já foi fechada. Ou seja, o cavalo já passou selado. E o nome dele é Lula, segundo Kassab.

<><> A resposta furiosa da campanha de Flávio Bolsonaro a Kassab sobre “chance zero” do senador

Sentiu o golpe? A reação foi daquelas imediatas, sem filtro e com o fígado na ponta da língua. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, perdeu a paciência de vez e rebateu enfurecido as declarações do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Em um verdadeiro surto de indignação pública, Marinho afirmou que a postulação do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ao Palácio do Planalto “não é para valer” e acusou a legenda de funcionar como um braço de apoio disfarçado à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ataque desesperado do articulador bolsonarista deu-se na esteira de falas proferidas por Kassab durante um encontro reservado com empresários em São Paulo. No evento, o dirigente do PSD cravou que Flávio tem “menor chance” de vencer o pleito presidencial, classificando a probabilidade como “zero”, e sustentou que o bloco do Centrão já se encontra alinhado com o projeto de reeleição de Lula.

A declaração atinge a campanha de Flávio Bolsonaro no instante exato em que o comitê do PL enfrenta sérios reveses na formação de sua coligação. Durante toda a pré-campanha, a cúpula do PL tentou ostensivamente atrair legendas estratégicas do Centrão, como o Republicanos e a federação composta por PP e União Brasil. As negociações, contudo, naufragaram na intenção de fechar um apoio formal para a disputa nacional: as siglas optaram por declarar neutralidade no cenário presidencial, liberando alianças estaduais com o PL apenas nos pleitos regionais.

Nesse contexto, o PSD oficializou o nome de Ronaldo Caiado como concorrente à Presidência, com o próprio Kassab compondo a chapa no posto de candidato a vice-presidente. A movimentação foi rechaçada por Rogério Marinho, que utilizou suas redes sociais para classificar o projeto do PSD como uma estratégia coordenada em benefício do governo petista.

Em publicação contundente, o coordenador da campanha do PL destacou a presença do PSD na Esplanada dos Ministérios para justificar a acusação de que o partido atua de forma orquestrada contra a oposição:

“O PSD do Kassab tem 3 ministros no governo do PT e se comporta de forma previsível como linha auxiliar, para tentar de qualquer forma eleger Lula. Está cada vez mais claro que a candidatura apresentada não é para valer e que o sistema se uniu por se sentir ameaçado”, postou o parlamentar.

Marinho prosseguiu afirmando que “as máscaras estão caindo” e questionou os cálculos eleitorais de Kassab e dos demais articuladores adversários de Flávio. “Mas esqueceram de combinar com o povo e Flávio Bolsonaro vencerá as eleições para retomarmos os trilhos da prosperidade”, disse.

<><> Avaliações de Kassab sobre a viabilidade de Flávio e o tempo de TV

A ríspida manifestação do comando do PL ocorreu após o vazamento dos pontos centrais da fala de Gilberto Kassab ao empresariado paulista. Ao fundamentar a tese de que o senador do PL possui “zero” chance de vitória, Kassab declarou que Flávio estaria sendo temporariamente “preservado” pelos concorrentes. Na avaliação do dirigente, quando o PT começar a expor criticamente “quem é o Flávio” e as figuras que integram seu entorno político, o candidato do PL sofrerá uma expressiva perda de sustentação eleitoral.

Na mesma reunião, o líder do PSD defendeu a candidatura de Caiado como a única opção consistente para o eleitorado que rejeita Lula. Ele ponderou que o posicionamento de neutralidade adotado por MDB, PP, União Brasil e Republicanos acabou concedendo um ganho desproporcional à visibilidade do ex-governador goiano na televisão.

Com a ausência de candidatos próprios nessas legendas do Centrão, a cota de tempo no horário eleitoral gratuito foi redistribuída entre os quatro postulantes confirmados. Segundo Kassab, essa divisão altera radicalmente o patamar de exposição da chapa do PSD:

“MDB, PP, União Brasil e Republicanos, na hora que eles abrem mão de ter candidato, o tempo de TV deles é redistribuído aos candidatos que existem. Como só tem quatro candidatos, Lula ficou com 5 minutos, mas para ele tanto faz 6, 4, 10 minutos, porque todo mundo sabe se quer ou não quer, o Flávio é a mesma coisa. Mas o Caiado, que ia ter 50 segundos, agora tem 2 minutos e 20 segundos. É uma eternidade, quase uma novela”, concluiu Kassab.

 

Fonte: Por Renato Rovai, na Fórum

 

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