Racismo
estrutural: terremoto na Colômbia deixa 85% de região de maioria negra sem
energia
Nas
imagens divulgadas pela Arquidiocese de Manizales, observa-se o padre Hugo Armando Gálvez segurando-se em
uma das colunas do templo da Catedral de Manizales, enquanto o movimento
sísmico sacudia a estrutura. Posteriormente, ficou evidente a inclinação de uma
das torres da catedral. Mais de 240 pessoas morreram na Colômbia em decorrência
do terremoto de magnitude 7,4, informaram as autoridades estatais. O presidente
Abelardo de la Espriella estimou em mais de 1.500 as moradias afetadas e elevou
para 61 o número de edifícios completamente desabados. A inclinação de uma das
torres da Catedral de Manizales é uma imagem que os meios de comunicação
tradicionais escolheram por meio da maquinaria midiática mainstream global,
mas invisibilizam as dezenas de mortos e os danos sofridos pela população
afro-colombiana em Cali e no Chocó.
Impactante
foi o momento do desabamento da fachada do Hospital Universitário del Valle
(HUV), em Cali, após o terremoto de 7,4. Uma grande nuvem de poeira cobriu a
área enquanto a equipe médica se protegia do lado de fora. Essa instituição
hospitalar entrou em alerta vermelho após o desabamento de 30% de sua
infraestrutura, afetando os serviços de pediatria, ginecologia e obstetrícia e
medicina interna. Cerca de 3.800 funcionários trabalham ali; aproximadamente
1.800 estavam de plantão durante o terremoto, e o centro recebe diariamente
cerca de 11 mil pessoas.
Quero
dar visibilidade às dezenas de civis em Cali que se mobilizaram massivamente
nas áreas mais afetadas da cidade — sudoeste da Colômbia — para colaborar
ativamente nos trabalhos de resgate. Movendo-se entre os escombros, os cidadãos
civis trabalham de forma coordenada com as equipes de socorro para localizar e
retirar com vida as pessoas que permanecem presas após o forte impacto do
movimento sísmico. Essa mobilização voluntária tornou-se um pilar fundamental
para as operações de emergência na cidade, onde a rapidez da ajuda comunitária
busca otimizar os tempos de resposta e oferecer apoio logístico direto aos
profissionais de resgate nos pontos de desabamento. Essa imagem poderosa do
trabalho comunitário (minga) é o símbolo da solidariedade e da
resiliência do povo colombiano.
A
Caracol TV, às 13h28, transmite outra imagem simbólica desse terremoto.
Quarenta cidadãos civis estão cavando com as próprias mãos, sem ferramentas, em
um edifício totalmente destruído na Calle 9, ao lado de uma farmácia; há apenas
dois policiais nessa operação de resgate. Os civis caleños comentam: “Estamos
ouvindo vozes que gritam por socorro debaixo dos escombros, já salvamos uma
mulher e duas meninas com vida”. O jornal El País, de Cali,
informou às 12h43 que “um edifício de pelo menos quatro andares desabou no
setor de Torres de Limonar, ao sul de Cali. Centenas de pessoas estão no local
ajudando a remover os escombros em busca de possíveis sobreviventes. Na região,
solicita-se a presença das autoridades e ferramentas como esmerilhadeiras para
facilitar os trabalhos de resgate”.
É o
chamado dirigido aos governantes de extrema-direita, o prefeito de Cali,
Alejandro Eder, e a governadora do Valle del Cauca, Dilian Francisca Toro. Segundo
os relatos internacionais, são 12 os locais onde houve graves danos. Na região
de San José del Palmar, no departamento de Chocó, foi identificado o ponto onde
o movimento se originou, registrado às 7h34 da manhã, no horário local. Embora
o município conte com cerca de 4.700 habitantes, a força do terremoto foi
sentida em diferentes departamentos do centro e do sudoeste colombiano, onde
foram registrados deslizamentos de terra e danos em moradias e edifícios. Pereira,
em Risaralda, é uma das cidades com maior número de vítimas, juntamente com
Manizales, Armenia, Cali, Quibdó e Buenaventura.
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“Começou o tempo da recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade”, disse
Abelardo de la Espriella em Cali
“Começou
o tempo da recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade”, disse Abelardo
de la Espriella, justamente em Cali, no último dia 7 de agosto de 2026.
Referência da ideologia “Deus, Pátria, Família”, Abelardo de la Espriella tomou
posse nesta sexta-feira como novo presidente da Colômbia. De la Espriella
abandonou de surpresa o auditório Arena USC da Universidade Santiago de Cali,
onde era realizada sua cerimônia de posse em Cali — na presença do rei Felipe
VI da Espanha e dos presidentes da Argentina, Javier Milei; do Equador, Daniel
Noboa; do Paraguai, Santiago Peña; do Panamá, José Raúl Mulino; da República
Dominicana, Luis Abinader; do Chile, José Antonio Kast; e do presidente da
FIFA, Gianni Infantino, enquanto o ex-presidente Ernesto Samper (1994-1998) e
secretário da UNASUL e o Prêmio Nobel da Paz de 2016, Juan Manuel Santos
(2010-2018), não foram convidados — e dirigiu-se ao Cantão Militar Pichincha,
onde proferiu seu primeiro discurso diante da cúpula militar. Centenas de
representantes de organizações sociais, camponesas, estudantis e indígenas
(como, por exemplo, o Conselho Regional Indígena do Cauca, CRIC) mobilizaram-se
nesta sexta-feira em Cali, com epicentro em Puerto Resistencia, para expressar
sua oposição à posse presidencial do presidente Abelardo de la Espriella, que
supostamente venceu com uma diferença de 250 mil votos, em contradição com a
missão eleitoral internacional da Cohesia (França).
A
acadêmica Cristina de la Torre analisou, no artigo “Teocracia e militarismo”,
publicado no El Espectador, que “Para o componente militar, que
projetaria o comando como cruzada sagrada, o presidente conseguiu o que queria:
prestou juramento, no que dura uma flor, diante do Congresso, mas pronunciou
seu discurso de posse diante das Forças Militares. E uniu repetidamente, em uma
mesma intenção, a saudação militar à invocação de Jesus Cristo e ao ato de
benzer-se. A pátria-milagre do Senhor. Diante do Congresso, substitui o ato de
Estado por uma sessão de ‘invocação e louvor’ a Deus, com cantos e a imagem da
Virgem de Fátima sob refletores e homilia de líderes de três religiões
(evangélica, católica e judaica). Talvez tenha reconciliado assim as duas
primeiras, após a perseguição do laureanismo aos protestantes nos tempos da
Violência. Manes de seu retorno ao poder? Talvez as invocações do presidente à
Constituição busquem encobrir sua propensão a um regime de força ancorado em
‘Cristo, rei dos exércitos’. Em uma teocracia inquisitorial.
Nossas
guerras santas, temperadas naqueles tempos por juramentos como o de Augusto
Ramírez Moreno de morrer em nome do Criador, pela Trindade Imóvel, respondiam à
Falange franquista, cujo braço direito foi a Igreja Católica. Alejandro
Ordóñez, censor e guerreiro sem igual do integrismo católico, que como
procurador despachava com a Bíblia, hoje novamente embaixador junto à OEA,
exaltava os levantes militares do ‘heroico catolicismo mexicano e espanhol’.
Agora católicos e evangélicos se abraçam, duas correntes religiosas em disputa
pelo poder político, sob a divisa comum de família (patriarcal), Deus, pátria,
tradição, ordem, propriedade e livre mercado”, concluiu Cristina de la Torre.
«Qual é
a insistência de Abelardo em vir tomar posse a poucos metros de Puerto
Resistencia? Puerto Resistencia existe muito antes da posse de Abelardo.
Abelardo não vem com uma mensagem nem de reconciliação nem de diálogo, vem com
uma mensagem de ameaça», declarou à EFE o representante da Câmara Alfredo
Mondragón, do Pacto Histórico. «Não temos democracia, a democracia acabou. Onde
não há justiça, não há democracia, é um Governo ilegítimo, houve fraude e há
provas», afirmou José Gabriel Adarme, um cidadão que participa da manifestação
em Cali, à EFE, que enviou uma mensagem de que é preciso manter «a luta» para
garantir os direitos sociais que, segundo ele, os cidadãos conquistaram durante
o Governo do presidente Gustavo Petro.
A jovem
líder social e nova congressista da República, Ana Erazo (Pacto Histórico),
evidenciou que “os congressistas viajaram até Cali para participar da posse de
Abelardo de la Espriella e acabaram assistindo ao discurso do presidente em uma
tela, confinados em um auditório. Literalmente foram passear em Cali. O que
aconteceu hoje foi um ato vergonhoso, caro e absolutamente desnecessário:
transferiram o Congresso, alteraram a mobilidade, fecharam setores da cidade e
montaram toda uma operação logística para terminar assistindo ao presidente
pela televisão. O prefeito Alejandro Eder mandou prender e esconder os caleños
e as caleñas para isso?”. Recordamos que o jesuíta Javier Giraldo acompanhou
o Tribunal Popular em Siloé que, no
livro promovido pela Fundação Heinrich Böll (expressão do Partido Verde
Gruñen da Alemanha), documentou as violações dos direitos humanos durante a
greve juvenil de 2021 em Cali, epicentro das manifestações comunitárias em
Puerto Resistencia, enquanto, em maio de 2021, o Papa Francisco destacava o
“legítimo direito ao protesto dos jovens na Colômbia”.
Nas
encostas ocidentais de Cali, onde as casas sobem entre a montanha e uma estrela
gigante ilumina as noites, aconteceu algo que o Estado colombiano preferiria
esquecer. Durante a explosão social de 2021, desencadeada pela greve nacional
de 28 de abril, o bairro de Siloé tornou-se um dos epicentros mais atingidos de
um país que saiu às ruas exausto pela desigualdade, pela pandemia e por um
governo que respondeu com repressão. O que se seguiu ficou registrado: mais de
12.000 protestos em 862 municípios, 159 vítimas identificadas apenas na comuna
20 de Cali e um nível de violência tão grave que a Comissão Interamericana de
Direitos Humanos teve de visitar o país. Diante da impunidade e do silêncio
institucional, as comunidades, as organizações de direitos humanos e os
familiares das vítimas decidiram construir sua própria justiça. Assim nasceu o
Tribunal Popular em Siloé (TPS): uma instância cidadã, composta por magistradas
e magistrados internacionais, que foi instalada publicamente em maio de 2022
para investigar, documentar e sentenciar os crimes cometidos pela Força Pública
e pelo paramilitarismo urbano. Em fevereiro de 2023, o TPS leu sua Sentença: um
ato de dignidade coletiva que nomeou as vítimas, qualificou juridicamente os
fatos e exigiu que o Estado colombiano respondesse.
O
livro Tribunal Popular em Siloé: comemorar, dignificar e resistir reúne
esse processo em sua totalidade e o amplia. Inclui uma cartografia coletiva da
memória e da resistência, uma linha do tempo do processo organizativo, a
cronologia dos fatos que vitimaram as pessoas e a Sentença completa. Em sua
segunda edição, o livro também dá conta do que veio depois: as alianças com
outras regiões do país, as ações culturais e políticas e uma luta que não parou
até conseguir, em novembro de 2025, a criação de um Comitê de Especialistas
para esclarecer as violações de direitos humanos em contextos de protesto
social. Este livro é memória viva. É o rosto de 16 pessoas assassinadas que não
podem ser apagadas. É a voz de mais de 2.700 vítimas registradas entre 2019 e
2021 em todo o país. E é, sobretudo, um convite urgente: a ler o que aconteceu,
a não naturalizá-lo e a compreender que a luta contra a impunidade não termina
até que a verdade se transforme em justiça, concluiu a fundação alemã Böll.
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O racismo estrutural é a chave de interpretação do terremoto do Chocó, região
com maioria afro-colombiana?
A ONG
Afromedio informa sobre muitos mortos e destruição em massa no Chocó, região de
maioria afrodescendente do sudoeste colombiano, historicamente abandonada, com
níveis preocupantes de corrupção, pobreza estrutural e abandono estatal. A
cidade colombiana de Cali, com cerca de 1,1 milhão de afrodescendentes, é a
segunda cidade da América Latina, depois de Salvador da Bahia (Brasil). Várias
organizações sociais destacaram que Quibdó clama por atenção. Habitantes do
Chocó relatam uma situação crítica após o terremoto, destacando que a falta de
eletricidade e de sinal de telefonia em várias áreas impede conhecer a dimensão
da emergência, contando apenas com poucos relatos pela Internet via satélite.
A
representante na Câmara pelo partido de la U, Astrid Sánchez Montes de Oca,
encontrava-se no centro da capital do Chocó, Quibdó, quando descreveu um
cenário com pessoas feridas e danos em edificações. “Muitos feridos, muitos
edifícios desabados, é um caos total”, afirmou a representante, que também
contou que estava dentro de um edifício que apresentou danos em suas paredes. Nubia
Córdoba, governadora progressista do Chocó (sobrinha da ex-congressista Piedad
Córdoba, destituída ilegalmente pelo procurador Alejandro Ordóñez), pediu apoio
à Sociedade Colombiana de Engenheiros e a outras entidades privadas para
transportar máquinas pesadas que auxiliem na remoção de escombros e na
reconstrução das moradias, após o terremoto cujo epicentro foi naquele departamento.
“Muitas das famílias não conseguem esperar que sejam realizados todos os
trâmites formais do Estado, do Governo, para poder ter acesso à possibilidade
de voltar de maneira segura para suas casas”, disse à Caracol Radio.
A
retirada dos feridos é feita por via aérea para Medellín, já que o hospital
local não dispõe de recursos suficientes para atender todas as pessoas. Quibdó
não possui máquinas pesadas próprias. Para se ter uma ideia: em Medrano, um dos
bairros de Quibdó, a capital, houve trabalhos de resgate durante toda a noite e
são retirados escombros porque um político local emprestou a retroescavadeira.
A
comunicação com o departamento vai e volta, como na maioria dos municípios
afetados pela tragédia. Por exemplo, os jornalistas que conseguiram transmitir
de Medrano relataram que o serviço de Internet funciona apenas por meio das
antenas Starlink. Não há energia em 85% do departamento do Chocó, mas
destaca-se o compromisso humanitário da governadora progressista Nubia Córdoba,
ao lado de seu povo. O racismo estrutural é a chave de interpretação do
terremoto do Chocó, região com maioria afro-colombiana? Pergunto-me isso,
levando em consideração o livro Raça e moradia na Colômbia – A
segregação residencial e as condições de vida nas cidades, da editora
Dejusticia. A partir de uma perspectiva da sociologia urbana, este livro
apresenta os resultados de um estudo sobre condições de vida e segregação
residencial em doze cidades da Colômbia, onde as vulnerabilidades
socioeconômicas se combinam com a concentração de pessoas de um grupo racial
nas cidades.
O
relator Especial DESCA da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH),
Javier Palummo, declarou que “destacamos a importância de uma resposta com
enfoque em direitos humanos, com especial atenção às pessoas e grupos em
situação de vulnerabilidade, que garanta o acesso a serviços essenciais e a
informações públicas claras, acessíveis e oportunas. Continuaremos atentos à
evolução da situação, em solidariedade ao povo colombiano”. O ex-presidente
progressista Gustavo Petro (2022-2026) fez um apelo ao novo presidente De la
Espriella, afirmando que “A todos os integrantes do Pacto Histórico, àqueles
que nos acompanharam e apoiaram, faço um chamado para coordenar esforços,
ativar a solidariedade e estar atentos às comunidades afetadas pelo forte
#Temblor registrado às 7h34, com epicentro em San José del Palmar, Chocó.
Expresso minha solidariedade a todas as pessoas e famílias afetadas. Minha
solidariedade está com as comunidades de San José del Palmar, Río Iró, Nóvita e
Quibdó; com as famílias de Chaparral, Coello, Payandé e Ibagué; e com aqueles
que enfrentam perdas, danos e angústia em Pereira, Manizales, Armenia, Cali,
Bogotá e nos demais territórios afetados. Não devemos esquecer as crianças, os
idosos, as pessoas com deficiência, aqueles que estão doentes e aqueles que
dependem de alguém para conseguir se colocar em segurança.
O
Governo nacional deve garantir uma resposta imediata, articulada e humana:
busca e resgate, atendimento médico, evacuação assistida, alojamento
temporário, água, alimentos e acompanhamento para as famílias atingidas. Em uma
emergência nacional, não pode haver territórios esquecidos nem cidadãos de
segunda categoria. O Estado deve chegar primeiro àqueles que mais precisam. É
preciso colocar toda a capacidade do Estado a serviço das pessoas. Ninguém pode
ficar para trás”, concluiu Petro.
A
ex-presidenta chilena e candidata a secretária-geral da Organização das Nações
Unidas (ONU), Michelle Bachelet, manifestou seu apoio nesta segunda-feira à
Colômbia após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país. A esse respeito,
por meio de suas redes sociais, a ex-mandatária manifestou sua “solidariedade e
carinho com o povo da Colômbia após o forte terremoto que atingiu o país”. “Um
abraço fraterno a todas as famílias que perderam seus entes queridos, àqueles
que ficaram feridos e a todas as comunidades que hoje enfrentam momentos de dor
e incerteza”, afirmou. Da mesma forma, enfatizou que “em horas como estas, a
solidariedade não pode ter fronteiras”. Por isso, fez um apelo à comunidade
internacional para “acompanhar a Colômbia e estar disponível para oferecer toda
a cooperação e assistência que o país possa necessitar”. “Diante de uma
emergência dessa magnitude, devemos agir unidos com humanidade e
solidariedade”, concluiu Michelle Bachelet.
O
ex-chanceler Luis Gilberto Murillo, natural do Chocó, comentou que “Agradecemos
ao congressista Gregory Meeks por sua mensagem de solidariedade com a Colômbia.
Em momentos como este, o apoio de nossos amigos e campeões do apoio ao nosso
país e, sobretudo, a disposição para trabalhar de maneira coordenada são
fundamentais. Hoje nossa prioridade é acompanhar as comunidades afetadas e
somar todos os esforços necessários para o atendimento da emergência, a
recuperação e a melhoria plena e resiliente do Chocó, do litoral do Pacífico e
do oeste colombiano”. O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos
Representantes dos Estados Unidos, dirigido pelo congressista Gregory Meeks,
acrescentou: «Minhas orações estão com o povo colombiano que enfrenta este
devastador terremoto, incluindo aqueles que perderam entes queridos. Estou
pronto para trabalhar com o governo Trump e com a comunidade internacional para
coordenar a assistência e o apoio de emergência”.
O
terremoto na Colômbia ocorre apenas dois meses depois de outro forte movimento
sísmico registrado na Venezuela, representando, portanto, a segunda emergência
sísmica de grande impacto que afeta a América do Sul em um curto período. Neste
outro país, foram mais de 5 mil os mortos (e 50.000 desaparecidos) e houve uma
destruição em grande escala, como documentei em minha reportagem “Jesuíta
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O chanceler Bula que assume o cargo fala em “desacralizar” a ONU
«Vi as
Nações Unidas por dentro e posso vê-las agora de fora. Inicialmente, quando
deixei a organização, tive muitas dúvidas sobre minhas críticas», explicou o
novo chanceler colombiano Omar Bula em um encontro em um centro de análise
conservador em Washington, a Fundação Heritage, no último dia 20 de julho de
2026.
«Mas
certamente vi uma mudança muito clara nas políticas da ONU, que começou a tomar
partido, o que claramente não é sua missão», acrescentou. Bula trabalhou
durante mais de duas décadas em organismos multilaterais, especialmente no
Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, ocupando cargos de responsabilidade
na América Latina, no Oriente Médio e na África, também em Roma. «A
neutralidade da ONU foi muito afetada na última década», afirmou sem dar mais
detalhes. «O que tento dizer aos colombianos e latino-americanos é que, tendo
trabalhado nessas organizações, deveriam desacralizá-las», disse o novo chefe
da diplomacia colombiana. «Não deveriam vê-las como aquelas que possuem a
última palavra», indicou o chanceler Bula, como destacou a France24.
O
artigo “O pensamento geopolítico profundo do novo chanceler”, publicado pelo
jornal El Nuevo Siglo — El pensamiento geopolítico
profundo del nuevo canciller —, destacou que “Bula afirmou que
periodicamente, em intervalos de 40 anos ou mais, houve uma nova ordem mundial,
mas a atual é diferente das anteriores porque não são apenas os países, «agora
temos novos atores no contexto geopolítico global, por um lado, as nações, mas
há outros de igual ou maior importância, as corporações multinacionais, que
hoje têm caráter global, com uma influência sem precedentes; e, por outro lado,
os organismos não estatais, que muitos conhecem como ONGs”.
Bula
diz que várias ONGs abandonaram o papel relativamente auxiliar que tiveram
algum dia e hoje são muito influentes, entre outras razões porque administram
orçamentos que superam os de agências das Nações Unidas. Acrescentou que os
organismos multilaterais «ao serem penetrados por organizações supostamente não
governamentais, estão sendo realmente penetrados pelo setor privado de maneira
velada”. O jornalista Daniel Pacheco, no artigo “Bula em tuítes: o chanceler de
Abelardo para quem a China é ‘a sujeira do planeta’”, publicado pela La
Silla Vacía — Bula en trinos —, enfatizou que “Omar
Bula (autor do livro Sete Memórias do Mundo: Cara a Cara com Saddam
Hussein e outros relatos curtos, 2025) acredita que a Colômbia deve se
alinhar ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos, afastar-se da ‘agenda
globalista’ que tomou conta da ONU e travar uma ‘guerra cultural’ contra uma
conspiração esquerdista liderada secretamente por meios de comunicação e ONGs
financiados pelo bilionário George Soros. Bula, que foi funcionário da
Organização das Nações Unidas durante 20 anos, entre 1992 e 2012, promove a
ideia de que existe um ‘globalismo’ que permeou as instituições multilaterais e
muitas democracias do Ocidente. ‘É a globalização econômica que passou a ser
controlada pelo marxismo cultural’: assim descreve o ex-chanceler do Brasil no
governo de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo, o globalismo visto pela perspectiva
crítica que Bula também adota”, analisa Daniel Pacheco.
Então,
pergunto: considerando que “esse marxismo cultural que controla o sistema das
Nações Unidas”, segundo o novo chanceler Omar Bula — como relata Daniel Pacheco
—, permitirá à Colômbia que a ONU ajude depois do terremoto?
O
presidente brasileiro e ex-metalúrgico, Lula, declarou que “recebi com
preocupação a notícia do forte terremoto que atingiu hoje a Colômbia, com
epicentro no departamento de Chocó. Em nome do povo brasileiro, manifesto minha
solidariedade ao povo colombiano, especialmente às famílias das vítimas e a
todos os afetados pelos tremores. O Brasil permanece à disposição da Colômbia
para oferecer o apoio necessário”. A ministra brasileira do Meio Ambiente,
Marina Silva (defensora da Amazônia ao lado de Chico Mendes), acrescentou que
“quero manifestar minha solidariedade ao povo colombiano, severamente afetado
por um terremoto nesta segunda-feira, com epicentro no departamento de Chocó,
sentido em muitas cidades.
Minha
preocupação e meus sentimentos se dirigem às famílias afetadas pela dor,
àqueles que perderam a vida e aos que aguardam notícias de pessoas
desaparecidas. Quero estender também meu abraço carinhoso a toda a comunidade
colombiana que vive no Brasil. É muito importante a postura sempre comprometida
e solidária do presidente Lula, colocando o governo brasileiro à disposição
para apoiar no que for necessário ao país vizinho neste momento de luto”. O
presidente De la Espriella aceitará a ajuda do presidente progressista Lula,
apesar de o Brasil não fazer parte do Escudo das Américas?
Fonte:
Por Cristiano Morsolin, em Resumen LatinoAmericano - Tradução: Isabelle Paiva,
para Diálogos do Sul Global

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