terça-feira, 2 de junho de 2026

“Filho da escola pública”: quem é o cordelista de 13 anos que emocionou Lula em Sergipe

O vídeo em que Lula aparece emocionado com o cordelista Pedro Gustavo, de Amparo do São Francisco, em Sergipe, viralizou nas redes e passou de 4,8 milhões de visualizações. Mas o detalhe que dá força à cena é outro: o jovem que se apresenta como “filho da escola pública brasileira” já era conhecido no estado como poeta mirim, escritor e representante da cultura popular nordestina.

Pedro Gustavo tem 13 anos e é natural de um dos menores municípios de Sergipe. Antes do encontro com Lula, ele já aparecia em registros locais como cordelista de Amparo do São Francisco, cidade ligada à região do rio São Francisco e à tradição oral nordestina.

No vídeo publicado pelo presidente, Pedro diz que sempre sonhou em conhecer Lula. O petista pergunta se ele é cordelista e pede que recite seus versos. A resposta vem em forma de homenagem, com referências ao Nordeste, à educação pública e à cultura popular.

<><> Lula, Pedro Gustavo e escola pública

A cena ocorreu durante a agenda oficial de Lula em Sergipe na sexta-feira, 29. Segundo o Governo de Sergipe, a programação incluiu compromissos em Aracaju e Lagarto, com anúncio de investimentos da Petrobras e visitas a hospitais.

A repercussão do encontro reforça a conexão histórica do presidente com a pauta da educação e a cultura nordestina. A força das imagens não está apenas na figura de Lula, mas no fato de Pedro Gustavo não ser apenas um fã na plateia, e sim um representante ativo e real da arte popular sergipana.

A viagem de Lula a Sergipe também teve peso político. Como mostrou a Revista Fórum, o presidente usou a agenda no estado para voltar a defender Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

•        A cultura faz a gente "enxergar mais longe", defende Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, neste sábado (30), no Rio de Janeiro, que a promoção da cultura seja uma política de Estado. “Se for apenas uma política do governo, qualquer um que entra pode tirar. Porque tirar as coisas é muito fácil. Consertar é que é difícil", afirmou durante o lançamento da plataforma Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro.

"Há uma coisa com a cultura que os ignorantes não gostam: a cultura ensina, a cultura abre a cabeça, abre horizontes e faz a gente enxergar um pouco mais longe, o que antes não era visível para nós".

Lula destacou que o Brasil alcançou a marca de 16 mil Pontos de Cultura, que são projetos financiados pelo Ministério da Cultura e implementados por entidades públicas e não governamentais.

<><> Crítica às privatizações

Durante a cerimônia, Lula também fez críticas ao governo de Jair Bolsonaro e à decisão pela privatização da BR Distribuidora, em junho de 2021 e da Liquigás, em novembro de 2020.

"O que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR [Distribuidora]? O que que melhorou no posto de gasolina? A gente tinha comprado uma empresa chamada Liquigás, para controlar o preço do gás dentro da Petrobrás. Eles venderam. Hoje, a gente não tem controle", disse.

De acordo com o presidente, as medidas tomadas pelo governo para conter a subida dos preços dos combustíveis em decorrência da guerra no Irã teriam mais efeitos caso as distribuidoras não fossem privadas.

“Nós isentamos o PIS e Cofins para não aumentar o preço do petróleo e repartimos com os estados para que estes também não aumentassem o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]. Mas, a gente não tem uma distribuidora para controlar, porque eles acharam que era bom vender", defendeu.

<><> Cooperação com África e América Latina

Ao final da Semana da África - o Dia da África foi celebrado na última segunda-feira (25) - o presidente Lula também detalhou os recentes intercâmbios no campo educacional entre universidades federais brasileiras e nações africanas.

Em relação a América Latina, aos presentes, o presidente anunciou que, em junho, inaugurará as novas estruturas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), depois que a continuidade do projeto havia sido paralisada.

Lula defendeu convênios com países latino-americanos e os cursos a distância para transmissão de conhecimento.

Por fim, o presidente convidou a comunidade a participar de uma transformação estrutural:

“Ajudem esse país a fazer a revolução que ele não fez. A revolução cultural para que esse país, definitivamente, seja dono do seu nariz, da sua história e das suas coisas."

 

Fonte: Fórum/Brasil 247

 

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