A
estapafúrdia explicação de Flávio Bolsonaro para a mentira em seu currículo
O currículo
do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL)
apresenta uma informação que não é confirmada pela Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ). Segundo revelou o g1 nesta quarta-feira (12), o perfil do
parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) informa que ele
seria pós-graduado em Ciências Políticas pela universidade.
A UFRJ,
porém, afirmou que não possui registro de Flávio Bolsonaro como aluno da
instituição.
Em
resposta ao g1, a universidade informou que uma consulta ao Sistema Integrado
de Gestão Acadêmica (SIGA) não encontrou registros de Flávio Nantes Bolsonaro
como discente. A instituição acrescentou que há registro de Eduardo Nantes
Bolsonaro, irmão do senador, como concluinte do curso de Direito.
Campanha
diz que informação é um erro
A
campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que a formação acadêmica correta do
candidato é composta por graduação em Direito pela Universidade Cândido Mendes,
pós-graduação em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas
do Rio de Janeiro (IUPERJ) e MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio
Vargas (FGV).
Essas
são as formações apresentadas atualmente no site oficial do senador.
Em
nota, a campanha afirmou que eventuais registros diferentes dessas informações
seriam resultado de “erros ou equívocos”, possivelmente reproduzidos a partir
de páginas como a Wikipedia. Segundo a equipe do parlamentar, já foram
solicitadas correções.
Flávio
Bolsonaro foi deputado estadual no Rio de Janeiro por quatro mandatos antes de
chegar ao Senado.
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Adversários reagem
A
informação provocou críticas de outros candidatos à Presidência. O governador
de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que uma inconsistência no currículo
comprometeria a credibilidade de um candidato.
“Se um
médico coloca especialização falsa no currículo, perde o CRM. Na vida pública,
parece que virou só ‘erro de digitação’”, declarou.
Renan
Santos (Missão) também criticou o adversário e ironizou a formação acadêmica
atribuída a Flávio Bolsonaro.
“Agora
a gente descobre que a tal da pós-graduação dele na UFRJ não existiu”, afirmou
o candidato.
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Histórico de questionamentos
O
episódio ocorre em meio a outros casos de integrantes do círculo político da
família Bolsonaro que tiveram informações sobre formação acadêmica
questionadas.
Em
janeiro de 2019, a Folha de S.Paulo publicou reportagem apontando que Damares
Alves (Republicanos), então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos
Humanos e hoje senadora, não possuía os títulos de “mestre em educação” e
“mestre em direito constitucional e direito da família” que mencionava em
discursos.
No mês
seguinte, em fevereiro de 2019, o The Intercept Brasil informou que Ricardo
Salles (Novo-SP), então ministro do Meio Ambiente e atualmente candidato ao
Senado, não havia estudado na Universidade Yale, nos Estados Unidos, nem obtido
o título de mestre em direito público pela instituição.
Na
época, as informações sobre a suposta formação de Salles em Yale haviam sido
divulgadas durante participação dele no programa Roda Viva, da TV Cultura.
No caso
de Flávio Bolsonaro, a campanha atribui a divergência a um erro nos registros e
afirma que as informações corretas sobre a formação acadêmica do senador são as
que constam em seu site oficial.
• Após ser desmentido pela UFRJ, Flávio
Bolsonaro exibe diplomas — mas não o da pós que dizia ter
senador
e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou nas redes sociais,
na noite desta quarta-feira (12), seus diplomas universitários, numa tentativa
de encerrar a controvérsia sobre sua formação acadêmica. A manifestação ocorreu
depois que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desmentiu a informação,
presente em registros oficiais do parlamentar, de que ele teria cursado uma
pós-graduação em Ciências Políticas na instituição.
“Para
que não restem dúvidas sobre minha formação acadêmica, conquistada à base de
vários anos de muito estudo e dedicação, seguem meus diplomas”, escreveu
Flávio. Em seguida, apresentou documentos referentes a três formações:
bacharelado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, especialização em
Políticas Públicas pelo Iuperj-UCAM e Escola de Políticas Públicas e Governo e
MBA em Empreendedorismo e Desenvolvimento de Novos Negócios pela Fundação
Getulio Vargas (FGV).
Há,
porém, uma ausência justamente no ponto que provocou a polêmica: Flávio não
publicou nenhum diploma ou certificado da UFRJ. A universidade também não é
mencionada no texto em que o senador afirma apresentar seus documentos para
afastar dúvidas sobre sua trajetória acadêmica.
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UFRJ desmentiu pós-graduação atribuída a Flávio
Como
mostrou a Fórum, a biografia de Flávio mantida no site da Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde exerceu quatro mandatos como
deputado estadual, afirmava que ele havia feito uma especialização em Ciências
Políticas na UFRJ. A informação também apareceu em registros relacionados ao
senador no Senado Federal e em uma página do LinkedIn associada a ele.
A UFRJ,
no entanto, foi taxativa ao ser consultada sobre a passagem do presidenciável
pela instituição. Segundo a universidade, uma consulta ao Sistema Integrado de
Gestão Acadêmica (Siga) não encontrou registro de Flávio como aluno.
“Pelo
Sistema Integrado de Gestão Acadêmica, o SIGA, não há registro referente ao sr.
Flávio Nantes Bolsonaro como discente na Universidade Federal do Rio de
Janeiro.”
A
manifestação da universidade derrubou, portanto, justamente a formação
acadêmica que não aparece entre os diplomas agora divulgados pelo candidato.
Campanha
atribuiu informação a “erro ou equívoco”
Após a
revelação do caso, a campanha de Flávio afirmou que a referência à
pós-graduação na UFRJ seria resultado de “erros ou equívocos” e sustentou que a
informação poderia ter sido “possivelmente extraída de páginas como a
Wikipedia”. A equipe informou ainda ter solicitado correções nos registros.
A
explicação, porém, não encerrou a controvérsia. Conforme revelou a Fórum, a
informação de que Flávio havia cursado a pós-graduação na UFRJ também constou
de material biográfico oficial distribuído pela própria assessoria do
presidenciável a jornalistas no fim de julho.
Na
postagem feita após a repercussão do caso, Flávio não explicou como a formação
inexistente na UFRJ foi parar em seu histórico, tampouco mencionou a
universidade. Preferiu divulgar os diplomas das três instituições em que sua
formação é reconhecida e encerrar a publicação falando sobre seus quase 24 anos
de vida pública e sobre seus planos caso seja eleito presidente.
• Mentira sobre diploma da UFRJ foi
propagada em honrarias propostas por aliados
informação
falsa de que Flávio Bolsonaro teria feito pós-graduação em Ciência Política na
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não ficou restrita aos perfis
oficiais do senador na Alerj e no Senado. Documentos levantados pela Fórum
mostram que o currículo inexistente atravessou o país e foi usado até para
justificar honrarias propostas a Flávio por parlamentares aliados.
A Fórum
encontrou a referência à suposta formação na UFRJ em propostas de homenagem
apresentadas em Santo André (SP), Goiás e Espírito Santo. Em dois dos casos,
Santo André e Espírito Santo, a informação aparece no próprio documento
legislativo que propõe a homenagem. Em Goiás, ela consta tanto da justificativa
original assinada pelo autor da proposta quanto da página oficial da Assembleia
Legislativa criada para divulgá-la.
Não se
trata, portanto, apenas de uma informação publicada por terceiros em páginas da
internet. Em Santo André e Goiás, os textos atribuindo a Flávio uma passagem
pela UFRJ constam de proposições apresentadas por parlamentares do PL, partido
do senador. No Espírito Santo, a afirmação aparece em projeto apresentado pelo
deputado Alcântaro Filho (Republicanos), que declarou apoio à candidatura
presidencial de Flávio.
A
Universidade Federal do Rio de Janeiro afirma que não há registro de Flávio
Nantes Bolsonaro como aluno em seu Sistema Integrado de Gestão Acadêmica
(Siga). Depois da revelação do caso, a campanha disse que as referências à
formação seriam fruto de “erros ou equívocos” e levantou a possibilidade de a
informação ter sido extraída de páginas como a Wikipédia.
O novo
levantamento amplia o tamanho do problema: a mesma formação acadêmica
inexistente foi transformada em argumento para homenagear o senador em
diferentes Legislativos estaduais e municipais.
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Santo André: a falsa pós na UFRJ virou argumento para conceder título
O caso
mais explícito está na Câmara Municipal de Santo André, no ABC paulista.
Em
fevereiro de 2026, o vereador Major Vitor Santos apresentou projeto para
conceder o Título de Cidadão Honorário de Santo André a Flávio Bolsonaro. A
justificativa do documento dedica uma seção específica à formação acadêmica do
senador.
Sob o
intertítulo “Formação e Reconhecimento”, o texto afirma:
“Com
sólida formação acadêmica, é Bacharel em Direito pela Universidade Cândido
Mendes, Pós-graduado em Ciências Políticas pela UFRJ e Técnico em Eletrônica.”
Não é
uma referência lateral. O currículo aparece exatamente no trecho em que o autor
enumera as qualidades e reconhecimentos que, em sua avaliação, justificariam a
homenagem. Logo após mencionar a UFRJ, o projeto lista outras honrarias já
recebidas por Flávio e, ao final, pede apoio dos demais vereadores à concessão
do título.
O
documento foi assinado pelo vereador Major Vitor Santos. A proposta deixa
expresso no artigo primeiro que a Câmara concederia a Flávio Nantes Bolsonaro o
Título de Cidadão Honorário e prevê a realização de sessão solene para a
entrega da honraria.
A
página é especialmente importante porque reúne no mesmo documento três
elementos: a homenagem a Flávio, a alegação de que ele cursou a UFRJ e a
justificativa para conceder o título.
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Goiás: mentira aparece na justificativa assinada por Major Araújo
Em
Goiás, a documentação é igualmente direta.
O
deputado estadual Major Araújo (PL) apresentou na Assembleia Legislativa de
Goiás (Alego) o projeto para conceder a Flávio Bolsonaro o Título Honorífico de
Cidadão Goiano. A proposição tramita no processo nº 8303/2026 e foi registrada
como Projeto de Lei de Título de Cidadão nº 97/2026.
Na
primeira página, o texto determina:
“Fica
concedido ao SENADOR FLÁVIO NANTES BOLSONARO o Título Honorífico de Cidadão
Goiano.”
Na
página seguinte vem a justificativa assinada pelo parlamentar do PL. É
justamente aí que reaparece a formação inexistente:
“Possui
graduação em direito pela Universidade Cândido Mendes e especializações em
ciência política pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em políticas
públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e em
empreendedorismo pela Fundação Getúlio Vargas.”
A
informação, portanto, não foi acrescentada por um veículo de imprensa ao
noticiar a proposta. Ela está na peça original do processo legislativo,
apresentada por Major Araújo, identificado no próprio documento como “Deputado
Estadual do PL”.
A
própria Agência Assembleia de Notícias também reproduziu a mesma biografia ao
anunciar, em 18 de maio, que Major Araújo havia protocolado a cidadania para
Flávio. A página oficial afirma novamente que o senador possui especialização
em Ciência Política pela UFRJ.
A
homenagem avançou até o fim da tramitação. O sistema oficial da Alego registra
aprovação em discussão e votação única nominal em 17 de junho e, em 25 de
junho, o processo foi encaminhado para arquivamento como “Projeto de Lei
Aprovado e Sancionado”.
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Espírito Santo: projeto de cidadania repete a mesma UFRJ
A mesma
biografia chegou à Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) meses antes.
Em 9 de
dezembro de 2025, o deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos) apresentou
o Projeto de Decreto Legislativo nº 158/2025. O processo oficial da Assembleia
identifica Flávio Nantes Bolsonaro como homenageado e Alcântaro Filho como
autor da proposição.
O
objetivo do projeto é conceder a Flávio o Título de Cidadão Espírito-Santense.
Na
justificativa, ao apresentar a trajetória do homenageado, o texto volta a
atribuir ao senador a formação na universidade federal:
“Flávio
Bolsonaro é graduado em direito pela Universidade Candido Mendes e concluiu
especializações em ciências políticas pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro…”
Mais
uma vez, a informação não está em uma matéria jornalística sobre Flávio. Ela
consta do documento legislativo criado especificamente para conceder uma
honraria ao senador. O projeto está registrado no processo nº 29016/2025,
protocolo nº 31958, no sistema da Assembleia capixaba.
Alcântaro
Filho não pertence ao PL, mas integra a base política que se aproximou da
candidatura de Flávio. Em publicação posterior, o deputado declarou apoio ao
senador na disputa presidencial.
Os três
episódios revelam uma característica em comum: a passagem pela UFRJ é
apresentada como fato positivo da biografia de Flávio justamente em textos
destinados a justificar ou divulgar homenagens públicas ao senador.
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Alerj ainda exibe pós-graduação que UFRJ diz não existir
O
rastro da informação é mais antigo e ajuda a dimensionar como o currículo se
espalhou.
O
perfil oficial de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro
(Alerj), onde ele exerceu quatro mandatos como deputado estadual, ainda
registra entre seus cursos acadêmicos:
“Pós-graduação
em Ciências Políticas pela UFRJ, Rio de Janeiro, RJ.”
A
referência é particularmente relevante diante da explicação dada pela própria
Assembleia. Questionada pela Folha sobre a origem das informações publicadas
nas páginas dos deputados, a Alerj afirmou que os dados são encaminhados pelos
próprios parlamentares.
O
Senado também publicou a informação de que Flávio era pós-graduado em Ciências
Políticas. Em matéria oficial de outubro de 2018 sobre sua eleição, a Agência
Senado o apresentou como “bacharel em direito e pós-graduado em ciências
políticas”. Outra reportagem institucional, publicada no mês seguinte, repetiu
a mesma informação. Nesses textos, entretanto, o Senado não identifica a UFRJ
como instituição responsável pelo curso.
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UFRJ: não há registro de Flávio como aluno
O
problema é que a própria Universidade Federal do Rio de Janeiro nega que o
senador tenha estudado na instituição.
Segundo
resposta da universidade divulgada após a inconsistência vir à tona, não existe
no Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (Siga) registro de Flávio Nantes
Bolsonaro como aluno da UFRJ.
A
formação acadêmica confirmada pela assessoria do senador é outra: graduação em
Direito pela Universidade Cândido Mendes, pós-graduação em Políticas Públicas
pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e MBA em
Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas.
Ou
seja: nenhuma das três formações confirmadas corresponde à especialização em
Ciência Política na UFRJ repetida pelos documentos das honrarias.
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Campanha fala em “erro ou equívoco” e cita Wikipédia
Após o
desmentido da universidade, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que as
informações divergentes seriam resultado de “erro ou equívoco” e que poderiam
ter sido retiradas de páginas como a Wikipédia. A equipe informou ainda que
havia solicitado correções.
A
explicação, entretanto, não esclarece como a formação inexistente chegou a
tantos registros institucionais — e, agora, também a projetos de homenagens
apresentados por aliados em diferentes estados.
No caso
de Santo André, a falsa pós-graduação aparece dentro da justificativa assinada
por um vereador do PL. Em Goiás, consta da justificativa original de Major
Araújo e foi novamente divulgada pela agência oficial da Assembleia. No
Espírito Santo, a mesma UFRJ foi incorporada à biografia usada em um projeto de
decreto legislativo para transformar Flávio em cidadão espírito-santense.
Os
documentos, isoladamente, não permitem afirmar quem forneceu o currículo a cada
um dos gabinetes, tampouco provam que Flávio Bolsonaro tenha revisado
pessoalmente os textos antes de sua apresentação.
Mas
demonstram algo objetivo: uma formação acadêmica que a UFRJ afirma não existir
foi repetida em documentos oficiais produzidos para homenagear Flávio Bolsonaro
e usada como elemento de valorização de sua trajetória.
E isso
ocorreu não uma única vez, mas em três Legislativos diferentes, em três
estados, por proposições de parlamentares politicamente alinhados ao senador.
Fonte:
Fórum

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