PF
é acionada contra Flávio Bolsonaro após suspeitas em imóvel ligado a
Richarlison
O
deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma notícia-crime à Polícia
Federal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pediu a investigação de
possíveis irregularidades na transferência dos direitos de ocupação de um
imóvel da União na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), que acabou nas mãos
de uma empresa dirigida pelo advogado Willer Tomaz de Souza.
A
representação, apresentada nesta quarta-feira (12), é baseada principalmente em
documentos da própria Secretaria do Patrimônio da União (SPU), obtidos por meio
da Lei de Acesso à Informação. Os registros revelam que um processo relacionado
ao imóvel ficou praticamente parado durante anos, enquanto outro, aberto em
2022, foi concluído em pouco mais de dois meses e regularizou uma cadeia de
transferências que estava desatualizada havia cerca de três décadas.
A
diferença de velocidade entre os processos já havia sido revelada pelo ICL
Notícias. Em reportagem publicada nesta semana, o ICL mostrou que, durante o
governo Jair Bolsonaro, a regularização necessária para a transferência do
imóvel à empresa ligada a Willer Tomaz avançou rapidamente na SPU, enquanto o
pedido relacionado a Richarlison de Andrade teve uma tramitação muito mais
lenta.
A
notícia-crime apresentada agora amplia aquela apuração. Os documentos mostram
que, durante o processo acelerado, três laudêmios e três multas permaneceram
registrados como “a cobrar”, um impedimento no sistema foi superado por meio de
uma certidão emitida em modalidade especial e, posteriormente, um servidor da
própria SPU registrou “fortes indícios” de inconsistências e levantou a
hipótese de uma operação destinada a dar mais velocidade às transferências.
O
imóvel estava no centro de uma disputa envolvendo Richarlison e a WT
Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa que tinha Willer Tomaz entre seus
diretores. Flávio Bolsonaro já havia sido arrolado como testemunha na disputa
judicial pela propriedade.
Os
documentos apresentados à PF não demonstram que Flávio tenha interferido
pessoalmente nos procedimentos da SPU. A notícia-crime pede justamente que a
polícia esclareça as responsabilidades e investigue os atos administrativos e
financeiros relacionados ao negócio.
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Dois processos e velocidades muito diferentes
A
cronologia dos documentos é um dos principais pontos da representação.
Em
setembro de 2021, Richarlison e Renato Rocha Valasco, sócios da Sport 70
Intermediação de Negócios, apresentaram à SPU um pedido para regularizar a
ocupação do imóvel.
Dois
dias depois da abertura, o nível de acesso do processo foi alterado de público
para restrito. Após algumas movimentações, o procedimento ficou sem qualquer
impulso oficial entre julho de 2023 e agosto de 2026.
O
processo voltou a tramitar intensamente em 7 de agosto deste ano, depois que
Correia havia apresentado, em 27 de julho, o pedido de acesso à informação que
resultou na obtenção dos documentos agora entregues à PF. A representação
afirma que a administração não explicou por que o processo ficou parado durante
esse período nem a razão de sua retomada.
Enquanto
esse procedimento permanecia sem solução, outro pedido sobre o mesmo imóvel
teve um caminho bem mais rápido.
Em 5 de
maio de 2022, foi aberto um processo em nome da M. Locadora de Veículos e
Transportes Turísticos Ltda. para regularizar a ocupação. Em 12 de julho, pouco
mais de dois meses depois, o procedimento estava concluído.
Nesse
intervalo, a SPU reconheceu três transferências sucessivas realizadas em
janeiro de 1992 e que até então não estavam atualizadas em seus cadastros. Na
prática, uma cadeia possessória desatualizada havia aproximadamente 30 anos foi
regularizada dentro daquele processo.
Há
outro detalhe que chama a atenção.
No
requerimento apresentado à administração, o imóvel foi declarado como destinado
ao “uso comum da família”. O formulário também recebeu marcação de prioridade
de atendimento reservada a idosos entre 65 e 84 anos, apesar de o requerente
ser uma pessoa jurídica.
Dez
dias antes do pedido, porém, já havia sido assinado um instrumento particular
prometendo a venda do imóvel e a cessão dos direitos de ocupação a terceiro.
Segundo a representação, a SPU não foi informada naquele requerimento de que a
regularização serviria para viabilizar uma alienação já contratada.
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Débitos em aberto e uma autorização especial
A
atualização das três transferências antigas gerou lançamentos de laudêmio —
valor devido à União em determinadas operações envolvendo seus terrenos — e
multas.
Os
documentos mostram três laudêmios e três multas relacionados às operações de
1992 registrados como “a cobrar”, sem indicação de pagamento. Já o laudêmio da
transferência final, no valor de R$ 57.327,19, foi recolhido em julho de 2022.
Em 11
de julho surgiu outro episódio que Correia pede que seja investigado.
Naquele
dia, foi aberto um processo para emitir uma Certidão de Autorização para
Transferência em modalidade especial devido à existência de um impedimento no
sistema. O procedimento foi aberto e concluído no mesmo dia.
A
própria certidão registrou que o laudêmio havia sido recolhido sem a
verificação de que o ocupante estivesse em dia com as demais obrigações perante
o Patrimônio da União. Naquele momento, os seis lançamentos referentes às
operações anteriores apareciam em aberto.
Correia
quer que a PF identifique qual era o impedimento, quem determinou a utilização
da modalidade especial, com qual fundamento e a pedido de quem.
Também
naquele dia foi lavrada a escritura pela qual a WT Administração de Imóveis e
Bens adquiriu os direitos sobre o imóvel.
O
negócio foi declarado por R$ 600 mil. Na mesma escritura, porém, consta que a
Prefeitura de Angra dos Reis havia avaliado o imóvel em R$ 2,615 milhões para
fins do imposto de transmissão — mais de quatro vezes o preço declarado na
operação.
A
representação pede que a PF examine o valor efetivamente praticado porque a
diferença pode ter impacto sobre receitas patrimoniais devidas à União.
Segundo
os documentos apresentados à polícia, a WT Administração tinha entre seus
diretores Willer Tomaz de Souza e Christine Tomaz de Souza.
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A própria SPU levantou suspeitas
O
elemento mais contundente apareceu posteriormente e partiu de dentro da própria
Secretaria do Patrimônio da União.
Em
abril de 2025, ao analisar um pedido apresentado por um antigo ocupante que
continuava recebendo cobranças relacionadas ao imóvel, o chefe do Serviço de
Receitas Patrimoniais da SPU no Rio registrou haver “fortes indícios” de que o
requerente tinha razão.
Ao
analisar a origem do problema, o servidor levantou duas possibilidades. Em uma
delas, mencionou a hipótese de ter ocorrido quitação de débito em nome de quem
permanecia registrado como responsável de forma a “propiciar, com mais
celeridade, as transferências”.
O
próprio despacho relaciona essa possibilidade aos dois processos
administrativos utilizados em 2022 para regularizar a titularidade e emitir a
certidão que permitiu concretizar a transferência no cartório.
A
manifestação interna contrasta com a resposta posteriormente fornecida pela
administração ao pedido de acesso à informação. Segundo a notícia-crime, a SPU
informou que não abriu procedimento específico para investigar irregularidades
porque elas não teriam sido identificadas durante a análise das operações.
Há
ainda uma coincidência temporal que Correia quer ver esclarecida.
Em 5 de
junho de 2024, foi aberto um processo administrativo para atender a uma
solicitação da Polícia Federal destinada a instruir um inquérito relacionado ao
imóvel.
No dia
seguinte, o processo que havia permitido a regularização em 2022 — encerrado
havia quase dois anos — foi reaberto para atender a uma “solicitação verbal” do
coordenador-geral de Cobrança. Os registros apresentados não informam o
conteúdo nem a motivação dessa solicitação.
A
Polícia Federal, portanto, já mantém um inquérito em Angra dos Reis relacionado
ao imóvel. Correia afirma não ter acesso ao objeto nem ao estágio dessa
investigação e pede que os novos documentos sejam incorporados ao procedimento
caso haja conexão entre os fatos. Caso contrário, solicita a abertura de uma
nova investigação.
Entre
as diligências solicitadas estão a identificação dos servidores que atuaram nos
processos, perícia nos registros do sistema patrimonial, análise dos laudêmios
e multas e investigação do fluxo financeiro. O deputado também pede que a PF
avalie eventual quebra de sigilos bancário e fiscal caso sejam encontrados
elementos que justifiquem a medida.
A
notícia-crime aponta como hipóteses a serem verificadas crimes como inserção
irregular de dados em sistema público, peculato, corrupção, falsidade
ideológica, crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro. A
representação ressalta que se trata de possibilidades para orientar a
investigação e não de crimes já atribuídos ou comprovados contra pessoas
determinadas.
• Governo Bolsonaro liberou em um dia
transferência de imóvel disputado por Richarlison
O
governo Jair Bolsonaro abriu e concluiu no mesmo dia um procedimento especial
para liberar a transferência dos direitos de ocupação de um imóvel em Angra dos
Reis (RJ) envolvido em uma disputa que alcançou o jogador Richarlison e o
advogado Willer Tomaz, ligado a Flávio Bolsonaro.
Documentos
obtidos pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG) por meio da Lei de Acesso
à Informação, aos quais o ICL Notícias teve acesso, mostram que a Secretaria do
Patrimônio da União (SPU) adotou a medida em 11 de julho de 2022 após um
“impedimento no sistema”.
A
velocidade chama atenção quando comparada à tramitação de outro requerimento
relacionado à área. Um primeiro pedido de regularização havia sido apresentado
em 20 de setembro de 2021 e não foi concluído. Já outro requerimento,
protocolado em 11 de maio de 2022, foi encerrado cerca de dois meses depois. No
meio dessa tramitação, a SPU abriu o procedimento especial que permitiu emitir,
em apenas um dia, a certidão necessária para a transferência.
O caso
envolve um terreno na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Para entender a
disputa, é preciso fazer uma distinção: não se trata de uma simples decisão do
governo sobre quem seria o proprietário de uma mansão. A área está submetida ao
regime de ocupação de terreno da União.
Na
prática, a União é dona do terreno e mantém um cadastro de quem possui direitos
de ocupação sobre ele. Esses direitos podem ser negociados entre particulares,
mas a mudança precisa cumprir determinadas exigências para ser reconhecida pelo
governo. A própria SPU ressalta que seu histórico de ocupantes “não se
confunde, necessariamente, com a propriedade registrada em cartório”.
A
disputa pelo imóvel já havia sido revelada pela coluna Reserva Exclusiva, da
revista Liberta, que mostrou em março que o caso envolvia Richarlison, seus
sócios e Willer Tomaz, advogado associado a Flávio Bolsonaro. Os documentos
obtidos agora por Correia e analisados pelo ICL Notícias permitem avançar sobre
outro ponto da história: como os pedidos relacionados ao terreno tramitaram
dentro da Secretaria do Patrimônio da União durante o governo Bolsonaro.
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Um pedido sem conclusão e outro resolvido em dois meses
O
primeiro processo localizado pela SPU foi aberto em 20 de setembro de 2021, a
partir do requerimento RJ05936/2021, apresentado para regularizar a utilização
de um imóvel da União.
Ao
responder ao pedido feito por Rogério Correia via Lei de Acesso à Informação, o
Ministério da Gestão informou que os dados apresentados naquele requerimento
não permitiram identificar de imediato se o imóvel estava corretamente
cadastrado nem vinculá-lo ao Registro Imobiliário Patrimonial (RIP)
58010000575-64.
O
resumo dado pelo próprio governo para o destino daquele processo é direto: “Não
foi concluído.”
Os
documentos administrativos acrescentam um detalhe relevante. Ao voltar a
examinar o caso em agosto de 2026, a própria administração registrou que o
processo havia sofrido uma “solução de continuidade”. Em outras palavras, sua
tramitação foi interrompida e o pedido atravessou os anos sem uma decisão
definitiva.
Enquanto
esse procedimento permanecia sem solução, outro requerimento chegou à SPU.
Em 11
de maio de 2022, foi protocolado o processo 10154.125086/2022-04. A resposta
oficial do governo descreve seu objeto também como um pedido para “regularizar
a utilização de imóvel da União”.
Nesse
caso, porém, a tramitação foi bem mais rápida: o processo foi concluído em 12
de julho de 2022, cerca de dois meses depois de sua abertura.
Foi
justamente na véspera do encerramento que ocorreu uma das etapas mais rápidas
reveladas pelos documentos.
Em 11
de julho de 2022, a SPU abriu um terceiro processo, de número
10154.139524/2022-11, exclusivamente para permitir a emissão de uma CAT, sigla
para Certidão Autorizativa para Transferência.
Em
termos simples, tratava-se da autorização necessária para que a transferência
dos direitos de ocupação pudesse avançar perante a União.
A
resposta oficial informa que foi necessário recorrer a uma “modalidade
especial, devido a impedimento no sistema”.
O
problema não provocou demora. O processo foi aberto e concluído no próprio dia,
com a emissão da CAT nº 005173305-63. Segundo a SPU, a autorização foi
concedida “conforme orientação da Coordenação-Geral de Cobrança da Diretoria de
Receitas Patrimoniais”.
A
própria certidão anexada aos processos registra ainda uma orientação interna
datada de 7 de julho de 2022, quatro dias antes da transferência, identificada
como “Comunicado CGCOB/DEREP/SPU 07/07/2022 (Cá entre nós)”.
A
existência dessa orientação não demonstra, por si só, que tenha havido
favorecimento ou que ela tenha sido produzida especificamente para aquela
operação. Os documentos mostram, porém, que diante de um impedimento no sistema
a administração adotou um procedimento que permitiu emitir a autorização no
mesmo dia.
Também
em 11 de julho de 2022, foi lavrada no 1º Ofício da Comarca de Angra dos Reis
uma escritura pública de compra e venda e cessão dos direitos de ocupação.
Foi com
base nesse documento, segundo a própria SPU, que o cadastro federal foi
posteriormente alterado: saiu a M. Locadora de Veículos e Transportes
Turísticos Ltda. e entrou a WT Administração de Imóveis e Bens S.A., que
permanece registrada como atual titular dos direitos de ocupação.
Documentos
anexados ao processo registram ainda o pagamento de R$ 57.327,19 em laudêmio,
cobrança feita pela União em determinadas operações de transferência envolvendo
esse tipo de terreno.
A
comparação das datas está no centro das suspeitas levantadas por Rogério
Correia.
“Em
dois meses ele tinha, em tempo recorde, a concessão”, afirmou o deputado em
vídeo ao se referir a Willer Tomaz. Sobre o requerimento anterior, disse: “Isso
ficou sem análise. Está engavetado lá até hoje.”
Os
documentos confirmam as datas, a falta de conclusão do primeiro processo e a
rapidez dos procedimentos realizados em 2022. Eles não comprovam, sozinhos, que
tenha ocorrido interferência política para beneficiar Willer ou a WT. Essa é
uma suspeita levantada pelo parlamentar e que ele pretende levar à Polícia
Federal.
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Deputado quer levar documentos à PF
Correia
atribui papel central no episódio ao então superintendente da SPU no Rio de
Janeiro, Paulo da Silva Medeiros.
A
resposta à Lei de Acesso à Informação confirma que Medeiros comandou a
superintendência fluminense entre 13 de fevereiro de 2019 e 31 de dezembro de
2022. Ele estava, portanto, à frente do órgão tanto quando o primeiro
requerimento foi apresentado, em setembro de 2021, quanto durante os
procedimentos concluídos em julho de 2022.
Medeiros
também aparece diretamente nos processos. Em outubro de 2021, participou da
tramitação do primeiro requerimento. Já em 12 de julho de 2022, assinou o
encerramento do processo aberto em maio, que terminou com “deferimento do
pleito”.
Correia
acusa o então superintendente de ter favorecido a operação e relaciona sua
atuação ao entorno político de Flávio Bolsonaro. No vídeo em que divulgou os
documentos, o deputado afirmou que pretende pedir à PF uma investigação sobre a
sequência de decisões administrativas.
“Eu vou
entregar à Polícia Federal, pedir pra que abra um processo urgente”, afirmou.
O
parlamentar faz acusações mais duras no vídeo. Afirma que Richarlison teria
sido “roubado”, diz que a mansão teria sido tomada “na mão grande” e sustenta
que a estrutura da SPU foi utilizada para favorecer Willer. As acusações são de
Correia e não estão, por si só, comprovadas pelos documentos administrativos
analisados pelo ICL Notícias.
A SPU
apresenta uma versão diferente sobre a regularidade dos procedimentos.
Questionado via LAI, o órgão informou que não instaurou um processo
administrativo específico para investigar possíveis irregularidades nas
transferências porque, segundo a unidade técnica, nenhum problema foi
identificado durante a análise.
“As
alterações cadastrais tiveram como fundamento os documentos pessoais e
cartoriais apresentados nos respectivos processos”, informou a SPU. O órgão
acrescentou que os negócios realizados entre particulares não produzem
automaticamente uma mudança no cadastro da União: o reconhecimento dos novos
direitos de ocupação depende do cumprimento das exigências administrativas.
O
imóvel, porém, já apareceu em uma investigação da Polícia Federal.
Em 5 de
junho de 2024, foi aberto na SPU um processo para responder a uma solicitação
da PF destinada a instruir o inquérito policial nº 2024.0002098-DPF/ARS/RJ. A
secretaria enviou as informações à corporação no mês seguinte.
O
ofício da PF mostra que aquela investigação tratava de suspeitas de que Alencar
Magalhães da Silveira Junior e Renato da Rocha Velasco teriam ocupado e
negociado ilegalmente, por meio de empresas, terreno de marinha na Ilha
Comprida que já estaria sob regime de ocupação da M. Locadora. A existência
desse inquérito não significa que a PF tenha concluído pela existência de
fraude na transferência para a WT nem que Willer ou Flávio Bolsonaro tenham
sido responsabilizados.
A
documentação entregue agora ao deputado apresenta ainda diferenças nos próprios
registros administrativos sobre a dimensão do terreno.
Na
resposta atual, a SPU informa que o imóvel de RIP 5801000057564 possui 2.164,80
metros quadrados. Um cadastro da própria secretaria anexado aos processos de
2022, porém, registrava 1.435,50 metros quadrados para o mesmo RIP.
Há
também uma questão que a própria administração ainda não solucionou de forma
definitiva: se toda a área descrita no requerimento de setembro de 2021
corresponde exatamente ao imóvel posteriormente cadastrado em nome da WT.
Ao
responder à LAI, a SPU afirmou que as informações daquele primeiro requerimento
não permitiam estabelecer imediatamente essa vinculação. Por isso, os
documentos não permitem afirmar que o governo recebeu dois pedidos idênticos
pelo mesmo terreno e simplesmente escolheu um deles.
O que a
documentação oficial permite estabelecer é a diferença na tramitação: um pedido
apresentado em setembro de 2021 permaneceu sem conclusão; outro, protocolado em
maio de 2022, foi encerrado cerca de dois meses depois; e, no caminho para essa
segunda operação, um procedimento especial aberto após um “impedimento no
sistema” foi iniciado e concluído em um único dia.
É essa
sequência de atos administrativos que Correia pretende agora entregar à Polícia
Federal para pedir que as circunstâncias da transferência sejam investigadas.
Fonte:
ICL Notícias

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