O
ranking dos países mais caros para se comprar uma camisa da Copa do Mundo — e a
posição do Brasil
Vendida
por R$ 749,99 nas lojas oficiais, a camisa do Brasil para a Copa do Mundo é a
que mais pesa no bolso dos torcedores entre os oito países que já venceram o
torneio.
A BBC
News Brasil comparou o preço dos uniformes oficiais com a renda média da
população de Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Argentina e
Uruguai.
No
Brasil, o valor corresponde a cerca de 17,5% da renda média mensal per capita,
segundo o Banco Mundial, calculada em US$ 859 — o equivalente hoje a R$ 4.289.
O cálculo considera o Produto Interno Bruto (PIB) do país convertido em dólares
e dividido pelo número de habitantes.
O valor
adotado pelo Banco Mundial é superior ao calculado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua, a PNAD Contínua, que leva em conta a renda líquida.
Segundo
o IBGE, a renda média mensal da população brasileira é de R$ 3.367, cenário em
que a compra da camisa da seleção comprometeria 22,2% da renda.
Mas os
dados do Banco Mundial foram adotados pela reportagem para garantir uma base
única de comparação entre os países.
Se o
cálculo levasse em conta o salário mínimo, por exemplo, o preço da camisa
equivaleria, no Brasil, a 46,3% do valor total recebido por mês.
Essa
comparação, porém, teria limitações. Enquanto no Brasil cerca de um terço dos
trabalhadores recebem salário mínimo, na Alemanha apenas 6% da população ganha
o piso salarial legal do país. Por isso, o indicador não funciona como um bom
termômetro da renda média da população em cada território.
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Alemanha é o país 'mais barato' para se comprar uma camisa de seleção
Entre
os países que já conquistaram o troféu, os preços mais altos proporcionalmente
à renda estão nos três sul-americanos da lista.
Nas
nações europeias, os torcedores não precisam desembolsar mais do que 5,9% da
renda média mensal para comprar uma camisa oficial.
O
manto, como a peça é chamada por alguns brasileiros, representa:
• 3,7% da renda mensal na Alemanha;
• 4% na Inglaterra;
• 4,8% na França;
• 5,2% na Itália;
• 5,9% na Espanha;
• 9,2% na Argentina;
• 9,9% no Uruguai;
• 17,5% no Brasil.
Embora
os percentuais nos países da América do Sul sejam bem mais altos do que os
registrados na Europa, ainda ficam cerca de 8% abaixo do valor no Brasil.
Ao
converter euros, reais e pesos para dólares nas cotações desta terça-feira
(19/5), o preço absoluto da camisa brasileira aparece como o segundo mais
barato da lista (US$ 149,1), à frente apenas da Argentina (US$ 107,5). No
entanto, quando a comparação leva em conta a renda da população, o Brasil
dispara como o país mais caro para adquirir a peça.
As
comparações foram feitas pela BBC News Brasil a partir do cruzamento de dados
do Banco Mundial com informações das lojas oficiais da Nike e da Adidas, marcas
responsáveis pela comercialização dos uniformes dessas seleções.
Os
valores se referem às chamadas camisas de jogador. No caso da Nike, responsável
pelo uniforme brasileiro, a empresa afirma que a peça utiliza uma tecnologia
que permite a circulação de ar na pele, ajudando o corpo a se manter fresco em
temperaturas elevadas e deixando o material mais leve.
Segundo
as fabricantes, essas seriam as mesmas peças usadas pelos atletas em campo. A
comparação considerou esse modelo porque, embora existam versões mais baratas
no Brasil — como uma camiseta branca simples estampada apenas com o logo da
CBF, vendida por R$ 149,90 —, nem todos os países oferecem alternativas
equivalentes, já que alguns comercializam apenas os chamados modelos de
jogador.
Até a
publicação desta reportagem, a Nike não respondeu aos questionamentos da BBC
News Brasil sobre quais fatores impactam a precificação da camisa.
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Variação de preço no Brasil supera a inflação
O preço
pago por uma camisa da seleção sempre foi considerado alto no Brasil. Em 1998,
às vésperas da Copa do Mundo da França, a peça custava R$ 84. O valor
representava 64,6% do salário mínimo da época, de R$ 130 — percentual superior
ao atual, de 46,3%. Foi naquele ano que a Nike assumiu a produção dos uniformes
oficiais em parceria com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Ainda
assim, a valorização da camisa desde então ficou acima da inflação. Se fosse
corrigido pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador
oficial do IBGE para medir a variação do custo de vida, o valor de R$ 84 em
1998 equivaleria hoje a R$ 438 — isto é, R$ 312 a menos do que o cobrado nesta
Copa.
Os
reajustes entre uma Copa e outra variaram bastante ao longo do tempo. Entre os
Mundiais de 2014, no Brasil, e de 2018, na Rússia, o aumento foi de 36,7%.
Já
entre a Copa da Rússia e a do Catar, em 2022, a alta chegou a 55,6%, quando o
preço saltou de R$ 449,90 para R$ 699,99. Foi um aumento de 55,6%, enquanto o
IPCA acumulado foi mais baixo, de 29,1% — pela inflação, portanto, a camisa
deveria ter custado até R$ 581.
Para a
próxima edição, sediada por Canadá, Estados Unidos e México a partir do dia 11
de junho, o aumento foi menor: 7,1%, com o preço passando de R$ 699,99 para R$
749,99. Ainda assim, a variação ficou acima da inflação acumulada no período,
segundo a qual a peça deveria custar, no máximo, R$ 735.
Fonte:
Por Pedro Martins, da BBC News Brasil em Londres

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