sexta-feira, 5 de junho de 2026

Israel e Líbano chegam a acordo de cessar-fogo

Em meio aos esforços para pôr fim à guerra, Israel e Líbano chegaram a um acordo de cessar-fogo também nesta quarta-feira. A trégua foi anunciada por meio de um comunicado oficial do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que mediava as negociações

Segundo o documento, o acordo está condicionado à "interrupção completa" dos ataques realizados pelo Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, além de outras exigências.

O anúncio ocorre após uma escalada de violência na região. Nesta quarta, ataques israelenses mataram pelo menos nove pessoas no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel.

"Todos os países reafirmaram que o futuro da relação entre Israel e Líbano deve ser determinado pelos dois governos soberanos. Também rejeitaram qualquer tentativa, por parte de Estados ou atores não estatais, de manter o futuro do Líbano como refém", afirma o comunicado.

Outro ponto do acordo prevê a retirada de todos os integrantes do Hezbollah de uma área controlada por Israel no sul do Líbano, que se estende da fronteira até o rio Litani e é denominada no texto como Setor Sul do Litani.

O Hezbollah ainda não comentou publicamente o anúncio.

No fim de março, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) estabeleceriam uma zona de segurança em uma ampla área do sul do Líbano. A medida impediria o retorno de milhares de moradores deslocados até que o norte de Israel fosse considerado seguro.

O novo acordo ocorre após um cessar-fogo parcial firmado na segunda-feira (1/6), que foi colocado à prova com novos ataques durante a semana.

Os dois países voltarão a se reunir em 22 de junho para novas negociações, com o objetivo de alcançar um acordo mais amplo e definitivo.

O Líbano passou a integrar o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em resposta a um ataque israelense que matou o líder supremo do Irã.

Israel reagiu com uma campanha aérea em todo o território libanês e uma ofensiva terrestre no sul do país.

O Hezbollah é um grupo político e militar xiita sediado no Líbano e envolvido em diversos confrontos armados com Israel ao longo dos anos. A organização é considerada terrorista por Israel e por vários países, incluindo Estados Unidos e Reino Unido.

Um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em 16 de abril, contudo, não conseguiu interromper os combates.

Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou a intensificação dos bombardeios contra o Hezbollah e o avanço das tropas israelenses para áreas do território libanês, em resposta aos ataques com drones e foguetes contra comunidades no norte de Israel.

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 3.516 pessoas morreram no país desde o início da guerra. Os dados não diferenciam combatentes e civis.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que mais de um milhão de pessoas estão registradas como deslocadas no Líbano.

Segundo Israel, 26 soldados e quatro civis israelenses morreram em ambos os lados da fronteira desde o início do conflito.

¨      EUA, Líbano e Israel chegam a acordo de cessar-fogo e desmantelamento do Hezbollah

Os Estados Unidos afirmaram em nota, nesta quarta-feira (3), que Israel e Líbano concordaram com a implementação de um cessar-fogo após a quarta rodada de negociações trilaterais de alto nível mediada por Washington, entre os dias 2 e 3 de junho.

O anúncio representa um avanço significativo nas tratativas de paz entre os dois países, que há décadas convivem com tensões. O cessar-fogo, conforme o texto, está condicionado à cessação completa dos ataques do Hezbollah e à evacuação de todos os seus operativos do sul do Líbano, região que tem sido o epicentro dos conflitos entre o movimento xiita e as forças israelenses.

Um dos pontos centrais do acordo é a criação de zonas-piloto onde as Forças Armadas libanesas terão controle exclusivo, sem a presença de atores armados não estatais.

Os dois lados concordaram ainda em avançar rapidamente na elaboração de um arcabouço de segurança, cujas bases foram discutidas em reunião anterior, no Pentágono, em 29 de maio. O objetivo é garantir de forma sustentável a soberania, a segurança e a integridade territorial de ambos os países.

As partes também rejeitaram qualquer tentativa, por parte de Estados ou atores não-estatais, de "manter o futuro do Líbano como refém".

Os Estados Unidos, por sua vez, publicaram seu apoio à soberania dos países e reiteraram que a cessação das hostilidades deve ser alcançada diretamente entre os dois governos, com a mediação dos Estados Unidos, e não por vias paralelas.

Israel reafirmou que sua segurança só poderá ser garantida com o desarmamento completo do Hezbollah e o desmantelamento de sua infraestrutura em todo o território libanês, e defendeu que as negociações sigam sob a liderança exclusiva de Washington.

Já o Líbano enfatizou a necessidade de respeito mútuo às fronteiras reconhecidas internacionalmente e cobrou a implementação integral do cessar-fogo, reafirmando os princípios de integridade territorial e soberania plena do Estado. O governo libanês comprometeu-se a ampliar a capacidade operacional de suas Forças Armadas, com apoio norte-americano, para exercer controle efetivo em todo o país.

<><> Dirigente do Hezbollah rejeita pressão dos EUA e Israel para desarmar movimento

O vice-chefe do conselho político do Hezbollah, Mahmoud Komati, afirmou que os esforços dos Estados Unidos e de Israel fracassarão, e que a resistência contra a agressão israelense continua, segundo informou a agência Tasnim.

"Nenhuma parte pode forçar a resistência libanesa a se desarmar", declarou ele.

Komati acrescentou que os EUA e Israel não têm o direito de decidir sobre a questão das armas da resistência, classificando o assunto como uma questão interna do Líbano.

As declarações ocorrem após o Departamento de Estado norte-americano anunciar um novo acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Líbano, condicionado à interrupção dos ataques pelo Hezbollah e à retirada de seus combatentes da região ao sul libanesa.

A agência Tasnim destacou que esse anúncio mais recente segue declarações anteriores dos EUA sobre acordos de cessar-fogo em abril e maio, que não foram colocados em prática, já que os ataques israelenses ao Líbano continuaram.

O acordo mais recente é, na prática, uma repetição dos anúncios anteriores que deveriam interromper os ataques israelenses, mas, segundo a mídia, "na prática, nenhuma das disposições foi implementada".

¨      O que prevê o acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano — e o que esperar a partir de agora

Israel e o Líbano concordaram em renovar seu frágil cessar-fogo e criar diversas "zonas-piloto" de segurança dentro do Líbano nas quais agentes do Hezbollah não poderiam operar, segundo anunciou o Departamento de Estado dos EUA.

O acordo está "condicionado a um fim completo" dos ataques pelo grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã, entre outras condições.

Isso ocorre depois que ataques israelenses mataram pelo menos nove pessoas no sul do Líbano na quarta-feira (03/06) e o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel, colocando à prova uma trégua parcial acordada na segunda-feira.

Os países "rejeitam qualquer tentativa, por parte de agentes estatais ou não estatais, de comprometer o futuro do Líbano", afirmou o comunicado.

Os dois países voltarão a se reunir em 22 de junho para realizar novas negociações "com o objetivo de alcançar um acordo abrangente". O Hezbollah ainda não comentou oficialmente o anúncio.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres antes do anúncio que esperava que eles produzissem "um plano de ação que aponte um caminho para a segurança [no Líbano], independentemente do Hezbollah".

<><> Críticas e ataques

O acordo, alcançado após a quarta rodada de negociações mediadas pelos EUA em Washington, está condicionado à "retirada de todos os agentes [do Hezbollah]" de uma área controlada por Israel no sul do Líbano, do rio Litani até a fronteira.

O Hezbollah é um grupo político e militar xiita que opera no Líbano e que esteve envolvido em uma série de conflitos violentos com Israel. O grupo é considerado uma organização terrorista por Israel e muitos outros países, incluindo o Reino Unido e os EUA.

O comunicado afirmou que os EUA ajudarão a orientar a criação de "zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas assumirão controle exclusivo do território, com a exclusão de todos os agentes não estatais".

O anúncio não incluiu mapas para indicar onde estariam as zonas-piloto nem explicações sobre como elas funcionariam na prática.

Isso segue um cessar-fogo parcial acordado na segunda-feira, que, segundo o Líbano, faria com que Israel se abstivesse de bombardear Beirute, em troca de o Hezbollah não atacar Israel.

O ministro israelense da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, da direita radical, classificou o acordo como um "erro grave", alegando que ele permitirá que o Hezbollah "se fortaleça".

"O Estado do Líbano é parceiro do Hezbollah", escreveu ele no X.

Ele pediu ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que rejeite os apelos de Donald Trump pelo fim dos combates no Líbano.

Apesar do acordo, a mídia estatal libanesa relatou na manhã desta quinta-feira que ataques israelenses haviam continuado no sul do país, com pelo menos um deles causando vítimas.

O cessar-fogo parcial foi testado por disparos tanto de Israel quanto do Hezbollah nesta semana.

O Ministério da Saúde do Líbano informou que os mortos pelos ataques de Israel na quarta-feira incluem dois paramédicos cuja ambulância foi atingida em um ataque na área de Chehour, no sul. Um carro também foi atingido logo ao sul da capital, Beirute.

Enquanto isso, o Exército de Israel disse ter interceptado um drone e dois projéteis que cruzaram a fronteira. O Hezbollah afirmou que teve como alvo um agrupamento de tropas israelenses.

Antes do anúncio na noite de quarta-feira, os líderes de Israel haviam advertido que os militares do país retomariam os ataques contra o reduto do Hezbollah nos subúrbios ao sul de Beirute, conhecidos como Dahieh, caso o grupo lançasse ataques transfronteiriços contra comunidades no norte de Israel.

De acordo com o governo libanês, o cessar-fogo parcial acordado na segunda-feira estabelecia que "Israel não lançará uma ofensiva ampla contra Beirute em troca de o Hezbollah se abster de lançar ataques contra Israel".

O governo afirmou que o Hezbollah havia confirmado sua aceitação, mas um membro do conselho político do grupo, Mahmoud Qamati, disse à BBC na terça-feira: "Não houve acordo de cessar-fogo, apenas a proteção de Dahieh."

Qamati também insistiu que o Hezbollah não cumpriria quaisquer compromissos assumidos nas negociações libanês-israelenses em Washington.

"Acreditamos que essas negociações não nos dizem respeito, nem reconhecemos suas conclusões ou decisões, porque as rejeitamos por princípio", disse.

O Líbano foi arrastado para a guerra entre EUA, Israel e Irã em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em retaliação a um ataque israelense que matou o líder supremo do Irã. Israel respondeu com uma campanha aérea em todo o Líbano e uma invasão terrestre no sul.

Um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e Líbano em 16 de abril não conseguiu interromper os combates e, na semana passada, Netanyahu ordenou que os militares israelenses intensificassem seus ataques contra o Hezbollah e avançassem mais profundamente no Líbano em resposta a ataques com drones e foguetes contra comunidades no norte de Israel.

Pelo menos 3.516 pessoas foram mortas no Líbano desde o início da guerra, segundo o Ministério da Saúde do país. Seus dados não fazem distinção entre combatentes e civis.

A ONU afirma que mais de um milhão de pessoas também se registraram como deslocadas no Líbano, onde ordens de evacuação israelenses abrangem mais de um oitavo do país.

Israel afirma que 26 de seus soldados e quatro civis israelenses foram mortos em ambos os lados da fronteira durante a guerra.

A imprensa libanesa relatou ataques israelenses em todo o sul do país na quarta-feira.

O Ministério da Saúde informou que quatro sírios e dois palestinos foram mortos em um ataque na área de al-Housh, que fica logo ao sul da cidade costeira de Tiro.

O ministério também afirmou que dois paramédicos foram mortos e um terceiro ficou gravemente ferido quando forças israelenses "atingiram diretamente uma ambulância" na área de Chehour, que fica cerca de 14 km a leste. A ambulância pertencia à Associação Escoteira Risala, que é afiliada ao movimento Amal, aliado do Hezbollah.

O ministério acusou os militares israelenses de "demonstrar desprezo pelo direito humanitário internacional", que protege especificamente o pessoal médico.

Pelo menos 128 paramédicos e profissionais de saúde foram mortos em ataques israelenses a ambulâncias e instalações médicas nos últimos três meses, de acordo com o ministério.

Não houve comentário imediato dos militares israelenses. No passado, eles afirmaram que ambulâncias estavam sendo usadas para fins militares, mas sem fornecer qualquer evidência.

O exército libanês, por sua vez, disse que um de seus soldados foi morto em um ataque aéreo israelense na estrada entre Nabatieh e Kfar Tebnit, cerca de 27 km a nordeste de Tiro. A agência estatal National News Agency (NNA) informou que sua motocicleta foi atingida por um drone.

O exército afirmou que outros dois soldados libaneses ficaram feridos em outro ataque israelense contra seu veículo na estrada entre Deir Zahrani e Nabatieh.

Ele denunciou o que chamou de "um padrão de ataques deliberados visando pessoal, veículos e posições do exército" pelas forças israelenses.

Esta semana, na orla de Beirute, onde milhares de pessoas deslocadas vivem em tendas com acesso limitado a alimentos, água potável e banheiros, Mariam Hessa disse que queria um cessar-fogo que cobrisse todo o país.

"Não acho justo, porque sempre o sul está sendo bombardeado, e as casas [estão] sendo danificadas, destruídas, pessoas estão morrendo", disse à BBC a estudante de 23 anos.

"Quero que o cessar-fogo seja para todo o Líbano, não apenas para uma área como Dahieh ou mesmo o sul. Não, é para todo o Líbano. Precisamos disso."

O cessar-fogo parcial foi anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que na quarta-feira pareceu confirmar um relato de que o acordo foi mediado depois de ele ter chamado Netanyahu de "louco" em uma ligação repleta de palavrões, motivada pela ordem do primeiro-ministro de bombardear a capital libanesa.

"Fiquei um pouco perturbado por ele constantemente lutar contra o Líbano", disse Trump ao podcast Pod Force One, do jornal New York Post. "Em algum momento, eu disse: 'Bibi [Netanyahu], temos que parar com isso'."

Netanyahu posteriormente concordou em suspender ataques a Beirute, mas enfatizou que os militares israelenses continuariam operando no sul do Líbano.

Quando questionado sobre a ligação em entrevista à CNBC, Netanyahu disse: "Às vezes, como nas melhores famílias, temos esses desentendimentos táticos. Sempre encontramos uma maneira de resolvê-los."

Analistas acreditam que Trump está preocupado que uma escalada adicional no Líbano possa comprometer um acordo mais amplo para encerrar a guerra entre os EUA, Israel e o Irã.

O Irã alertou os EUA de que qualquer cessar-fogo regional deve incluir o Líbano.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, alertou na quarta-feira que, se a agressão israelense contra Beirute continuasse, suas forças armadas estarão "totalmente preparadas" para retomar a guerra, informou a agência de notícias iraniana Tasnim.

Mas, ainda na quarta-feira, Trump disse que queria separar as negociações entre EUA e Irã daquelas relacionadas à guerra entre Israel e Hezbollah no Líbano.

"Gostaria de separar, gostaria de ter algo separado, porque é... separado", disse o presidente dos EUA a repórteres.

 

Fonte: BBC News Mundo/Sputnik Brasil

 

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