terça-feira, 2 de junho de 2026

Celso Rocha de Barros questiona se Flávio Bolsonaro, que tem vínculos com o crime, é terrorista

O jornalista e colunista Celso Rocha de Barros questionou, em artigo publicado pela Folha de S.Paulo, se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia ser considerado terrorista diante de suas relações políticas e financeiras com personagens ligados a investigações envolvendo organizações criminosas. Ao longo do texto, o autor sustenta que, independentemente da classificação, as suspeitas que cercam aliados e parceiros do parlamentar exigem apuração rigorosa.

No artigo “Flávio Bolsonaro é terrorista?”, Celso cita a proximidade política entre Flávio Bolsonaro e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Segundo o colunista, a Polícia Federal considera Bacellar “o chefe do núcleo político do Comando Vermelho”, uma das maiores facções criminosas do país.

O autor também menciona a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Celso recorda que o senador já se referiu a Vorcaro como “irmão” e destaca que, segundo reportagem da própria Folha publicada em agosto de 2025, o Banco Master mantinha relações próximas com a Reag Investimentos, empresa acusada de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

<><> Debate sobre terrorismo

Embora apresente esses vínculos, Celso Rocha de Barros afirma discordar da interpretação do Departamento de Estado dos Estados Unidos que enquadraria o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Para ele, apesar da violência extrema exercida pelas facções, elas não possuem objetivos políticos ou ideológicos comparáveis aos de grupos tradicionalmente classificados como terroristas.

O colunista argumenta que o exemplo mais próximo da definição clássica de terrorismo no Brasil recente seria a tentativa de explosão de um caminhão-tanque nas proximidades do aeroporto de Brasília, na véspera de Natal de 2022. Segundo ele, a ação tinha o objetivo de provocar instabilidade social e favorecer uma ruptura institucional após a vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com Celso, os responsáveis pelo atentado buscavam criar um ambiente de caos capaz de estimular a adesão de setores militares a uma tentativa de golpe de Estado. O articulista observa que um dos envolvidos esteve presente no Congresso Nacional em reunião de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro poucos dias antes da ação.

<><> Herança política do bolsonarismo

Ao analisar o papel de Flávio Bolsonaro dentro do campo político bolsonarista, Celso afirma que o senador se tornou o principal herdeiro do movimento liderado por seu pai. Ainda assim, ressalta que hesita em classificá-lo como terrorista.

"Mesmo assim, sou generoso o suficiente para hesitar antes de chamar Flávio Bolsonaro de terrorista", escreve o colunista.

Para ele, a questão central é outra: determinar se líderes bolsonaristas mantiveram relações com estruturas criminosas que resultaram em prejuízos bilionários aos cofres públicos.

<><> Acusações envolvendo Banco Master e BRB

O artigo também aborda investigações relacionadas ao Banco Master e a governos alinhados ao bolsonarismo. Celso afirma que novas descobertas da Polícia Federal indicariam que recursos de aposentados desviados no Rio de Janeiro foram transferidos para a instituição financeira, alcançando valores próximos de R$ 4 bilhões.

O colunista menciona ainda o acordo firmado para cobrir um rombo de até R$ 6,5 bilhões envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e operações relacionadas ao Master, tema que vem sendo debatido nos meios político e financeiro.

Na avaliação do articulista, a controvérsia em torno da classificação de terrorismo não deve servir para desviar a atenção de um escândalo que, segundo seus cálculos, pode envolver mais de R$ 10 bilhões em recursos públicos.

"Discordo de quem acha que Flávio Bolsonaro, o CV e o PCC são terroristas, mas respeito os argumentos de quem acha que são", afirma Celso. Em seguida, acrescenta: "O que é indiscutível é que não podemos deixar Flávio usar essa polêmica para abafar um escândalo que tirou de cofres públicos administrados por bolsonaristas um mínimo de R$ 10 bilhões".

O colunista conclui defendendo que as suspeitas envolvendo personagens próximos ao bolsonarismo devem permanecer sob escrutínio público, independentemente da disputa semântica sobre o conceito de terrorismo.

•        PF vê indícios para investigar Flávio Bolsonaro por repasse de Vorcaro aos EUA

A Polícia Federal enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer favorável à abertura de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no caso que envolve pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

A informação foi revelada pelo jornal Valor Econômico, que apurou com fontes a par do caso que a manifestação da PF ocorreu após pedidos de investigação apresentados por políticos e advogados, depois que o episódio foi divulgado pelo site Intercept Brasil.

Como Flávio Bolsonaro é senador da República, cabe à PGR avaliar os fatos e, se considerar necessário, pedir autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para abertura formal de investigação. A expectativa é que, por envolver Daniel Vorcaro e o Banco Master, o caso fique sob relatoria do ministro André Mendonça, responsável por ações ligadas às investigações sobre a instituição financeira.

Segundo a apuração, a Polícia Federal considera haver elementos suficientes para justificar a apuração das suspeitas e dos personagens envolvidos. A corporação avalia que a forma da remessa dos valores e seus objetivos precisam ser esclarecidos.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o alto valor enviado por Vorcaro aos Estados Unidos: R$ 61 milhões. Também pesou o fato de parte significativa do filme ter sido gravada no Brasil, enquanto o dinheiro foi remetido ao exterior.

Uma das linhas de apuração é verificar se os recursos teriam sido usados para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado foi para o país no ano passado e é réu no STF por coação no curso do processo, acusado de atuar para que os Estados Unidos aplicassem sanções econômicas, como o tarifaço, e medidas contra autoridades brasileiras para pressionar o Judiciário a não condenar Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

A atuação de Eduardo não impediu a condenação de Jair Bolsonaro, que hoje cumpre pena em regime fechado. Na avaliação inicial da PF, caso seja comprovado que recursos de Vorcaro financiaram Eduardo Bolsonaro, os envolvidos podem ser enquadrados por colaboração com o crime de coação. Também há suspeita de evasão de divisas, que poderá ser investigada caso seja aberto inquérito policial.

Em outra frente, o ministro Alexandre de Moraes deu prazo de cinco dias para a PGR se manifestar sobre um pedido para incluir Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro no inquérito que apura a atuação de Eduardo nos Estados Unidos. Moraes é o relator da ação em que Eduardo é réu no STF.

O pedido de ampliação das investigações foi apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), após a reportagem do Intercept Brasil. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, ainda não se manifestou.

Procurada pelo Valor, a assessoria de Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado. O jornal também informou que tentava contato com Eduardo Bolsonaro.

Quando as mensagens com o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro vieram a público, Flávio Bolsonaro confirmou ter feito a solicitação, mas negou irregularidades. O senador afirmou que os valores foram integralmente destinados ao filme. Ele prometeu apresentar o contrato da produtora responsável pela obra e a comprovação dos gastos.

Flávio e Eduardo Bolsonaro negaram ter usado o dinheiro para custear despesas pessoais nos Estados Unidos.

•        Liana Cirne Lins: “PF tem sido muito vagarosa em relação a Flávio Bolsonaro”

A vereadora do Recife e professora de Direito Liana Cirne Lins criticou a atuação da Polícia Federal nas investigações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro. Em participação no Bom Dia 247, ela afirmou que a condução do caso tem ocorrido de forma lenta e sem medidas consideradas essenciais para a preservação de provas.

Segundo Liana, as informações divulgadas pelo Intercept Brasil já justificariam ações mais incisivas por parte da Polícia Federal. Ela citou os áudios que envolveriam Flávio Bolsonaro diretamente em tratativas relacionadas ao financiamento de um filme, além da declaração da produtora da obra afirmando que os recursos recebidos não teriam sido utilizados na produção audiovisual.

“Acho que a Polícia Federal tem agido de maneira muito vagarosa em relação ao Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Para a vereadora, a ausência de buscas e apreensões de celulares e documentos ligados ao senador abre margem para eventual destruição de provas. Ela também mencionou relatos sobre uma possível viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para encontrar o deputado Eduardo Bolsonaro e discutir versões relacionadas ao caso envolvendo Daniel Vorcaro.

“Não tem busca e apreensão de celulares de Flávio Bolsonaro, não tem busca e apreensão de documentos de Flávio Bolsonaro. Então, a Polícia Federal está deixando espaço, inclusive para que provas sejam destruídas”, declarou.

Liana afirmou considerar “muito crível” a versão apresentada sobre a possibilidade de encontros presenciais entre integrantes do núcleo bolsonarista para alinhar informações sobre o caso. Na avaliação dela, a demora na adoção de medidas cautelares compromete o andamento das investigações.

“A Polícia Federal não está agindo de maneira célere. E isso é muito ruim, porque a gente não sabe o que eles estão fazendo com as provas, que porventura existam”, disse.

A professora de Direito defendeu que a PF já deveria ter realizado ações mais firmes para coleta de material investigativo. Segundo ela, a situação exige atuação rápida diante da gravidade das denúncias apresentadas até agora.

“A Polícia Federal já deveria ter agido de forma mais incisiva”, concluiu.

•        “Eduardo Bolsonaro está vivendo com o dinheiro do Vorcaro”, diz Paulo Teixeira

O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou em entrevista ao programa Boa Noite 247 que o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro estaria vivendo nos Estados Unidos com recursos provenientes de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo ele, o caso integra um conjunto de denúncias que, na sua avaliação, revelam uma estrutura financeira utilizada pela família Bolsonaro para sustentar atividades políticas no exterior.

Durante a entrevista, Teixeira relacionou a ofensiva recente de parlamentares bolsonaristas junto ao governo norte-americano à tentativa de desviar o foco das denúncias envolvendo o Banco Master. Para o ex-ministro, a repercussão das investigações sobre movimentações financeiras ligadas ao banco produziu desgaste político para o grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Eduardo hoje não tem mais receita para viver nos Estados Unidos. Ele não tem renda, ele não tem emprego. O dinheiro que ele está vivendo é desse dinheiro que o Vorcaro depositou”, declarou Teixeira.

Na entrevista, ele argumentou que recursos que teriam passado por fundos de investimento nos Estados Unidos estariam sendo utilizados não apenas para a manutenção de integrantes da família Bolsonaro no exterior, mas também para financiar ações políticas e jurídicas contra o governo brasileiro.

Segundo Teixeira, há indícios de que parte desses recursos tenha origem em operações relacionadas ao governo do Rio de Janeiro. O ex-ministro citou depósitos bilionários realizados pelo estado e afirmou que investigações e reportagens recentes levantaram suspeitas sobre possíveis desvios. Na avaliação dele, a dimensão dos valores movimentados sugere a existência de um esquema de pagamento de propina.

“O dinheiro do Banco Master que foi mandado para um fundo nos Estados Unidos está sendo utilizado para a sobrevivência da família e para a ação política da família”, afirmou.

Teixeira também mencionou denúncias apresentadas pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), segundo as quais recursos vinculados ao Banco Master estariam financiando atividades de lobby e articulação política nos Estados Unidos. Para o ex-ministro, essa estrutura teria como objetivo influenciar decisões do governo norte-americano e promover ações contrárias aos interesses do Brasil.

Ao comentar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, Teixeira sustentou que a atuação política do deputado licenciado depende de uma rede de financiamento que precisa ser investigada pelas autoridades brasileiras e norte-americanas. Segundo ele, as suspeitas sobre a origem dos recursos e sua utilização no exterior colocam o caso no centro do debate político nacional.

Para o ex-ministro, as denúncias envolvendo o Banco Master podem ter impacto direto sobre o campo político bolsonarista, especialmente por associarem figuras centrais da direita brasileira a investigações sobre movimentações financeiras, fundos de investimento e possíveis práticas de corrupção.

 

Fonte: Brasil 247

 

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