Retrato
de Cuba, em meio à crise e ao bloqueio
Havana
– Cuba continua reforçando seu pacote de reformas econômicas com uma nova norma
que reduz a quantidade de atividades proibidas para o setor privado, enquanto a
escassez de alimentos aumenta e os Estados Unidos mantêm sua pressão com
constantes sanções a empresas estatais e funcionários da ilha.
No dia
4 de agosto entrou em vigor o decreto 160 de 2026, publicado uma semana antes
no Diário Oficial, que reconhece que os atores econômicos não estatais podem
exercer qualquer atividade lícita, salvo aquelas expressamente proibidas ou
condicionadas em seu Anexo Único.
“A
lista descriminaliza muitas atividades que durante muito tempo estiveram
proibidas”, disse à IPS o economista Daniel Torralbas.
Embora
o governo cubano reserve para o controle estatal setores que considera
estratégicos — por questões de segurança nacional ou de soberania econômica,
geralmente —, como a indústria armamentista, o tabaco ou serviços de educação,
atenção médica ou a imprensa, “o Estado liberou praticamente tudo”, acrescentou
o especialista.
O
pacote de 176 transformações econômicas e sociais foi aprovado em 19 de junho
pela Assembleia Nacional do Poder Popular, o parlamento local, poucos dias
depois de ser anunciado pelo presidente Miguel Díaz-Canel.
“Em
geral, não se pode dizer que a economia vá florescer de repente porque o setor
privado já pode investir em novos setores. Agora falta capital”, afirma o
economista
As hoje
mais de 15.600 micro, pequenas e médias empresas (mipymes) privadas aprovadas
podem administrar ou adquirir recursos estatais e investir em setores
historicamente monopolizados pelo Estado, como a produção de açúcar, hotéis,
bancos, farmácias privadas e até participar da indústria biofarmacêutica, da
extração de petróleo, gás natural e minerais metalíferos.
Diferentemente
do decreto anterior de 2024 — ao qual substitui —, que tinha 125 atividades
proibidas para todos os atores privados, a nova norma as reduz a apenas 79, das
quais 44 ficam proibidas de forma absoluta, e o restante só é permitido sob
certas licenças, concessões administrativas ou em associação com o Estado.
Com
relação às atividades que exigem determinadas condições, Torralbas teme que sua
“habilitação se converta em um mecanismo para discriminar discricionariamente
quem pode exercê-las ou não” e, por isso, “é tão importante que haja regras
claras no acesso e na aprovação” das empresas.
A
presidenta do Instituto Nacional de Atores Econômicos Não Estatais, Lázara
López, disse em 28 de julho que essas novas medidas “não estão levando à
privatização da economia”, porque a empresa estatal socialista mantém seu
“papel fundamental”.
Para
Torralbas, essa abertura terá um impacto a curto prazo, no prazo de um ano,
“porque se abrem oportunidades de negócio, que talvez nem todas as empresas
tenham o capital, mas as que puderem aproveitar a oportunidade, o farão”.
Em
fevereiro, mencionou como exemplo, o governo descriminalizou pela primeira vez
a importação de combustível, e em poucos meses o setor privado criou toda uma
cadeia logística de importação, armazenamento, distribuição e comercialização
de combustível que não existia há seis meses.
Segundo
um balanço do US Census Bureau, o escritório federal de dados estatísticos dos
Estados Unidos, as compras cubanas de combustível estadunidense entre janeiro e
junho foram de U$ 95,7milhões, enquanto a soma total entre 2002 e 2025 não
chega a U$ 1,3 milhão.
A
importação de diesel, gasolina e gás dos Estados Unidos — praticamente a única
fonte — por empresas privadas cubanas vem aumentando desde sua autorização, em
fevereiro, pelos dois governos, mas o número está longe de aliviar a escassez
generalizada de combustível em Cuba a partir do bloqueio petrolífero
estabelecido por Trump em 29 de janeiro.
“O
problema está na escala, porque as mipymes cubanas não têm o capital necessário
para suprir toda a demanda, por exemplo, de combustível. Em geral, não se pode
dizer que a economia vá florescer de repente porque o setor privado já pode
investir em novos setores. Agora falta capital”, disse Torralbas.
<><>
Chegam as farmácias privadas
Nas
redes sociais, uma das maiores polêmicas recaiu sobre a prestação de serviços
farmacêuticos, agora permitidos para empresas privadas e cooperativas não
agropecuárias.
“É bom
que permitam as farmácias privadas, porque, de qualquer forma, nunca há nada
nas farmácias que funcionam agora. E comprar coisas sensíveis, como os bulbos
para as injeções, é melhor em um local certificado do que na rua”, disse à IPS
a contadora Luisa González, moradora de Havana, de 46 anos.
Na
prática, diante da escassez crônica de medicamentos na rede de farmácias
públicas, o mercado clandestino, sem estabelecimentos oficiais nem controle
estatal, tornou-se há anos a principal fonte de fármacos para a população.
Segundo
disse à imprensa local Cristina Lara, diretora nacional de Medicamentos e
Tecnologias Médicas do Ministério da Saúde Pública, os participantes privados
deverão cumprir “um rigoroso conjunto de requisitos”, que incluem instalações
adequadas, pessoal qualificado e licença operacional.
“Se
permitirem a privatização das farmácias, o que será de nossas farmácias
estatais?”, indagou Orlando Ramírez, um aposentado da construção civil de 72
anos.
Esse
morador de Havana expressou à IPS seu temor de que, em busca de maiores
receitas, a indústria farmacêutica estatal acabe vendendo suas escassas
produções aos estabelecimentos privados, em vez de abastecer a atual rede de
farmácias públicas, cujos produtos são subsidiados e geram mais prejuízos aos
cofres governamentais.
“Agora
são as farmácias, mas o que será amanhã?”, preocupou-se Ramírez.
<><>
Impacto das pressões dos Estados Unidos
O
primeiro-ministro cubano, Manuel Marrero, em sua intervenção em 29 de julho na
última sessão do parlamento unicameral da ilha, advertiu que já estava aprovada
juridicamente mais de 90% das transformações previstas em relação ao pacote de
reformas econômicas.
Assegurou
que agora vinha a etapa “mais importante” e talvez “a mais difícil”.
Segundo
Marrero, nessa nova etapa o país deveria garantir a aplicação efetiva de cada
medida, corrigir desvios e avaliar impactos em meio ao bloqueio petrolífero
estadunidense e às sanções econômicas.
“Durante
o primeiro semestre deste ano, o país esteve sob o impacto da agressão
reforçada do governo dos Estados Unidos, a partir da entrada em vigor das
ordens executivas, em particular a 14.404”, disse.
A Ordem
Executiva 14.404, assinada em 1º de maio por Donald Trump, ameaça congelar os
ativos em território estadunidense de pessoas ou entidades que trabalhem ou
tenham trabalhado para o governo cubano, bem como daqueles que o tenham apoiado
financeira, material ou tecnologicamente.
A
medida provocou que sete redes hoteleiras internacionais, bem como empresas de
outros setores da economia como mineração, energia e finanças — Visa e
MasterCard, por exemplo — encerrassem suas atividades com Cuba.
Segundo
Marrero, atualmente permanece fechado 73% das instalações hoteleiras do país, o
que provocou a cessação de cerca de 25 mil postos de trabalho.
“Se a
ordem executiva de janeiro atacou o setor energético por completo, com todos os
seus efeitos consequentes, a segunda ordem executiva (a 14.404) busca desmontar
todo o capital estrangeiro que se investiu em Cuba nos últimos 30 anos.
Infelizmente, está conseguindo”, disse o economista Torralbas.
O
comércio exterior, por sua vez, foi um dos maiores setores impactados pelas
pressões dos Estados Unidos. Em maio, duas companhias de navegação europeias
que mantinham operações com Cuba — a francesa CMA CGM e a alemã Hapag-Lloyd —
deixaram de aceitar novos pedidos vinculados à ilha.
Devido
a essa paralisação, mais de 7 mil contêineres de alimentos, medicamentos,
painéis solares e outras mercadorias essenciais encontram-se atualmente retidos
em portos do Caribe, revelou o primeiro-ministro.
<><>
Importações bloqueadas
Em
entrevistas à IPS, vários sócios de empresas privadas afirmaram ter contêineres
de diversos conteúdos parados em Jamaica, Panamá ou Colômbia, por problemas na
hora de trazê-los para Cuba.
Apenas
aqueles contêineres procedentes dos Estados Unidos tiveram melhor sorte, por
não sofrerem com tanta força as pressões de Washington.
No
entanto, de acordo com um empresário cubano que preferiu manter anonimato, essa
vantagem vem se revertendo e os envios para a ilha a partir do país
norte-americano começaram a ser dificultados.
Os
impactos em Cuba com o comércio exterior, em um país que importa mais de 80%
dos alimentos que consome, vêm se traduzindo no desabastecimento de muitos
comércios varejistas ou em um aumento excessivo dos preços de produtos
essenciais como o óleo de soja ou girassol, cujo preço quase dobrou no último
mês e agora pode ser encontrado a mais de seis dólares o litro.
Essa
nova alta dos preços dos alimentos soma-se aos problemas já existentes com os
serviços médicos, de transporte, água ou os elétricos, com apagões de mais de
20 horas na capital e até três dias seguidos nas demais províncias.
No dia
4 de agosto, a rede elétrica de Cuba voltou a ser interconectada após dois
apagões nacionais em menos de 24 horas, com os quais somam 12 cortes gerais em
dois anos, além de outros de alcance regional e longas quedas programadas ou
não programadas do fornecimento que afetam cidades e povoados todos os dias.
Especialistas
das Nações Unidas em direitos humanos condenaram as recentes medidas contra
Cuba adotadas pelos Estados Unidos e pediram à comunidade internacional que
evite que se desenvolva na ilha uma “Gaza silenciosa”, em uma declaração
divulgada no dia 6 de agosto.
“Os
alimentos nunca devem ser usados como instrumento de pressão política. As
medidas que, conscientemente, privam uma população dos meios para sobreviver
atentam contra as garantias mais básicas do direito à vida e prejudicam a
própria essência da dignidade humana”, afirmaram no comunicado.
A
declaração desconsiderou o relatório intitulado “Cuba: a capital do comunismo
do século XXI”, publicado em 20 de julho pelo Departamento de Estado dos
Estados Unidos, no qual descreve Cuba como “uma ameaça multifacetada para a
segurança nacional dos Estados Unidos e a estabilidade hemisférica”.
Segundo
Torralbas, as pressões dos Estados Unidos com sua segunda ordem executiva não
só causaram a percepção de Cuba como um destino desfavorável para o
investimento estrangeiro, mas também que milhares de cubanos perdessem seus
empregos e caíssem em situação de vulnerabilidade em um contexto de muitas
restrições.
Na
sessão parlamentar de 29 de julho, o governo cubano identificou mais de 876 mil
cubanos em situação de vulnerabilidade, em um país de 9,4 milhões de
habitantes, que agora terão acesso a um novo sistema de assistência social, por
meio de uma plataforma digital.
Mas a
administração Trump continua intensificando a pressão sobre Cuba com sanções
praticamente semanais, com base na mesma Ordem Executiva 14.404.
Em 6 de
agosto, ocorreu a mais recente, com sanções a cinco empresas estatais e oito
funcionários do Exército, entre os quais se encontra o ministro das Forças
Armadas Revolucionárias.
“Enquanto
existirem as sanções e os Estados Unidos continuarem afastando os investidores
e ameaçando com guerra, é muito pouco provável que venham investidores
estrangeiros para um país com essas condições”, sentenciou Torralbas.
¨
Cuba após seis meses de bloqueio energético: crise e o
caminho para recuperação. Por Vijay
Prashad
Por mais de seis
décadas, os Estados Unidos têm tentado fazer o povo cubano pagar por sua
decisão de trilhar um caminho independente e socialista. A fase mais recente
dessa guerra econômica tem como alvo a artéria mais vulnerável da ilha: seu
fornecimento de energia. Seis meses após Washington
intensificar a pressão sobre os países e empresas que fornecem petróleo a
Cuba, a política não produziu democracia nem melhorou a vida dos cubanos
comuns. Ela resultou em casas mais escuras, ônibus paralisados, hospitais com
funcionamento interrompido e maior dificuldade no transporte de alimentos do
campo para as cidades.
A
tarefa imediata é evitar um desastre humanitário. A tarefa mais ampla é
substituir a coerção pela cooperação soberana e ajudar Cuba a
construir um sistema energético que não possa ser novamente
estrangulado por uma potência
<><>
Seis meses de crise crescente
Em 29
de janeiro de 2026, o presidente dos
EUA, Donald Trump,
emitiu uma ordem executiva estabelecendo um mecanismo para tarifas adicionais
sobre produtos de qualquer país que fornecesse petróleo a Cuba, direta ou
indiretamente. Washington apresentou a medida como uma defesa da segurança
nacional dos EUA. Seu propósito prático era inconfundível: forçar países
terceiros a escolher entre uma pequena nação caribenha economicamente
fragilizada e o acesso ao enorme mercado americano.
As
medidas tarifárias autorizadas por esta e por várias outras ordens de
emergência foram encerradas em 20 de fevereiro. No entanto, o estado de
emergência declarado permaneceu em vigor, assim como o sistema de sanções mais
amplo, as ameaças contra fornecedores e a incerteza em torno dos navios com
destino a Cuba. O resultado foi descrito como um bloqueio de petróleo
efetivo:
não necessariamente uma linha permanente de navios de guerra dos EUA, mas um
sistema de pressão secundária capaz de afastar governos, bancos, seguradoras,
empresas de navegação e comerciantes do comércio legítimo com Cuba. O golpe
atingiu uma economia já sob extrema pressão. Cuba dependia há muito tempo da
importação de petróleo, principalmente da Venezuela, enquanto produzia apenas
parte de suas necessidades. As entregas venezuelanas diminuíram após o ataque dos EUA
àquele país em 3 de janeiro de 2026, o fornecimento mexicano passou a sofrer
pressão dos EUA e Cuba não tinha divisas suficientes para comprar combustível
em outros lugares. Usinas termelétricas obsoletas, atrasos na manutenção,
furacões, inflação e a perda de receita do turismo agravaram os danos.
A
escassez de combustível afetou todos os aspectos da vida social. Falhas técnicas na
frágil rede elétrica causaram
repetidos apagões em toda a ilha. Cortes de energia elétrica paralisaram bombas
d’água, enquanto geladeiras pararam de funcionar, estragando alimentos e
medicamentos escassos. Famílias foram obrigadas a cozinhar, estudar e dormir
sob um calor extremo, sem energia elétrica confiável.
O
transporte também ficou paralisado. Menos ônibus circulavam, postos de gasolina
fecharam ou racionaram o abastecimento, e os trabalhadores tinham dificuldade
para chegar ao trabalho. Sem diesel, a colheita fica prejudicada e os alimentos
não podem ser transportados dos produtores rurais para os consumidores urbanos.
A coleta de lixo e o saneamento básico pioram. Ambulâncias, hospitais e
clínicas precisam racionar o combustível dos geradores, mesmo com a crescente
escassez de medicamentos e suprimentos básicos. Voos foram cancelados ou
tiveram suas rotas alteradas porque os aeroportos cubanos não conseguiam
garantir o abastecimento de combustível de aviação, prejudicando ainda mais o
turismo – uma das principais fontes de divisas do país.
O fardo
é desigual. Famílias com dólares às vezes conseguem obter alimentos,
transporte, baterias ou equipamentos de energia solar; trabalhadores e
aposentados que dependem de pesos têm muito menos opções. As mulheres arcam com
grande parte do trabalho adicional não remunerado de buscar comida e água e
cuidar de parentes. Comunidades rurais, pessoas com deficiência e pacientes que
necessitam de medicamentos refrigerados enfrentam riscos particulares. As
principais vítimas da política dos EUA são todos os cubanos.
<><<
Uma saída baseada na paz, na soberania e na reconstrução
A
solução deve começar com um acordo humanitário imediato para o fornecimento de
energia. Cuba precisa de entregas previsíveis, não de cargas ocasionais
dependentes de autorização política. As Nações Unidas, juntamente com governos
dispostos a colaborar, devem estabelecer um corredor de combustível monitorado.
Os carregamentos poderiam ser destinados à geração de energia, hospitais, água
e saneamento, produção de alimentos, transporte público e preparação para
desastres.
Uma
isenção é inútil se os bancos não processarem os pagamentos, as seguradoras não
cobrirem as embarcações e as empresas de transporte marítimo temerem
punições. Os governos
participantes devem fornecer garantias de pagamento, seguros e proteção
jurídica para os fornecedores humanitários. Os Estados Unidos devem emitir
licenças gerais e duradouras, em vez de isenções caso a caso.
Em
segundo lugar, o auxílio emergencial deve abrir caminho para uma desescalada
negociada. Washington e Havana devem iniciar conversas estruturadas, apoiadas,
quando necessário, pela CARICOM, CELAC, México e outros intermediários de
confiança. O princípio deve ser a reciprocidade sem coerção. Os Estados Unidos
devem suspender as medidas que punem o comércio com terceiros países e
estabelecer um cronograma verificável para o levantamento das sanções. Negociar
não pode significar exigir uma mudança de regime como preço para permitir que
uma população satisfaça suas necessidades básicas. Tampouco as necessidades
humanitárias devem ser reféns de cada disputa não resolvida entre os dois
governos.
Em
terceiro lugar, Cuba já começou a diversificar seus fornecedores e seu sistema
energético. Contratos com diversos produtores, compras conjuntas com parceiros
caribenhos e reservas regionais de armazenamento poderiam reduzir custos e
amortecer interrupções repentinas. A cooperação técnica poderia ajudar a
estabilizar equipamentos de geração antigos enquanto novas capacidades são
construídas. A médio prazo, a resposta mais duradoura reside na energia
renovável e descentralizada. Cuba possui abundante luz solar e um potencial
significativo para energia solar, biomassa e geração eólica em locais
estratégicos. Sistemas solares em telhados de clínicas, escolas, fazendas e
prédios residenciais, juntamente com baterias, reduziriam a demanda na rede
nacional. Microrredes comunitárias poderiam manter bombas d’água, refrigeração
e comunicações em funcionamento quando uma grande usina falhar. O bagaço da
indústria açucareira e os resíduos agrícolas podem contribuir para a geração de
energia se os projetos forem gerenciados de forma sustentável. As energias
renováveis não
devem se tornar um mero slogan que ignora as limitações
materiais: os projetos precisam de financiamento, peças
de reposição, técnicos treinados,
baterias e sistemas de reciclagem.
Para os
países do Sul Global, a situação de Cuba não se resume a uma distante disputa
bilateral. Sanções secundárias e ameaças tarifárias estabelecem o perigoso
princípio de que um Estado poderoso pode ditar os parceiros comerciais
legítimos de todas as outras nações. Defender o direito de Cuba de comprar
energia é, portanto, parte da defesa de uma ordem internacional democrática. O
Sul Global deve opor-se à coerção extraterritorial, apoiar o fornecimento de
ajuda humanitária e
a cooperação em energias renováveis, e trabalhar com outros Estados para
proteger o comércio legítimo de sanções unilaterais.
O povo
cubano sobreviveu a seis décadas de pressão por meio da organização social, da
solidariedade internacional e de uma notável resistência. A resistência,
contudo, não deve ser romantizada. Nenhum povo deveria ser obrigado a viver
indefinidamente sem eletricidade, transporte, alimentos ou medicamentos
confiáveis para provar seu
compromisso com a soberania. A saída justa não
é a capitulação nem o isolamento. É
o fim da punição coletiva e a cooperação
internacional baseada na igualdade. Esse caminho pode trazer a energia elétrica
de volta, preservando o direito de Cuba de determinar seu próprio futuro.
Fonte: Por
Dariel Pradas, na Inter Press Service | Tradução: Lucas Scatolini, em Outras
Palavras/Oera Mundi

Nenhum comentário:
Postar um comentário