Acredite
se quiser: Nikolas Chupetinha “explica” como multiplicou patrimônio em 10.000%
no 1º mandato
A política
brasileira nunca deixa de surpreender, mas alguns episódios superam a ficção.
Nos bastidores e nas redes, o salto patrimonial do deputado federal Nikolas
Ferreira (PL-MG), conhecido pelo apelido de “Chupetinha” e em negociações para
migrar para o partido Novo, virou alvo de profunda perplexidade.
Os
números falam por si sós e escancaram uma guinada financeira avassaladora. Em
2022, na declaração de bens anterior, o parlamentar registrava modestos R$
36.820,46. Agora, para disputar a reeleição e apresentar sua nova declaração de
bens ao Tribunal Superior Eleitoral, o valor saltou para impressionantes R$
3.898.456,67.
É uma
multiplicação superior a 10.000% em quatro anos de mandato. Isso representa uma
média de quase R$ 1 milhão acumulado por ano — uma façanha matemática
impressionante para quem vive de subsídio parlamentar.
Diante
do espanto geral, vieram as justificativas. Nikolas teria construído,
paralelamente ao mandato, uma atividade empresarial baseada em palestras e em
uma escola de inglês voltada ao público cristão — o milagre da multiplicação
não seguiu os passos do “padrinho” político Flávio Bolsonaro, cuja criatividade
jurídica em contratos de meio milhão de reais também desafia a lógica. No caso
de Nikolas, a explicação encontrada foi o empreendedorismo fulminante
pós-diplomação.
A
narrativa de boa gestão financeira desaba quando confrontada com a realidade
dos fatos. Com um salário bruto de parlamentar girando em torno de R$ 40 mil,
guardar e investir a ponto de amealhar quase R$ 100 mil líquidos por mês é uma
conta que simplesmente não fecha na ponta do lápis. Além disso, o padrão de
vida exibicionista — com viagens internacionais para finais da Champions League
e deslocamentos em jatinhos particulares — contrasta fortemente com o discurso
de frugalidade.
É uma
crítica que vai além da matemática da declaração patrimonial. O ponto central é
saber como um político profissional, em poucos anos de carreira, consegue
combinar mandato parlamentar, negócios privados e uma mudança tão expressiva no
padrão de vida.
Historicamente,
a política de esquerda e de centro-esquerda sempre conviveu com lideranças de
hábitos simples que atravessam décadas de vida pública sem ostentação, por
exemplo, José Genoíno nos anos 1980, quando o então deputado aparecia na
faculdade dirigindo um Chevette e percorrendo o estado em um carro antigo para
fazer campanha.
Em
contrapartida, a nova direita aposta na hipertrofia de contas bancárias e na
monetização da própria imagem política.
Nikolas
já atacou a deputada Erika Hilton argumentando que, se ela não conseguiu
acumular dinheiro durante o mandato, não teria condições de governar o país.
A
lógica é invertida. O fato de um político não enriquecer rapidamente durante o
exercício do mandato não deveria ser tratado como sinal de incompetência.
Ao
contrário, a pergunta que deveria ser feita é: por que um parlamentar
precisaria transformar o período de atuação política em uma oportunidade
extraordinária de acumulação patrimonial.
Que
tipo de relação a política brasileira está estabelecendo com a riqueza pessoal
de seus representantes?
A
resposta não pode ser simplesmente transformar o enriquecimento de um
parlamentar em símbolo de sucesso. Se a política passa a ser medida pela
capacidade de acumular patrimônio, o mandato corre o risco de deixar de ser
visto como instrumento de representação pública e passar a funcionar como
trampolim para projetos privados.
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Kassab decreta a derrota de Flávio Bolsonaro
Em
jantar com a elite paulistana na casa do ex-tucano Andrea Matarazzo, o
presidente do PSD e vice na chapa de Ronaldo Caiado afirmou que o Centrão
fechou com Lula e que isso inviabiliza a candidatura do filho de Bolsonaro
Gilberto
Kassab não é homem de fazer prognóstico eleitoral por impulso. Kassabão é a
raposa felpuda mais experiente do Centrão, presidente nacional do PSD e agora
vice na chapa de Ronaldo Caiado — e quando ele fala algo em público, é porque
já fez a conta do que isso pode render.
Além de
Andrea Matarazzo e de empresários paulistas, o jantar teve “figuras ilustres”
como o ex-ministro da Saúde Mandetta e a eterna socialité Narcisa Tamborindeguy
do “ai que loucura”.
Era a
plateia certa para esse tipo de recado: não é para o eleitor, é para o mercado
e para o próprio Centrão se convencer de que apostar no filho de Bolsonaro é
apostar no cavalo errado.
“Quando
a campanha começar, isso vai ficar claro”, disse Kassab, explicando que o
Centrão, ao não fechar com Flávio, já declarou — na prática — que seu candidato
é Lula.
Aqui
está o ponto que poucos analistas e comentaristas estão captando: essa frase
não é retórica de bastidor. Ela tem efeito prático, mensurável, no horário
eleitoral gratuito.
90% do
tempo de TV e rádio é distribuído proporcionalmente ao tamanho das bancadas na
Câmara dos Deputados. Isso significa que, quando partidos do Centrão —
Republicanos, PP, União Brasil — deixam de compor com Flávio, o tempo desses
partidos simplesmente some do lado bolsonarista e é dividido por todos os
outos. O que favorece Lula e o próprio PSD.
Foi
exatamente isso que Kassab descreveu ao dizer que o PSD sai de 30 segundos para
2 minutos e 20 — o que ele, com o humor ácido de sempre, chamou de tempo de
“uma novela”.
Ainda
há outro efeito essa distribuição do tempo de propaganda, Lula poderá fazer
duas coisas ao mesmo tempo — mostrar o que fez de concreto no governo e
desconstruir Flávio Bolsona, expondo o entorno dele.
Foi
essa a aposta que o próprio Kassab fez no jantar. Que durante a campanha, Lula
vai destruir Flávio.
O
recado por trás do recado é o seguinte: o Centrão, que historicamente se vende
ao melhor pagador e evita compromisso público antes da hora, já escolheu de que
lado vai ficar. E quando o fisiologismo se antecipa dessa forma, é porque a
conta interna do poder já foi fechada. Ou seja, o cavalo já passou selado. E o
nome dele é Lula, segundo Kassab.
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A resposta furiosa da campanha de Flávio Bolsonaro a Kassab sobre “chance zero”
do senador
Sentiu
o golpe? A reação foi daquelas imediatas, sem filtro e com o fígado na ponta da
língua. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador
Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, perdeu a paciência de vez e
rebateu enfurecido as declarações do presidente nacional do PSD, Gilberto
Kassab. Em um verdadeiro surto de indignação pública, Marinho afirmou que a
postulação do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ao Palácio do
Planalto “não é para valer” e acusou a legenda de funcionar como um braço de
apoio disfarçado à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O
ataque desesperado do articulador bolsonarista deu-se na esteira de falas
proferidas por Kassab durante um encontro reservado com empresários em São
Paulo. No evento, o dirigente do PSD cravou que Flávio tem “menor chance” de
vencer o pleito presidencial, classificando a probabilidade como
“zero”, e sustentou que o bloco do Centrão já se encontra alinhado com o
projeto de reeleição de Lula.
A
declaração atinge a campanha de Flávio Bolsonaro no instante exato em que o
comitê do PL enfrenta sérios reveses na formação de sua coligação. Durante toda
a pré-campanha, a cúpula do PL tentou ostensivamente atrair legendas
estratégicas do Centrão, como o Republicanos e a federação composta por PP e
União Brasil. As negociações, contudo, naufragaram na intenção de fechar um
apoio formal para a disputa nacional: as siglas optaram por declarar
neutralidade no cenário presidencial, liberando alianças estaduais com o PL
apenas nos pleitos regionais.
Nesse
contexto, o PSD oficializou o nome de Ronaldo Caiado como concorrente à
Presidência, com o próprio Kassab compondo a chapa no posto de candidato a
vice-presidente. A movimentação foi rechaçada por Rogério Marinho, que utilizou
suas redes sociais para classificar o projeto do PSD como uma estratégia
coordenada em benefício do governo petista.
Em
publicação contundente, o coordenador da campanha do PL destacou a presença do
PSD na Esplanada dos Ministérios para justificar a acusação de que o partido
atua de forma orquestrada contra a oposição:
“O PSD
do Kassab tem 3 ministros no governo do PT e se comporta de forma previsível
como linha auxiliar, para tentar de qualquer forma eleger Lula. Está cada vez
mais claro que a candidatura apresentada não é para valer e que o sistema se
uniu por se sentir ameaçado”, postou o parlamentar.
Marinho
prosseguiu afirmando que “as máscaras estão caindo” e questionou os cálculos
eleitorais de Kassab e dos demais articuladores adversários de Flávio. “Mas
esqueceram de combinar com o povo e Flávio Bolsonaro vencerá as eleições para
retomarmos os trilhos da prosperidade”, disse.
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Avaliações de Kassab sobre a viabilidade de Flávio e o tempo de TV
A
ríspida manifestação do comando do PL ocorreu após o vazamento dos pontos
centrais da fala de Gilberto Kassab ao empresariado paulista. Ao fundamentar a
tese de que o senador do PL possui “zero” chance de vitória, Kassab
declarou que Flávio estaria sendo temporariamente “preservado” pelos
concorrentes. Na avaliação do dirigente, quando o PT começar a expor
criticamente “quem é o Flávio” e as figuras que integram seu entorno
político, o candidato do PL sofrerá uma expressiva perda de sustentação
eleitoral.
Na
mesma reunião, o líder do PSD defendeu a candidatura de Caiado como a única
opção consistente para o eleitorado que rejeita Lula. Ele ponderou que o
posicionamento de neutralidade adotado por MDB, PP, União Brasil e Republicanos
acabou concedendo um ganho desproporcional à visibilidade do ex-governador
goiano na televisão.
Com a
ausência de candidatos próprios nessas legendas do Centrão, a cota de tempo no
horário eleitoral gratuito foi redistribuída entre os quatro postulantes
confirmados. Segundo Kassab, essa divisão altera radicalmente o patamar de
exposição da chapa do PSD:
“MDB,
PP, União Brasil e Republicanos, na hora que eles abrem mão de ter candidato, o
tempo de TV deles é redistribuído aos candidatos que existem. Como só tem
quatro candidatos, Lula ficou com 5 minutos, mas para ele tanto faz 6, 4, 10
minutos, porque todo mundo sabe se quer ou não quer, o Flávio é a mesma coisa.
Mas o Caiado, que ia ter 50 segundos, agora tem 2 minutos e 20 segundos. É uma
eternidade, quase uma novela”, concluiu Kassab.
Fonte:
Por Renato Rovai, na Fórum

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