“Sentença
de morte”: retirada de proteção ameaça 350 mil haitianos sob Trump
Mais que outras comunidades migrantes, a
comunidade haitiana, estimada em 350 mil pessoas nos Estados Unidos, encontra-se, na prática, desprovida de proteção diante
da política migratória, depois que o Tribunal Supremo dos EUA avalizou a
determinação da administração do presidente Trump de eliminar a norma de Status
Temporário de Proteção (TPS, na sigla em inglês), que permitia a pessoas de
origem haitiana permanecer nos Estados Unidos.
O advogado Francisco Concepção Márquez,
especialista em casos de migração, que trabalhou em casos de pessoas haitianas,
afirmou, em entrevista, que a realidade é que o TPS é uma medida discricionária
do Poder Executivo e, portanto, o presidente tem autoridade para estabelecê-la.
Supõe-se que a ordem de TPS dê proteção às
pessoas que estão no país no momento em que é emitida. Isso significa que,
teoricamente, o presidente tem competência para revogá-la por entender que a
emergência ou as razões pelas quais foi concedida terminaram.
“Esse foi sempre o risco do status temporário
de proteção que, como é discricionário, pode ser revogado pela Presidência.”
Prosseguiu relatando que o questionamento da ordem emitida por Trump chegou ao
Tribunal Supremo (TS), que deu razão ao presidente, por 3 a 0, visto que este
tinha poder para revogar o TPS que fora concedido aos haitianos há uma década.
Esta proteção foi outorgada pelo então presidente Obama, em 2010, em função do
terremoto ocorrido no Haiti.
Concepção Márquez lembrou que há outras
comunidades que têm esta proteção e que podem ser maiores que a haitiana, como
é o caso dos venezuelanos, que também têm esta proteção; depois vêm os sírios.
Sua avaliação é que as circunstâncias
atuais em que se encontra o Haiti, com um governo instável e a presença de
gangues armadas, constituem razões para não retirar o TPS desta comunidade.
“A situação no Haiti não mudou nada para
retirar esta proteção. O que acontece é que, como é uma liberalidade, se não
fosse este presidente, não haveria nenhuma razão para retirar o TPS. Biden nem
sequer considerou isso porque, obviamente, as circunstâncias não mudaram para
poder dizer agora que se pode despachar essa gente.
Mas, como Trump está jogando para a plateia —
seus eleitores fascistas, uma comunidade que cumpre todos os critérios para
satisfazer seus eleitores —, ou seja, são negros, são pobres, são caribenhos,
vamos sair deles. A decisão é uma política, não é uma decisão técnica nem tem
nada a ver com o fato de que vão regressar porque vão estar seguros”,
expressou.
No que diz respeito a Porto Rico, afirmou que
não há certeza de quantas pessoas de origem haitiana há na ilha sob o TPS.
Comentou que, como advogado de migração, não recomendava às pessoas
acolherem-se ao TPS porque se está em um estado de vulnerabilidade, já que,
como ocorreu, quando se decide retirar a proteção, o governo tem toda a
informação sobre a pessoa. Comparou a situação com a das pessoas dominicanas
que obtiveram a licença para dirigir do Governo de Porto Rico.
<><> Pedem solidariedade
Enquanto isso, a diretora executiva da União
Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), capítulo de Porto
Rico, advogada Annette Martínez Orabona, descreveu como grave a situação desta
comunidade devido à falta de proteção, ainda que tenha esclarecido que ainda se
questiona o procedimento da administração do presidente de suspender o TPS,
devido ao fato de que o status tem situações claras que foram ignoradas quando
se fez a análise.
Antes de suspender uma ordem de proteção
temporária, examinam-se critérios que estão claramente estabelecidos na ordem,
e há vários outros casos no tribunal cujo procedimento ainda está sendo
questionado, mesmo que o TS tenha dado razão ao presidente.
Não obstante, em essência, as pessoas da
comunidade haitiana têm a proteção que tem todo mundo: ninguém pode ser detido
de maneira ilegal só por motivo de origem nacional, cor da pele ou sotaque; têm
direito a que não entrem em suas casas sem uma ordem judicial, aos autos.
Reconheceu que são proteções que se sabe que
existem e que se supõe que evitem a violência por parte dos agentes da
Imigração e Alfândega (ICE), mas não estão sendo observadas, denunciou.
“Os agentes da Imigração e Alfândega e da
Guarda Costeira Fronteiriça (CGF) estão agindo à margem da lei constantemente,
detendo pessoas por razões unicamente discriminatórias. Esta continua sendo uma
realidade que neste momento recrudesceu para a população haitiana.”
Acrescentou que muitos dos agentes nem sequer
estão usando suas identificações e que a ACLU sabe que também as polícias
municipais estão chamando os agentes da Imigração e Alfândega e a Guarda
Costeira para colaborarem com as detenções. Também é difícil saber quantas
pessoas foram detidas, porque a Imigração e Alfândega se nega a dar a
informação.
“Nosso apelo é para alertar a população,
nossas comunidades. Neste momento, nossa comunidade haitiana se encontra em uma
situação de alta vulnerabilidade e é necessário que haja mais solidariedade,
mais presença, mais denúncia, mais acompanhamento por parte de nossas
comunidades para, por um lado, evitar este tipo de ação violenta de agentes
federais e, por outro, enviar uma mensagem clara aos governos, tanto federal
como local, de que aqui não os queremos, não queremos continuar vendo estes
atos de alta violação dos direitos dos migrantes.”
A este apelo se uniu Hilda Guerrero,
porta-voz da organização Comuna Caribe, que, junto com a ACLU e outras organizações, participa
da campanha Migrar não é um delito.
Na entrevista com Martínez Orabona, Guerrero
indicou que, em Porto Rico, a maior parte desta comunidade se encontra na Área
Metropolitana e que é difícil saber o número de pessoas que foram detidas. A
maneira como se inteiram é monitorando as redes, quando as pessoas nas
comunidades gravam as intervenções, e por meio de líderes comunitários. Quando
têm conhecimento, comunicam-se com a ACLU, que é a organização que, junto a
outros advogados, cuida de sua situação legal.
Relatou que, há pouco, um líder haitiano lhe
informou que pelo menos 14 a 16 pessoas haitianas de Porto Rico estavam
detidas. Em muitas ocasiões, as pessoas detidas são enviadas de imediato a um
centro na Flórida, o que dificulta poder trabalhar sua situação legal. A
transferência implica, ainda, em perder o vínculo com seus familiares e
comunidade de apoio, o que torna mais difícil trabalhar seus casos.
Por sua vez, a diretora executiva da ACLU
observou que, embora a eliminação do TPS para a comunidade haitiana a coloque
em maior desvantagem em relação a outras comunidades, existem distintos tipos
de proteções migratórias contra a deportação ao país de origem às quais se
poderia recorrer, mas que neste momento há muitas dificuldades para esta
população especificamente.
Explicou que, neste momento, no caso do
Haiti, não faz nenhum sentido suspender a proteção; parte desta comunidade tem
a possibilidade de resolver seu status migratório, porque se está falando de
pessoas que estão há muitos anos vivendo em nosso território ou nos EUA.
“No caso dos haitianos, o que vemos
definitivamente é o traço racial: há uma intenção de perseguir e de ir contra
esta população.”
A ativista Guerrero argumentou: “Realmente é
um crime eliminar esta proteção em um momento em que o povo do Haiti… todos
vemos a situação de violência que se vive na região de Porto Príncipe,
principalmente pela atuação dos grupos paramilitares.”
Trouxe como exemplo o caso recente de um
jovem que foi detido em Porto Rico e que tinha uma solicitação de asilo
político, já que sua vida corre perigo no Haiti, onde vários de seus familiares
foram assassinados.
“Enviar neste momento qualquer pessoa detida
aqui para o Haiti é dar-lhe uma sentença de morte.” A esse respeito, denunciou
que os grupos paramilitares sequestram as pessoas que são deportadas para
solicitar dinheiro a seus familiares em Porto Rico. Lembrou o caso das quatro
mulheres haitianas detidas em Porto Rico que foram assassinadas por gangues
haitianas na fronteira com a República Dominicana.
A porta-voz de Comuna Caribe destacou que o
governo dos EUA tem conhecimento do perigo e da existência dos grupos
paramilitares que são responsáveis pela situação de violência no país e anotou
que muitas das condições de empobrecimento, desigualdade e conflitos políticos
em nossos países, em sua maioria, foram criadas por intervenções dos EUA.
“Há muitíssimos fatores a tomar em conta na
hora de tomar decisões desumanas. Estamos falando de pessoas, não estamos
falando de números, estamos falando de gente que contribui, que já tem um
vínculo, filhos e filhas nascidos aqui, companheiras. Existem relações
familiares que estão sendo violentadas, que estão se rompendo. O Haiti está se
preparando para eleições em dezembro.
Deportar esta quantidade de pessoas — os 350
mil estimados — é criar um caos dentro de um caos. Levanto nossas vozes para
fazer um apelo às comunidades, não só em Porto Rico como em outros países.
Fazer um chamado à solidariedade com o povo do Haiti, um apelo contra o
racismo; mas um chamado para abrir pontes.”
¨
Haiti entre a sombra da
violência e os caminhos para a reconstrução
O Haiti permanece no centro de uma profunda e
interconectada crise política, humanitária e de segurança. Os 15 países-membros
do órgão ouviram uma análise do impacto do crime organizado sobre a população e
o que deve ser feito para restaurar a ordem e a soberania do Haiti.
<><> Mais de 2,3 mil mortos em 6
meses
No encontro, foram apresentados os dados do
mais recente Relatório do Secretário-Geral sobre o Escritório Integrado da ONU
no Haiti, Binuh, acompanhados por exposições da diretora-geral do Escritório
das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, Monica Juma, e da
secretária-geral adjunta, Daniela Kroslak. O debate contou ainda com as
intervenções do representante especial e chefe do Binuh, Carlos Ruiz Massieu, e
do representante especial para a Força de Supressão de Gangues, Jack
Christofides.
Segundo estimativas do Escritório da ONU para
os Direitos Humanos, apenas nos primeiros seis meses de 2026 a violência no
país deixou pelo menos 2.310 mortos, 99 sequestros e 699 vítimas registradas de
violência sexual.
Paralelamente, centenas de crianças são
aliciadas e traficadas por facções criminosas. Calcula-se que grupos armados
controlem até 90% da capital, Porto Príncipe, avançando sobre os departamentos
de Centro, Artibonite e Sudeste.
<><> Controle geográfico
Além dos ataques diretos à população civil,
as gangues mantêm o domínio sobre infraestruturas críticas, como portos,
depósitos de combustível, rodovias estratégicas e cidades fronteiriças. Esse
controle geográfico visa monopolizar as cadeias de suprimentos e extorquir a
população local.
Embora as recentes operações conduzidas pelas
forças de segurança tenham forçado o recuo de criminosos em pontos estratégicos
e recuperado alguns prédios institucionais, a ONU adverte que esses avanços
continuam sendo parciais e extremamente frágeis.
Para conter a escalada da criminalidade,
Carlos Ruiz Massieu relembrou o relatório de maio sobre as opções de
Desarmamento, Desmantelamento e Reintegração, DDR, elaborado em cumprimento à
Resolução 2814 do Conselho de Segurança.
As propostas apresentadas pelo
secretário-geral variam desde um plano de resposta rápida de 12 meses, orçado
em US$ 13,5 milhões, até um programa abrangente estimado entre US$ 100 milhões
e US$ 150 milhões.
<><> Fundo de vários
parceiros
A recomendação principal da ONU defende a
implementação do plano plurianual, acompanhado da criação de um fundo de vários
parceiros, copresidido pelo governo do Haiti e pelas Nações Unidas, para
garantir um financiamento estável, flexível e previsível para as ações de DDR.
A sustentação da crise haitiana é alimentada
por um complexo ecossistema de crime organizado transnacional.
O tráfico ilegal de armas de fogo viabiliza
os confrontos diretos, enquanto o tráfego de drogas, principalmente cocaína e
maconha, consolida-se como a maior fonte de receita das redes criminosas,
ampliando a relevância logística do Haiti nas rotas do Caribe.
Somam-se a esse cenário o contrabando de
migrantes, o tráfico de pessoas, a corrupção e a lavagem de dinheiro, elementos
que desestruturam ainda mais o tecido social do país.
<><> Complexidade do cenário
Após visita oficial ao território haitiano, a
diretora-executiva do Unodc, Monica Juma, enfatizou que a complexidade do
cenário exige um apoio internacional coordenado em duas frentes.
Ela defendeu a necessidade de intervenções
imediatas para neutralizar o domínio das gangues, combinadas a esforços
contínuos para fortalecer marcos legais, construir instituições públicas
sólidas, proteger populações vulneráveis e restaurar os meios de subsistência
no país.
Apesar dos desafios severos, a cooperação
multilateral e o compromisso renovado da comunidade internacional representam
os sinais mais concretos de esperança na busca por estabilidade para o povo
haitiano.
¨
ONU: Crise no Haiti é a mais grave do hemisfério
ocidental
O Haiti "enfrenta a crise mais grave do hemisfério
ocidental", alertou o
secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres,
durante viagem ao país caribenho.
Segundo
Guterres, a nível global, a situação no Haiti só não é pior que no Sudão e nos Territórios Palestinos.
Numa
coletiva de imprensa com jornalistas, o chefe da ONU apontou a violência de
gangues que "aterrorizam" a população como causa da crise que levou
1,5 milhão a fugirem para o interior do país e deixou mais da metade de seus
11,7 milhões de habitantes dependendo de ajuda humanitária para ter o que
comer.
"Cada
dia é uma luta pela sobrevivência", disse Guterres sobre os haitianos.
"Falei com muitos homens, mulhares e crianças que têm apenas uma refeição
por dia."
A
violência no país produziu 2,3 mil mortos só neste ano, segundo a ONU. Em 2024,
o país era líder mundial em homicídios, de acordo com um levantamento da ONG
Igarapé.
Em
média, mais de 20 mulheres e meninas foram agredidas por dia no primeiro
trimestre deste ano, e o número de crianças recrutadas pelas gangues triplicou,
informou Guterres. "Agora um em cada dois membros das gangues é uma
criança."
<><> Guterres critica
"indiferença" da comunidade internacional
País mais pobre das Américas, o Haiti sofre
há anos com a instabilidade, enquanto gangues poderosas assassinam, estupram,
saqueiam e sequestram de forma desenfreada.
"Vamos deixar claro: as gangues têm
aterrorizado o Haiti. As instituições foram enfraquecidas", disse
Guterres. "Mas a maior vergonha é a indiferença – a indiferença de um
mundo que tem olhado para o outro lado."
Guterres lamentou que o plano de resposta da
ONU para o Haiti é o programa humanitário das Nações Unidas "menos
financiado". Até agora, a entidade só conseguiu arrecadar 24% dos 880
milhões de dólares previstos para endereçar a crise.
"O Haiti não pede caridade. O Haiti pede
que o mundo cumpra sua palavra. E o Haiti não pode esperar", declarou.
Ele destacou que a Força de Repressão de
Gangues (GSF, na sigla em inglês), aprovada pelas Nações Unidas em setembro
passado para combater as gangues armadas e que prevê um efetivo máximo de 5,5
mil soldados de vários países, oferece uma "possibilidade real de fazer
recuar a violência e restabelecer a autoridade do Estado".
Até agora, Jamaica, Chade, El Salvador e
Guatemala enviaram tropas menos de mil soldados para formar a GSF, que deve
começar a operar nas próximas semanas. A força deve atuar em conjunto com a
polícia nacional e as Forças Armadas.
"Devo dizer que, ao ver as tropas que
participam na Força de Repressão de Gangues, vi chadianos, jamaicanos e vamos
ver bengalis. Não vejo os países desenvolvidos contribuírem. Penso que está na hora de os países em
desenvolvimento começarem a
participar neste tipo de operações", pontuou Guterres.
<><> Haiti sem eleições desde
2016
A crise
de segurança no Haiti se agravou no início de 2024, quando gangues
lançaram uma onda de violência que forçou o primeiro-ministro do país, que não
havia sido eleito, a renunciar.
Ele foi
substituído por um conselho presidencial interino, mas, quando o mandato do
conselho expirou em fevereiro, o poder Executivo passou para o
primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé — que recebeu Guterres na chegada.
O Haiti
não realiza eleições desde 2016, principalmente por causa da insegurança. Seu
último presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado em julho de
2021.
A
posição estratégica do país, suas extensas fronteiras terrestres e
marítimas — assim como seus numerosos portos públicos e privados, estradas
precárias e pistas de pouso clandestinas — tornaram o país particularmente
vulnerável ao tráfico de mercadorias contrabandeadas, especialmente armas de
fogo, munições e drogas.
O Haiti
também depende fortemente de importações, com quase todos os setores de sua
economia ligados a bens vindos do exterior. Como resultado, há um intenso fluxo
de bens e serviços através de suas fronteiras e portos — o que oferece aos
atores criminosos amplas oportunidades para contrabandear mercadorias ilegais.
Gangues
dominam cadeias de suprimentos e extorquem rotas comerciais e de transporte
humanitário, o que lhes dá enorme poder para desviar recursos do Haiti e
desestabilizar sua economia. E como são mais bem armadas que as próprias forças
de segurança, elas conseguem se impor pela força.
<><> Haiti chega a 1,5 milhão de
deslocados, e mulheres e meninas fogem sem destino seguro
A crise de deslocamento enfrentada pela
população do Haiti, grave há anos, entrou em uma fase ainda mais alarmante,
e 1,5 milhão de pessoas de áreas urbanas e rurais são agora vítimas dessa
situação, informou, a Organização
Internacional para as Migrações (OIM).
Mais da metade são mulheres e meninas, e a
crise já não se limita a determinados bairros ou regiões, uma vez que a
violência se espalhou para áreas antes consideradas seguras.
“Isso aumenta o número de pessoas obrigadas a
fugir repetidamente, embora não tenham para onde ir”, disse, por
teleconferência, o chefe da missão da OIM no Haiti, Grégoire Goodstein.
Somente em maio, mais de 18 mil pessoas
tiveram de fugir da nova onda de violência em Cité Soleil, o que elevou para mais de 300 mil o número de
deslocados internos na capital, Porto Príncipe, pela primeira vez na história.
Além disso, houve 5 mil deslocados nas
últimas semanas no departamento do Sudeste, região que antes servia de refúgio
para aqueles que escapavam da insegurança em outras partes do país, o que
demonstra que a violência já não se limita aos focos tradicionais.
Fonte: Por Cândida Cotto, no Claridad -
Tradução: Ana Corbisier, em Diálogos do Sul Global/ONU News/DW Brasil

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