Sono
noturno favorece desenvolvimento na primeira infância
Uma
pesquisa publicada no início de agosto pela Universidade Federal do Ceará (UFC)
reforçou a associação entre a qualidade de sono noturno e o desenvolvimento na
primeira infância. O estudo identificou que crianças pequenas que dormiam mais
durante a noite apresentam melhores indicadores de cognição, linguagem,
habilidades motoras e desenvolvimento socioemocional. Já o sono insuficiente ou
fragmentado esteve associado a resultados inferiores nessas áreas.
O
estudo acompanhou 278 crianças de 18 a 24 meses, nascidas em hospitais públicos
de Fortaleza em julho e agosto de 2020, durante o primeiro lockdown da pandemia
de covid-19. A pesquisa integra o projeto Iracema-Covid, coordenado pela
professora Márcia Maria Tavares Machado, da Faculdade de Medicina da UFC, e foi
realizada em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC), da Universidade de São Paulo (USP) e da Harvard T. H. Chan
School of Public Health, nos Estados Unidos.
A
maioria das crianças avaliadas dormia mais de 11 horas por dia. No entanto,
aquelas que permaneciam acordadas por mais tempo durante a madrugada
apresentaram desempenho inferior em diferentes domínios do desenvolvimento. Os
pesquisadores destacam que o contexto da pandemia também pode ter influenciado
os resultados, já que o isolamento social, as mudanças na rotina familiar, a
sobrecarga dos cuidadores e a redução das interações presenciais poderiam
afetar tanto o sono quanto o desenvolvimento infantil.
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Mas dormir não é apenas descansar
Durante
o sono, especialmente nas fases mais profundas, o cérebro participa de
processos relacionados à consolidação da memória, reorganização das conexões
neurais e aprendizagem. Por isso, dormir não significa apenas interromper as
atividades do dia, mas também permitir que o organismo processe e organize
experiências e informações.
Segundo
Virgínia de Castro, orientadora educacional da Maple Bear Brasília, pedagoga,
psicóloga e especialista em Neurociência e Educação, a duração do sono e sua
continuidade são importantes para que a criança alcance etapas mais profundas
do descanso.
“A
consolidação dessas habilidades acontece nas etapas mais profundas do sono, e o
tempo de sono e o sono contínuo também são determinantes para alcançar essas
etapas”, explica ao Correio.
De
acordo com ela, um sono inadequado pode ter reflexos na memória, atenção,
aprendizagem e organização das emoções. A criança também pode apresentar
alterações na forma como regula os próprios sentimentos.
A
pesquisa da UFC chegou a conclusões semelhantes. Segundo os pesquisadores, o
sono adequado favorece processos essenciais para a consolidação da memória, a
reorganização das conexões neurais e a aprendizagem. Os resultados reforçam a
importância de considerar o sono como parte do cuidado e da promoção da saúde
infantil.
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Quanto sono a criança precisa?
A
necessidade de sono varia conforme a idade. As recomendações citadas pela
especialista são:
• 0 a 3 meses: 14 a 17 horas;
• 4 a 11 meses: 12 a 15 horas;
• 1 a 2 anos: 11 a 14 horas;
• 3 a 5 anos: 10 a 13 horas;
• 6 a 13 anos: 9 a 11 horas;
• 14 a 17 anos: 8 a 10 horas.
Segundo
Virgínia, quanto mais nova a criança, maior é a necessidade de sono para
acompanhar os processos de desenvolvimento e as novas aprendizagens.
Mas não
necessariamente. Uma criança pode dormir pelo período recomendado e, ainda
assim, ter um sono de baixa qualidade.
“Algumas
vezes a criança ‘dorme a noite inteira’, mas a qualidade do sono é baixa, não
permitindo a entrada nas etapas finais”, afirma Virgínia.
Por
isso, os pais também devem observar como a criança dorme. Dormir de boca
aberta, respirar pela boca, apresentar agitação corporal e acordar muitas vezes
durante a noite são sinais que merecem atenção.
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Sinais de que a criança pode estar dormindo mal
Os
efeitos de um sono inadequado também podem aparecer durante o dia. Entre os
sinais estão:
• irritabilidade;
• dificuldade de concentração;
• baixo nível de atenção;
• menor engajamento nas atividades;
• dificuldades de aprendizagem;
• alterações na regulação das emoções;
• queda no desempenho escolar.
De
acordo com a especialista, esses sinais podem ser pontuais após uma noite mal
dormida, mas merecem atenção quando se tornam frequentes.
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Rotina ajuda a preparar para o sono
Manter
horários regulares para dormir e acordar também é importante. Segundo Virgínia,
uma rotina ajuda o cérebro a reconhecer que é hora de desacelerar.
Luzes
baixas, histórias, voz tranquila e atividades mais calmas podem fazer parte
desse momento. A especialista recomenda evitar estímulos sensoriais intensos
cerca de 40 minutos antes de dormir, como brincadeiras muito agitadas, correr,
jogar a criança para cima ou cantar alto.
Além da
quantidade de horas, portanto, os pais devem observar a qualidade do sono.
Alterações frequentes, como despertares constantes, ronco, respiração pela boca
ou dificuldade para dormir, devem ser acompanhadas e, quando persistentes,
avaliadas por um profissional de saúde.
Fonte:
Correio Braziliense

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