terça-feira, 2 de junho de 2026

César Fonseca: Trump exporta economia de guerra para o Brasil em ano eleitoral, ampliando a Doutrina Monroe

O ensaio geral do encontro do presidente Donald Trump com senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ) oculta o essencial que interessa a Washington: ampliar economia de guerra na América do Sul, usando o crime organizado como plataforma terrorista, a fim de justificar intervenção americana, na região, mediante lei imperialista de caráter extraterritorial.

Por meio dela, os Estados Unidos legisla em amplo espectro global em nome dos interesses americanos, que se julgam ameaçados pela ação externa do que julgam ações terroristas sobre as quais a democracia brasileira, segundo a visão do império, lança, apenas, olhares contemplativos condenáveis.

Essa manobra fascista imperialista já é suficiente para motivar o discurso de guerra ao terror, a justificar orçamentos bilionários capazes de financiar produção de armas, nos Estados Unidos, a serem comercializadas na América Latina, vendidas ao país continental, 9ª economia mundial, detentora de riquezas minerais incalculáveis.

Eis o perigo de balcanização do território brasileiro.

A motivação já está artificialmente construída: o PCC e o CV, considerados pela Casa Branca, organizações terroristas, justificam ações americanas armadas contra ambos, no combate ao terror, que exige organização ampla do mercado de armas no continente. 

O crime organizado, cujos braços alcançam o território como um todo, balcaniza ou não o território nacional, mediante ligações internacionais?

Para legalizar, o mais rápido possível, a ampliação do comércio armamentista, colocando a região continental como campo de batalha ao terror, será indispensável que o poder político esteja dominado por grupos políticos de direita, fascistas, como é o caso do bolsonarismo.

Ele passa a atuar como fator de incêndio eleitoral, bafejado a partir dos discursos dos promotores da guerra, como são os casos dos integrantes do governo americano: o presidente Trump, o vice-presidente Vance e o secretário de Estado, Marco Rúbio, padrinhos políticos do candidato bolsonarista, Flávio Bolsonaro.

Essencialmente, Washington, com essa ação belicista, organizada de forma mais eficaz, a partir de agora, com a viagem do senador Flávio para se encontrar com o presidente Trump, atende o que é fundamental para o império americano: incrementar a indústria de armas nos Estados Unidos.

GUERRA, SUJEITO OCULTO DO IMPÉRIO

Esse é o objetivo central, o sujeito oculto, sabendo que, para o governo americano, a guerra é a base da macroeconomia dos Estados Unidos, a que puxa a demanda global, mediante gastos do governo imperial.

Por meio dela, o império, desde a segunda guerra mundial, eleva a oferta de emprego, renda, produtividade e lucratividade para os capitães da guerra, que comandam o Pentágono, em sintonia com a Casa Branca. 

Os Estados Unidos não podem ficar sem guerras, para que o parque armamentista, fator de elevação da produtividade permanente da economia bélica e espacial americana, continue sendo a alavanca da superacumulação de capital do império. 

Nesse momento, balcanizar, transformar a América do Sul e o seu principal território nacional, o Brasil, em praça de guerra ao terror, vira estratégica econômica fundamental para os fabricantes de armas, quando as expectativas de continuidade da guerra no Oriente Médio entram em refluxo.

A virtual derrota americana no Irã, apoiado pela Rússia e China, cria novas necessidades para a indústria armamentista, temerosa de que o fim da guerra interrompa a produção bélica e espacial.

Informações extraoficiais dão conta de que os prejuízos americanos, na guerra fracassada contra o Irã, alcançam cifras cavalares, na altura de quase 70 bilhões de dólares.

Trump desencadeou o conflito para tentar destruir os Aiatolás, secundados pela poderosa Guarda Nacional iraniana, e fracassou.

Sem derrotar o Irã e tendo diante de si o fechamento do Estreito de Ormuz, cujas consequências se fazem sentir, nos Estados Unidos, em forma de expansão inflacionária, a jogar a população contra o governo, Trump se vê em sinuca de bico.

A saída, do ponto de vista do império, para o qual a guerra é solução, não é um cessar-fogo.

Ao contrário, ele  precisa buscar novos focos de fogo, para manter o parque produtivo de armas em aquecimento permanente, de modo a puxar a demanda econômica imperialista. 

Caso contrário, é a falência da produção de não-mercadorias  destinada à destruição como forma de reprodução intrínseca de capital.

Insistir no erro da guerra contra o Irã é contraproducente para o império, que vê aprofundar as contradições capitalistas, levando seus pretensos aliados ao caos.

É o caso da Europa, ao mesmo tempo em que joga a população americana contra o governo imperial, condenando-o às derrotas eleitorais.

A produção armamentista não pode parar, o que exige motivações incessantes para que continue em ação.

A América do Sul é o novo alvo dos falcões, para sustentar a reprodução capitalista, agora, por meio da guerra aos terroristas fabricados artificialmente.

LÓGICA DA GUERRA IMPERIALISTA

A lógica do império, como ensina o historiador José Luís Fiori, em “História, Estratégia e Desenvolvimento – para uma geopolítica do capitalismo”(Boitempo), não é buscar vitórias em campos de batalhas. 

O essencial é abrir novos e mais amplos campos de batalha, sem preocupações se será vencido ou vencedor. 

O fundamental é a guerra em si, por si e para si,  permanentemente, acesa, a funcionar como motivo para ampliação das vendas crescentes de armas. 

A vitória ou a derrota não importa, o importante é o Pentágono receber pedidos regulares e crescentes de fornecimentos de armas, para movimentar as maquinas mortíferas de matar.

É a forma de reanimar o capital investido em guerra, cuja produção é absorvida pela dívida pública americana.

Tal movimento é a razão de ser de o tesouro dos Estados Unidos continuar emitindo títulos para financiar a indústria, enquanto o mercado financeiro mantém a comercialização especulativa dos papeis nas bolsas globais. 

Se esse mecanismo se paralisa, por meio de interrupção da guerra, a bancarrota se autorrealiza, cessando o movimento bélico que sustenta o Estado Industrial e Militar Norte-Americano, como o caracterizou o ex-presidente Eisenhower, nos anos de 1960.

Desse modo, no interregno entre o cessar-fogo no Oriente Médio, onde Washington se vê derrotado pela multipolaridade expressa pelo novo poder mundial, formado por Rússia-China-Irã, a se espraiar pela Eurásia, como nova fronteira econômica global, enquanto o Ocidente, dominado pelos Estado Unidos, entra em desaceleração relativa, a prioridade imperialista é ampliar campos de batalha.

É nesse ponto que a América do Sul se transforma na nova fronteira da guerra, para que a indústria armamentista americana continue se ampliando, a fim de evitar perigo de redução da produção de produtos bélicos e espaciais. 

GUERRA TRUMPISTA NO PROCESSO ELEITORAL BRASILEIRO 

A guerra não pode parar.

A transformação do PCC e do Comando Vermelho em células terroristas, portanto, é a cortina de fumaça que justifica a agressividade imperialista em ação no continente sul-americano.

Por meio dela, Washington dissemina ações armadas dos Estados Unidos capazes de justificar o estado de guerra, necessário às demandas da indústria de armas do império americano. 

É a continuidade de uma nova conjuntura que se cria a partir de fatores externos sobre o processo eleitoral brasileiro de agora em diante. 

O bolsonarismo fascista é apenas o braço washingtoniano que coloca o governo democrático de Lula, em busca do seu quarto mandato, na defensiva contra os falcões da guerra.

Trump, dessa forma, dá mais um passo para desarticular o BRICS, de modo a afastar a influência geopólitica da China e da Rússia sobre a América Latina, no contexto da Doutrina Donroe.

¨      Trump e os irmãos Bolsonaro caçando bandidos terroristas? Ouçam as gargalhadas dos milicianos. Por Moisés Mendes

Os Bolsonaros estão terrivelmente preocupados com o crime organizado. Por isso, aconselharam Trump a combater os terroristas do PCC e do Comando Vermelho. Vai colar no eleitorado que ainda não decidiu o voto? Vai emocionar a classe média viciada em antilulismo, mas ainda não o suficiente para votar no filho ungido?

Os caras são amigos de milicianos, mordedores de um banqueiro mafioso e têm o pai preso em casa como chefe de organização criminosa. O brasileiro médio ainda sem candidato definido, mesmo o mais desligado, vai levar a sério essa conversa de caçada a terroristas?

O eleitor indeciso ou independente, que é o metido a mais inteligente, vai ser enrolado por essa farsa? Quem os Bolsonaros querem conquistar com a ameaça de que os americanos poderão um dia caçar chefes do PCC, dentro do Brasil, como já caçaram Bin Laden no Paquistão? Vão caçar nas fintechs da Faria Lima?

A dúvida central sobre os efeitos do alerta de Eduardo é essa. O que os Bolsonaros ganham sendo ainda mais Bolsonaros e conspirando contra o próprio país? O eleitor já fidelizado é o que se emociona com esse tipo de blefe.

Mas esse eleitor é imutável e não precisa de novos estímulos para continuar bolsonarista. Esse eleitor encravado sabe que o plano de Trump e dos irmãos é tumultuar a eleição e espalhar terror dentro do Brasil.

Mas a dupla deve ter feito um cálculo que ninguém está entendendo direito, na base de que o eleitor indeciso preocupado com a violência será sensibilizado. Será mesmo? E aceitará o desaforo americano à nossa soberania em nome de mais “segurança”?

Que brasileiro crédulo vai enxergar os Bolsonaros como informantes sinceros de Trump na caçada a bandidos terroristas? A ameaça de invasão é, finalmente, o resultado da visita dos irmãos, principalmente aquela do dia seguinte a Marco Rubio.

Trump pode invadir o Brasil a qualquer momento, para combater o terror, porque os irmãos pediram. Os milicianos ouvem a notícia no Jornal Nacional e, às gargalhadas, bebem Devassa e comem coxinha de galinha no bar do Panfílio, em Rio das Pedras.

¨      Trump, bolsonarismo e sua troca de favores. Por Jair de Souza

Há mais de duas semanas que a pauta das conversas entre a maioria dos brasileiros não tem sido do agrado dos próceres do bolsonarismo. É que, agora, a consciência de que o bolsonarismo constitui o núcleo da grande bandidagem no Brasil não está restrita aos que estão medianamente informados sobre os bastidores da política em nosso país.

Portanto, nos dias de hoje, é difícil encontrar alguém que não saiba que é a cúpula do bolsonarismo quem comanda o mais vasto esquema de bandidagem financeira de que se tem conhecimento, ao longo de mais de dois séculos de nossa existência como nação autônoma.

Então, já está bastante bem delineado na mente de quase todo mundo por aqui o papel desempenhado pelo Banco Master e sua gigantesca máquina de ladroagem de recursos da população brasileira para o favorecimento pessoal dos dirigentes bolsonaristas e seus aliados mais achegados, assim como das instituições que estão a seu serviço.

Por isso, já é de domínio público que os principais dirigentes do banco bandido e seus apoiadores diretos estão indissoluvelmente ligados ao bolsonarismo. Para nos assegurarmos disto, basta prestar um pouquinho de atenção nos nomes dos articuladores mais importantes dessa central financeira do crime. Aí, vamos nos deparar com notórios expoentes do bolsonarismo explicitamente político e os comandantes das empresas-igrejas praticantes do neopentecostalismo bolsonarista.

Convém recordar que a magnitude das atividades e dos tentáculos desse arcabouço da criminalidade financeira foram revelados com o trabalho realizado pela Polícia Federal durante a denominada Operação Carbono Oculto, quando pela primeira vez, o crime organizado do alto escalão foi confrontado. Foi quando as provas encontradas indicavam os fortes vínculos entre a extrema direita política e as estruturas operacionais do grande crime organizado.

Com o intuito de encontrar uma saída para sua desesperadora situação em vista do panorama acima traçado, o delfim e pretendente a herdeiro do cabedal político do clã bolsonarista se mandou para Washington. Afinal, em momentos de grandes apuros, nada mais conveniente e apropriado que procurar apoio daquele que sempre foi o mentor, tutor e orientador de sua linha de pensamento e conduta, ou seja, nada melhor do que correr para pedir socorro a Donald Trump e seus auxiliares.

La na capital do Estados Unidos, por mediação de Donald Trump e seus assessores, talvez pudesse estar a solução para, pelo menos, fazer que o centro das conversas no Brasil deixassem de girar em torno da imensa roubalheira do Banco Master, que salpicava diretamente nas principais figuras do bolsonarismo.

No entanto, embora o alaranjado chefe do império gringo nada tenha de franciscano, ele sempre sabe aplicar às inversas a máxima de São Francisco. E, assim, adotou seu lema tradicional: “É recebendo que se dá”. Em vista disto, para ofuscar o tema do surrupio de centenas de bilhões de reais dos fundos de aposentados pelo dispositivo de fraude financeira montado pelo bolsonarismo e sua substituição por outro que não expusesse tanto o verdadeiro caráter do bolsonarismo, foi cobrado e exigido a aprovação explícita da cúpula bolsonarista à inclusão oficial do PCC e outras quadrilhas de bandidos no catálogo de organizações terroristas. Com isto, em terras tupiniquins, a pauta das conversas passaria a ser outra. Que alívio para o bolsonarismo!

Mas, por que uma tal categorização seria importante e necessária para os Estados Unidos? A gente sabe que, sempre que é de seu interesse, eles não dão a mínima para nenhuma lei, invadem e massacram pessoas e povos em quaisquer outros países.

Em meu entender, a administração trumpista precisa da oficialização do PCC e outros grupos como entidades terroristas por uma questão fundamentalmente interna dos Estados Unidos. Ali, a legislação em vigor impede a seu presidente desfechar atos de guerra contra outros países sem a aprovação prévia do Congresso. No entanto, isto não se aplica no caso de referir-se ao combate de organizações consideradas terroristas. Então, ao contar com a anuência aberta de uma força política do próprio país onde as organizações criminosas estão sediadas, ficou muito mais fácil para Trump ter sua lei aprovada.

Caberia perguntar: por que os Estados Unidos e o bolsonarismo desejam tanto combater o PCC e essas outras organizações criminosas, se, como ficou demonstrado, elas vinham sendo financiadas pelo próprio Banco Master bolsonarista?

Na verdade, nem os Estados Unidos, nem muito menos os bolsonaristas, têm o mínimo interesse em combater o PCC ou qualquer outro grupo criminoso. O que eles precisam é contar com um dispositivo que possa servir como uma ameaça e advertência constante sobre quem quer que seja que esteja no comando político do Brasil. É esta a razão que lhes torna importante a formalização da qualificação do PCC como uma organização terrorista.

Nem os Estados Unidos virão combater o PCC, nem o bolsonarismo tampouco o fará. Afinal, o bolsonarismo pode ser tudo, menos autofágico. Assim, Trump e os bolsonaristas fizeram tão simplesmente uma troca de favores. Para o primeiro, fica realçado seu potencial de intervenção e subjugação dos governantes do Brasil; para os segundos, resta a esperança de que o tema da roubalheira do Banco Master desapareça de nosso papo do dia a dia.

 

Fonte: Brasil 247

 

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